Resumo
Já ouviu falar de sintropia? Também conhecida como «agricultura sintrópica», este método de cultivo inovador e amigo do ambiente surgiu na Europa há cerca de dez anos. Na linha da permacultura, trata-se de uma revolução no mundo da agroecologia. Inspirada nos princípios naturais de regeneração dos ecossistemas, esta abordagem foi desenvolvida por Ernst Götsch, um agrónomo suíço que se instalou no Brasil na década de 1980. Em França, o interesse pela agricultura sintrópica, ou agrofloresta sucessional, está a crescer, oferecendo uma alternativa promissora aos métodos convencionais. Acompanhe-nos para saber mais sobre a sintropia.
As origens da agricultura sintrópica
Ernst Götsch e o nascimento da sintropia
A história da agricultura sintrópica é indissociável da de Ernst Götsch, um investigador suíço que, na década de 1980, se instalou no Brasil. Confrontado com terrenos áridos e degradados, Götsch desenvolveu um método de cultivo baseado nos princípios dos ecossistemas naturais e inspirado na floresta. A sua abordagem tinha como objetivo restaurar a fertilidade do solo, produzindo simultaneamente de forma abundante. Os resultados obtidos foram tão impressionantes que o seu método se difundiu rapidamente, primeiro no Brasil e depois noutros países.
O desenvolvimento em França
Em França, a agricultura sintrópica conquista progressivamente terreno. Iniciativas como a quinta dos Mawagits, no Gers ilustram o interesse crescente por esta abordagem. Estes locais são frequentemente pioneiros e servem como plataformas pedagógicas para divulgar práticas agroecológicas. A Joala Syntropie, fundada por Anaëlle Théry, desempenha também um papel fundamental em França. Em atividade desde 2018, disponibiliza formação e recursos adaptados ao clima temperado. A ausência de fertilizantes químicos e a utilização de diversas espécies vegetais mostram como a sintropia pode ser adaptada ao contexto edafoclimático francês.

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Testei para si: uma formação em permaculturaPrincípio e funcionamento da agricultura sintrópica
A agricultura sintrópica baseia-se na criação de um sistema de culturas denso e complexo. Por outras palavras, associam-se diferentes plantas, que são plantadas com um espaçamento muito reduzido, respeitando, ao mesmo tempo, as suas necessidades de luz (estratos emergente, alto, médio e baixo). Esta organização não se baseia, portanto, na altura das plantas, como acontece nas florestas-jardim, mas na sua tolerância à luz. Este sistema imita os ecossistemas naturais, em particular as florestas, para criar um equilíbrio entre as diferentes plantas.
As culturas estão organizadas em diferentes estratos, de modo a otimizar a utilização do espaço e a favorecer uma grande diversidade biológica. Esta organização permite uma melhor utilização da luz e dos recursos do solo, criando simultaneamente um habitat favorável a uma grande variedade de espécies animais e vegetais.
Segue-se a poda das plantas. Esta é planeada estrategicamente para estimular o seu crescimento e acelerar as sucessões ecológicas. Esta prática consiste em imitar as perturbações naturais (como a queda de uma árvore numa floresta), permitindo uma regeneração contínua.
As plantas assim podadas e trituradas são colocadas diretamente no solo, sob a forma de cobertura morta, para enriquecer o solo com matéria orgânica, mas também para melhorar a sua estrutura e fertilidade. A cobertura morta ajuda igualmente a conservar a humidade do solo, reduzindo a necessidade de rega e favorecendo um microclima propício ao crescimento das plantas.
Em resumo
Se fosse necessário resumir o funcionamento da agricultura sintrópica, poderia dizer-se que se baseia na criação de um sistema de culturas denso e complexo, que associa diferentes plantas em função das suas necessidades de luz. O jardineiro desempenha um papel fundamental, podando, cobrindo o solo e acelerando assim a sucessão dos vegetais. O objetivo é alcançar uma produção abundante, mantendo simultaneamente a saúde e a fertilidade do solo.

Vantagens e desafios da agricultura sintrópica
Os benefícios ambientais e económicos
A agricultura sintrópica oferece inúmeras vantagens, nomeadamente:
- Uma melhoria da fertilidade dos solos: Graças à decomposição da cobertura morta e aos ciclos sucessivos de vegetação, os solos ganham matéria orgânica e biodiversidade microbiana, o que aumenta a sua fertilidade a longo prazo.
- Uma redução da dependência de produtos químicos: Não é necessário utilizar fertilizantes químicos nem pesticidas, uma vez que o sistema cria os seus próprios ciclos de regeneração.
- Uma gestão otimizada da água: A cobertura morta e a densidade das culturas permitem reduzir a evaporação e melhorar a retenção de água no solo. É particularmente adequada para zonas onde a água é um recurso limitado.
- Uma biodiversidade reforçada: Ao integrar plantas de diferentes estratos e favorecer a coabitação de espécies variadas, a sintrópia cria um habitat favorável à fauna e à flora, aumentando assim a resiliência do ecossistema.
- Uma produção contínua e diversificada: Graças à organização em estratos e aos ciclos de
Os desafios a ultrapassar
Apesar das suas inúmeras vantagens, a agricultura sintrópica também apresenta desafios:
- Uma elevada exigência técnica: A conceção de um sistema sintrópico exige bons conhecimentos dos ciclos ecológicos, das sucessões vegetais e das necessidades específicas de cada planta.
- Um investimento inicial de tempo e mão de obra: A implementação de um jardim sintrópico exige um esforço considerável para planear, plantar e podar as culturas.
- Uma adaptação ao contexto local: Embora este método seja universal na sua abordagem, requer ajustes em função do clima, do solo e das espécies locais.
- Uma escassez de recursos pedagógicos em francês: Embora os resultados obtidos por Ernst Götsch no Brasil sejam promissores, este método de cultivo ainda se encontra numa fase experimental em França, pois o clima e as plantas são muito diferentes. Alguns agricultores já tentam esta experiência há alguns anos e contribuem para colmatar esta lacuna, como a ferme des Mawagits (Gers), JOALA Syntropie (Périgord Noir), la Baie Champêtre (Auvergne-Rhône-Alpes), Ecotones (Bélgica), entre outros.

Sintropia e permacultura: complementaridade e distinções
Pontos em Comum com a Permacultura
A agricultura sintrópica partilha vários princípios com a permacultura, nomeadamente a ênfase dada à biodiversidade, à sustentabilidade, a um solo nunca deixado a descoberto e ao respeito pelos ciclos naturais. Ambas as abordagens procuram criar sistemas de produção autossuficientes e respeitadores do ambiente.
Distinções Específicas
Enquanto a permacultura pode integrar diversos métodos e técnicas, a agricultura sintrópica centra-se especificamente na estratificação de culturas densamente plantadas, de modo a maximizar a produção e a saúde do solo.
A permacultura é também mais abrangente e engloba aspetos como a conceção de edifícios ecológicos, a gestão da água, o desenvolvimento de comunidades sustentáveis e os ecossistemas naturais, numa visão holística. A sintropia pode, no entanto, ser praticada no âmbito da permacultura enquanto técnica de cultivo.

A prática da sintropia
Exemplos concretos na jardinagem
A aplicação da sintropia na jardinagem manifesta-se de diversas formas. Por exemplo, na sua horta, um jardineiro poderia plantar videiras e girassóis (estrato alto), com filas de alfazema e de alecrim (estrato arbustivo), intercaladas com hortícolas como tomateiros ou alfaces, alternadas com adubos verdes (estrato herbáceo). Se a horta tivesse espaço suficiente, também poderia plantar oliveiras e amendoeiras (dossel). Esta combinação favorece um ecossistema equilibrado, no qual cada planta contribui para a saúde das outras, otimizando simultaneamente a utilização do espaço.
Testemunhos de jardineiros
Jardineiros de toda a França começam a dar conta das vantagens do cultivo sintrópico. Observam um aumento da biodiversidade, uma melhor saúde das plantas e uma redução das necessidades de água e de adubos. Estes testemunhos salientam a eficácia da sintropia na criação de jardins produtivos e ecológicos.

Para saber mais
Se o tema lhe interessa, aconselha-se a visitar os sites de Hub Agriculture Syntropique France e JOALA Syntropie. Dois espaços que disponibilizam formação e materiais pedagógicos, bem como um mapa interativo para conhecer os jardins que praticam a cultura sintrópica na sua região.
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