Resumo
Na permacultura, nos locais onde faz sentido abrandar o escoamento e reter a água da chuva, um dos princípios fundamentais consiste em captá-la para dela tirar o máximo benefício. As valas de infiltração, semelhantes a fossos, são estruturas que permitem aproveitar da melhor forma possível este recurso precioso, em vez de deixar as águas pluviais escoarem-se e levarem consigo as camadas superficiais e finas do solo.
Também conhecidas como valas vegetadas ou “swales” em inglês, as valas de infiltração são estruturas cuja utilização pode ser interessante até no jardim, perante episódios de chuvas intensas que alternam com períodos de seca cada vez mais intensos e generalizados. Deseja descobrir a técnica das valas de infiltração? Acompanhe as nossas explicações e conselhos para conhecer melhor esta prática de permacultura do futuro.

Vala de infiltração, também chamada “swale” pelos anglo-saxónicos
O que é uma vala de infiltração?
Designando originalmente uma depressão ou uma parte baixa de um campo onde a água da chuva fica acumulada, uma vala de infiltração é, na realidade, uma técnica de aproveitamento das águas de escorrência, amplamente promovida na permacultura, pois permite uma utilização ótima dos recursos naturais de água.
Trata-se de uma vala de infiltração acompanhada por um talude, cuja função é simples:
- recolher a água da chuva numa vala junto a um camalhão. Ao acumular-se aí, a água infiltra-se em profundidade no solo, permitindo que as plantas tirem partido dela durante mais tempo do que se tivesse escorrido pelo terreno,
- proteger o terreno ou uma zona de cultivo de eventuais inundações e da erosão durante períodos de precipitação intensa.

O termo vala de infiltração, que designava originalmente uma zona de acumulação de água num terreno, é a tradução mais ou menos precisa do termo inglês «swale»
Porquê criar uma depressão no jardim?
Graças à sua disposição transversal, as valas de retenção permitem tirar partido das águas de escorrência, gerindo-as suavemente. Erosão, lixiviação do solo e inundações são assim evitadas.
A vala de retenção funciona também como um reservatório natural, onde a água captada se infiltra progressivamente no solo. Quando a vala de retenção capta água de escorrência, o talude vegetado com árvores e arbustos absorve-a e armazena-a, permitindo que as plantas continuem a tirar partido dela muito depois de a vala de retenção ter secado.

Ao criar uma depressão encostada a um talude vegetado, capta-se a água, que beneficia a vegetação
Para obter o máximo interesse no jardim, as espécies plantadas podem ser fruteiras e fixadoras de azoto (eleagno, árvore-das-bexigas ou espinheiro-marítimo, etc.), acompanhadas por perenes e plantas de cobertura aromáticas, fitofarmacêuticas e úteis (consolda, angélica, facélia, etc.). A vala vegetada também pode ser deliberadamente inundada, para permitir a instalação de plantas de zonas húmidas com elevada produção de biomassa (junco-dos-lagos, etc.).
A matéria orgânica que se acumula progressivamente no fundo das valas de retenção (folhas e madeira morta, etc.) forma rapidamente um húmus de qualidade, que se torna o habitat dos mais importantes intervenientes na vida do solo: os invertebrados, os fungos e os micro-organismos.
Assim, a partir de um terreno na maior parte do tempo inclinado e por vezes difícil de vegetalisar, pode criar-se uma zona rica e abundante, produtiva, onde as aves e a fauna auxiliar não tardarão a instalar-se, tornando-se um verdadeiro nicho ecológico para o jardim envolvente. Em alguns países, as valas de retenção criadas em zonas desérticas contribuíram, aliás, para devolver vida a terras extremamente áridas.
No caso de um terreno plano e argiloso, a técnica das valas de retenção também pode ser aplicada para permitir tanto reter o máximo de água durante o maior período possível antes dos períodos de seca, como também saneá-la, de modo a evitar o excesso de água e a asfixia radicular (sem esquecer as dificuldades de trabalhar o solo). Além disso, o talude da vala de retenção, se for suficientemente largo, pode servir de caminho para manter os pés secos mesmo depois de fortes precipitações. Assim, a vala de retenção respeita plenamente o grande princípio «um elemento, várias funções»!
Onde e como criar uma vala de infiltração?
Onde?
Emprega-se a técnica das valas de infiltração em terrenos argilosos, em particular quando se encontram em declive e se perde rapidamente a água – mas também a matéria orgânica – por escorrência. Para cumprirem plenamente a sua função, as valas de infiltração devem seguir as curvas de nível do terreno onde são escavadas. A sua localização deve permitir “quebrar” o declive e recolher água suficiente durante as chuvas para hidratar os solos a jusante e o talude adjacente. Já se viu que estas valas também podem ser escavadas em terrenos planos com dificuldade em secar.
É possível criar uma pequena vala de infiltração num jardim de pequenas dimensões, tendo, contudo, em conta que, quando posicionada perpendicularmente ao terreno, pode dificultar a circulação.
Como?
- As valas de infiltração são construídas de forma semelhante aos arrozais instalados nas encostas das montanhas. Mas, enquanto o arroz é plantado no fosso, no caso das “swales” as plantas são geralmente plantadas no talude, com exceção das plantas de zonas húmidas, caso se pretenda instalar algumas.
- Os fossos são escavados seguindo as curvas de nível do terreno e os taludes são moldados com a terra retirada. Para conhecer as curvas de nível do jardim, pode consultar o site www.geoportail.gouv.fr. Ao introduzir a morada e graças às ferramentas do site, muito fáceis de utilizar, obterá uma vista aérea e poderá determinar um perfil altimétrico ou visualizar a carta topográfica IGN.
- Se preferir técnicas de campo para determinar os níveis, poderá utilizar um nível de água, um nível laser ou um nível egípcio, que consiste numa estrutura de madeira em forma de A, fácil de construir, munida de um cordel e de um peso (uma pequena pedra ou um pedaço de madeira). Esta etapa é importante, pois permite materializar o percurso da água no terreno.
- Coloque estacas ao longo da curva de nível determinada para implantar a vala de infiltração.
- Em seguida, para a construir, escave uma vala com cerca de 30 centímetros de profundidade e 60 centímetros de largura. Esta vala (ou fosso) não deve ter declive, para que a água não possa sair pela extremidade por escorrência.

Existem vários métodos para determinar a ou as curvas de nível onde serão escavadas as valas de infiltração
- A terra retirada é colocada em leira na parte superior, ao longo de toda a extensão, para formar o talude.
- Para evitar o aspeto de um fosso, pode encher a vala de infiltração com material triturado, pedras pequenas, cobertura morta, ramos finos ou qualquer outro material facilmente acessível. Isto permitirá refrescar ainda mais a terra e reter a água. Atenção, contudo: a ideia não é voltar a tapar o fosso que foi escavado com tanto esforço, devendo também deixar-se que os sedimentos o preencham aquando da próxima chuva!
- Como a vala de infiltração é uma estrutura destinada a infiltrar a água, não deve ser impermeabilizada, pois isso contrariaria a sua função principal.
- Por estar disposta longitudinalmente, a vala de infiltração pode dificultar a circulação no terreno que segmenta, sobretudo num jardim de pequenas dimensões. Nesse caso, é possível criar passagens de atravessamento utilizando materiais permeáveis, como pedaços de madeira de diferentes tamanhos.
→ Atenção: Quanto maior for o declive, mais significativos podem ser os volumes de água a gerir. As valas de infiltração devem, por isso, ser corretamente dimensionadas para evitar que as chuvas fortes as destruam e provoquem o deslizamento dos taludes. Podem suceder-se várias valas de infiltração, alternadamente, seguindo os declives, se o terreno for realmente íngreme. Nesse caso, na extremidade da vala de infiltração, uma zona de descarga permite que a água alcance a vala seguinte.
A manutenção de uma vala de infiltração
Apesar dos trabalhos necessários, uma vez instalado, este sistema de «swale» exige muito pouca intervenção e funciona durante muitos anos. Tal como acontece com as valas, as valas de infiltração exigem, no entanto, um acompanhamento da sua manutenção para evitar que fiquem obstruídas. Consoante as condições, como a proximidade de árvores, a natureza do terreno, a pluviosidade ou a sua profundidade, será necessário limpá-las de tempos a tempos. Esta manutenção permitirá recuperar a matéria orgânica depositada no fundo.

Uma manutenção ocasional permitirá garantir o bom funcionamento das valas de infiltração e evitará que fiquem naturalmente obstruídas
Apesar de todas as vantagens enumeradas, há que reconhecer também algumas desvantagens desta técnica:
- as margens mais expostas ao sol podem secar bastante, pelo que será necessário adaptar a seleção de plantas que aí será instalada
- Os roedores podem aproveitar a oportunidade para se instalarem aí… atenção, por isso, se forem implantadas junto à horta!
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