Resumo
A horta em permacultura é muito mais do que uma simples tendência: é uma revolução na arte de cultivar. Passar de uma horta clássica para uma horta em permacultura é escolher uma abordagem ecológica e sustentável. Este método, respeitador da natureza, otimiza o espaço e os recursos, favorecendo simultaneamente uma biodiversidade abundante. As vantagens são numerosas: redução dos resíduos, poupança de água, solos mais férteis e colheitas mais abundantes. Se procura transformar o seu jardim num ecossistema harmonioso e produtivo, a permacultura é o ponto de partida ideal.
Descubra os nossos conselhos para iniciar a transição da sua horta tradicional para um espaço de produção de alimentos em permacultura.

As vantagens da horta em permacultura
Ao contrário da horta tradicional, a permacultura tenta imitar a natureza e conta com ela para alimentar e proteger as suas plantas. As vantagens são numerosas: utilizará menos água, preservando a qualidade do solo e sem recorrer a adubos químicos ou pesticidas. O jardim tornar-se-á um ecossistema equilibrado, mais resistente às doenças e às pragas. A diversidade das culturas em permacultura garante colheitas variadas e abundantes ao longo de todo o ano. Por fim, este método favorece a biodiversidade, atraindo organismos auxiliares benéficos, como as abelhas e as joaninhas. Em suma, a permacultura é um convite a cultivar em harmonia com a natureza, para uma horta mais saudável, produtiva e respeitadora do ambiente.
Leia também
Testei para si: uma formação em permaculturaPrimeira etapa: a observação
A primeira etapa crucial para passar de uma horta tradicional para uma horta em permacultura é a observação. Antes de avançar sem refletir para a mudança, reserve algum tempo para observar o seu espaço, compreender as suas especificidades e identificar as suas vantagens e limitações.
Analise a exposição solar e o vento:
Identifique as zonas mais soalheiras e as que ficam à sombra. Isso permite determinar os melhores locais para cada tipo de planta. Por exemplo, se as alfaces apreciam a meia-sombra, ou até a sombra, o mesmo não acontece com os tomateiros e as beringelas, que apreciam o pleno sol e o calor.
Tenha em conta que a exposição solar varia de uma estação para outra. Recomendamos que identifique (e que registe ou fotografe) quais são as zonas soalheiras mês após mês, idealmente ao longo de um ano completo, porque a horta funciona durante todo o ano!
Identifique também os elementos exteriores que influenciam o seu jardim, como a direção dos ventos dominantes ou a presença de um muro que o abriga. Isso permite posicionar criteriosamente as plantações e as infraestruturas.
Determine a natureza do seu solo:
Conhecer a qualidade e a composição do solo é essencial antes de iniciar a prática da permacultura, pois não se cultiva da mesma forma num solo argiloso, num solo arenoso ou num solo limoso. O mesmo se aplica a um solo ácido, neutro ou calcário. Por exemplo, os solos ácidos são perfeitos para os mirtilos, mas menos adequados para as couves.
Para conhecer a sua composição, a sua textura e também o seu pH, basta realizar alguns testes. Para os realizar em casa, leia os nossos artigos: “Determinar a textura do seu solo: argiloso, arenoso, limoso” e “Solo ácido, solo neutro ou solo calcário: como saber?”
Observe a drenagem:
Depois de uma chuvada intensa, identifique as zonas onde a água fica acumulada no jardim. Pondere melhorar a drenagem da água, incorporando cascalho ou pozolana no solo aquando da plantação. A maioria das plantas hortícolas prefere um solo bem drenado e não tolera o excesso de água, pois este pode provocar o apodrecimento das raízes. Também pode optar por instalar legumes que apreciam a humidade, como o agrião.
Identifique a fauna local:
Registe os insetos, as aves e outros animais que visitam o seu jardim. Alguns podem ser aliados preciosos no combate às pragas. Se estiverem ausentes do seu jardim ou forem pouco numerosos, pode ser aconselhável instalar hotéis para insetos e favorecer a nidificação das aves.
Identificação das plantas bioindicadoras:
As plantas que surgem naturalmente no seu jardim podem revelar muito sobre a saúde e a qualidade do seu solo. Estas plantas, chamadas bioindicadoras, são indicadores naturais das características do solo. Por exemplo, a presença de erva-das-bruxinhas pode indicar um solo compactado, enquanto a urtiga revela um solo rico em azoto. Ao observar estas plantas e compreender o que indicam, pode adaptar as técnicas de cultivo e os corretivos do solo para responder às necessidades específicas do seu solo.

Etapa 2: o planeamento
Uma vez terminada esta fase de observação, passe à planificação. Consiste em esboçar um plano da sua horta, integrando ou tendo em conta os elementos observados.
Na permacultura, o jardim é frequentemente dividido em zonas (de 1 a 5) em função da frequência de utilização e do acesso. Esta regra também pode ser aplicada à horta. A zona 1 é a mais próxima da casa e contém plantas que colhe com frequência ou que necessitam de atenção diária, como as ervas aromáticas ou a curgete, que necessita de muita rega. Pelo contrário, a última zona é a mais afastada, mais selvagem e requer menos intervenção, por exemplo, um pomar ou uma mata no âmbito de um jardim alimentar.
Pense também na criação de zonas específicas, como o composto, um hotel para insetos, um recolhedor de água, etc.
Trace caminhos para poder caminhar sem pisar as plantações. Estes caminhos podem ser cobertos com cobertura morta.
Desenhe ou represente depois, com cores, as futuras plantas da horta, pensando também na complementaridade entre as plantas. Algumas plantas afastam naturalmente as pragas ou atraem insetos benéficos. Outras podem enriquecer o solo em azoto, beneficiando assim as plantas vizinhas. Por exemplo, os tomates gostam de estar junto de tagetes, que afastam algumas pragas, e os feijões enriquecem o solo para o milho, etc.
Tenha em conta que esta representação do seu jardim irá, muito provavelmente, evoluir e mudar de ano para ano. Por isso, não hesite em utilizar um lápis de grafite e lápis de cor, que podem ser facilmente apagados, para fazer futuras alterações. Pense também nas rotações de culturas!

Etapa 3: a preparação do solo
Como foi abordado no capítulo anterior, comece por delimitar as suas zonas com elementos visuais. Utilize o que tiver à disposição: corda, uma estaca de madeira cravada no solo, pedras, uma planta ou canteiros elevados como elemento de referência, etc… Depois, instale os elementos específicos (composto, hotel para insetos, ….)
Em seguida, crie os seus caminhos para circular entre as zonas, privilegiando materiais naturais, como material triturado ou cobertura morta.
Prepare as suas zonas de cultivo, mas evite trabalhar demasiado o solo. Deixe a pá de cova, a picareta e o motocultivador na garagem. Utilize, antes, uma forquilha de cavar ou uma forquilha de duplo cabo para arejar o solo e descompactá-lo sem o revolver. Desta forma, preserva-se a sua estrutura e protegem-se os micro-organismos benéficos. Além disso, um solo bem arejado permite que as raízes respirem e se desenvolvam.
Enquanto não cultiva, não deixe o solo descoberto! Cubra a terra com cobertura morta ou plante leguminosas e “adubo verde“, como o trevo, a ervilhaca, a facélia ou as ervilhas. Além de enriquecerem o solo com azoto, estas plantas melhoram a sua estrutura, aumentam a sua capacidade de retenção de água e favorecem a vida microbiana.

Etapa 3: diversifique as suas plantações
Antes de plantar, faça uma lista dos legumes, frutos e flores que pretende cultivar. Inclua plantas de diferentes famílias em cada zona, para evitar a propagação de doenças específicas de uma família, como o míldio, que pode contaminar os tomates e as batatas-inglesas.
Tenha também em conta as associações de legumes e as plantas companheiras ao fazer a sua escolha. Por exemplo, plante tomates junto do manjericão para afastar as pragas, ou cenouras perto das cebolas para proteger contra determinadas pragas.
Integre flores na sua horta, como as calêndulas ou os tagetes, para atrair os polinizadores e afastar determinadas pragas. Sem esquecer as plantas aromáticas, como a hortelã ou a citronela, que também podem atuar como repelentes naturais.
Aproxime as plantas na horta, para imitar a forma como a natureza funciona. Ao aproximar as plantas, cria-se um microclima onde a humidade se conserva, reduzindo assim a necessidade de rega. Esta proximidade também favorece a proteção mútua contra pragas e doenças. Além disso, ao limitar o espaço entre as plantas, reduz-se o crescimento das ervas daninhas, permitindo ao solo conservar os seus nutrientes essenciais.
Nota: Cada jardim é único! Não hesite em experimentar e observar o que funciona melhor no seu espaço, consoante a natureza do solo ou a região climática. Adapte, altere e diversifique de ano para ano, pois, na horta, tal como na permacultura, a descoberta e a paciência são aliadas.

Manutenção da horta em permacultura
Como foi abordado nos capítulos anteriores, é essencial compreender que o solo é vivo e que a sua boa saúde contribui para o crescimento das suas plantas. Em vez de o perturbar com lavras profundas, preserve a sua estrutura utilizando métodos suaves como a cobertura morta e o arejamento do solo. A cobertura morta, seja composta por folhas, palha ou composto, nutre o solo, conserva a humidade e impede o crescimento das ervas daninhas.
A rega em permacultura também é diferente. Em vez de regar frequentemente à superfície, opte por regas menos frequentes, mas mais profundas. Isto incentiva as raízes das plantas a crescer mais profundamente, tornando-as mais resistentes à seca. A cobertura morta também contribui para limitar a evaporação da água e mantém o solo húmido durante mais tempo. Considere também instalar oyas, que reduzem a frequência das regas.
Todos os anos, ponha em prática a rotação de culturas e mude a localização das suas plantas da horta. Isto evita o esgotamento dos nutrientes do solo e reduz o risco de doenças. Também pode deixar algumas plantas produzir sementes, para colher as sementes ou deixar o vento fazer o seu trabalho.
Na permacultura, o composto é frequentemente chamado de «ouro negro», pois é rico em nutrientes e melhora a qualidade do solo. Se ainda não o fez, instale um compostor para obter este adubo natural, que alimenta as suas plantas, ajuda-as a crescer e torna o seu solo mais saudável de ano para ano.
Por fim, não se esqueça de observar. Reserve tempo para caminhar pelo jardim, escutar, cheirar e tocar. A observação permite detetar os primeiros sinais de problemas e intervir de forma natural, por exemplo, introduzindo predadores naturais para combater as pragas.

A permacultura: entre a adaptabilidade e a evolução
A permacultura é um pouco como aprender a dançar com o seu jardim. E cada jardim é único! O que funciona num jardim pode não funcionar noutro. Em vez de seguir regras rígidas, observa-se, adapta-se e evolui-se com a natureza.
Não hesite em informar-se sobre o tema: existem muitas obras sobre o assunto que ensinam, por exemplo, a criar um canteiro elevado.
Com o tempo, notará que o seu jardim muda. Talvez uma planta não cresça bem num determinado local, mas desenvolva-se bem noutro. Ou então, num ano, chove muito e, no ano seguinte, o tempo é muito seco. A permacultura incentiva a adaptar os métodos em função dessas mudanças.
O mais importante é manter uma atitude aberta e flexível. Se alguma coisa não funcionar, não é um fracasso, mas uma oportunidade para aprender.

Para saber mais
Para descobrir mais sobre o tema, consulte os nossos artigos:
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