Resumo

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A romãzeira ornamental, em poucas palavras

  • A romãzeira de flor é um arbusto muito ornamental, com a sua fina folhagem verde-clara e muito luminosa que contrasta com as suas flores franzidas de vermelho-vermelhão ou laranja-vivo, por vezes matizadas, durante todo o verão.
  • A folhagem apresenta belas colorações vermelho-alaranjado no outono antes de cair.
  • Algumas cultivares produzem pequenos frutos roxos ou avermelhados, decorativos mas sem interesse gustativo; outras são anãs, ideais para cultivo em vaso.
  • Típica da orla mediterrânica, a romãzeira aprecia situações quentes e ensolaradas, mas tolera geadas da ordem de -12 a -15 °C.
Dificuldade

A palavra da nossa especialista

As romãzeiras constituem o emblema das civilizações mediterrânicas desde os Egípcios, à semelhança da oliveira e da tamareira. Formam arbustos que atingem 3 a 5 m de altura, transformando-se com a idade em pequenas árvores atarracadas de troncos retorcidos, capazes de viver dois séculos.

As romãs, com bagas translúcidas, suculentas e doces, cor de sangue, envoltas numa «casca» bastante resistente, contribuem para o seu sucesso; no entanto, nas romãzeiras ornamentais, é a floração que nos interessa. Estas cultivares apresentam flores frequentemente duplas, com o aspeto de flores em papel crepe amarrotado, cor de laranja vivo, salmonadas ou rajadas de branco, que se renovam durante todo o verão, não produzindo frutos ou produzindo muito poucos. Algumas cultivares produzem pequenos frutos muito decorativos, como as variedades Fruits Violets, Nana ou Chico, mas sem interesse gustativo.

O arbusto caducifólio, de casca clara, desenvolve ramos bastante finos e ligeiramente espinhosos, que se cobrem de uma bela folhagem alongada, de extremidade arredondada, avermelhada na primavera, verde-maçã intenso no verão, antes de se adornar com magníficas tonalidades outonais.

Este apreciador de calor, de crescimento lento, é apesar de tudo bastante rústico, tolerando até -15 °C, o que permite cultivá-lo até à região de Paris. Um local abrigado e ensolarado permite usufruir de uma floração deslumbrante. É muito pouco exigente e contenta-se com um solo argiloso, pobre e seco. A romãzeira de frutos necessita de um longo verão bem quente e de uma boa humidade do solo para produzir boas romãs doces.

Descrição e botânica

Ficha de identidade

  • Nome latino Punica granatum
  • Família Lythraceae
  • Nome comum romãzeira ornamental
  • Floração de maio a agosto
  • Altura entre 0,30 e 5 m
  • Exposição sol
  • Tipo de solo qualquer solo solto, de preferência fresco, bem drenado, mesmo calcário
  • Rusticidade Boa (-12 a -15 °C)

O berço deste arbusto frutífero, Punica granatum, situa-se no nordeste da Turquia, estendendo-se provavelmente até ao norte da Índia, passando pelo Irão. Os Fenícios terão levado a planta para o norte de África aquando da fundação de Cartago, em 814 a.C., mas ela já figurava nos baixos-relevos do templo de Karnak e ocupava um lugar importante na mitologia grega, bem como nas religiões cristã, judaica e muçulmana. Em França, cresce frequentemente nas bordaduras de vinhas ou de pomares de amendoeiras ou de oliveiras na região mediterrânica e na Córsega.

O género Punica compreende duas espécies, granatum e protopunica, originária do Sul da Ásia, que constituem a família das Punicáceas, hoje incorporada na das Litraceas.

romãzeira ornamental

Punica granatum – ilustração botânica

A romãzeira tem um crescimento bastante lento e uma longevidade de quase 200 anos. Forma uma pequena árvore atarracada ou um arbusto de hábito denso, atingindo entre 4 e 5 m de altura e 3 m de envergadura. Os ramos delgados são ligeiramente espinhosos e apresentam uma casca clara bege-prateada, que se valoriza no inverno pela ausência de folhas. O abrolhamento, relativamente tardio por volta de finais de abril, origina uma bela silhueta adornada de folhas bronzeadas a púrpuras, opostas ou verticiladas (agrupadas em 3 ou mais). Estas tornam-se de um verde luminoso antes de exibirem belas tonalidades laranja e douradas no outono. O limbo alongado de extremidade arredondada, sustentado por um curto pecíolo delgado avermelhado, mede entre 3 e 8 cm de comprimento.

A floração surge de maio a agosto, com frequência um pico em junho-julho, sob a forma de botões arredondados de cor laranja, com 1 cm, que desdobram pétalas amarrotadas em vermelho-vivo em torno de um conjunto abundante de estames amarelos e de um pistilo central. O cálice forma uma espécie de cápsula coriácea estrelada, de cor laranja e aspeto ceroso, que acaba por envolver o ovário e se encontra na extremidade do fruto. As romãzeiras ornamentais têm flores mais generosas, com pétalas frequentemente dobradas, por vezes mosqueadas de branco, como na ‘Legrelliae’. ‘Maxima Rubra’ produz grandes flores muito duplas, repletas de pétalas amarrotadas cuja textura evoca a do papel de seda, mas nunca formam frutos. As flores da variedade anã ‘Nana’ são simples, com apenas 3,5 cm de diâmetro. Emergem de um cálice espesso de textura cerosa que acaba por formar uma romã miniatura comestível, cuja pele de aspeto curtido se tinge de bronzeado, de castanho a vermelho Grenada. Os frutos persistem longamente no arbusto durante o inverno, conferindo um interesse decorativo mesmo após a queda das folhas.

A romã consome-se crua ou sob a forma de sumo ou de xarope. A casca das romãs utiliza-se em gargarejos contra as dores de garganta, como vermífugo potente e também como planta tintureira.

Romãzeira ornamental

Punica granatum ‘Madame Legrelliae’, evolução da floração

As principais variedades de Romãzeiras de flores

Variedades vigorosas para sebe ou canteiro

Romãzeira Maxima Rubra

Romãzeira Maxima Rubra

Esta romanzeira produz grandes flores duplas, de aspeto franzido, carregadas de pétalas de um vermelhão vivo, que contrasta lindamente com a folhagem verde-viva e brilhante durante todo o verão. Não produz frutos, mas exibe belas cores outonais antes de perder as folhas. Capaz de crescer até à Alsácia, em qualquer solo drenado mesmo pobre, tolera a seca e a salsugem e mostra-se pouco sensível a parasitas.
  • Período de floração Julho à Outubro
  • Altura à maturidade 3,50 m
Romãzeira California Sunset

Romãzeira California Sunset

Este arbusto vigoroso apresenta uma generosa floração de flores encrespadas, de cor laranja-salmonado com pétalas marginadas de creme, de 6 cm de diâmetro. Não produz frutos e suporta frios de -15 a -17 °C.
  • Período de floração Julho, Agosto
  • Altura à maturidade 3 m

Variedade anã para vaso

Romãzeira Nana

Romãzeira Nana

Este arbusto anão permite um cultivo em vaso muito ornamental praticamente durante todo o ano. A generosa floração com pequenas corolas simples ligeiramente encrespadas é seguida da produção de romãs miniatura muito decorativas e comestíveis, que persistem boa parte do inverno nos ramos despidos. É de cultivo fácil em clima ameno a moderado e pode ser recolhido no inverno numa divisão pouco ou nada aquecida (-15 °C).
  • Período de floração Julho à Setembro
  • Altura à maturidade 1 m

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Plantação

Onde plantar a romãzeira?

A romãzeira é indiferente à natureza do solo, suporta bem o calcário assim como os solos argilosos, pobres, pedregosos e secos. Cuide da drenagem se os invernos forem frios e húmidos. Se protegida durante os primeiros anos, a romãzeira torna-se um arbusto bem mais rústico do que se pensa, como o comprova um exemplar adulto que cresce em plena terra há mais de 20 anos no Jardim Botânico da Universidade de Estrasburgo, na Alsácia.

Escolha um local muito soalheiro, junto a uma parede abrigada dos ventos de norte se residir fora da zona da oliveira.

Para produzir frutos, necessita de um longo verão quente e seco, razão pela qual o seu cultivo se encontra principalmente na zona da amendoeira, da oliveira e da figueira.

Quando plantar?

Se os invernos forem frios, plante os Punica após as últimas geadas, entre abril e maio consoante a região. Uma plantação no outono é preferível na zona mediterrânica, de modo a favorecer o enraizamento antes do calor do verão.

Como plantar?

Esta planta é de cultivo fácil.

  • Mergulhe o torrão num balde de água para o humedecer bem.
  • Abra uma cova bem revolvida em profundidade e com um diâmetro 3 vezes maior do que o torrão. Adicione algumas punhadas de areia e cascalho para assegurar uma boa drenagem à volta das raízes.
  • Incorpore estrume ou composto decomposto se a terra for arenosa.
  • Coloque a planta na cova de plantação.
  • Reponha a terra e compacte ligeiramente.
  • Regue.
  • Aplique uma camada de mulch para manter a frescura durante o verão, sobretudo quando a planta é jovem.
Romãzeira anã

Punica granatum ‘Nana’ com frutos

Poda e manutenção

Regue regularmente e em profundidade durante o primeiro verão para garantir a pega da romãzeira. Deixe secar o solo à superfície. Em solo pobre, pode manter a fertilidade do solo ou do substrato com um aporte de estrume, composto ou adubo orgânico na primavera ou no outono. Em vaso, adicione adubo para fruteiras, do tipo adubo para tomates, durante a estação quente.

Poda da romãzeira

Deixe a romãzeira desenvolver-se livremente durante os primeiros anos de vida, para que se implante profundamente e esteja em condições de florescer. Pode depois selecionar 5-6 ramos estruturais ou limitar-se a eliminar os ladrões, os ramos que se cruzam e os ramos mortos. O porte arbustivo um pouco desordenado na fase jovem torna-se ligeiramente alargado e arredondado quando a romãzeira de flor está em idade de florescer. O crescimento abranda então de tal forma que a poda se torna muito limitada. De vez em quando, encurte os ramos de forma a trazer a floração para o centro. Efetue a poda na primavera, no início da vegetação, com uma tesoura de poda.

Se cultivar a romãzeira em vaso ou em floreira para a proteger de invernos demasiado rigorosos, coloque-a numa divisão fresca durante o inverno, mesmo com pouca luz enquanto a folhagem estiver ausente, de forma a expô-la a um ligeiro período de frio necessário à formação de botões florais.

→ Saiba mais sobre a poda da romãzeira no nosso tutorial: Quando e como podar a romãzeira?

Multiplicação : estaquia

A sementeira da romanzeira pode ser feita com as cultivares que produzem frutos, mas é preciso aguardar cerca de 5 anos antes de a ver florescer, sem garantia de obter as mesmas flores que as da planta-mãe. A multiplicação mais simples da romanzeira consiste em extrair rebentos (dragões) no outono, quando presentes, ou em fazer estacas de ramos.

Estacaria

Em novembro ou fevereiro-março, prepare um canteiro de viveiro bem revolvido, incorporando composto e areia.

  • Corte extremidades de ramos despidos de 20 a 25 cm de comprimento.
  • Enterre-as no substrato, deixando emergir apenas o último gomo.
  • Proceda à extração das plantas enraizadas na primavera seguinte ou no ano a seguir, para as replantar num viveiro com espaço suficiente à volta (25 cm) ou em vaso.
  • Coloque-as sob abrigo frio ou num local protegido durante os 3 invernos seguintes, antes de as instalar no local definitivo.

→ Saiba mais sobre a multiplicação da romanzeira, no nosso tutorial!

Utilizações e associações

As romãzeiras fazem magníficos exemplares para plantar num vaso ou em contentor, consoante as dimensões do arbusto, sabendo que o crescimento abranda com a idade. A forma Nana aceita até uma condução em bonsai. Plantam-se isoladas ou num canteiro de arbustos ou de perenes, pois as raízes penetram profundamente no solo, evitando assim a concorrência.

romãzeira em flor

A romãzeira anã (Punica granatum ‘Nana’) é muito florífera e presta-se bem ao cultivo em vaso

Em clima mediterrânico quente e seco no verão, a romãzeira como Flore Plena compõe sebes campestres em companhia de amendoeiras, oliveiras, pitosporo-do-Japão, estevas ou folhados. Este tipo de sebe não necessita de manutenção, suportando ao mesmo tempo a seca, a quase ausência de poda, com uma folhagem saudável onde se misturam plantas caducas e persistentes.

Pode também associá-la, como nos jardins da Alhambra em Granada, a roseiras antigas arbustivas ou botânicas como Rosa chinensis ‘Mutabilis’, Rosa gallica ‘Versicolor’, Rosa ‘Jacques Cartier’ ou a roseira antiga Rosa ‘Ispahan’.

No terraço, reinará num grande vaso, em companhia de outros arbustos para terraço de estilo mediterrânico, como citrinos, uma dentilária-do-Cabo, um jasmim, um solano-azul ou ainda um loendro. Este modo de cultivo permite recolhê-las num espaço muito luminoso, abrigado das geadas intensas, se necessário entre outubro e maio.

→ Descubra mais ideias de associações com a romãzeira na nossa ficha de conselho!

Sabia que?

A cidade de Granada, cruzamento das civilizações árabes e andaluzas, alberga nos jardins da Alhambra a romãzeira trazida pelos Mouros. Esta árvore prosperava igualmente nos jardins suspensos da Babilónia e os Romanos, que a descobriram em Cartago, batizaram-na de Maçã de Cartago.

A romã surge como um fruto altamente simbólico desde a Alta Antiguidade egípcia, grega e nas principais religiões cristã, muçulmana, budista e judaica. A primeira romãzeira é oferecida aos homens pela deusa do amor Afrodite. Hades oferece uma romã a Perséfone para a reter nos infernos como símbolo de fidelidade. Entre os Muçulmanos, a árvore do paraíso é a romãzeira. O sumo simboliza as lágrimas de Fátima e as sementes, as do profeta. A tâmara, a oliveira e a romã fazem parte dos frutos mais frequentemente citados na Bíblia.

Para ir mais longe

Descubra a nossa gama de Romãzeiras de Flor.

A nossa ficha de conselhos: Doenças e parasitas da romãzeira

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