Resumo
Sonha com um jardim de plantas perenes que seja simultaneamente magnífico e fácil de manter? Talvez se pergunte por que razão tantos jardineiros profissionais ou paisagistas agrupam as plantas e falam da «magia» dos números quando se trata de plantar plantas perenes. Não se trata de uma simples coincidência (nem de uma superstição ou de um excesso de zelo), mas de uma abordagem ponderada que tem dado provas na otimização do espaço e da beleza de uma área verde. Neste artigo, serão abordadas as razões estéticas e práticas para plantar plantas perenes em grupos de 3, 5, 7 ou 9. Descobrirá também como escolher as melhores combinações para transformar o jardim numa verdadeira joia de cores e texturas.

Porquê estes números?
Quando se fala de plantação em grupos, ouvem-se frequentemente números como 3, 5, 7 ou 9. Mas porquê estes números, perguntará? Bem, meu caro Watson, a resposta reside numa combinação de ciência e arte!
Em primeiro lugar, estes números são ímpares. Na matemática e no design, os números ímpares são frequentemente utilizados para criar equilíbrio sem simetria, o que é geralmente mais agradável à vista. Além disso, estes grupos de plantas, como três alfazemas lado a lado, criam uma massa visual com maior impacto do que se estas plantas estivessem isoladas. A plantação em grupos cria a ilusão de abundância e densidade, qualidades procuradas num jardim bem concebido.
Além disso, a plantação em grupos é muito mais prática. As plantas com necessidades semelhantes de água e luz, como as petúnias e as begónias, podem ser agrupadas para simplificar os cuidados. Este método não só reduz o tempo dedicado à manutenção, como também otimiza os recursos de água e nutrientes.
No fim de contas, a plantação em grupos não é simplesmente uma questão de seguir uma tradição ou uma regra arbitrária, mas constitui uma forma de aproveitar os princípios da natureza e do design para criar um jardim simultaneamente bonito e funcional.

O detalhe dos números mágicos e as suas utilizações específicas
Três: o poder do trio
O número três é frequentemente o ponto de partida para criar um efeito minimalista sem sacrificar o impacto visual. Três plantas da mesma espécie e variedade, por exemplo, três agapantos, podem plantar-se de modo a formar um pequeno triângulo. Este esquema cria uma unidade visual, proporcionando simultaneamente espaço suficiente para que cada planta se possa desenvolver. Além disso, três plantas atraem mais o olhar do que duas, sem, no entanto, dar uma sensação de excesso ou desordem.
Cinco para o equilíbrio
Cinco é o número ideal para quem procura criar um equilíbrio visual mais complexo. Por exemplo, podem plantar-se cinco peónias em xadrez. Esta disposição proporciona estrutura e profundidade ao jardim. Além disso, cinco plantas permitem também jogar com diferentes alturas, em contraste, por exemplo, com 3 plantas mais baixas nas proximidades.
Sete para a abundância
Um grupo de sete plantas cria uma sensação de abundância e plenitude. Ideal para grandes bordaduras ou espaços abertos, um grupo de sete permite também misturar várias variedades para um efeito ainda mais dramático. Pode, por exemplo, combinar três astilbes de flores cor-de-rosa com quatro de flores brancas (ou seja, 7 no total), criando um jogo de cores e texturas.
O encanto do nove para os grandes canteiros
O número nove é geralmente reservado para grandes espaços ou para jardineiros que procuram valorizar uma planta de forma ousada. Considere-se um exemplo: um grupo de nove íris pode servir de ponto focal num grande jardim, atraindo o olhar à distância. O número 9 permite também uma maior diversidade, proporcionando a oportunidade de combinar vários subgrupos de três plantas diferentes (por exemplo, 3 variedades de 3 íris) para criar um efeito de retalhos.

As vantagens da plantação em grupos
O impacto estético
A estética é uma das principais razões pelas quais muitos jardineiros optam pela plantação em grupos.
Exemplo: Consideremos um grupo de 5 lírios-de-dia, comummente chamados lírios-de-um-dia, plantados atrás de um grupo de 3 hortênsias. Esta composição cria uma harmonia visual, em que as hortênsias proporcionam volume e uma certa forma arredondada, enquanto os lírios-de-dia acrescentam altura e contraste com os seus longos caules e flores em forma de trompete. Este tipo de composição tira partido das diferenças de formas, cores e texturas para criar um conjunto mais cativante do que um simples alinhamento de plantas.
Outro aspeto importante é o efeito de repetição. Em vez de dispersar aleatoriamente o mesmo tipo de planta, como sálvias, pelo jardim, agrupar um número ímpar destas plantas cria continuidade e ritmo. Não só é agradável à vista, como também acrescenta uma certa estrutura ao jardim, tornando o conjunto mais coerente.
O apoio mútuo das plantas
Quando as plantas perenes são plantadas em grupos, beneficiam frequentemente de um apoio estrutural mútuo. Por exemplo, num grupo de 5 equináceas, os caules tendem a apoiar-se uns nos outros, o que pode ajudar a prevenir a murchidão ou o abatimento que por vezes se observa nas plantas isoladas.
Além do apoio estrutural, as plantas agrupadas também podem proteger-se mutuamente contra certas doenças e pragas. Tal como a salva (Salvia officinalis), conhecida pelas suas propriedades repelentes naturais.
Outra forma de apoio mútuo é a complementaridade das necessidades nutricionais. Num grupo de 5 plantas, se, por exemplo, houver erva-dos-gatos associada a rudbéquias, as primeiras preferem um solo bem drenado, enquanto as segundas são pouco exigentes quanto à qualidade do solo. Isto pode ajudar a criar um equilíbrio, reduzindo o risco de deficiência de nutrientes no solo.
Facilidade de manutenção
Agrupar plantas com necessidades semelhantes facilita bastante a manutenção. Assim, poupará tempo na rega ou na fertilização do solo. Além disso, poderá concentrar os esforços numa zona específica, o que pode permitir poupar tempo e energia.
Otimização do espaço
A plantação em grupos também permite aproveitar melhor o espaço disponível. Imagine-se um grupo de 9 hostas numa zona do jardim à sombra. Este grupo não só cria um efeito visualmente apelativo, como também permite preencher eficazmente um espaço que, de outro modo, poderia permanecer desaproveitado ou ficar ocupado por plantas menos adequadas.

Como escolher as combinações certas de perenes
A chave do sucesso de um jardim de plantas perenes assenta, em grande medida, na escolha das combinações certas. Eis alguns conselhos para conseguir esta combinação:
Ter em conta as necessidades específicas
Ao selecionar plantas para formar um grupo, é fundamental ter em conta as suas necessidades de água, luz e nutrientes. Por exemplo, o gerânio vivaz e a Campanula persicifolia complementam-se bem, pois apreciam ambos um solo bem drenado e uma exposição solar moderada.
Brincar com as alturas e as texturas
Varie as alturas e as texturas para criar uma paisagem visualmente interessante. Um exemplo: um grupo composto por 5 gramíneas ornamentais ao fundo, por bergamotas a meio e por amores-perfeitos à frente pode proporcionar profundidade e complexidade visuais.
Pensar nas estações
Escolha plantas que floresçam em épocas diferentes para prolongar o período de interesse do jardim. Uma combinação de bolbos de montbrécias para o verão, de ásteres para o outono e de bergénias para a primavera garante assim uma floração colorida durante quase todo o ano.

Exemplos de combinações bem-sucedidas
Para um jardim inglês
Crie uma atmosfera digna de um cottage inglês associando 3 sublimes roseiras inglesas ‘Winchester Cathedral’, 5 plantas de dedaleiras ‘Illumination Raspberry’ e 7 admiráveis Campanula persicifolia (idealmente, misture a variedade de flores brancas com as de flores azuis). As roseiras oferecem flores delicadamente perfumadas e contrastam lindamente com as flores cor-de-rosa das dedaleiras, tudo realçado pelo azul das campânulas. Esta combinação é perfeita para uma exposição soalheira, sobretudo nas regiões a norte do Loire.
Para um jardim mediterrânico ou seco
Evoque as paisagens soalheiras da Provença com 3 plantas de alfazema ‘Hidcote’ pelo seu perfume, 7 tomilhos rastejantes ‘Doone Valley’ para criar diferentes alturas, e 5 belas sálvias ‘Berggarten’ pela sua folhagem verde-acinzentada. Esta bela combinação de aromas é ideal para as regiões mediterrânicas ou atlânticas e adapta-se perfeitamente aos jardins em pleno sol.
Para um jardim campestre
Crie um ambiente bucólico associando 3 grandes equináceas ‘Magnus’, 7 plantas de rudbéquias ‘Goldsturm’ e 5 gramíneas Calamagrostis ‘Karl Foerster’. As equináceas de flores cor-de-rosa e as rudbéquias douradas atraem as borboletas, acrescentando assim uma nota selvagem ao jardim. As gramíneas conferem movimento e altura com as suas hastes florais finas e leves. Esta mistura é perfeita para uma exposição soalheira a meia-sombra e adapta-se a quase todas as regiões de França.

Equináceas ‘Magnus’, rudbéquias ‘Goldsturm’ e Calamagrostis ‘Karl Foerster’
Para um jardim de sombra
Crie um espaço tranquilo e verdejante associando 5 hostas ‘Francee’ pelas suas grandes folhas verde-escuras, contornadas de branco, com 3 belas fetos ‘Lady in Red’ e os seus caules avermelhados. Acrescente um pouco de luz com a floração invernal de 3 heléboros niger. Esta composição é ideal para as regiões a norte do Loire, à sombra ou à meia-sombra.
Para um jardim com floração prolongada
Garanta um espetáculo floral (quase) contínuo associando 3 gerânios vivazes ‘Rozanne’, 7 surpreendentes astilbes ‘Fanal’ e 5 plantas de ervas-dos-gatos ‘Cat’s Pajamas’. Os gerânios oferecerão uma floração durante todo o verão e um bonito contraste com as plumas vermelhas das astilbes. As ervas-dos-gatos prolongam a floração com as suas espigas de pequenas flores azuis, desde a primavera até ao outono. Esta combinação adapta-se perfeitamente aos jardins soalheiros e à maioria das regiões, exceto às mais secas.
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