Resumo
O universo dos citrinos está repleto de variedades fascinantes, muito para além das clássicas laranjas, dos limões e das laranjas-natal. Estes frutos, conhecidos pelos seus sabores intensos e pela sua riqueza em vitaminas, oferecem uma paleta incrível de formas, cores e sabores. Através deste artigo, convidamo-lo a descobrir a nossa lista de citrinos originais. Das limeiras vermelhas aos limoeiros retorcidos, passando pelos híbridos surpreendentes, cada variedade selecionada promete transformar o jardim ou a varanda num verdadeiro conservatório de exotismo!
Cidreira Mão-de-Buda ou cidro-digitado
A cidreira Mão de Buda, de nome científico Citrus medica digitata, distingue-se pelo seu aspeto único e pelo seu perfume envolvente. Esta variedade de cidreira, resultante de uma mutação espontânea comum nos citrinos, apresenta-se sob a forma de um arbusto denso ou de uma pequena árvore com ramos espinhosos e hábito irregular. Logo no início da primavera, exibe flores brancas ou púrpuras agrupadas em cachos, que libertam um perfume intenso. Estas flores dão origem a frutos surpreendentes, divididos em segmentos semelhantes a dedos, evocando a imagem de uma mão humana. Embora a polpa destes frutos seja geralmente pouco abundante, a sua casca, rica em perfume, é muito apreciada, sobretudo pelos seus aromas que lembram os do cedro.
Este arbusto apresenta um crescimento lento e pode atingir até 3 metros de altura. Sensível ao frio, não suporta temperaturas inferiores a -3°C e é cultivado principalmente em vaso nas regiões menos amenas. Na Ásia, a Mão de Buda é habitualmente utilizada para decorar interiores e perfumar os espaços. Na cozinha, a sua casca pode ser cristalizada ou utilizada em raspa. Os segmentos podem ser cortados finamente e adicionados a saladas ou pratos de peixe, conferindo uma ligeira amargura.

Caviar-cítrico ou Citrus australasica
O caviar-cítrico, em latim Citrus australasica ou Microcitrus, é famoso entre os chefs estrelados de todo o mundo pela sua originalidade e pelos seus sabores únicos. Este arbusto originário do leste da Austrália caracteriza-se pelo seu pequeno porte, pelos ramos finos, pelas folhas e espinhos minúsculos, bem como pelas pequenas flores brancas perfumadas. Os frutos, semelhantes a dedos e por vezes comparados a pepinos, distinguem-se pela polpa formada por pérolas sumarentas que rebentam na boca, proporcionando uma explosão de sabores acidulados e frescos.
Adaptado ao cultivo em vaso devido ao seu desenvolvimento limitado, o caviar-cítrico é ideal para jardineiros amadores que desejem cultivar um citrino pouco comum. No inverno, recomenda-se protegê-lo do frio, colocando-o numa estufa, enquanto nas regiões quentes sem geadas fortes é possível cultivá-lo em plena terra.
O caviar-cítrico produz frutos de cores variadas, do verde ao preto, passando pelo amarelo, vermelho e castanho. Estes frutos, colhidos de outubro a dezembro, enriquecem pratos salgados e doces com a sua textura crocante e o seu sabor deliciosamente acidulado. As folhas persistentes, aromáticas e finas também são utilizadas na cozinha, como uma especiaria que acrescenta uma nota distinta às preparações.

Lima-kaffir ou Citrus hystrix
A lima-kaffir, ou Citrus hystrix, é um citrino antigo, cultivado pelo aroma inebriante dos seus frutos e das suas folhas. Esta pequena árvore, de desenvolvimento modesto, mas muito produtiva, cobre-se na primavera de flores estreladas brancas ou rosadas, prelúdio da formação de frutos verdes com a casca irregular. O seu cultivo adapta-se às regiões quentes ou ao cultivo em vaso, para ser protegida numa estufa durante o inverno, pois não resiste a temperaturas inferiores a -4°C.
Conhecido por vários nomes, como Makrut ou lima-kaffir, este grande arbusto espinhoso desenvolve-se num ambiente quente, sendo uma escolha privilegiada para os jardins crioulos da Ilha da Reunião. As suas folhas, com um pecíolo caracteristicamente alado, e os seus frutos, cuja polpa branco-esverdeada é simultaneamente ácida e amarga, são muito apreciados na cozinha asiática e crioula.
A lima-kaffir destaca-se na cozinha, onde as suas folhas e a sua raspa realçam os sabores dos pratos exóticos e crioulos. As folhas, cortadas em tiras finas, introduzem uma nota distinta de erva-limão em preparações como o rougail de tomate ou os caris tailandeses. A raspa e o sumo dos frutos verdes, colhidos pela sua riqueza em óleos essenciais, enriquecem bebidas e pratos com um toque refrescante de amargor.

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Citrinos: como obter frutos?Limoeiro Meyer sanguíneo ou Citrus 'Doppio Sanguino'
O Citrus meyeri ‘Meyer’ (x) sinensis ‘Doppio Sanguigno’, frequentemente denominado Citrus Meyer sanguíneo ou arcobaleno, é o resultado de uma inovação hortícola que combina o limoeiro Meyer com a laranjeira-sanguínea dupla. Esta variedade chama a atenção desde jovem pelos seus frutos de tamanho médio, revestidos por uma casca singularmente raiada de vermelho sobre um fundo cor de laranja. Embora o seu sabor suscite opiniões divergentes, o aspeto ornamental deste arbusto não deixa dúvidas, nomeadamente graças às suas grandes flores brancas raiadas de vermelho, que libertam um perfume agradável na primavera e, por vezes, no verão.
Com uma resistência ao frio até -8°C, adapta-se perfeitamente ao cultivo em terra plena nas zonas costeiras mediterrânicas, mas também se presta ao cultivo em vaso. Com um porte arbustivo e uma copa densa, prevê-se que o Meyer sanguíneo atinja cerca de 2,50 metros de altura por 1,50 metro de largura aos dez anos de idade, consoante as condições de cultivo. Os seus ramos robustos, ligeiramente espinhosos, ostentam folhas persistentes, aromáticas ao toque, que completam o seu atrativo estético.
A floração ocorre principalmente na primavera, dando origem a botões florais cor-de-rosa avermelhados que se abrem em grandes flores estreladas brancas, marcadas de vermelho. A estas flores sucedem-se frutos ovais ou arredondados, cuja casca verde se torna cor de laranja vivo, raiada de vermelho, quando amadurece, contendo uma polpa vermelha, agridoce e sumarenta. Embora a qualidade gustativa seja mediana, esta polpa doce é utilizada em diversas preparações culinárias, nomeadamente para aromatizar sobremesas ou preparar sumos de fruta e cocktails.

Limoeiro retorcido ou Poncirus trifoliata 'Flying Dragon'
A Poncirus trifoliata ‘Flying Dragon‘, também conhecido como limoeiro-tortuoso, distingue-se pelo seu caráter rústico, o que faz dele uma exceção entre os citrinos e permite o seu cultivo numa grande variedade de jardins em França. Este arbusto apresenta um hábito ereto e tortuoso, criando um espetáculo visual cativante graças aos seus ramos ondulados munidos de espinhos verdes. O seu interesse ornamental é reforçado por uma floração primaveril de flores brancas ligeiramente perfumadas, que dão origem a frutos decorativos amarelos ligeiramente alaranjados, semelhantes a pequenas tangerinas. Embora estes frutos não sejam comestíveis devido à sua acidez, a sua casca pode ser utilizada na culinária.
Cultivado pela sua estética marcante, o Poncirus trifoliata ‘Flying Dragon’ necessita de uma exposição em pleno sol e de um solo bem drenado, sem calcário. O seu crescimento lento permite-lhe atingir cerca de 2 metros de altura e uma largura de 1,30 a 1,40 metros. A particularidade dos seus ramos retorcidos e dos numerosos espinhos contribui para o seu aspeto único, enquanto a sua folhagem variável oferece uma gama de cores outonais que vai do verde ao vermelho vivo, consoante as condições climáticas.
A laranjeira-trifoliada ‘Flying Dragon’ é uma planta ornamental por excelência. A sua rusticidade e beleza fazem dela uma escolha privilegiada para jardineiros que procuram um citrino capaz de se adaptar ao clima francês, oferecendo um espetáculo visual notável da primavera ao inverno. Resiste à geada até cerca de -18° C.

Lima 'Red Lime' ou laranjeira-amarga
O Citrus x aurantiifolia ‘Red Lime’, também conhecido pelo nome de lima-vermelha, é um citrino medianamente vigoroso, que apresenta uma bela estrutura arbustiva, enriquecida na primavera por pequenas flores brancas estreladas, delicadamente perfumadas. A singularidade deste arbusto reside nos seus pequenos frutos esféricos, de cor vermelho-alaranjada, com polpa vermelho-escura, simultaneamente ácida e muito aromática. Embora seja menos rústico do que os seus parentes citrinos e necessite de proteção contra o frio abaixo de -3°C, encontra o seu lugar nos jardins das regiões quentes ou numa estufa ligeiramente aquecida durante o inverno.
Originária do Sudeste Asiático, a lima-vermelha integra as tradições culinárias de muitos países, fornecendo o seu sumo e a sua raspa para realçar os sabores de pratos salgados e doces, bem como na preparação de bebidas e cocktails. Oferece um sabor a lima, mas mais ácido. Adapta-se a solos bem drenados, em pleno sol, preferindo ambientes quentes durante todo o ano. O seu caráter autofértil permite uma frutificação completa mesmo na presença de um único exemplar.

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