Resumo
Mais do que uma erva-daninha, a ambrosia é o inimigo público número um da botânica, tanto para os jardineiros particulares como para as autarquias, devido ao seu impacto na saúde pública. Invisível, mas invasiva, esta planta anual é sobretudo temida pelo seu forte potencial alergénico. O seu pólen afeta milhões de pessoas todos os anos, no verão e no outono, provocando rinite e asma grave. Ora, há algumas décadas, tornou-se uma das principais pragas dos espaços verdes, das culturas e dos terrenos incultos. Por isso, o combate à ambrosia é hoje da responsabilidade de todos. E os jardineiros têm um papel essencial na erradicação desta erva-daninha invasiva do próprio jardim.
Descubra como identificar a ambrosia, eliminá-la de forma definitiva e natural, e, sobretudo, evitar o seu aparecimento, sem recorrer a produtos químicos.
Como reconhecer as diferentes espécies de ambrosia?
A ambrosia é uma planta da família das Asteráceas, originária da América do Norte. Existem várias espécies de ambrosia, mas a mais problemática e difundida na Europa é a ambrosia-das-folhas-de-artemísia (Ambrosia artemisiifolia). É esta que deve ser procurada em primeiro lugar! Eis os nossos conselhos para a reconhecer:
- Uma folhagem verde-clara, muito recortada, semelhante à da cenoura ou da artemísia (Artemisia). No entanto, ao contrário da artemísia, as folhas da ambrosia são verdes em ambas as faces e não esbranquiçadas na face inferior
- Caules direitos, frequentemente ramificados, cobertos de pelos finos e ásperos. Estes caules tornam-se lenhosos e avermelhados com a idade. Espessos e robustos, podem atingir entre 30 cm e 1,5 m de altura
- Planta monoica, a ambrosia produz flores masculinas, agrupadas em espigas terminais, eretas como velas, de cor verde-amarelada, e flores femininas, mais discretas, situadas na base das folhas. Apenas as flores masculinas produzem o pólen alergénico. As flores abrem de julho ao início do outono.

Folhas de ambrosia, artemísia e cenoura
Existem ainda duas outras espécies de ambrosia, mas são menos difundidas:
- A grande ambrosia ou ambrosia-trífida (Ambrosia trifida): Muito maior e robusta, pode atingir 4 metros. As suas folhas caracterizam-se por três lobos profundos. É mais frequente em zonas húmidas e ao longo dos cursos de água.
- A ambrosia-de-espigas-delgadas (Ambrosia psilostachya): Uma espécie perene e rizomatosa que produz raízes subterrâneas rastejantes, o que a torna particularmente difícil de eliminar apenas por arranque. O seu hábito é mais espalhado do que o de A. artemisiifolia.
Porque é absolutamente necessário eliminar a ambrósia?
A erradicação da ambrósia não é apenas uma questão estética ou de concorrência com as outras plantações. É, antes de mais, uma prioridade sanitária e ecológica. Aliás, as regiões organizam periodicamente campanhas de informação. Também é possível comunicar a presença de plantas de ambrósia detetadas em meio urbano ou rural. Este assunto será retomado mais adiante.
A ambrósia é considerada uma planta invasora, com um elevado potencial alergénico. As alterações climáticas são também favoráveis à sua expansão. Os invernos amenos, as primaveras precoces e os verões quentes favorecem a sua proliferação. Esta planta tem numerosos impactos negativos no ambiente.
Uma planta altamente alergénica
A principal razão para combater a ambrósia é o seu potencial alergénico.
- Uma forte reatividade: O pólen da ambrósia, produzido em grandes quantidades por cada planta, é um dos alergénios mais potentes conhecidos. Bastam alguns grãos por metro cúbico de ar para desencadear reações
- Sintomas incapacitantes: O pólen provoca uma rinite alérgica grave (espirros, corrimento nasal, comichão nos olhos), conjuntivite e, nos casos mais graves, crises de asma ou o aparecimento de asma em pessoas sem predisposição. 20 % da população total poderá ser potencialmente alérgica a esta ambrósia. Em caso de contacto, a ambrósia pode causar comichão e erupções cutâneas
- Uma época tardia: Ao contrário das gramíneas e de outros pólenes primaveris, a ambrósia liberta o seu pólen desde meados de agosto até às primeiras geadas, prolongando a época das alergias.

As flores da ambrósia são extremamente alergénicas
Um impacto nas culturas e no ambiente
A ambrósia é também uma planta muito agressiva para o meio natural e cultivado.
- Concorrência com as culturas: Nas hortas ou nos campos cultivados, a ambrósia esgota rapidamente a água e os nutrientes do solo, reduzindo significativamente o rendimento das plantas cultivadas
- Produção maciça de sementes: Uma única planta pode produzir até 3 000 sementes, capazes de permanecer viáveis no solo durante 5 a 10 anos ou até mais. Uma planta não controlada garante uma infestação durante a década seguinte
- Capacidade de adaptação: Desenvolve-se em solos perturbados, em zonas de terrenos incultos, ao longo das estradas e em jardins medianamente cuidados, instalando-se facilmente depois de qualquer mobilização do solo. É, além disso, uma planta ruderal que se adapta a todos os solos, incluindo os saturados de produtos químicos, adubos e herbicidas, bem como de produtos poluentes…
Como erradicar naturalmente a ambrosia?
Para a eliminação da ambrosia, é fundamental seguir um princípio básico: agir antes da floração e da polinização. Existem vários métodos relativamente eficazes.
O arranque manual para os jardins
É a técnica mais eficaz e ecológica para pequenas e médias infestações num jardim.
- Intervenha antes de meados de agosto, idealmente assim que a planta tiver um tamanho suficiente (10 a 15 cm) para ser agarrada, mas antes da formação das espigas florais amarelas
- Arranque a planta na totalidade, tendo o cuidado de retirar a raiz. A ambrosia voltará a rebentar se for simplesmente cortada
- Use sempre luvas e, se possível, uma máscara, mesmo antes da floração, para evitar o contacto com outros pólens ou com a seiva.

O arranque manual da ambrosia deve ser feito antes da floração
O corte para as áreas maiores
Para zonas de grande densidade ou para as margens dos talhões.
- Corte a erva rente ao solo imediatamente antes da floração, idealmente no início de agosto
- Se cortar demasiado cedo, a ambrosia voltará a rebentar e a florescer mais abaixo, mas continuará a produzir pólen. Muitas vezes, é necessário realizar duas passagens: uma primeira para limpar a vegetação, seguida de um segundo corte no momento ideal. Este corte é, portanto, eficaz para reduzir a quantidade de pólen, mas não para eliminar as plantas
- O corte é ineficaz contra a ambrosia de espigas delgadas (A. psilostachya), pois esta volta a rebentar através dos seus rizomas.
A monda térmica e a cobertura morta
Para os caminhos, os terraços ou as pequenas zonas infestadas.
- A utilização de um aparelho de monda térmica, a gás ou elétrico, é eficaz para destruir os rebentos jovens. Por isso, é necessário repetir a operação várias vezes
- Depois de limpar uma zona, cubra o solo com uma camada espessa de cobertura morta (aparas de madeira, BRF, palha) ou com uma lona opaca. A ambrosia é uma planta que necessita de luz e não consegue germinar sem ela. Este método é o melhor para impedir a germinação das sementes dormentes.
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Alergia ao pólen: como preveni-la?O que fazer com os resíduos de ambrosia?
A gestão dos resíduos é crucial para não propagar o problema. As plantas arrancadas antes da floração e da produção de sementes podem ser deixadas no local para se decomporem. Também podem ser colocadas no composto, pois o calor destruirá as plantas inteiras.
Se as plantas tiverem sido arrancadas depois da floração ou da produção de sementes, NUNCA devem ser colocadas no composto nem deixadas no solo em pequenos jardins. Coloque-as num saco do lixo hermético e deite-as no lixo doméstico, para serem incineradas ou enterradas. No entanto, outras entidades recomendam deixar as plantas no local para que germinem. Esta falsa sementeira permitirá destruir as plântulas jovens.
Recorde-se que a queima de resíduos vegetais é totalmente proibida nos jardins particulares.
A regulamentação relativa à ambrosia
O combate à ambrósia não é uma simples recomendação, mas uma obrigação legal em França, prevista no Código da Saúde Pública (artigos L. 1338-4 e seguintes). O Decreto n.º 2017-645, de 26 de abril de 2017, torna obrigatório o combate às três espécies problemáticas de ambrósia (A. artemisiifolia, A. trifida e A. psilostachya). Esta obrigação incumbe a qualquer proprietário ou ocupante (particular, agricultor, entidade gestora das vias, autarquia) de um terreno público ou privado. Cada Prefeito departamental publica uma portaria que determina as modalidades precisas de aplicação das medidas de combate (arranque, corte, etc.) no seu território, adaptando assim a resposta ao estado de infestação local (frequentemente muito elevado na região de Auvergne-Rhône-Alpes).
O incumprimento destas obrigações é punível com uma contraordenação de 4.ª classe.
Para que este combate seja eficaz, é fundamental assinalar qualquer presença de ambrósia fora da sua propriedade privada através da plataforma nacional única Signalement-Ambroisie, da aplicação móvel ou por telefone, através do número 0 972 376 888. Esta sinalização, normalmente encaminhada para um «responsável pela ambrósia» municipal, permite organizar e coordenar a intervenção dos serviços municipais ou das entidades gestoras dos terrenos nos talhões não mantidos.
Como prevenir o aparecimento da ambrosia?
Num jardim particular, a prevenção é muitas vezes a chave do sucesso no combate à ambrósia. São facilmente aplicáveis vários pequenos gestos:
- Inspecione regularmente as zonas de risco: bordos dos canteiros, junto às paredes, zonas recentemente trabalhadas ou deixadas a descoberto
- Mantenha uma cobertura vegetal densa (relva bem densa, adubos verdes, plantas de cobertura, cobertura morta orgânica ou têxtil…) para impedir que as sementes de ambrósia germinem à luz
- Depois de trabalhar numa zona infestada, limpe o seu equipamento (botas, ferramentas, pneus do corta-relva) para evitar transportar sementes para outras partes do jardim
- Vigie com muita atenção as terras trazidas e provenientes de obras ou de trabalhos de paisagismo.
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