Resumo
Febre dos fenos sazonal, olhos que ardem, garganta irritada, reações cutâneas, viver no jardim pode rapidamente transformar-se num inferno verde para quem é alérgico! A culpa é dos pólenes e da seiva de algumas plantas. Porque, sob a sua aparência inofensiva e simpática, certos vegetais escondem por vezes bem o seu jogo. Já pensou em planear o seu jardim sem plantas irritantes ou alergénicas, de modo a reduzir os riscos de alergias e irritações da pele? Um jardim bonito sem alergias é possível, basta simplesmente escolher as plantas certas e evitar algumas outras!
Descubra as plantas a privilegiar e as que deve banir para criar o seu espaço verde hipoalergénico!
Crescem, tosse-se!
Na primavera, a natureza retoma os seus direitos e, sobretudo… as suas regalias! Primavera rima muitas vezes com estação das alergias e invasão de pólenes. E no entanto, alguns pólenes (aveleira, amieiro) surgem já em fevereiro, outros, como os pólenes de gramíneas, estão presentes sobretudo entre maio e julho, e outros ainda persistem a partir de meados de agosto e até setembro-outubro. Ou seja, a «poluição verde» deixa pouco descanso às suas vítimas. Em França, a rinite sazonal afetaria anualmente 30% da população. É difícil, quando se sofre de alergias respiratórias, desfrutar do seu jardim! A culpa é das plantas anemófilas, cujo pólen, disseminado pelo vento para permitir a reprodução, se infiltra nas vias respiratórias. Isto abrange muitas árvores caducifólias, plantas de pradaria, algumas ervas daninhas e as gramíneas.
Mas a polinização não é a única responsável pelas reações alérgicas no organismo. Certas plantas, ao contacto com a pele, revelam-se urticantes ou fotossensibilizantes, provocando reações cutâneas.

As belas mas alergénicas flores da aveleira
Leia também
Criar um jardim japonês ou jardim zenQuais são as plantas a evitar?
Infelizmente, são muitas… Eis uma lista (não exaustiva) das plantas com potencial alergizante identificadas pela Rede Nacional de Vigilância Aerobiológica (RNSA).
As plantas que provocam alergias respiratórias
- As árvores: a bétula e outras árvores da família das betuláceas, como o amieiro, a aveleira e a cárpea, o cipreste, a amoreira-do-papel (Broussonetia papyrifera), o plátano, a tília, os salgueiros, o castanheiro, o freixo, o carvalho, a acácia, e ainda a oliveira.
- Os arbustos: Munidos de pelos urticantes, alguns são também irritantes para as vias respiratórias, como é o caso da sálvia-de-Jerusalém (Phlomis fruticosa), do Viburnum rhytidophyllum ou ainda do Tetrapanax papyrifer, também designado planta-do-papel-de-arroz.
- As herbáceas e, em particular, as plantas silvestres: a ambrosia, as gramíneas, a artemísia, a tanchagem, a azeda, a urtiga.
- Evite também as tuias!

Tília, urtiga, Phlomis fruticosa, Artemísia
As plantas urticantes que provocam perturbações cutâneas
Certos vegetais irritantes pelas folhas ou pela seiva, sumo ou látex, provocam reações epidérmicas, nomeadamente queimaduras por vezes intensas nas pessoas sensíveis. Na maioria dos casos, uma exposição ao sol a seguir agrava os sintomas. Entre os principais responsáveis:
- as eufórbias (Euphorbia),
- as umbelíferas como o heracleu ou angélica-silvestre (Heracleum maximum) e o heracleu do Cáucaso (Heracleum mantegazzianum),
- a cherovia urticante (Pastinaca sativa, subsp. urens) — o nome diz tudo —
- a arruda (Ruta graveolens),
- os botões-de-ouro (Ranunculus repens),
- o sumagre-venenoso (Toxicodendron radicans),
- a figueira.

Eufórbia, Heracleu do Cáucaso, Figueira, Botão-de-ouro
As plantas fotossensibilizantes
Há vegetais que é também preferível contemplar apenas com os olhos… É o caso das plantas ricas em substâncias fotossensibilizantes. Após o contacto, provocam, sob o efeito de uma exposição ao sol, dermatites (nomeadamente a dermatite dos prados), caracterizadas por uma pigmentação excessiva da pele, frequentemente manchas castanhas. As plantas em causa pertencem maioritariamente à família das Rutáceas e das Umbelíferas. Tenha cuidado com a arruda (Ruta graveolens), com as folhas da cenoura e com o funcho.
O conselho da Virginie: Use luvas antes de jardinar e roupa adequada (calças e mangas compridas).

Funcho, Angélica, Folhas de cenoura e Arruda
Como criar um jardim não alergizante?
Felizmente, existem soluções que permitem ter um belo jardim apesar das alergias!
- Evite a todo o custo plantar as espécies listadas acima que desencadeiam o mecanismo da alergia
- Dispense as espécies anemófilas, fecundadas pelo vento que dissemina o pólen pelo ar
- Privilegie as plantas polinizadas por insetos, ditas entomófilas, de modo a evitar o risco de contacto dos pólenes com os brônquios
- Cuide do seu jardim; arranque regularmente as ervas daninhas e corte a relva para impedir que as gramíneas ganhem terreno, ou substitua o relvado por musgos ou plantas alternativas ao relvado

Privilegie as plantas polinizadas por insetos polinizadores
O que plantar para reduzir as alergias no jardim?
O primeiro passo para compor um jardim sem alergénios é escolher bem as plantas a instalar. O objetivo: criar um jardim com o menor pólen possível e banir as plantas urticantes.
- Esqueça as alamedas de plátanos ou as sebes de ciprestes e tuias!
- Para florir os canteiros, plante giestas, acácias, bocas-de-lobo, dedaleiras, delfínios.
- Opte por um jardim zen, mineral ou japonês constituído por elementos minerais (cascalho, ardósia, cobertura mineral) e povoado de bambus, de pinheiros podados em nuvem (niwaki), de azevinho-japonês.
- Adote os códigos do jardim à francesa e povoe o seu com folhagens persistentes que se prestam bem a podas repetidas: buxos (Buxus) podados a fio, evónimos, madressilvas arbustivas (Lonicera nitida, pileata).
- Num jardim mediterrânico, pontue uma rocha com plantas gordas ou plantas suculentas, mais ou menos rústicas consoante o seu clima (séduns, plantas-do-gelo, agaves, opúncias, sempre-vivas, mangaves) — estas não disseminam qualquer pólen no ar — assim como sálvias e alfazemas.
- Aposte nas plantas de terra de urze (exceto as urzes), como as azaleias e os rododendros e as camélias, particularmente floríferas e igualmente uma excelente escolha.
- Nas zonas sombreadas do jardim, componha cenas frescas e luxuriantes com hostas, fetos, musgos (Sagina subulata, Scleranthus uniflorus) e jarros.
- Floresça sem receio o seu jardim com plantas de flores duplas que não produzem qualquer pólen: roseiras, gerânios, narcisos e trepadeiras como madressilva, jasmim, vinha-virgem, glicínia, que não são alergizantes.
- Se tiver um ponto de água, também não há risco com as plantas aquáticas como os nenúfares, que transportam o seu pólen através da água, nem com as plantas de margens húmidas: íris, bistortas, salgueirinhas, lisimáquias, exceto as eufórbias.
- No canteiro de aromáticas, instale hortelã, erva-cidreira, tomilho, alecrim, salsa, cebolinho, manjericão ou ainda coentro, que não são alergénios.

Um jardim de tipo mediterrânico… sem preocupações com alergias!
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