Alergia ao pólen: como preveni-la?
Plantas a evitar e os nossos conselhos para limitar os sintomas alérgicos
Resumo
A primavera é a estação da renovação, aquela que anuncia o regresso das aves, do sol e do tempo ameno. Mas, para as pessoas alérgicas ao pólen, marca também o início de um período particularmente complicado. A «febre dos fenos», com o seu conjunto de sintomas desagradáveis e mais ou menos incómodos, afetaria, de facto, cerca de 30% dos adultos e 20% das crianças, segundo o Ministério da Saúde.
Para prevenir esta situação, é essencial, antes de mais, conhecer as diferentes plantas que provocam alergias, bem como o seu modo e período de atuação. Assim, foram identificadas as principais plantas alergénicas a evitar, bem como as medidas a adotar para limitar os riscos e gerir melhor este período delicado.
Compreender as alergias ao pólen
Os pólenes envolvidos
Os pólenes que causam problemas e estão envolvidos nas alergias sazonais são os das plantas anemófilas, que se disseminam através do vento. Após a floração, os pólenes encontram-se assim em grande quantidade no ar, para que a planta possa reproduzir-se.
Pelo contrário, as plantas entomófilas, cujo pólen é transportado pelos insetos para assegurar a reprodução, não fazem parte das espécies envolvidas.
É, portanto, este método de disseminação pelo ar que provoca sintomas alérgicos. Os pólenes introduzem-se nas vias respiratórias e colocam o sistema imunitário em alerta.
Entre os vegetais anemófilos, alguns pólenes provocam alergias (fala-se então de um potencial alergénico moderado ou elevado), enquanto outros não causam problemas ou causam-nos em pouca medida (potencial alergénico baixo ou negligenciável). Alguns vegetais, como os pinheiros, podem assim produzir uma grande quantidade de pólenes, mas permanecer pouco alergénicos. As plantas que reúnem uma elevada concentração de pólen no ar + um pólen que contém muitos alergénios são as mais perigosas.
Os períodos de risco
Os períodos de alergia ao pólen variam consoante a zona geográfica e as condições meteorológicas. Começam geralmente mais cedo no sul do que no norte de França. Com efeito, as alergias sazonais surgem com o regresso das temperaturas amenas e das primeiras florações primaveris. De um ano para o outro, as vagas de polinização também podem variar entre alguns dias e várias semanas.
Os períodos de risco duram vários meses, desde o início da primavera em março-abril até ao fim do verão em agosto-setembro. O pico ocorre geralmente entre abril e junho, mas varia consoante o tipo de plantas envolvido.
Algumas condições climáticas e ambientais também agravam o risco de alergias, ao favorecerem a disseminação dos pólenes: ausência de chuva, calor, presença de vento, etc. A poluição é também um fator agravante que pode intensificar estes problemas.
Os sintomas alérgicos
As manifestações de uma alergia sazonal, ou «febre dos fenos», diferem naturalmente de uma pessoa para outra, consoante a quantidade de pólen no ar e as plantas envolvidas. A reação ao pólen é imediata quando os alergénios entram em contacto com as mucosas respiratórias (não existe período de incubação).
Os pólenes afetam as mucosas e as vias respiratórias, podendo causar rinite alérgica e até crises de asma. A alergia ao pólen é geralmente identificada através dos seguintes sintomas, que podem surgir em simultâneo.
- Formigueiro e corrimento nasal
- Conjuntivite
- Comichão na garganta ou na boca
- Tosse
- Espirros
- Dificuldades respiratórias
- Cansaço invulgar
- Eczema ou urticária
Leia também
7 arbustos tóxicosOs principais vegetais alergénicos a evitar
Foram listadas as plantas alergénicas mais comuns, com potencial alergénico moderado ou elevado, que é possível encontrar no nosso território. Alguns géneros de plantas incluem várias espécies diferentes cujo pólen é alergénico.
Também encontrará mais informações no site plantes-risque.info, lançado pelo Ministério da Solidariedade e da Saúde, que reúne todas as espécies cujo pólen pode provocar uma alergia respiratória.
As plantas herbáceas
As plantas herbáceas desenvolvem-se frequentemente de forma espontânea na natureza e encontram-se um pouco por toda a parte: nos jardins, à beira das estradas, nos prados, em zonas húmidas, nas florestas, em terrenos incultos, etc.
Entre as plantas herbáceas com riscos conhecidos de alergia, destacam-se:
- a artemísia-verdadeira (Artemisia vulgaris);
- a ambrósia (Ambrosia artemisiifolia);
- a ansarina-branca (Chenopodium album);
- a azeda (Rumex);
- a parietária oficinal (Parietaria officinalis);
- a tanchagem-menor (Plantago lanceolata);
- a cavalinha dos campos (Equisetum arvense).

Artemisia vulgaris, Ambrosia artemisiifolia, Rumex e Equisetum arvense
As gramíneas (ou Poáceas) também fazem parte das plantas mais alergénicas e encontram-se muito disseminadas. Entre elas:
- o caniço-bastardo (Phalaris arundinacea);
- a deschampsia cespitosa (Deschampsia cespitosa);
- o dáctilo-aglomerado (Dactylis glomerata);
- o feno-dos-arenais (Leymus arenarius);
- a festuca-dos-prados (Festuca pratensis);
- a fléola-dos-prados (Phleum pratense);
- o feno-de-cheiro-bulboso (Arrhenatherum elatius);
- a erva-lanar (Holcus lanatus);
- o rabo-de-lebre (Lagurus ovatus);
- o azevém perene (Lolium perenne);
- os cereais, como o trigo, o centeio, a cevada, a aveia, o sorgo, o milho, …

Phalaris arundinacea, Leymus arenarius, Festuca pratensis, Arrhenatherum elatius e Lagurus ovatus
As árvores e os arbustos
Muitas árvores, arbustos ou coníferas presentes no nosso território apresentam riscos de alergia:
- o amieiro (Alnus);
- a bétula (Betula);
- o cedro (Cedrus);
- a carpa (Carpinus betulus);
- o carvalho (Quercus);
- o criptoméria (Cryptomeria);
- o cipreste (Cupressus);
- o bordo (Acer);
- o freixo-europeu (Fraxinus excelsior);
- o zimbro (Juniperus);
- a faia (Fagus);
- a acácia (Acacia);
- a amoreira (Morus);
- a aveleira (Corylus);
- a oliveira (Olea europaea);
- o salgueiro (Salix);
- a tília (Tilia);
- o alfeneiro (Ligustrum).

Alergénicas, as flores do amieiro, da bétula, do cipreste, da acácia e da aveleira
Diversificar as nossas paisagens e proibir o cultivo em massa de espécies de risco, tanto nas zonas urbanas como nas rurais, constitui, portanto, um verdadeiro desafio no combate aos pólenes alergénicos.
Como limitar os riscos de alergia?
Optar por um jardim sem pólen
Logicamente, para se proteger de uma eventual alergia ao pólen, a primeira coisa a fazer é evitar plantar em casa espécies vegetais com um elevado potencial alergénico.
Por isso, exclua as plantas anteriormente listadas e opte por outras culturas: no mundo vegetal, a escolha é enorme!
Opte, por exemplo, por um jardim à francesa, um jardim de estética mineral ou um jardim de inspiração japonesa: depurados, cuidados e podados regularmente, não deixam espaço para as «ervas daninhas» alergénicas. Para substituir a relva, também pode optar por plantas de cobertura perenes.
Dê preferência aos canteiros de flores (roseiras, gerânios, amores-perfeitos,…) e aos pequenos arbustos (giestas, camélias, lilases, pilriteiros,…). Para criar altura, as plantas trepadeiras são incomparáveis. Pense nas passifloras, nas heras ou ainda nas glicínias.
Num clima adequado, um jardim seco com cactos e orelhas-de-porco exigirá poucos cuidados e protegê-lo-á das alergias.
À volta de um lago ou de um tanque, as plantas aquáticas, como os lotos ou os nenúfares, desenvolver-se-ão sem risco de alergia. Com efeito, são plantas hidrogâmicas, cujo pólen é transportado pela água.
Por fim, na horta, cultive sem preocupações ervas aromáticas (salsa, alecrim, orégão, hortelã,…), mas também legumes e pequenos frutos (alfaces, tomates, beterrabas, melões, feijões, morangos,…).
Para ir mais longe, pode até escolher criar um jardim hipoalergénico, excluindo todas as espécies vegetais suscetíveis de provocar alergias ou irritações através do seu pólen, mas também do seu látex, da sua seiva ou do seu perfume.

Soluções para limitar os riscos de alergias no jardim: jardim seco com cactos e orelhas-de-porco, substituir as zonas cobertas de relva por alternativas à relva (aqui Lippia nodiflora) e horta
Manter-se informado
Antecipar os episódios alérgicos e as emissões de pólen é crucial. Permite às pessoas sensíveis adaptar o seu tratamento e aplicar as medidas preventivas que acabam de ser apresentadas.
Para isso, existem várias ferramentas que permitem acompanhar a informação. Em França, existe uma boa rede de informação criada para alertar em tempo real as pessoas alérgicas para os riscos atuais ou futuros. Também pode obter informações junto do médico, farmacêutico ou alergologista.
A Réseau National de Surveillance Aérobiologique (RNSA) é uma associação especializada no estudo do conteúdo do ar em partículas biológicas (pólen, bolores, …), que podem representar riscos de alergia para a população. Utiliza sensores instalados em diferentes locais, que aspiram o ar reproduzindo o ritmo da respiração humana. A análise permite depois identificar os tipos de pólen e a quantidade presente no ar. A RNSA informa em tempo real os alergologistas e os doentes no seu sítio da internet, através de uma newsletter ou da aplicação. Indica os picos de emissão, bem como o início e o fim dos períodos de risco.
Os polinários regionais também registam as plantas alergénicas próprias de cada zona geográfica, indicando igualmente os períodos de risco. São efetuadas medições regulares no ar, permitindo obter informações locais precisas. Para subscrever os alertas, aceda ao sítio Alerte pollens. Também pode tornar-se «sentinela» em determinadas regiões, para participar nesta rede de partilha, contribuindo com as suas próprias observações e conhecimentos, seja profissional ou amador.
Por fim, a fenologia também permite ajudar as pessoas alérgicas ao pólen. Esta ciência baseia-se na observação de vários indicadores fornecidos pela natureza. Permite conhecer com precisão os períodos que apresentam maior risco, de acordo com as diferentes espécies vegetais e a zona geográfica em causa. Para mais informações sobre este tema, consulte o artigo de Olivier: «Indicadores fenológicos: o que são?».
Algumas medidas preventivas
Além disso, algumas medidas preventivas e de bom senso permitirão proteger-se do pólen e limitar os riscos de alergia.
Para as pessoas mais sensíveis:
- evite sair, jardinar ou praticar desporto durante o dia, em períodos ventosos e soalheiros;
- use uma máscara no exterior (as alergias ao pólen diminuíram durante a pandemia de Covid com a generalização do uso de máscara);
- areje a casa no início ou no fim do dia, quando a humidade natural reduz a dispersão do pólen no ar;
- tome um duche, lave o cabelo e mude de roupa quando regressar a casa; se necessário, limpe também o nariz com um spray adequado;
- seque a roupa no interior para evitar que o pólen se deposite nela;
- consulte um médico em caso de sintomas, para iniciar um tratamento ou uma dessensibilização.
- Subscreva
- Resumo
Este formulário está protegido pelo reCAPTCHA - aplicam-se a Termos de Serviço e Política de Privacidade do Google.
Comentários