Resumo

Modificado 0,01  por Olivier 4 min.

As armadilhas de feromonas são incrivelmente eficazes para regular um ataque de insetos pragas. Outrora utilizadas exclusivamente por produtores e agricultores no controlo biológico, fazem agora a sua entrada nos nossos jardins. As armadilhas de feromonas são sobretudo úteis no pomar e na horta para algumas espécies de insetos bem precisas, como a mosca-da-cenoura, as carpocapsas ou ainda a lagarta-processional do pinheiro. Como funcionam? Porquê e quando utilizá-las? Explicamos tudo na nossa ficha de dicas.

Dificuldade

As armadilhas de feromonas: o que são?

Para simplificar, as feromonas são moléculas, comparáveis às hormonas, secretadas pelos animais (incluindo os insetos) para criar uma comunicação química entre os representantes de uma mesma espécie.

Entre a multiplicidade de feromonas diferentes, conhecem-se sobretudo as feromonas sexuais secretadas pelas fêmeas dos insetos para atrair os machos durante a reprodução.

No jardim, tal como na agricultura ou na arboricultura, é precisamente com isso que se vai trabalhar! Nomeadamente para certos lepidópteros e dípteros, sob a forma de “armadilhas de feromonas“. Estas armadilhas de feromonas são essencialmente constituídas por dois elementos: um difusor de feromonas sintéticas numa cápsula e um sistema de captura, muitas vezes uma espécie de “caixa funil” cheia de água ou com uma placa adesiva.

Estas armadilhas de feromonas são utilizadas em agricultura biológica ou quando existe preocupação com o ambiente, pois não apresentam qualquer toxicidade e apenas atraem as espécies em causa.

As armadilhas de feromonas: como as utilizar?

Existem dois grandes tipos principais de armadilhas de feromonas:

  • As armadilhas que permitem capturar: os indivíduos machos ficam aprisionados e já não podem acasalar. Sem acasalamento, sem novas larvas devastadoras!
  • As armadilhas que permitem alertar: também capturam os machos, mas fornecem indicações sobre o período de reprodução (período de voo) e ainda sobre o número de indivíduos machos, o que permite avaliar a dimensão do ataque que se aproxima.

Evidentemente, se quiser que estas armadilhas sejam eficazes, terá de as colocar antes dos períodos de reprodução dos insetos visados. Mas também devem ser instaladas nos locais de reprodução destes insetos: na árvore ou arbusto certo e à altura de um adulto (entre 1,50 e 2 m) ou, no caso das pragas de legumes, no centro das filas de legumes, um pouco acima destas.

O número de armadilhas varia consoante se pretenda apenas um controlo ligeiro ou combater os insetos em excesso. Para controlo, uma ou duas armadilhas por jardim será suficiente; para o combate, uma armadilha por cada 4 árvores será eficaz.

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As armadilhas de feromonas: quando colocá-las?

Dependerá da espécie visada, portanto do seu período de reprodução.

Na horta

  • Mosca da cenoura: de meados de abril a julho;
  • Traça do alho-francês: de março a abril e de junho a agosto;
  • Traça da ervilha: abril, no início da floração;
  • Noctua da couve: de meados de maio a início de junho;
  • Mineiro do tomate: de abril a setembro.

No pomar

  • Carpocapsa (das macieiras e das pereiras e das cerejeiras): de meados de maio a finais de agosto;
  • Mosca da cereja: de início de maio até à colheita;
  • Mosca da azeitona: de finais de abril a início de agosto;
  • Trips dos pequenos frutos: assim que a temperatura média se aproxima dos 25 °C
  • Traça oriental do pessegueiro: de março a outubro
  • Lagarta processionária do pinheiro: de junho a agosto.
armadilha de feromonas para o pomar

Um exemplo de armadilha de feromonas, aqui para a mosca da cereja

No jardim ornamental

  • Cossus gâte-bois para diferentes espécies lenhosas: de maio a junho

Atenção: as armadilhas de feromonas devem ser renovadas todos os anos para continuarem a ser eficazes.

A palavrinha do Oli

As armadilhas de feromonas, embora mais ecológicas do que todos os outros produtos de exterminação habituais, não deixam de ser uma tentativa de ecocídio perpetrado sobre uma espécie em particular.

É certo que os outros representantes da fauna do jardim não serão diretamente afetados, pois as armadilhas atuam apenas sobre uma espécie em concreto. Mas não nos esqueçamos de que as espécies interagem entre si segundo o que se designa por redes tróficas: resumindo, o indivíduo 1 come o indivíduo 2, que por sua vez tencionava consumir o indivíduo 3. Há ainda a considerar que as espécies de insetos possuem cada uma o seu papel (por vezes pouco conhecido) na natureza: predação, fonte de alimento, hospedeiro de parasitas, mas também polinização e dispersão de sementes, para citar apenas estes grandes exemplos.

Em suma, a aniquilação de uma espécie no jardim acarretará consequências para o resto da fauna e da flora. Por vezes mínimas… Por vezes dramáticas… Vale a pena pensar bem antes de agir!

O melhor é sempre deixar a natureza regular os parasitas, os predadores ou as pragas. Num jardim natural onde a fauna (e a flora selvagem!) tem o seu lugar, o equilíbrio natural será suficiente para regular todo este pequeno mundo.

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