As passifloras mais perfumadas: como escolhê-las e cultivá-las com sucesso
Flores incrivelmente exóticas e de perfume envolvente
Resumo
As passifloras, ou maracujás, cativam vários dos nossos sentidos com as suas flores exóticas, admiráveis de observar e, em algumas espécies, dotadas de um perfume intenso, frutado e cítrico. Estas lianas trepadeiras, originárias na sua maioria das zonas tropicais da América do Sul, incluem cerca de 400 espécies e numerosos híbridos. Pouco exigentes e fáceis de cultivar, requerem sobretudo uma exposição solarenga e abrigada, além de um solo bem drenado. A sua principal dificuldade de cultivo é a resistência à geada, variável consoante as variedades. Cultivam-se em plena terra no jardim, mas também em vaso na varanda ou na marquise. Neste artigo, descubra as variedades de passifloras mais perfumadas, verdadeiras joias do jardim pela sua beleza visual e olfativa.
→ Leia a nossa ficha de família sobre as passifloras.
Passiflora incarnata - Flor-da-paixão medicinal
A passiflora medicinal, ou Passiflora incarnata, é uma espécie perfumada com propriedades medicinais, utilizada em fitoterapia para tratar as perturbações do sono. As suas flores de cor malva-pálida, com 5 a 9 cm de diâmetro, são muito perfumadas, exalando uma fragrância frutada e ácida. Abrem de julho a novembro e são progressivamente seguidas por frutos verdes comestíveis e saborosos. Auto-estéril, esta passiflora necessita de dois indivíduos para frutificar. Esta espécie vigorosa pode atingir 3 a 4 metros de altura numa só estação, mesmo em clima frio, e resiste a temperaturas de -10 a -12 °C. Cultive-a em vaso nas regiões muito frias ou em plena terra nos climas mais amenos.
Originária do sudeste dos Estados Unidos e do México, esta espécie botânica norte-americana é perene pela sua cepa, mas a sua folhagem desaparece em clima frio. A floração prolonga-se do verão ao outono, oferecendo flores agradavelmente perfumadas, formadas por tépalas de cor malva-pálida. Os filamentos frisados são de um malva mais intenso, estriados de branco e de azul-arroxeado junto ao centro. O centro é composto por cinco estames com anteras alaranjadas e três estiletes brancos. As flores, polinizadas por outras passifloras, produzem frutos ovóides comestíveis, de polpa saborosa e perfumada.
Pouco exigente quanto ao tipo de solo, a passiflora medicinal prefere um solo bem drenado e não demasiado seco no verão. Aprecia o calor para florescer e prefere um solo sem humidade estagnada no inverno. Ideal para cobrir muros, vedações, treliças ou sebes, combina bem com trepadeiras persistentes como a Clematis cirrhosa, que floresce no inverno e assegura uma folhagem durante todo o ano. Pode também ser cultivada numa marquise, onde suporta os invernos frios. Os seus frutos comestíveis podem ser degustados por curiosidade ou por gula.

Passiflora allardii - Maracujá
A Passiflora allardii é atrativa pelas suas grandes flores muito perfumadas, que medem até 12 cm de diâmetro. São brancas, tingidas de rosa, e coroadas por uma esplêndida coroa azul-alfazema. Esta variedade, sensível ao frio, pode atingir uma altura de 4 a 6 metros e necessita de proteção quando as temperaturas descem abaixo dos -2 °C. É ideal para ser cultivada num vaso grande, num terraço ou numa marquise.
O maracujazeiro x allardii resulta do cruzamento entre Passiflora caerulea ‘Constance Elliot’ e Passiflora quadrangularis. A sua floração abundante e contínua, de julho até ao início do outono, atrai numerosos insetos polinizadores. A flor é formada por tépalas brancas e pétalas alongadas, de um rosa suave, complementadas por uma coroa de filamentos azul-alfazema, anelados de branco, e por estames amarelos e rosa-claro. As suas folhas trilobadas, brilhantes e de cor verde-clara a média, são mais ou menos persistentes.
Este maracujá, longe de ser exigente, cresce facilmente num solo bem drenado, leve, suficientemente profundo e não demasiado seco no verão. Aprecia uma exposição soalheira e abrigada. Uma poda no final da floração permite manter um hábito compacto e atrativo. A Passiflora x allardii adapta-se perfeitamente a marquises ou estufas, onde pode ser protegida dos invernos frios, proporcionando assim um espetáculo floral excecional e contínuo.

Maracujazeiro 'Incense' - Maracujá
A passiflora ‘Incense‘ é uma variedade rara em cultivo, de grande beleza, que atinge 5 metros de altura e oferece, de junho a outubro, flores grandes, com 10 cm. São muito perfumadas, de um tom malva-violáceo intenso, abundantemente providas de longos filamentos azul-violáceos, com um coração de estames brancos, bem contrastante.
‘Incense’, criada na Florida em 1973 e pouco presente no mercado, resulta do cruzamento entre Passiflora incarnata e P. cincinnata. Esta liana fixa-se ao suporte com gavinhas. Os seus caules herbáceos, quase glabros, e as suas folhas recortadas em cinco lóbulos, verde-escuras, desaparecem durante as primeiras geadas. As suas flores grandes, perfumadas, gráficas e opulentas dão frutos ovais, verde-amarelados, comestíveis e de sabor exótico.
Parece que este híbrido é regularmente afetado por uma virose que pouco o afeta, mas que pode prejudicar outras passifloras mais frágeis. Por precaução, recomenda-se cultivá-lo separadamente, vigiar a presença de pulgões e desinfetar bem as ferramentas de poda se cultivar várias passifloras.
Esta passiflora, rústica até -8 °C, é pouco exigente quanto ao tipo de solo. Pode podá-la no fim do inverno se os seus caules tiverem congelado. Desenvolve-se bem nas regiões meridionais e atlânticas. Perfeita junto a uma sebe persistente ou caduca, confere-lhe muita originalidade no verão.

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A Passiflora quadrangularis, ou maracujá-gigante, recebe este nome devido ao aspeto característico dos seus caules com quatro faces e ângulos bem definidos. Originária das planícies aluviais das florestas quentes e húmidas da América Central e do Sul, é uma das passifloras mais espetaculares. Capaz de atingir mais de 6 metros de altura num vaso grande, é sensível à geada, sendo, por isso, adequada ao cultivo numa estufa ou marquise, onde oferece um crescimento menos exuberante, mas ainda assim bastante respeitável.
As suas grandes e belas flores solitárias, muito perfumadas, medem até 10 cm de diâmetro. Apresentam pétalas vermelho-carmim, lavadas de verde no interior e esverdeadas no verso, encimadas por uma coroa de filamentos frisados violetas e brancos. A floração decorre do início do verão ao início do outono, renovando constantemente as suas flores. O centro dos estames branco-creme e a coroa colorida de branco, violeta-claro e púrpura-escuro acrescentam-lhe um encanto único.
Esta passiflora produz também frutos comestíveis impressionantes, de cor laranja quando maduros, com 20 a 25 cm de comprimento. Estes frutos são cobertos por uma pele espessa e carnuda e contêm numerosas sementes achatadas, sendo consumidos sobretudo sob a forma de sumo de fruta.
A Passiflora quadrangularis desenvolve-se bem num solo comum, mas rico, fresco e bem drenado, numa exposição ensolarada e abrigada. Não é rústica e fará as delícias dos apreciadores de plantas exóticas e de grandes marquises.

maracujazeiro 'Perfume Passion'
A passiflora ‘Perfume Passion’, um híbrido resultante de Passiflora alata e Passiflora caerulea, é muito apreciada pelas suas grandes flores bicolores, com um perfume cítrico. As inflorescências são brancas e cor-de-rosa-lilás, com uma coroa de filamentos azul-malva. Estas flores medem até 15 cm de diâmetro.
Esta trepadeira robusta revela-se um pouco sensível ao frio, pois resiste a geadas até cerca de -7°C. Atinge 4 a 6 metros de altura graças às suas gavinhas. Floresce de junho a setembro-outubro, fazendo as delícias das abelhas.
Adaptada ao cultivo num solo bem drenado e soalheiro, desenvolve-se particularmente bem nas regiões meridionais e atlânticas, podendo ser cultivada numa marquise ou numa estufa em climas mais frios. É ideal para decorar muros e treliças, por exemplo, em companhia de uma liana persistente apenas ligeiramente menos rústica, como a Hardenbergia violacea, de floração primaveril mais tardia.

Maracujazeiro 'Marijke' - Maracujá
A passiflora ‘Marijke’ é uma variedade híbrida que oferece, do verão ao outono, uma infinidade de grandes flores de um púrpura-magenta profundo e intenso, lindamente contrastadas por filamentos azul-índigo anelados de branco e estames amarelo-claro. São muito perfumadas, com um aroma que evoca notas de lírio-do-vale e lilás.
‘Marijke’ resulta do cruzamento entre a Passiflora decaisneana e a P. caerulea. Os seus longos caules estão cobertos de folhas recortadas em 3 lóbulos ovais espessos, de um verde-médio brilhante, persistentes apenas em climas amenos. As suas flores, com 12 cm de diâmetro, renovam-se continuamente na planta durante a estação quente e são muito apreciadas pelos insetos polinizadores.
A planta é sensível à geada, devendo ser protegida do frio abaixo de -2°C, mas, como permanece relativamente compacta, atingindo 3 a 4 m de altura, adapta-se perfeitamente ao cultivo num vaso no terraço, numa estufa ou num alpendre.

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