Cobra-de-colar-helvética
Uma cobra totalmente inofensiva
Resumo
A cobra-de-água-de-colar-helvética é uma serpente inofensiva que vive perto de meios húmidos em França e na Bélgica. Esta cobra-de-água é um elemento importante para o equilíbrio da biodiversidade na natureza e no jardim. É, de facto, uma espécie predadora de roedores, anfíbios e até insetos. Por sua vez, é predada pela raposa, pela garça ou por algumas aves de rapina, entre outros predadores. Absolutamente nada perigosa, ao contrário das víboras, e útil: chegou o momento de deixar mais espaço a esta simpática serpente.
O que é a cobra-de-água-de-colar-helvética? Como vive e como distingui-la de uma víbora? Nesta ficha informativa, encontrará todas as informações.

Natrix helvetica (© Bernard Dupont)
Disse «helvético»?
A cobra-de-água-de-colar-helvética (Natrix helvetica) é a espécie de serpente mais presente em França e na Bélgica. Podem ser encontradas outras «cobras» em França, como a cobra-de-água-viperina, a cobra-de-água-tesselada, a coronilha-lisa (cobra-coronilha), a cobra-de-esculápio ou a cobra-de-Montpellier. Na Bélgica, apenas a coronilha-lisa está presente, juntamente com a cobra-de-água-de-colar-helvética.
A cobra-de-água-de-colar-helvética foi durante muito tempo considerada uma subespécie da «verdadeira» cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix), que vive sobretudo no Norte da Europa, para além do Reno. Atualmente, e desde 2017, as duas espécies são claramente distintas, mas não será, por isso, surpreendente encontrar em publicações antigas apenas o nome cobra-de-água-de-colar para designar a serpente que vive em França e na Bélgica. Na realidade, as duas espécies são muito semelhantes nos seus hábitos e no seu aspeto. É mesmo necessário ser um herpetólogo (alguém que estuda os répteis) experiente para conseguir diferenciá-las. Em resumo (e, em teoria!), em França e na Bélgica encontra-se a espécie Natrix helvetica, e não Natrix natrix.
Além disso, e para complicar ainda mais a situação, Natrix helvetica hibrida-se na natureza com Natrix natrix ou com Natrix maura (a cobra-de-água-viperina). Quem disse que a herpetologia era uma ciência fácil?
Nota bene: Outra espécie outrora considerada uma subespécie da cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix), a cobra-de-água-de-colar-ibérica (Natrix astreptophora) é nitidamente mais meridional.

Natrix helvetica em cima, em baixo à esquerda Natrix natrix, à direita Natrix astreptophora
Como reconhecer a cobra-de-água-de-colar helvética?
- As pupilas são redondas e pretas;
- A parte superior da cabeça apresenta 9 grandes placas (escamas grandes);
- A nuca é ornamentada com um colar amarelo-pálido a branco-sujo, contornado a preto na parte posterior;
- A cauda é longa, com um estreitamento progressivo: a fêmea pode medir 120 cm, e o macho 90 cm;
- O corpo é cinzento-ardósia a verde-oliva, o dorso está salpicado de manchas negras e os flancos são estriados de preto;
- As escamas labiais superiores (nas «faces») são de cor branco-creme, contornadas a preto.
Nota: a fêmea e o macho são absolutamente semelhantes. Apenas diferem no tamanho em adulto e na base da cauda: a base da cauda é mais grossa no macho. Nem sempre é fácil observar esta diferença, e alguns especialistas enganam-se por vezes.

Natrix helvetica
As diferenças entre uma víbora e uma cobra
Existem três diferenças notáveis entre estes dois tipos de serpentes:
- O olho: pupila redonda nas cobras, uma linha vertical que atravessa o olho nas víboras (um pouco como nos gatos);
- As escamas: escamas grandes nas cobras, escamas pequenas nas víboras;
- A cauda: cauda comprida nas cobras e cauda curta nas víboras.
A cabeça não é realmente um critério fiável. Embora as cobras tenham geralmente uma cabeça oval e as víboras uma cabeça triangular, algumas espécies de cobras, como a cobra-de-água-viperina, também têm uma cabeça triangular.

Natrix helvetica à esquerda e víbora à direita
As cobras-de-colar não são venenosas. Algumas outras espécies de cobras produzem veneno, mas este não é de todo perigoso para o ser humano. Em contrapartida, as víboras são mais perigosas. Durante os passeios, convém usar calçado que cubra o tornozelo e não incomodar as víboras (nem os outros animais, já agora).
Para recordar, eis os procedimentos corretos a aplicar em caso de mordedura de víbora:
- Lave a ferida com sabão de Marselha;
- Retire a roupa, o relógio, as pulseiras… à volta da mordedura;
- Mantenha o membro afetado imóvel e permaneça calmo (é fácil dizer, evidentemente!);
- Dirija-se ao hospital para receber antiveneno.
- O que não deve fazer: não aspire o veneno (não está num filme!), esqueça também os AspiVenins e, sobretudo, não aplique um garrote.
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O habitat
A cobra-de-água-de-colar-helvética prefere os meios húmidos, as margens de rios ou ribeiros, os taludes relvados, as imediações de um lago… Embora seja pouco frequente, esta serpente pode aparecer em jardins onde a natureza ocupa um lugar de destaque ou em jardins situados perto de zonas húmidas naturais.
Os hábitos
Esta serpente é diurna (só se desloca durante o dia) e nada bem. Quando se sente ameaçada, esta cobra-de-água emite um silvo, depois faz-se de morta e… liberta pela cloaca uma secreção nauseabunda. As cobras-de-água-de-colar não são venenosas!
A cobra-de-água-de-colar-helvética vive cerca de vinte anos e reproduz-se de abril a maio (atinge a maturidade sexual aos 4 anos). A postura de cerca de quarenta ovos (ovípara) ocorre num monte de estrume ou de composto, cujo calor e humidade são ideais para assegurar uma boa incubação (de 5 a 10 semanas). A cria da cobra-de-água chama-se cobra-de-água jovem.
A cobra-de-água-de-colar-helvética hiberna num antigo abrigo de roedores, numa fenda de um muro, num monte de lenha ou num amontoado de rochas.
Por vezes, as cobras-de-água entram nas casas por diversos motivos: para encontrar um local acolhedor, quente e húmido, onde possam pôr os ovos ou até hibernar, para caçar ratos ou para procurar frescura ou, pelo contrário, calor (pois é, são animais de sangue frio!). Se isso acontecer: não entre em pânico! Faça sair a serpente com a ajuda de um camaroeiro ou, delicadamente, fazendo-a agarrar-se a um rodo ou a uma vassoura.
A alimentação
A cobra-de-água-de-colar-helvética alimenta-se de pequenos peixes, anfíbios, insetos de grandes dimensões e micromamíferos, como musaranhos, ratos-do-campo, ratos…

Natrix helvetica depois de uma refeição abundante… (© Bernard Dupont)
Porque devemos proteger as cobras?
O desconhecimento das pessoas e o medo ancestral das serpentes causam todos os anos muitos danos às cobras (e aos outros répteis também). No entanto, como já se viu, as cobras são totalmente inofensivas.
Além disso, contribuem ativamente para o equilíbrio da biodiversidade enquanto predadoras de roedores, anfíbios ou répteis e reguladoras das populações de insetos. As cobras são, por sua vez, predadas pela raposa, pelo texugo, pela lontra, pela fuinha… e por aves como a garça-real, o mergulhão-de-crista e diversas aves de rapina diurnas (milhafres e águias). As cobras jovens também podem ser comidas por outras cobras, por anfíbios de grande dimensão (rãs-verdes) e até por peixes.
Para ajudar as cobras no jardim: a criação de um charco natural, alguns montes de madeira e um monte de pedras ao sol constituem um bom começo.
Recorde-se: em França, as serpentes são espécies protegidas desde 1976. Não podem ser mortas nem perturbadas intencionalmente. Na Bélgica, todos os répteis também estão integralmente protegidos.
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