Resumo
O cultivo de citrinos (limoeiros, laranjeiras, lima-persas, toranjeiras…) é simultaneamente gratificante e exigente. Estas plantas são, de facto, plantas «exigentes», pois os citrinos consomem muitos recursos para produzir a sua folhagem persistente, as suas flores perfumadas e, naturalmente, os seus frutos sumarentos. No entanto, cultivar um citrino em terra plena na região mediterrânica e cultivar outro num vaso numa varanda são duas práticas radicalmente diferentes. Embora as necessidades biológicas da planta se mantenham, a estratégia de fertilização muda completamente.
Para obter uma colheita abundante e evitar o amarelecimento das folhas, frequentemente sinal de deficiência, descubra o nosso calendário preciso de fertilização dos citrinos.
O cultivo de citrinos em vaso e em plena terra
Para fertilizar corretamente, é necessário compreender que a árvore não vive no mesmo ambiente quando tem as raízes na terra do jardim ou no espaço fechado de um vaso. A principal diferença reside na capacidade que o citrino tem para procurar nutrientes.
Em plena terra, o citrino desenvolve um sistema radicular poderoso, composto por uma raiz pivotante profunda e numerosas raízes superficiais que se estendem muito para além da projeção da folhagem. Explora um volume imenso de terra. Em vaso, a árvore fica confinada. As raízes enrolam-se contra as paredes. Só consegue absorver o que se encontra nos poucos litros de substrato disponíveis. 
Além disso, em plena terra, os minerais não são arrastados pela chuva. Já num vaso bem drenado, a cada rega, a água que escorre pelos orifícios do fundo leva consigo uma parte do adubo.
Por fim, em plena terra, a temperatura e a acidez (pH) do solo variam muito lentamente. Num vaso, porém, o ambiente é instável. Em pleno verão, a temperatura do substrato pode subir bastante, acelerando a decomposição do adubo e correndo o risco de queimar as raízes.
Na primavera, o início do desenvolvimento dos citrinos
A partir do mês de março, o citrino sai da dormência invernal e prepara o seu crescimento. Mesmo ao contrário das árvores caducas, os citrinos não entram numa dormência total. Ficam em «repouso vegetativo», desencadeado pela descida das temperaturas, abaixo dos 10-12 °C, e pela redução da luminosidade. Assim que o solo aquece e as temperaturas noturnas estabilizam, a seiva sobe, transportando as reservas de açúcar das raízes para os ramos. É por isso que a aplicação de adubo deve ser relativamente precoce.
Os citrinos em vaso
O substrato fica frequentemente esgotado depois do inverno. Assim que as temperaturas ultrapassarem os 12-15 °C, é necessário retomar as aplicações de adubo, aproximadamente de 15 em 15 dias. É importante ter em conta que, como o volume de terra é reduzido, o substrato aquece muito rapidamente. A árvore em vaso sai frequentemente da dormência 2 a 3 semanas antes da que está em terra plena.
- Como fazer? Utilize um adubo líquido «Especial citrinos» rico em azoto (N) e ferro. Regue sempre com água limpa não calcária, por exemplo, água da chuva, antes de aplicar o adubo, para não queimar as raízes confinadas.
- A pequena mais-valia: A renovação da camada superficial, substituindo os 5 primeiros centímetros de terra por composto bem decomposto ou, na sua falta, por substrato novo, é ideal em março.

Os citrinos em terra plena
O solo do jardim demora muito mais tempo a armazenar o calor e aquece mais lentamente do que o substrato do vaso. A árvore parece estar a dormir, embora o ar já esteja ameno. A estratégia consiste, portanto, em antecipar um pouco, aplicando corretivos orgânicos de fundo a partir do final de fevereiro. Demorarão algumas semanas a mineralizar-se sob a ação dos micro-organismos do solo, ficando disponíveis quando a seiva chegar ao topo da árvore.
- Como fazer? Pode assim espalhar junto ao pé da árvore, na projeção da copa, 3 a 5 kg de estrume compostado ou de adubo orgânico em grânulos. Revolva ligeiramente o solo para o incorporar.
- A pequena mais-valia: Cubra generosamente o solo com uma cobertura morta para conservar a humidade e alimentar a vida do solo.
No verão, a formação dos frutos
O verão é a estação da transformação: as flores transformam-se em frutos, que precisam de crescer sem esgotar a árvore. Esta transformação é uma das mais exigentes para a árvore, pois tem de assegurar simultaneamente o crescimento dos novos ramos e encaminhar uma grande quantidade de açúcares e minerais para os frutos jovens em formação. Se o fornecimento de nutrientes for insuficiente ou irregular nesta fase, a árvore desencadeará um mecanismo de sobrevivência que consiste em «abortar» parte da sua produção, para não se esgotar prematuramente. Durante estes meses de calor intenso, a regularidade da adubação torna-se essencial.
Os citrinos em vaso
Com o calor, as regas são quase diárias. A água da rega elimina os minerais do vaso. É, portanto, necessário manter a regularidade das adubações para evitar a queda dos frutos jovens, a cada 10 a 15 dias.
- Como fazer? Alterne entre o adubo líquido habitual e um fornecimento de oligoelementos (magnésio/zinco) se as folhas mostrarem sinais de cansaço.
- A pequena mais-valia: Se partir de férias, não utilize bastões de adubo de longa duração imediatamente antes de partir, pois podem ser demasiado agressivos se a rega automática falhar.
Os citrinos em terra plena
A árvore recorre às suas reservas e ao corretor de solo aplicado na primavera. Será certamente necessário voltar a aplicar uma pequena dose de adubo em junho ou julho, para favorecer a formação dos frutos.
- Como fazer? Utilize um adubo granulado rico em potássio (K). Este ajuda a aumentar a resistência à seca e a concentração de açúcares nos frutos.
- A pequena mais-valia: Em caso de canícula, a árvore entra em «pausa». Não é necessário adubar se as temperaturas ultrapassarem os 35°C, pois a árvore não conseguirá assimilá-lo.
O outono, a época da consolidação
No outono, já não se procura fazer crescer a árvore, mas reforçar a sua madeira e concluir a maturação dos frutos. A suspensão dos adubos azotados permite parar a produção de rebentos jovens e frágeis, redirecionando assim toda a energia da planta para a lenhificação dos ramos, que ganharão maior resistência perante as condições rigorosas do inverno. Paralelamente, uma aplicação direcionada de potássio favorece a concentração dos açúcares e dos óleos essenciais nos frutos, garantindo uma maturação ideal e uma pele resistente para a colheita.
O citrino em vaso
A árvore deve ser preparada para regressar à marquise. Assim, reduzem-se progressivamente as aplicações de adubo, até uma única vez por mês.
- Como fazer? Reduza drasticamente o azoto. Utilize um adubo mais pobre para evitar os rebentos de fim de estação, que atrairiam os pulgões no interior.
- A dica extra: verifique se não existem carências, que se manifestam através de clorose da folhagem, antes de levar o vaso para o interior.

O citrino em plena terra
A árvore deve armazenar reservas nas raízes para passar o inverno e ganhar resistência. Deve ser feita uma última aplicação de adubo no final de setembro.
- Como fazer ? Uma aplicação de sulfato de potássio ou de cinzas de madeira, com muita moderação, ajuda a madeira a tornar-se lenhosa para resistir melhor à geada.
- A dica extra: retire os frutos caídos no solo para evitar doenças criptogâmicas que poderiam aproveitar o adubo residual.
O inverno, o repouso
Para o citrino em vaso
- Repouso total: Se o vaso estiver numa estufa fria (5-10°C), suspenda todo o adubo. A planta está em dormência.
- Exceção: Se tiver um limoeiro das quatro estações que continue a florir numa estufa quente, mantenha uma aplicação muito ligeira (1/4 da dose) uma vez por mês, apenas se a árvore apresentar um crescimento ativo.
Para o citrino em plena terra
Não é necessário fazer nada. Deixe a cobertura morta decompor-se. O azoto aplicado no inverno não seria absorvido pelas raízes frias e acabaria por poluir os lençóis freáticos.
Erros frequentes a evitar
Ao pensar que estão a fazer o melhor, alguns jardineiros cometem erros que podem ter consequências graves:
- Adubar em excesso: aplicar demasiado adubo pode queimar as raízes e tornar a árvore mais vulnerável aos pulgões, que adoram os rebentos demasiado tenros e carregados de azoto.
- Esquecer a rega: o adubo atua um pouco como o sal. Sem água para o diluir e o transportar, torna-se tóxico para a planta.
- Ignorar o pH do solo: os citrinos preferem solos ligeiramente ácidos a neutros. Num solo demasiado calcário, o ferro fica bloqueado e a árvore apresentará carências, mesmo que se aplique adubo.
- Adubar uma árvore doente: se a árvore perder as folhas devido a um excesso de água ou a um parasita, não aplique adubo para a «fortalecer». Resolva primeiro o problema sanitário.
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