Resumo
Que inseto é esse, barulhento e algo desajeitado, que bate contra a janela à noite? Provavelmente, é um escaravelho-maio comum.
Temido pela sua capacidade de devastar as culturas, nomeadamente nos pomares, este coleóptero noturno viu o seu número diminuir consideravelmente nas últimas décadas e já não é tão problemático como outrora.
Mas, sabendo que a larva do escaravelho-maio se alimenta de raízes, ainda subsiste algum receio quando as encontramos na nossa terra.
Como reconhecê-lo, sobretudo quando se encontra no estádio de «larva-branca»? Que estragos há a temer? Convém intervir ou deixá-lo em paz? Encontra tudo na nossa ficha de conselhos!
Quem é o escaravelho-maio comum?
O escaravelho-de-maio comum ou Melolontha melolontha é um grande coleóptero de 20 a 30 mm de comprimento, com élitros castanho-avermelhados, que se avista episodicamente de maio a início de julho nos nossos jardins. É possível distinguir, com maior ou menor facilidade, o macho da fêmea observando as antenas: 7 lâminas no macho e apenas 6 na fêmea.
No estado larvar, que dura aliás vários anos, pode confundir-se o escaravelho-de-maio com a cetónia dourada, um outro coleóptero, mas de cor verde-metálica, bem menos problemática do que o escaravelho-de-maio comum. No entanto, é fácil distingui-los:
- Larva do escaravelho-de-maio comum, também conhecida como “larva-branca”: esbranquiçada a amarelada, em forma de vírgula, com uma mancha negra na parte traseira e uma cabeça grande.
- Larva da cetónia dourada: de cor branco-acinzentada, com uma cabeça pequena, patas curtas e uma parte traseira volumosa.

Para saber mais, descubra o nosso artigo: “Cetónia dourada, tudo o que precisa de saber sobre este grande inseto do jardim”
O ciclo completo deste inseto decorre ao longo de 3 anos. As larvas eclodem 4 ou 5 semanas após a postura na primavera e depois enterram-se no solo para hibernar. Na primavera seguinte, as larvas sobem à superfície e atacam as raízes das plantas para se alimentar. Depois hibernam mais uma vez, para só se transformarem em ninfas no verão seguinte. O imago (o jovem adulto) sai da ninfa, mas permanece ainda debaixo de terra. Só na primavera seguinte é que sai do solo e voa pelo jardim. As aparições dos escaravelhos-de-maio são assim periódicas; alguns anos avistam-se muitos, sobretudo nos dias mais quentes.
Danos e métodos de combate no jardim
Possíveis danos no jardim:
- As larvas-brancas roem as raízes das plantas. Se as larvas são em número reduzido, os “danos” são muito limitados. Se são em grande número (o que já quase nunca acontece!), a situação pode tornar-se problemática.
- As larvas podem também “estragar” o relvado ao levantar alguns torrões de terra.
- Os adultos roem ligeiramente as folhas de árvores ou arbustos caducifólios, por vezes também algumas flores ou frutos.
Meios de combate:
- Na horta, uma boa lavoura de inverno até 50 cm permite eliminar grande parte das larvas de escaravelhos-maio. Não exagere, no entanto: o solo é frágil e uma lavoura demasiado profunda perturbará o seu equilíbrio.
- Uma raspagem ou uma binagem, mesmo superficial, é suficiente para destruir parte dos ovos ou reduzir a população de larvas.
- Não perseguir os seus predadores naturais é o melhor meio para evitar uma invasão de escaravelhos-maio. Um jardim acolhedor para o ouriço-cacheiro, por exemplo, ou uma velha macieira que sirva de “spot” de nidificação para o mocho-galego são exemplos de boas soluções.
- Pode aplicar-se em setembro, numa zona infestada, uma solução de água e nemátodos Heterorhabditis bacteriophora que se alimentam das larvas de escaravelhos-maio.

Interesse ecológico do escaravelho-maio comum
O escaravelho-maio adulto serve de alimento a numerosos animais voadores: muitas aves insetívoras e até rapinas noturnas em período de nidificação, como é o caso do Mocho-galego, bem como morcegos como o Morcego-hortelão. Quanto à larva, é apreciada pelos ouriços-cacheiros, pelos ratos-do-campo e pelas toupeiras. O escaravelho-maio ocupa, portanto, um lugar muito importante na cadeia alimentar.
Os escaravelhos-maio são absolutamente inofensivos para o ser humano: não picam, não mordem, não arranham… São simplesmente atraídos pelas luzes ao anoitecer, razão pela qual se aproximam das habitações e parecem ter um prazer especial em bater nas janelas.
As larvas participam também no arejamento do solo, à semelhança de toda a macrofauna edáfica. Além disso, contribuem, um pouco apesar de nós, para o enriquecimento do solo em matéria orgânica, ao alimentarem-se das raízes das plantas e ao deixarem os seus pequenos excrementos. Esta matéria orgânica torna-se então assimilável pelas plantas que subsistem.
Nota bene: como muitos insetos, os escaravelhos-maio têm vindo a regredir na Europa por diversas razões, como a redução dos habitats naturais, a utilização prolongada de pesticidas e a mecanização da lavoura nas culturas. Mas a verdadeira “caça às bruxas” a todos os hipotéticos pragas do jardim também não é inocente. Em resumo, deixemos espaço a estas simpáticas criaturas e aos outros habitantes do jardim.

Sabia que?
- A subfamília Melolonthinae reúne 11 000 espécies de escaravelhos-maio no mundo, como, por exemplo entre nós, o escaravelho-dos-jardins e o escaravelho-de-São-João.
- Antigamente, as crianças atavam um fio à volta do corpo do inseto para o fazer rodopiar acima da cabeça.
- Conhecidos como praga das culturas, os escaravelhos-maio foram, por volta do final do século XIX e do início do século XX, combatidos com afinco. Incentivava-se as crianças a apanhá-los e a destruí-los, nomeadamente nos pomares. Esta prática tinha até um nome: o hannetonnage.
- Há bem pouco tempo, os escaravelhos-maio-comuns constavam das listas de espécies protegidas em França e na Bélgica. Já não constam, pois, graças a mudanças benéficas nas práticas de cultivo e à redução drástica do uso de inseticidas, os escaravelhos-maio vão recuperando terreno pouco a pouco. Ufa!
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