Inflorescências: tudo sobre as diferentes formas de floração das plantas
Aprenda a reconhecer a forma das flores!
Resumo
As flores dos nossos jardins são todas diferentes e contribuem para a grande riqueza do mundo floral. Para além das suas cores ou da sua fragrância, as suas diferenças devem-se sobretudo às distintas formas das flores, que lhes conferem um aspeto único: descreve-se frequentemente, na Promesse de Fleurs e nos livros ou revistas de jardinagem, a floração de uma variedade ou espécie através do termo botânico inflorescência.
Este vocabulário específico da botânica refere-se à disposição de um grupo de flores num eixo floral, uma vez que as flores são por vezes simples, mas, na maioria dos casos, encontram-se reunidas para formar as belezas que tanto nos maravilham.
Sem entrar numa verdadeira aula de botânica, apresentam-se aqui algumas noções básicas sobre as inflorescências mais frequentemente encontradas, para compreender e apreciar melhor a diversidade das flores dos nossos jardins.
Porque é útil reconhecer as diferentes inflorescências?
Reconhecer o tipo de inflorescência de uma flor é interessante por vários motivos.
Em primeiro lugar, ajuda a identificar com precisão as plantas, quer se passeie na natureza, quer se visite um jardim. Tal como acontece com as folhas, a forma e a disposição das flores constituem, de facto, uma das chaves para a identificação dos vegetais, pois cada tipo de inflorescência tem características próprias, que indicam diferenças entre famílias ou géneros, adaptações evolutivas e diversas estratégias de reprodução.
Na floristeria, as várias inflorescências permitem criar ramos de flores com formas muito variadas e tirar partido da sua estética.
Aprender a conhecê-las serve sobretudo para nós, jardineiros do dia a dia, aprendermos a utilizá-las corretamente e a integrá-las, combinando-as nos canteiros, tirando partido da sua originalidade e das suas diferenças!

A variedade das formas das flores é imensa: uma oportunidade a explorar no jardim!
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As inflorescências em plumeiroOs capítulos
Comecemos pela mais fácil das inflorescências, que geralmente se toma, por engano, por uma flor simples!
Bem-me-quer, mal-me-quer, muito… É fácil visualizar as flores cujas pétalas se retiram uma a uma para declarar o amor! Trata-se, na realidade, de capítulos, constituídos por flores ditas sésseis (sem pedúnculo ou pecíolo), agrupadas de forma mais ou menos densa num recetáculo central em forma de disco, ele próprio rodeado por brácteas, e por lígulas que se tomam por pétalas e que se vão retirando pouco a pouco até… não restar nenhuma! Apresentam, na maioria das vezes, uma forma achatada, como acontece nos ásteres ou nas margaridas, constituindo uma verdadeira pista de aterragem para os insetos polinizadores. Esta forma de flor capitulada encontra-se numa família característica, a das Asteráceas (ou Compostas).
→ Exemplos: a margarida, a centáurea, o erígero, a equinácea, a erva-das-bruxinhas, a alcachofra…

Centáurea, margarida e ásteres
Os corimbos
O corimbo é outra inflorescência muito comum nas plantas com flor. Forma um ramo de flores achatado, cujos pedúnculos (estruturas de suporte) se inserem de forma escalonada a várias alturas no eixo principal, com comprimentos diferentes. Como resultado, as flores ficam todas dispostas no mesmo plano e podem formar inflorescências planas, como acontece em algumas hortênsias (Hydrangea serrata), ou inflorescências mais abauladas, como na Hydrangea aspera.
Por vezes, alguns corimbos são confundidos com umbelas: a diferença reside no facto de as flores das umbelas estarem todas ligadas num único ponto, irradiando a partir dele. Os corimbos encontram-se, nomeadamente, em algumas Rosáceas (a macieira, a pereira, a ameixeira). No sabugueiro, são compostos.
→ Exemplos: o sabugueiro, o fisocarpo, o pilriteiro, a aquileia, o sédum de outono, o ibéris…

Milefólio, hortênsia serrata e sabugueiro
As umbelas
Esta inflorescência tem todos os pedúnculos praticamente com o mesmo comprimento (ao contrário dos corimbos acima), inseridos no mesmo ponto do caule.
As flores ficam assim dispostas de forma uniforme e radial a partir de um único ponto do caule, como um guarda-chuva. Os pedicelos que suportam as flores têm comprimentos variáveis, fazendo com que todas as flores fiquem, de modo geral, no mesmo plano, mais ou menos esférico. As umbelas podem ser simples ou compostas, sendo estas últimas formadas por várias umbelas simples reunidas numa estrutura maior, chamada umbela composta. Encontram-se assim umbelas relativamente planas no funcho comum e umbelas compostas (ou duplas) na flor da cenoura, em que as umbelas reproduzem um novo “nível” com as umbélulas.
As umbelas estão frequentemente associadas à família das Apiáceas, também conhecida pelo nome de Umbelíferas. Esta família inclui numerosas plantas aromáticas e medicinais, como a cenoura, a salsa, o aipo-dos-pântanos, a angélica e o endro. Também fazem parte deste tipo de inflorescências flores de formas marcantes, que formam uma esfera perfeita no agapanto, nos alhos, nas lantanas ou na hera, atraindo facilmente os polinizadores.

Clívia, agapanto e funcho
As cimeiras (ou cimos)
Agora começa a tornar-se um pouco mais complexo, pois, em termos botânicos, fala-se de cimeiras simples ou compostas, uníparas, bíparas ou multíparas.
Para simplificar, pode dizer-se que as cimeiras se caracterizam por um eixo principal terminado por uma flor, que se ramifica desenvolvendo outras flores lateralmente a partir desse eixo. As flores são frequentemente numerosas e pequenas e abrem em momentos diferentes: primeiro a flor terminal, depois as flores laterais. Confunde-se, por vezes, com a inflorescência em racemo (ver abaixo). É de salientar que este tipo de floração apresenta uma grande diversidade de formas e dimensões das cimeiras, que podem variar de uma espécie para outra, pois os ramos laterais desenvolvem-se, por vezes, apenas de um lado (fala-se então de cimeiras uníparas escorpioides). A floração em cimeiras confere às plantas um aspeto particularmente delicado e aéreo.
→ Exemplos: Trachelospermum jasminoides (jasmim-estrelado) e Solanum jasminoides, miosótis, valeriana, borragem-comum, Ajuga reptans…

Solanum jasminoides, Ajuga reptans e miosótis
Os racemos ou cachos
Os racemos ou cachos são inflorescências simples, nas quais as flores estão dispostas ao longo de um único eixo central, sem ramificações, e ligadas por um pedicelo curto. São relativamente fáceis de identificar graças ao seu eixo floral único. O cacho pode ser pendente ou ereto. Esta estrutura é comum em muitas plantas, como as glicínias e os tremoceiros. Os racemos permitem uma floração ordenada e elegante, apreciada pela sua simplicidade e pelo seu encanto. Os racemos ou cachos encontram-se numa grande variedade de plantas com flor, sem que exista uma família predominante em particular.
→ Exemplos: glicínia, montbrécia, lírio-do-vale, uva-de-jacinto, tremoceiro, acácia, jasmim-dos-poetas de inverno…

Glicínia, montbrécia e acácia
Os tirsos
Os tirsos são inflorescências complexas, caracterizadas por uma estrutura ramificada em que cada eixo secundário apresenta, por sua vez, flores dispostas num cacho de cimas, formando assim uma inflorescência composta. Esta disposição assume uma forma piramidal distinta; fala-se por vezes de cacho tirsóide, o que permite geralmente identificá-los bem. Os tirsos proporcionam uma floração abundante e frequentemente espetacular, atraindo numerosos polinizadores. Os tirsos não são específicos de uma família de flores, encontrando-se em diversas espécies ornamentais e espontâneas.
São muito apreciados pelo efeito particularmente estético e pela floração generosa. Os tirsos são também valorizados pela capacidade de produzirem habitualmente flores durante um longo período, como no caso do arbusto-das-borboletas (Buddleja davidii), proporcionando um interesse visual prolongado no jardim.
→ Exemplos: castanheiro-da-índia, estrela-de-belém, lilás, budleia, videira.

Flores de castanheiro-da-índia, de estrela-de-belém e de lilás
As panículas
As panículas são grandes inflorescências ramificadas, compostas por cachos de flores individualmente pecioladas: as flores dispõem-se de forma desordenada e formam, no conjunto, uma pirâmide ou um cone. O número de ramificações diminui ao longo do eixo central e as flores situam-se nos meristemas terminais, criando uma estrutura arejada. Esta disposição é comum em plantas como as hortênsias asiáticas, justamente denominadas Hydrangea paniculata. As panículas proporcionam uma floração abundante, arejada e vaporosa, conferindo volume e textura aos canteiros, sendo perfeitas para jardins naturais ou para a elegância dos jardins ingleses. Os nomes latinos das plantas incluem frequentemente este adjetivo «paniculata», o que ajuda um pouco!
→ Exemplos: Hortênsia paniculata, Perovskia atriplicifolia, mosquitinho, Phlox paniculata, Yucca gloriosa…

Hydrangea paniculata, Perovskia atriplicifolia e Yucca gloriosa
Os glomérulos
Os glomérulos formam um agrupamento muito denso e mais ou menos esférico de numerosas pequenas flores sésseis e sem pedúnculo, ou com o pedúnculo encurtado. As flores adquirem o aspeto de pequenas bolas compactas, pois estão todas inseridas no mesmo ponto do caule, através de um eixo muito curto. Os glomérulos oferecem um aspeto visualmente atraente, com a sua forma globulosa. São ideais para criar canteiros coloridos e atraem frequentemente os polinizadores.
→ Exemplos: as bergamotas, os trevos, o Echinops ritro.

Echinops ritro, trevo e Monarda
Os fetos-arborescentes
O ciátio é típico das euforbiáceas, como o mais conhecido nos nossos jardins, o trovisco-macho. Também se trata aqui de uma inflorescência, pois há uma única flor feminina, rodeada por várias flores masculinas agrupadas, estando o conjunto rodeado por duas brácteas.

Euphorbia characias
As espiguetas e as espigas
As espiguetas são um termo geralmente reservado à família das Poáceas, ou seja, às gramíneas (embora também se fale em espiga). O trigo, que pertence a esta família, é constituído por uma espiga terminal, subdividida por sua vez em várias espiguetas. As espiguetas são também as inflorescências características das Juncáceas (como as lúzulas e os juncos) e das Ciperáceas (Carex, Cyperus papyrus, Scirpoides, etc.), embora algumas possam florescer sob a forma de panículas ou glomérulos.
Na prática de jardinagem, encontram-se espiguetas sobretudo em todas as gramíneas ornamentais, como os miscantos e as Muhlenbergia, entre outras, e no Lagurus ovatus (embora seja erradamente chamado amentilho).

Hakonechloa macra, Miscanthus sinensis e Lagurus ovatus
Quanto às espigas, trata-se de um termo atribuído a numerosas plantas perenes ou arbustos que apresentam inflorescências caracterizadas por um eixo central ao longo do qual se dispõem flores sésseis, sem pedúnculo. A variedade das espigas é grande, pois podem ser compactas ou soltas, consoante as espécies.
As espigas conferem uma estrutura vertical e altura ao jardim, indispensáveis nos canteiros, criando um contraste interessante com plantas leves e vaporosas.
→ Exemplos: alfazema, erva-viperina, limpa-garrafas, Celosia argentea, Verbena hastata, pena roxa, tanchagem…

Celosia argentea, limpa-garrafas e Verbena hastata
Os amentilhos
Este termo fala à criança que há em nós e não se parece com a ideia que fazemos de uma flor. É, no entanto, uma flor, que cresce unicamente em árvores ditas amentíferas. O Larousse define o amentilho como uma «inflorescência própria de diversas árvores, constituída por uma espiga, pendente ou erguida, de minúsculas flores unissexuadas». Esta inflorescência é sempre flexível e não inclui pétalas nem sépalas.
Os amentilhos mais comuns são os do salgueiro, da aveleira, do carpino ou da bétula, mas também surgem no Garrya elliptica, no choupo e na azinheira (Quercus ilex). Estão envolvidos três grandes grupos: as salicáceas (salgueiro, choupo), as fagáceas (carvalho, castanheiro e faia) e as betuláceas (carpino, aveleira e amieiro). Estas inflorescências têm a particularidade de aparecerem no final do inverno (exceto no castanheiro) e tornam-se mais visíveis na primavera, quando libertam o pólen.
Este amentilho pode ser uma flor masculina no carvalho ou na aveleira, mas trata-se de uma flor feminina no salgueiro, no amieiro e no choupo.

Garrya elliptica, aveleira e salgueiro
O espádice
Para terminar este belo conjunto, eis uma inflorescência verdadeiramente original e atípica. O espádice é a flor característica das plantas da família das Aráceas, como o jarro (Zantedeschia aethiopica). O espádice apresenta a forma de uma espiga carnuda que reúne uma miríade de minúsculas flores amarelas, brancas ou vermelhas, consoante as espécies. Nestas flores, observa-se uma estrutura membranosa, de tamanho variável e mais ou menos coriácea consoante as plantas, semelhante a um grande funil meio aberto em plena floração, que envolve o espádice: trata-se da espata, de cor branca no jarro e no espatifilo, uma planta de interior bastante comum.
As espatas e os espádices são característicos das plantas da família das Arecáceas, à qual pertencem os jarros, mas também as palmeiras.
→ Exemplos: o jarro-dos-jardins, a Calla palustris, o antúrio, os singónios, o arum-dragão Dracunculus vulgaris, as palmeiras.

Anthurium, Zantedeschia aethiopica e Calla palustris
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