Resumo
A salva (Salvia officinalis) é uma planta aromática e medicinal conhecida desde a Antiguidade. Aliás, o nome «salva» deriva do termo latino «salvus», que significa «boa saúde», por sua vez derivado de “salvare” que significa «salvar». As outras designações da salva, nomeadamente «erva-das-feridas» ou «erva-sagrada», testemunham as suas virtudes. Pode dizer-se que a salva ocupa, desde há muito, um lugar central nas farmacopeias tradicionais. Cultivada nos jardins pelas suas qualidades culinárias e terapêuticas, mas também ornamentais, a salva suscita um interesse renovado graças à investigação científica, que confirma algumas das suas propriedades medicinais.
Descubra todos os benefícios da salva, um subarbusto de folhagem aromática dos nossos jardins, desde a sua apresentação botânica aos seus compostos ativos, passando pelos seus benefícios para a saúde e pelas suas eventuais contraindicações.
Apresentação da sálvia oficinal, uma planta perene aromática
A sálvia é uma planta perene da família das Lamiáceas, parente do tomilho e originária da bacia do Mediterrâneo. Forma um subarbusto com 60 a 80 cm de altura, de caules quadrangulares e folhas persistentes, ovais e lanceoladas, de cor verde-acinzentada, aveludadas e ásperas ao toque. Esta folhagem é muito aromática e aromatiza vantajosamente diversos pratos confecionados à base de peixe ou aves, bem como molhos.
As suas flores, envolvidas por brácteas, geralmente azul-violetas, surgem em espigas terminais na primavera ou no início do verão. Esta floração dá origem a frutos em forma de tetraquénios, que se escondem no interior de cálices persistentes.

Folhagem e flores da sálvia
Fácil de cultivar, a sálvia aprecia exposições soalheiras e solos bem drenados, leves e secos, ou mesmo ligeiramente calcários. Não tolera a humidade estagnada, sobretudo no inverno. Um local abrigado dos ventos frios favorecerá uma boa retoma e uma floração abundante. Em plena terra, pode revelar-se muito resistente à seca depois de bem estabelecida. Planta-se preferentemente na primavera ou no início do outono. Uma ligeira poda após a floração permite tornar a touceira mais densa e prolongar a sua longevidade. No entanto, a sálvia envelhece relativamente depressa: recomenda-se renová-la a cada quatro ou cinco anos, seja por estaquia estival, seja por sementeira no caso das variedades não híbridas. Desenvolve-se igualmente bem num canteiro de aromáticas, num jardim de rochas ou numa bordadura, entre plantas perenes.
É também uma planta fácil de cultivar em vaso, numa varanda ou num terraço.
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Há um ditado que diz: «Quem tem sálvia no jardim não precisa de médico». Embora este ditado não deva, evidentemente, ser interpretado à letra, mostra, ainda assim, até que ponto a sálvia é uma planta com propriedades medicinais reconhecidas. Trata-se, com efeito, de uma planta que possuiria uma variedade de compostos ativos:
- Tujona, cânfora e cineol, óleos essenciais com propriedades antissépticas e estimulantes
- Flavonoides, como a luteolina e a apigenina, com efeitos antioxidantes
- Ácidos fenólicos, entre os quais o ácido rosmarínico, com propriedades anti-inflamatórias
- Di-terpenos e tri-terpenos (rosmanol, ácido ursólico), com efeitos antimicrobianos e antioxidantes.
Para fins medicinais, utilizam-se as folhas de sálvia, frescas ou secas. Tradicionalmente, as folhas colhem-se ao amanhecer do dia de São João, ou seja, a 24 de junho, mas, se não tiver tempo nesse dia, a colheita pode estender-se desde o final da primavera até meados do verão, antes da floração, e no outono. A oliveira explica-lhe como secar e conservar a sálvia medicinal.

Folhas de sálvia medicinal em processo de secagem
Em seguida, estas folhas, frescas ou secas, podem ser utilizadas de diferentes formas:
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Em infusão: deve contar-se 1 a 3 g (uma colher de chá) de folhas secas por chávena de 150 ml de água a ferver, ou 3 a 6 folhas frescas. Deixa-se a infusão repousar durante 5 a 10 minutos, com uma tampa. Esta infusão pode ser consumida duas a três vezes por dia, mas nunca durante mais de duas a três semanas consecutivas.
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Em gargarejo de infusão concentrada, ideal para aliviar as dores de garganta e as inflamações da boca. É necessária uma colher de sopa de folhas de sálvia secas, que devem ficar em infusão durante 10 minutos numa chávena com 100 ml de água a ferver.
Quais são os benefícios da sálvia para a saúde?
Antes de abordar as propriedades terapêuticas da sálvia medicinal, talvez seja conveniente recordar que as plantas medicinais nunca substituem um diagnóstico médico nem um tratamento medicamentoso. Recomenda-se sempre consultar um especialista ou um profissional de saúde antes de tomar sálvia medicinal. O uso da sálvia medicinal deve ser sempre limitado a um curto período e não deve prolongar-se no tempo. O composto ativo que é a tujona pode, de facto, tornar-se tóxico em doses elevadas ou em caso de consumo prolongado.
Ainda assim, a sálvia medicinal, que figurava entre as plantas recomendadas nos jardins monásticos, é utilizada há muito tempo para tratar diversos males, desde problemas digestivos a afeções da boca.
Propriedades digestivas
A sálvia é tradicionalmente utilizada para facilitar a digestão. Os seus compostos ativos estimulam a secreção biliar e gástrica, ajudando assim a aliviar problemas digestivos como o inchaço abdominal, as náuseas, os gases e as digestões lentas.
A sálvia é, por isso, utilizada para tratar pequenos problemas digestivos, como a azia e as cólicas de estômago, graças aos flavonoides e às essências como a tujona.
Também teria uma ação colagoga e colerética, ou seja, estimularia a eliminação da bílis para o intestino. É, por isso, recomendada depois de uma refeição pesada.
Efeitos na esfera otorrinolaringológica (ORL)
Graças às suas reputadas propriedades antissépticas e anti-inflamatórias, a sálvia seria eficaz sob a forma de gargarejos para tratar inflamações da boca, da laringe, das gengivas e da garganta. Também seria utilizada para aliviar as aftas e as dores de garganta. Em resumo, a sálvia medicinal atuaria em todas as inflamações da boca em geral.
Ajudaria, assim, a aliviar as amigdalites, graças às suas propriedades adstringentes ao nível das vias respiratórias. 
Um apoio hormonal
A sálvia medicinal teria um efeito tónico sobre o útero. De um modo geral, a sálvia medicinal influencia todos os problemas hormonais relacionados com a pré-menopausa e a menopausa (suores noturnos, transpiração excessiva, afrontamentos…), e pode ser útil para regular o ciclo menstrual. Depois do parto, regularia o ciclo hormonal e interromperia a subida do leite em caso de desmame ou de ausência de lactação.
Em contrapartida, é desaconselhada a mulheres grávidas, pois o seu efeito uterotónico pode potencialmente provocar contrações prematuras ou complicações.
Uma ação tónica geral
A sálvia é tradicionalmente reconhecida pelas suas propriedades estimulantes gerais, sobretudo ao nível do sistema nervoso e do organismo fatigado. Graças à presença de compostos como o cânfora e alguns flavonoides, atua como um tónico natural, capaz de ajudar a recuperar energia e vitalidade em caso de cansaço físico ou mental. É frequentemente recomendada durante períodos de convalescença ou de excesso de trabalho, nos quais ajuda a recuperar algum equilíbrio.
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Sálvias: que variedades escolher?Quais são as precauções a ter com a sálvia-comum?
A sálvia officinal pode ser contraindicada em alguns casos. Por esse motivo, é essencial consultar um profissional de saúde antes de qualquer utilização terapêutica da sálvia officinal.
- Gravidez e amamentação: a sálvia é contraindicada devido aos seus efeitos estrogénicos e à presença de tujona
- Epilepsia: a tujona pode reduzir o limiar epileptogénico, aumentando o risco de crises
- Doenças hormonodependentes: devido aos seus efeitos estrogénicos, não se recomenda o uso de sálvia a pessoas com cancros hormonodependentes (da mama, do útero ou dos ovários) ou com doenças como fibromas, quistos ováricos, endometriose, hipertiroidismo…
- Não se recomenda o uso de sálvia a crianças com menos de 15 anos.
Sabia que?
A sálvia-comum atravessou os séculos, deixando atrás de si todo um cortejo de crenças e usos surpreendentes. Entre os Romanos, era tão venerada que era colhida segundo um rito sagrado, sem ferro, descalço, com uma túnica branca e depois de se oferecer um sacrifício. Esta solenidade dizia muito sobre o valor medicinal que já lhe era atribuído.
Na Idade Média, a sálvia ocupava um lugar de destaque nos jardins dos mosteiros. Carlos Magno recomendou o seu cultivo no Capitular De Villis, um documento fundador da agronomia medieval. Os monges preparavam-na sob a forma de tisanas para «prolongar a vida e fortalecer o espírito». Dizia-se até: «Porque haveria um homem de morrer se a sálvia cresce no seu jardim?», um provérbio que resume bem a aura terapêutica da planta.
Na medicina tradicional chinesa, os comerciantes europeus trocavam antigamente sálvia por chá, por vezes à razão de três caixas de chá por uma caixa de sálvia. Esta troca desigual testemunha o respeito dos Chineses pelas suas propriedades medicinais.
Outra anedota: durante as epidemias de peste, preparavam-se vinagres chamados «dos quatro ladrões» com sálvia, alecrim, tomilho e alfazema. Supunha-se que estas misturas protegiam contra os miasmas. Os ladrões que saqueavam as casas dos doentes de peste utilizavam este vinagre para se protegerem, daí o nome.
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