Semear as sementes diretamente em plena terra nem sempre é a melhor opção. As condições meteorológicas instáveis do início da época, os predadores e os fungos podem fazer perder um tempo precioso neste período primaveril crucial. As sementeiras em vasinhos permitem ganhar tempo e controlar as condições de cultura para favorecer a germinação e o arranque das plântulas. Descubra o nosso tutorial para se adiantar na época e obter uma horta que vai deixar os vizinhos com inveja!
O que é a sementeira em vasinho?
A sementeira em vasinho consiste em semear as sementes diretamente num vaso ou vasinho para posterior transplantação em plena terra no jardim. Distingue-se da sementeira a lanço ou em linha, realizadas diretamente em plena terra numa caixa de propagação ou no jardim.
Esta técnica é muito utilizada na primavera para as plantas que não toleram bem a repicagem com raízes nuas ou que precisam de iniciar a vegetação num ambiente quente.
Aplica-se também, de forma geral, às plantas que ocupam muito espaço na horta e que não devem ser semeadas em grande número.

Que plantas são indicadas?
Este método de sementeira abrange vários grandes clássicos da horta-jardim. É utilizado para espécies com sementes de grande dimensão ou cujo número de exemplares na horta é limitado devido ao seu grande porte.
Destacam-se, nomeadamente, os tomates, as beringelas, os pimentos, toda a família das Cucurbitáceas (abóboras-gigantes, curgetes, abóboras-hokkaido...), os girassóis, as alcachofras, as ervilhas e as favas.
Algumas plantas perenes também podem ser semeadas em vasinhos. Citam-se, por exemplo, as zínias, as capuchinhas, os tremoceiros, os cosmos, etc.

Sementeira de Cucurbitáceas em vasinhos biodegradáveis
Como proceder?
Em primeiro lugar, providencie os recipientes. Não é necessariamente preciso comprar vasos. Pode, por exemplo, utilizar um rolo de cartão de papel higiénico, potes de iogurte, papel de jornal, ou usar um paper potter...
Existem também vasos biodegradáveis em turfa que podem ser deixados na terra aquando da transplantação.
Providencie depois um substrato de sementeira de boa qualidade. Este deve ser irrepreensível para garantir uma boa germinação das sementes. Um bom substrato para sementeiras é leve, fino, drenante e saudável.

Pode utilizar diferentes tipos de vasinhos, desde que sejam suficientemente fundos. Misture areia ao substrato para o aligeirar.
Se decidir não comprar substrato comercial "especial sementeiras", certifique-se de que o composto está bem "maturado" para evitar que as sementes sejam atacadas por fungos patogénicos (tombamento das plântulas). A adição de areia ou perlite é sempre benéfica para as sementes, pois aligeira a preparação.
Encha os vasos com substrato para sementeiras ou com um substrato "caseiro" e alise a superfície com a mão.
Cave depois um pequeno buraco com a ajuda de um lápis ou com o dedo. Atenção para não cobrir demasiado as sementes! Em geral, uma profundidade de 2 a 3 vezes o seu diâmetro é suficiente. Tenha em conta que, na natureza, muitas sementes germinam à superfície do solo sem que ninguém as enterre.
Coloque 1 a 3 sementes por vaso e regue os vasinhos sem encharcar completamente a terra. Os substratos demasiado compactos e húmidos favorecem o apodrecimento das sementes.

Sementeira de cobeia e de tomates
Utilize um regador com crivo fino ou mergulhe os vasinhos em água, deixando o substrato absorver a humidade por capilaridade. Deixe-os escorrer completamente.
As sementes não apreciam as alternâncias de humidade e secura. Para evitar isso, cubra os recipientes com plástico transparente ou coloque-os sob uma mini-estufa, a fim de aumentar a temperatura, manter condições húmidas e estimular a germinação.

Regue com delicadeza e cubra os vasinhos
Coloque-os à luz e junto a uma fonte de calor.
Assim que as plântulas emergirem, retire o plástico e coloque-as num local muito luminoso.
Caso contrário, estas estiolam-se e tornam-se frágeis e débeis. As plantas em vasinhos transplantan-se quando as raízes saem em grande número pelos orifícios de drenagem do vasinho ou quando a planta começa a amarelecer, sinal de esgotamento do substrato em nutrientes.
Quais são as vantagens e inconvenientes desta técnica?
As vantagens
- O jardineiro tem a vantagem de poder controlar os principais parâmetros da sua cultura: a temperatura, a humidade e o tipo de substrato. Isso é muito mais difícil de conseguir no exterior, sujeito às condições meteorológicas.
- Tem também um melhor controlo sobre os parasitas e agentes patogénicos que atacam as sementeiras. O facto de as plantas estarem separadas umas das outras evita igualmente a propagação de doenças.
- Semear em vasinho permite poupar sementes, evitando semear em excesso.
- A transplantação de plântulas semeadas em vasinho stresa muito menos os exemplares, pois as raízes ficam quase intactas durante a repicagem.
- Semear em vasinho permite também conservar a plântula mais vigorosa, caso tenham sido semeadas várias sementes no mesmo vaso.
- Esta técnica permite ainda adiantar a época, acelerando a germinação num ambiente quente.
Alguns inconvenientes
- O volume reduzido de terra num vasinho leva ao seu rápido dessecamento. É, por isso, necessário estar bem atento à rega, especialmente se as plantas estiverem em estufa.
- Semear em vasinho requer organização, pois ocupa bastante espaço! É importante etiquetar bem os vasinhos para não misturar tudo!
- A repicagem em plena terra é simples, mas exige inevitavelmente tempo.
- O substrato para sementeiras vendido no comércio é frequentemente bastante caro.

Fazer sementeiras em vasinhos exige tempo adicional para a transplantação no jardim ou na horta
A maioria dos legumes de raiz não pode ser cultivada em vasinhos, nem sequer no início da cultura. Deve evitar-se semear cenouras, pastinacas, rabanetes-pretos, escorcioneiras ou outras raízes num vaso.
Antes de transplantar os vasinhos em plena terra, leve-os regularmente para o exterior para os habituar progressivamente a temperaturas mais frescas. Assim, as plântulas não sofrerão um stress demasiado intenso aquando da transplantação definitiva para o exterior.
Não se esqueça também de vigiar as geadas tardias de primavera!
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