O que colocar em vez de uma lona de cobertura morta? As nossas alternativas ecológicas e duradouras
As melhores soluções naturais para proteger e enriquecer o seu solo de forma duradoura
Resumo
As lonas ou telas sintéticas para cobertura morta, frequentemente utilizadas, à partida, para limitar as ervas daninhas e reduzir a manutenção, acabam por criar vários problemas: desgaste, poluição causada pelo plástico, empobrecimento do solo… e até o reaparecimento de ervas daninhas através das próprias telas. Com o tempo, degradam-se, impedem o solo de respirar e prejudicam a biodiversidade. Quando são retiradas, o solo pode ficar compactado, pobre em matéria orgânica e rapidamente invadido por ervas daninhas. Para evitar estes inconvenientes, é essencial escolher uma alternativa adequada. Cobertura orgânica, adubos verdes, plantas de cobertura… Descubra como proteger e enriquecer o jardim sem lonas, favorecendo simultaneamente um ecossistema saudável e sustentável.
Análise da situação: observe e reflita antes de escolher a melhor alternativa natural
Antes de retirar uma lona e escolher uma alternativa, é essencial analisar o estado do solo e refletir sobre a utilização da zona em questão. Um bom diagnóstico ajudará a optar pela melhor solução para melhorar a fertilidade da terra e otimizar a manutenção do jardim.
Analisar o solo
Ao retirar uma tela de cobertura do solo em polipropileno, que tenha permanecido colocada durante algum tempo, o solo por baixo pode ter sofrido diferentes transformações:
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Solo compactado: se a lona esteve colocada durante muito tempo, a terra pode estar dura e compactada, impedindo a circulação adequada da água e do ar. Faça um teste simples, enterrando uma forquilha ou um plantador no solo: se for difícil penetrá-lo, será necessário arejá-lo (com uma forquilha de duplo cabo e a aplicação de matéria orgânica).
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Solo pobre e esgotado: a ausência de vegetação e de decomposição orgânica pode ter enfraquecido a vida do solo. Se estiver seco, poeirento ou, pelo contrário, muito argiloso e pegajoso, será necessário aplicar corretivos naturais, como composto, adubos verdes ou cobertura morta.
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Presença de ervas daninhas: algumas ervas-daninhas colonizarão rapidamente um solo descoberto após a retirada de uma lona. Observe quais são as plantas que aparecem espontaneamente:
- Urtigas ou erva-das-bruxinhas indicam um solo demasiado rico em azoto.
- Cardos ou corriola indicam um solo compactado.
- O musgo pode revelar um solo demasiado ácido e com má drenagem.
Depois de retirar a lona, deixe a zona exposta durante alguns dias para observar como evolui naturalmente antes de intervir.

Por baixo da lona, o solo está muitas vezes compactado e pobre
Determinar a utilização da zona
O objetivo é saber qual será a utilização do espaço finalmente libertado, para escolher a melhor alternativa. Coloque estas questões:
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Horta: se pretende cultivar legumes, privilegie soluções que enriqueçam o solo, como os adubos verdes, a cobertura morta orgânica ou a aplicação de composto.
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Canteiros de flores ou de arbustos: uma camada espessa de cobertura morta (aparas de madeira, casca, BRF) limitará a manutenção e preservará a humidade do solo, ao mesmo tempo que alimentará as plantas.
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Caminhos e zonas de passagem: se o local tiver de permanecer transitável, opte por um revestimento drenante e natural, como aparas de madeira, cascalho ou lajes espaçadas, acompanhadas por algumas pequenas plantas de cobertura.
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Espaço relvado: se pretende deixar a zona cobrir-se naturalmente de vegetação, uma sementeira de prado florido ou de trevo-branco pode ser uma excelente opção rápida para favorecer a biodiversidade e reduzir a manutenção.

Num canteiro, o BRF ou as aparas de madeira são práticos e decorativos ao mesmo tempo
Ter em conta o clima e a exposição
O clima local e a exposição da zona são fatores determinantes na escolha dos materiais ou das plantas a instalar.
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Exposição ao pleno sol:
- Uma cobertura morta clara (palha, aparas de madeira) refletirá o calor e manterá o solo fresco.
- As plantas de cobertura resistentes à seca (sédum, tomilho, milefólio) limitarão a evaporação.
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Zona sombreada ou húmida:
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Região com chuvas intensas:
- Uma boa drenagem é essencial, com cascalho ou caminhos estabilizados.
- Os adubos verdes, como a facélia, melhorarão a estrutura do solo e evitarão a erosão.
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Clima seco:
Alternativas naturais e ecológicas às telas sintéticas
A remoção de uma tela deixa o solo nu e exposto às intempéries, o que pode provocar uma secagem rápida, erosão ou a colonização por plantas indesejáveis. Para evitar estes inconvenientes e favorecer um solo vivo, existem várias alternativas naturais, adaptadas à utilização da zona.
Para um solo vivo e fértil
O objetivo é proteger a terra, melhorar a sua estrutura e enriquecer a sua fertilidade, apoiando a atividade biológica.
Cobertura morta natural: proteger e nutrir o solo
A cobertura morta consiste em cobrir o solo com materiais orgânicos ou minerais, de modo a limitar a evaporação, abrandar o crescimento das ervas daninhas e alimentar a vida do solo à medida que se decompõe. Existem várias opções:
- Palha e feno: económicos e eficazes, decompõem-se rapidamente e fornecem matéria orgânica ao solo.
- Madeira Ramial Fragmentada (BRF): melhora a estrutura do solo a longo prazo e favorece a biodiversidade microbiana.
- Cascas: mais duradouras, são mais adequadas para canteiros e arbustos.
- Folhas secas: ricas em minerais, são ideais para proteger o solo no inverno.
Vantagens:
- Protege o solo das agressões climáticas (chuva, vento, seca).
- Limita a evaporação e conserva a humidade.
- Nutre a terra à medida que se decompõe progressivamente.
Inconvenientes:
- Deve ser renovada regularmente, sobretudo no caso de materiais leves, como a palha ou as folhas.
- Pode atrair certos animais nocivos (lesmas, roedores) se o solo já estiver desequilibrado.

Adubos verdes: melhorar a estrutura do solo
Os adubos verdes são plantas semeadas temporariamente para enriquecer a terra com nutrientes e melhorar a sua estrutura. Depois de se desenvolverem, são cortados e deixados no local para se decomporem.
Algumas variedades interessantes:
- Mostarda-branca: retém os nitratos e limita a erosão.
- Facélia: atrai os polinizadores e torna o solo mais solto graças às suas raízes profundas.
- Trevo: fixa o azoto no solo, sendo útil antes de uma cultura hortícola.
Vantagens:
- Melhora a fertilidade e a estrutura do solo.
- Limita o crescimento das ervas daninhas.
- Favorece a biodiversidade ao atrair insetos polinizadores e microfauna.
Inconvenientes:
- Exige uma sementeira e um período de crescimento antes de se tornar eficaz.
- Algumas espécies devem ser bem controladas para evitar que se tornem invasoras.

Facélia
Composto ou estrume: enriquecer a terra em profundidade
Um solo pobre ou esgotado necessita de um fornecimento de matéria orgânica para recuperar a fertilidade e o equilíbrio biológico.
- O composto fornece nutrientes facilmente assimiláveis pelas plantas e favorece a atividade dos micro-organismos do solo.
- O estrume é particularmente rico em azoto e estimula o crescimento das plantas, mas deve estar bem decomposto antes de ser utilizado, para evitar queimar as raízes.
É especialmente indicado quando a terra é pobre, muito arenosa ou demasiado compacta, para lhe devolver estrutura e vida.

Para limitar as ervas daninhas e estruturar o espaço
Se o objetivo for evitar que as plantas indesejáveis voltem a crescer, mantendo simultaneamente uma estética agradável, podem ser implementadas várias alternativas.
Plantas de cobertura: uma alternativa duradoura à cobertura morta
As plantas de cobertura permitem substituir as telas ou as coberturas mortas, ocupando o espaço e impedindo o crescimento das ervas daninhas. Desempenham também um papel estético e ecológico, ao favorecerem a biodiversidade.
Eis alguns exemplos adequados consoante a exposição:
- Trevo-anão: resistente e adequado a passagens moderadas.
- Pervinca: ideal para zonas sob árvores ou à sombra.
- Sédum: planta de cobertura rústica que tolera a seca.
Vantagens:
- Solução duradoura que exige pouca manutenção depois de instalada.
- Contribui para a biodiversidade ao atrair insetos e polinizadores.
- É estética e adapta-se a diferentes tipos de solos e exposições.
Inconvenientes:
- A instalação pode ser mais demorada do que a de uma simples cobertura morta, pois as plantas precisam de se expandir e cobrir a superfície progressivamente.
- Algumas espécies necessitam de uma poda regular para não se tornarem invasoras.

Sédum
Caminhos com materiais naturais: um revestimento drenante e estético
Se a zona em causa for um caminho ou uma passagem frequente, existem soluções naturais para estabilizar o solo, evitando simultaneamente a utilização de telas sintéticas.
Algumas opções consoante a utilização:
- Aparas de madeira: agradáveis sob os pés e biodegradáveis, são perfeitas para caminhos pouco frequentados.
- Cascas : drenantes e adequadas a passagens regulares, por vezes necessitam de uma bordadura para não se espalharem.
- Estilha de ramos: uma alternativa económica se tiver acesso a resíduos de poda.
- Telas de cobertura morta biodegradáveis: de juta ou cânhamo. Utilizam-se como as telas de polipropileno, mas são biodegradáveis e ecológicas.
A escolha do material depende da utilização: uma passagem pedonal ocasional pode ser coberta com aparas ou com uma cobertura morta espessa, enquanto um caminho mais frequentado poderá necessitar de cascalho estabilizado ou de lajes.

Lajes e passos japoneses: estruturar o espaço deixando o solo respirar
As lajes e os passos japoneses permitem criar um caminho sem cobrir completamente a terra. Esta solução é particularmente útil nos jardins onde se pretende manter uma zona praticável, favorecendo simultaneamente um solo vivo.
- Lajes de pedra natural ou de betão: resistentes e duradouras, conferem um aspeto cuidado.
- Passos japoneses de madeira, betão-madeira ou pedra: visualmente mais leves, deixam espaços verdes entre cada elemento.
Permitem evitar a compactação do solo, concentrando o pisoteio em zonas específicas, e conservando simultaneamente um aspeto estético natural.

Instalação de uma alternativa à tela de cobertura morta
Depois de escolhida a alternativa para substituir a tela, é essencial instalá-la corretamente para garantir a sua eficácia a longo prazo. Uma boa manutenção permitirá também preservar os benefícios proporcionados ao solo e evitar alguns inconvenientes frequentes.
Como instalar corretamente cada alternativa?
1. Cobertura orgânica
- Preparação do solo: retirar as ervas-daninhas manualmente ou passar uma forquilha de duplo cabo para arejar a terra antes de aplicar a cobertura morta.
- Espessura recomendada:
- Palha, feno: 5 a 10 cm para evitar a evaporação.
- BRF e cascas: 3 a 5 cm para não asfixiar o solo.
- Folhas mortas: camada ligeira para evitar a compactação.
- Espaçamento em redor das plantas: não encostar a cobertura morta à base dos caules ou dos troncos para evitar o apodrecimento.
- Melhor altura para aplicar uma cobertura morta: a melhor altura para aplicar uma cobertura orgânica é na primavera, depois de o solo aquecer, ou no outono, para o proteger do frio e das intempéries. Evite aplicá-la num solo demasiado seco ou gelado, pois poderá impedir a água de penetrar corretamente.

2. Adubos verdes
- Sementeira:
- Escolher um período adequado (primavera ou outono, consoante as espécies).
- Espalhar as sementes a lanço sobre um solo ligeiramente mobilizado.
- Passar um rolo ou compactar ligeiramente para assegurar um bom contacto com a terra.
- Gestão do crescimento: ceifar antes da formação das sementes para evitar que se tornem invasivos.
- Incorporação no solo: depois de ceifar, deixar os resíduos à superfície ou enterrá-los ligeiramente para enriquecer a terra.
3. Composto ou estrume
- Aplicação:
- Espalhar uma camada de composto maduro (2 a 5 cm) junto das culturas ou sobre toda a superfície.
- Enterrar ligeiramente para uma melhor assimilação.
- Renovação: uma a duas vezes por ano, consoante o empobrecimento do solo.
- Precauções: evitar o estrume fresco, que pode queimar as plantas.

4. Plantas de cobertura
- Preparação do solo: retirar as ervas-daninhas e mobilizar ligeiramente o solo antes da plantação.
- Densidade de plantação: deixar um espaçamento de acordo com a velocidade de crescimento (por exemplo: 20 cm entre cada planta de sédum, 30 cm para a pervinca).
- Rega inicial: manter uma boa humidade até ao enraizamento.
- Período de plantação: o melhor período para plantar plantas perenes de cobertura é o outono ou a primavera, quando o solo ainda está húmido e as temperaturas são amenas, favorecendo assim um bom enraizamento.
5. Caminhos naturais (aparas, cascalho, estilha)
- Preparação:
- Retirar as ervas-daninhas e nivelar o solo.
- Colocar uma tela geotêxtil para evitar o enraizamento das ervas-daninhas.
- Espessura recomendada:
- Aparas de madeira e estilha: 5 a 10 cm.
- Cascalho: 3 a 5 cm sobre um solo estabilizado.
6. Lajes e pedras japonesas
- Colocação:
- Cavar ligeiramente para que cada laje fique bem nivelada.
- Encher os espaços entre as lajes com areia, cascalho fino ou uma planta de cobertura.

Aqui, lajes e aparas coexistem
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Cada alternativa necessita de uma manutenção regular para conservar os seus benefícios.
- Cobertura morta: acrescentar uma nova camada todos os anos, sobretudo no caso dos materiais que se decompõem rapidamente, como a palha ou as folhas mortas. Verificar se o solo se mantém bem arejado por baixo.
- Adubos verdes: não deixar que produzam sementes, para evitar que se tornem invasivos. Cortar antes da floração e voltar a semear, se necessário.
- Composto e estrume: renovar os aportes em cada estação, consoante as necessidades do solo.
- Plantas de cobertura: podar ou desbastar algumas espécies invasivas. Evitar regas excessivas nas plantas rústicas.
- Caminhos com materiais naturais: passar regularmente o ancinho para evitar que as aparas de madeira se dispersem. Completar a camada a cada um ou dois anos.
- Lajes e pedras japonesas: verificar a sua estabilidade e preencher os espaços entre elas, se necessário.
Erros a evitar
- Cobertura morta demasiado espessa: uma camada excessiva pode impedir a entrada do ar e da água no solo, favorecendo o apodrecimento e o desenvolvimento de doenças.
- Adubos verdes mal cortados: se forem cortados demasiado tarde, podem produzir sementes e disseminar-se por todo o lado, tornando a sua gestão difícil.
- Cascalho sem geotêxtil: sem esta proteção, pode enterrar-se no solo ou deixar passar as ervas daninhas, tornando a manutenção mais complicada.
- Lajes mal instaladas: um solo mal preparado provoca um abatimento rápido e um aspeto irregular.
- Estrume demasiado fresco: se for utilizado antes de amadurecer, pode queimar as raízes das plantas e desequilibrar a vida do solo.
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