Resumo
A leitura do título deixa-o na dúvida? Apesar de todos os esforços de reflexão, o termo contra-plantação não lhe diz grande coisa. Talvez porque não seja necessário entender a preposição «contra» no sentido de «em oposição a, no sentido contrário», mas antes no sentido de «junto de, nas proximidades de»… E, a partir desse momento, este conceito de jardinagem parecerá mais claro. É até possível que já o tenha experimentado na sua horta sem saber! Com efeito, a contra-plantação designa uma técnica que consiste em semear ou plantar hortícolas junto de outras que se encontram no início do crescimento ou, pelo contrário, no final da produção. E isto com o único objetivo de otimizar o espaço e, secundariamente, o tempo, na horta. Trata-se, de certa forma, de uma forma de associação de culturas, não com um objetivo alelopático, mas exclusivamente relacionado com o rendimento e o aumento da produção hortícola.
Descubramos o que é realmente a contra-plantação e como a pôr em prática, sem esquecer os benefícios que se podem retirar desta técnica proveniente da horticultura tradicional. Terminaremos com alguns exemplos concretos.
Se ainda não conhece o conceito de associação de culturas, fica o convite para ler o artigo da Ingrid: A associação de culturas na horta: Porquê? Como? Vantagens e exemplos.
O que é exatamente a plantação sucessiva?
Recuperada e atualizada pela permacultura, a contra-plantação é um conceito, ou melhor, uma forma de cultivar os legumes, relativamente antiga. Com efeito, nos textos históricos, encontra-se esta noção explicada por horticultores da região de Île-de-France no início do século XVIII. Já nessa altura, praticavam esta contra-plantação com um objetivo puramente comercial. Produzir mais para ganhar mais!
Hoje, a contra-plantação volta a estar em destaque, retomada pela vaga dos praticantes de permacultura. Ainda assim, ao analisar esta noção mais atentamente, percebe-se que somos todos, em maior ou menor grau, «contra-plantadores». Em particular, os jardineiros que dispõem de uma horta demasiado pequena para satisfazer os seus desejos de semear, plantar, colher… Com efeito, estes jardineiros, dos quais faço parte, desenvolvem frequentemente verdadeiros tesouros de imaginação para ocupar o terreno ao máximo. Plantar mais para colher mais!
Porque é essa a verdadeira definição de contra-plantação: semear ou plantar simultaneamente, justapondo no mesmo talhão diferentes plantas hortícolas. Naturalmente, é necessário garantir que estas plantas hortícolas tenham as mesmas necessidades em termos de solo, época de cultivo ou rega, e até de exposição (mas veremos mais adiante que esta última noção é menos importante). É também essencial ter em conta as noções básicas da associação de culturas, evitando plantar lado a lado plantas que não se toleram.
Esta técnica hortícola tem, portanto, o objetivo de otimizar e rentabilizar o espaço, aumentando simultaneamente a produção de legumes.
Leia também
A associação de culturas na hortaA implementação prática da contra-plantação
Um jardineiro comum procura, antes de mais, alimentar a sua família com a sua produção. Embora a maioria não procure a autossuficiência, muitos tentam aumentar a produção aplicando truques para poupar espaço, sobretudo numa horta pequena. Entre esses truques, o cultivo complementar de hortícolas, ou seja, a plantação escalonada, é eficaz e rentável.
Como fazer exatamente? Na realidade, há duas formas de aplicar a plantação escalonada:
- As plantas hortícolas de géneros diferentes são semeadas ou plantadas ao mesmo tempo, de forma mais ou menos simultânea. Cada uma das plantas cresce a um ritmo mais ou menos lento. Assim, semeiam-se ou plantam-se em paralelo hortícolas de ciclo curto e outras de ciclo longo: as primeiras atingirão a maturidade mais cedo, enquanto as outras prosseguirão o seu desenvolvimento
- As plantas hortícolas são semeadas ou plantadas de forma desfasada. Assim, semeia-se ou planta-se uma hortícola muito perto de outra que se encontra no final do crescimento. Uma morrerá para dar lugar à outra. Ganha-se assim tempo, antecipando a sementeira sem esperar que um talhão fique livre.
Com esta técnica de cultivo na horta, as culturas (e as colheitas) sucedem-se sem períodos de interrupção. E sem ser necessário trabalhar a terra entre cada plantação. Esta técnica exige, ainda assim, um bom sentido de organização e de planeamento. A este propósito, apresentamos alguns conselhos para planear e escalonar as colheitas na horta.
Ainda assim, a plantação escalonada deve respeitar as necessidades de espaço de cada planta. Com efeito, todos sabem que as plantas hortícolas cultivadas demasiado juntas, sem arejamento, desenvolvem mais facilmente doenças criptogâmicas. É, portanto, necessário respeitar as distâncias de plantação da cultura principal (por exemplo, os tomates) e só depois considerar a sementeira de outras plantas hortícolas que não prejudiquem a cultura principal.
As vantagens da plantação consociada
Viu-se que a plantação intercalar procura sobretudo otimizar e rentabilizar o espaço da horta, multiplicando a produção. Ainda assim, a plantação intercalar oferece muitas outras vantagens:
- As plantas hortícolas protegem-se mutuamente ou, pelo menos, contribuem umas para as outras. Assim, uma planta hortícola com menor desenvolvimento ficará à sombra da outra. Ou será protegida do vento.
- A sementeira ou a plantação de determinadas variedades de legumes vai permitir ocupar o solo que ficou descoberto e substituir, de certa forma, a cobertura morta. Assim, o crescimento das ervas daninhas é reduzido

A sementeira de erva-benta entre as linhas de alho-francês permite evitar o crescimento das ervas daninhas
- Os legumes têm sistemas radiculares diferentes, mais ou menos profundos ou superficiais. Ao praticar a plantação intercalar, as plantas hortícolas aproveitam todos os nutrientes disponíveis, quer junto à superfície do solo, quer em maior profundidade
- Ao plantar legumes nas imediações e em paralelo com as Fabáceas (anteriormente designadas leguminosas), aproveitam plenamente a fertilidade do solo. Com efeito, as Fabáceas têm a capacidade de captar o azoto atmosférico e de o devolver ao solo através das nodulosidades das suas raízes. É uma grande vantagem para as plantas vizinhas! Esta capacidade é explicada em pormenor no artigo seguinte: Como melhorar o solo da horta com as leguminosas.
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A germinação das plantas hortícolasA consociação na prática!
Depois da teoria, passemos à prática para compreender melhor este “conceito” de plantação intercalar. E comecemos pelos tomates, que se prestam facilmente a este tipo de plantação.
Quando os tomateiros chegam ao fim da produção, em agosto-setembro, consoante as regiões, é aconselhável semear e plantar junto ao pé deles outros legumes. E sem esperar pela sua remoção, para ganhar tempo. As possibilidades são numerosas: espinafres, alfaces, rabanetes, couves, cebolas… Para assegurar o pleno crescimento das plantas hortícolas semeadas ou plantadas, é aconselhável retirar as folhas da parte inferior dos tomateiros, para permitir a passagem dos raios solares. Os tomateiros continuam a produzir na parte superior e as sementeiras beneficiam da luz e das regas. Pode proceder-se da mesma forma com as beringelas ou os pimentos. Se esperar até que os tomateiros deixem completamente de produzir ou congelem, ou seja, por volta de outubro ou novembro, será demasiado tarde para semear.

Os tomateiros prestam-se facilmente à plantação intercalar
Também é possível semear manjericão ou salsa entre os tomateiros logo no início da plantação. Desenvolver-se-ão em paralelo.
As curgetes também se prestam à plantação intercalar no fim do ciclo. Basta eliminar as folhas envelhecidas logo no início de setembro. O espaço libertado permitirá semear as últimas alfaces ou algumas escarolas. Estas mesmas alfaces também podem ser transplantadas quando as curgetes ainda são pequenas. As alfaces poderão ser colhidas (e comidas) antes de as curgetes ocuparem todo o espaço.
Também pode aplicar a plantação intercalar nas suas parcelas de alho-francês de inverno, transplantado no verão em linhas espaçadas pelo menos 30 cm. Depois de lhes chegar terra, entre agosto e outubro, pode semear erva-benta nas linhas intermédias. Desenvolver-se-á bem, pois a erva-benta aprecia solos que não tenham sido demasiado trabalhados, ligeiramente compactados. Além disso, como receia o sol demasiado intenso, beneficiará da sombra do alho-francês. Ao mesmo tempo, ocupa o terreno e evita a proliferação das ervas daninhas.
Outra possibilidade, se cultivar alcachofras que permanecem muito tempo na terra: não hesite em plantar favas entre cada planta de alcachofra, pois fornecerão azoto ao solo.
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