Resumo
A primavera já está bem instalada, o verão anuncia-se, os raios do girassol perene tornam-se mais quentes, convidando a estender-se numa espreguiçadeira. Ao mesmo tempo, ouve-se o apelo da horta… chegou a hora de binar, sachar, mondar, semear, plantar, regar… e, em breve, colher. Não vale a pena procrastinar: será necessário pôr mãos à obra se quiser obter colheitas generosas de legumes bonitos e deliciosos.
No entanto, a horta não é apenas para os corajosos, os trabalhadores incansáveis ou os hiperativos. Mesmo se for adepto da preguiça e do carpe diem, também pode cultivar a sua horta. Devagar e sem grande esforço, escusado será dizer! Desde que aplique alternativas, truques e técnicas de jardinagem que lhe simplificarão a vida na horta. Explica-se tudo, com conhecimento de causa!
Facilitar a preparação e a manutenção do solo
Se há uma tarefa árdua e cansativa na horta, é sem dúvida a preparação e a manutenção do solo. Ora, sabe-se que um bom solo é sinónimo de boas culturas e que o seu trabalho é uma das condições para o sucesso da horta. No entanto, só a perspetiva de cavar, binar e mondar já cansa…
Podem ser consideradas outras alternativas, mais simples de aplicar, menos exigentes em termos de tempo e, sobretudo, menos cansativas.
Escolher as ferramentas certas
É claro que poderia explicar quais são as ferramentas essenciais para qualquer bom jardineiro que se preze. Mas Virginie T. já o fez e convido-o a ler o seu artigo sobre as 8 ferramentas indispensáveis para a horta.
Prefiro falar-lhe desta ferramenta que nos simplifica a vida na horta e facilita o trabalho. A começar pela forquilha de duplo cabo, esta famosa forquilha biológica, inventada pelo Sr. Grelin nos anos 60, ideal para jardins ecológicos, pois permite revolver a terra à superfície, descompactar e tornar o solo mais solto, arejá-lo e eliminar as ervas-daninhas, respeitando simultaneamente os micro-organismos e a microfauna do solo. Esta ferramenta, que tem entre 2 e 7 dentes, substitui assim a cava profunda, limitando o esforço e, sobretudo, as dores nas costas. É certo que esta ferramenta tem um custo, mas é um investimento no bem-estar e no do solo.
No setor das ferramentas que simplificam a jardinagem, a sachola também não fica atrás, pois é totalmente polivalente. Permite binar, mondar e sachar, abrir sulcos, amontoar terra ou revolver superficialmente o solo. Uma ferramenta manual relativamente leve. Olivier explica tudo sobre a utilização da sachola.
Para facilitar a sementeira, os pequenos semeadores são indispensáveis. Têm a vantagem de tornar menos penosa a tarefa de desbastar as plântulas. Numa dimensão diferente, o carrinho de mão também é indispensável, pois permite transportar cargas pesadas, como sacos de substrato, o composto, o estrume, vasos…
Pessoalmente, enquanto jardineira distraída, também gosto muito do avental de jardinagem com vários bolsos ou do cinto porta-acessórios, que evitam muitas idas e vindas ao abrigo de jardim.
Cobrir o solo em abundância
Nunca é demais repetir: a horta beneficia da aplicação de cobertura morta. E também se beneficia, pois as vantagens são numerosas:
- limitação da evaporação = menos rega
- redução da erosão = menos sessões de binagem
- diminuição das ervas-daninhas = menos mondas
- fornecimento de nutrientes = menos composto ou estrume para espalhar
Para a horta, recomenda-se a aplicação de uma cobertura orgânica comercial (BRF/cascas e cascas de cacau/cascas de trigo-sarraceno/palhinhas de linho, de miscanto ou de cânhamo) ou feita em casa (cortes de relva secos misturados com um pouco de palha/composto mais ou menos maduro/camada espessa de feno/podas trituradas de ramos de árvores ou arbustos…), que por vezes terá de ser renovada ao longo do ano.

A escolha das ferramentas certas e a aplicação de cobertura morta permitem a qualquer jardineiro simplificar a vida
Cobrir o solo no outono
Quando terminam as colheitas de verão, a horta fica inevitavelmente vazia. Ora, num solo descoberto, as ervas-daninhas depressa se tornarão invasoras, mesmo durante o inverno. E, quando regressar a primavera, o trabalho de preparação do solo será muito maior.
Assim, durante o inverno, para facilitar a vida de jardineiro, coloque cartão simples, sem inscrições impressas, ligeiramente humedecido, sobre o solo, para evitar a erosão provocada pela compactação causada pelas intempéries e o crescimento das ervas-daninhas. Pode cobri-lo com folhas secas ou cortes de relva. Tudo se decomporá em cerca de três meses. E a horta estará “limpa” na primavera.
Leia também
8 ferramentas indispensáveis para a hortaSemear e plantar sem esforço
Uma vez preparado o solo, é tempo de semear ou plantar. Também aqui é possível poupar trabalho, recorrendo a alguns truques e passando menos tempo com as mãos na terra.
A areia, uma grande aliada
Quem já semeou sabe como é difícil fazê-lo de forma homogénea. Assim, para semear menos densamente e, desse modo, evitar a etapa do desbaste, recomenda-se misturar areia com as sementes. É muito eficaz para sementes minúsculas, como as dos rabanetes, das cenouras ou dos nabos. Este truque é uma boa solução para quem semeia com mão pesada.
Escolher valores seguros
Para facilitar o trabalho na horta, o mais simples é começar pelo cultivo de hortícolas considerados valores seguros, que crescem (quase) sozinhos, rapidamente e são pouco sujeitos a doenças. Os rabanetes e as alfaces estão no topo da lista, seguidos de perto pelas batatas-inglesas, pelas ervilhas-anãs e pelos feijões-verdes, pelos espinafres e pelas acelgas, pelos alhos-franceses, pelas abóboras e pelas abóboras-gigantes, sem esquecer os tomates e as curgetes. Com estas hortícolas, já é possível desfrutar bastante da horta.
Hortícolas (quase) eternas
A esta lista juntam-se também as hortícolas perenes, que voltam a crescer ou se ressemeiam de um ano para o outro, sem qualquer intervenção. Estas plantas hortícolas perenes permanecem no mesmo local durante 4 ou 5 anos, não temem o frio nem o calor e não são especialmente suscetíveis a doenças ou pragas. Em suma, adote sem demora estas hortícolas perenes: o alho-rocambole e a cebola-rocambole, o alho-francês perene, o chenopódio biológico, o cardo e muitas outras apresentadas pela Ingrid no artigo: 10 hortícolas perenes ou vivazes para uma horta sustentável e autónoma.

As acelgas, os espinafres, as abóboras e as abóboras-gigantes pertencem à categoria das hortícolas fáceis de cultivar; o cardo e o alho-rocambole são hortícolas perenes
Hortícolas de boa companhia
Por fim, plantar ou semear hortícolas de acordo com as suas afinidades é uma forma eficaz de tornar a jardinagem menos complexa. Com efeito, ao associar determinadas hortícolas a outras, é possível ocupar mais espaço, permitir que as plantas se protejam mutuamente contra doenças e pragas ou contra o calor excessivo, e ainda aumentar a sua produtividade. Por exemplo, é possível semear rabanetes e cenouras em conjunto, pois crescem em momentos diferentes, transplantar alfaces entre as couves, associar cenouras e cebolas para afastar as respetivas moscas ou ainda cultivar tomates ou curgetes no talhão onde cresceram ervilhas-anãs, cujas nodulosidades radiculares captam o azoto presente no ar para o devolver em pequenas quantidades. Consulte todas as informações no artigo sobre a utilização de leguminosas para melhorar o solo da horta.
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Regar, sim, mas da forma mais simples possível
A rega é muitas vezes considerada uma tarefa penosa na horta, sobretudo se for feita com um regador. Evidentemente, se tiver coberto os seus talhões com cobertura do solo, a tarefa será mais fácil, mas, no auge de verões cada vez mais quentes, é necessário fornecer água às plantas.
A solução mais prática e, sobretudo, mais económica continua a ser a cisterna ou o depósito de recolha de água que armazena a água da chuva. Para simplificar a tarefa, pense em instalá-lo o mais perto possível da horta, de modo a encurtar as deslocações, com os regadores nas mãos. Convém recordar, já agora, que é preferível regar ao fim do dia ou de manhã cedo, tendo o cuidado de não molhar a folhagem. Isto permite evitar o desenvolvimento de doenças criptogâmicas.

O depósito de recolha de água associado à mangueira microporosa permite tornar a tarefa da rega mais fácil
A este propósito, para desfrutar um pouco mais da espreguiçadeira ou da rede, ligue à torneira do depósito de recolha de água uma mangueira microporosa, que proporciona uma rega regular e precisa, diretamente junto à base das plantas. Esta mangueira tem a vantagem de passar por todo o lado ao longo de uma grande distância. Ligada a um depósito, não terá demasiada pressão e fará a rega gota-a-gota. A única condição é elevar, por exemplo, sobre blocos de betão, o depósito de recolha de água da chuva, que deve ficar acima do nível da horta.
Colher sem curvar as costas
«Como a terra fica tão longe!» Quem, ao colher feijões ou morangos, não se fez já um dia esta reflexão? E as costas não dirão o contrário!
Para facilitar o trabalho na horta, porque não cultivar na vertical? É certo que não será possível cultivar todos os legumes numa rede metálica, num muro ou numa estrutura especial, mas alguns adaptam-se perfeitamente a estas condições de cultivo.
Assim, em tendas, estacas, bambus ou até em parreiras, faça trepar feijões de vara ou feijoeiros-escarlate, ervilhas, ou ainda algumas curgetes, melões ou abóboras-gigantes, pepinos… Sem contacto direto com a humidade do solo, estes legumes só terão a ganhar. E as costas também!

Os legumes trepadores, as caleiras e as paletes permitem cultivar na vertical
Para criar uma horta vertical, existem outras soluções, que podem ser instaladas numa parede pouco atraente da casa, na fachada do abrigo de jardim ou numa vedação suficientemente resistente:
- a palete, na qual se podem criar compartimentos com manta geotêxtil
- as caleiras perfuradas e cheias de terra para cultivar alfaces, rabanetes ou morangueiros
- as telas para pendurar, semelhantes às paredes vegetais, para cultivar algumas plantas de morango, alfaces ou plantas aromáticas.
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