A sarna da macieira e de outras árvores de fruto
Combate e tratamento desta doença
Resumo
A Sarna é uma doença provocada por um fungo (Venturia sp.) que afeta essencialmente as Macieiras e Pereiras, das quais constitui a principal doença. É particularmente virulenta em regiões como a Bretanha e a Normandia, devido aos verões amenos e húmidos.
Outros tipos de fungos são responsáveis por sintomas de sarna, como Fusicladium carpophilum nas Cerejeiras, Pessegueiros e Amendoeiras. Os sintomas mais evidentes são as crostas encortiçadas ou gretas enegrecidas que salpicam a pele dos frutos, caso não tenham caído antes de atingir a maturidade. A doença ataca a folhagem antes de afetar os ramos, as flores e os frutos.
Quais são as espécies sensíveis à Sarna?
A Sarna constitui a principal doença criptogâmica nas macieiras (Venturia inaequalis) e nas pereiras (Venturia pirina), o que levou os agronomistas a encontrar variedades resistentes como Ariane, Florina, Reinette Grise du Canada nas macieiras…

Exemplos de macieiras resistentes à sarna: ‘Ariane’ e ‘Reinette Grise du Canada’
Os marmeleiros, as cerejeiras, os pessegueiros, e por vezes até o damasqueiro ou a amendoeira são espécies sensíveis a outras formas de sarna, como Fusicladium carpophilum.
As espécies ornamentais também não são poupadas; a sarna pode afetar:
- a piracanta: manchas verde-acinzentadas nas folhas, que se tornam escuras e aveludadas antes de amarelecerem e caírem, pequenos cancros nos ramos, frutos com manchas verde-acastanhadas e queda precoce;
- o salgueiro: manchas negras nas folhas jovens, junto às nervuras das folhas adultas, rebentos curvados que secam e se cobrem de pequenas lesões negras;
- o pilriteiro: pequenas manchas verde-oliváceas a negras nas folhas, que necrosam e provocam a sua queda, estendendo-se depois às flores, frutos e ramos. A doença é favorecida por tempo fresco desde o início da primavera até ao final do outono.
Como reconhecer a Sarna?
A infeção causada pela sarna tem início nas folhas entre o início da primavera e o fim do verão. Ocorre a partir dos esporos que contaminaram as diferentes partes da árvore no ano anterior, nomeadamente.
Os sintomas aparecem pela seguinte ordem:
1) Nas folhas:
Na primavera, surgem pequenas manchas translúcidas 3-4 semanas após a disseminação dos esporos. Estas aumentam e evoluem para um castanho-oliváceo com aspeto aveludado antes de se necrosarem. As folhas acabam por cair, contaminando os restantes órgãos.
2) Nos ramos:
Se a doença não for tratada, manchas enegrecidas transformam-se em pústulas que, ao crescerem, provocam o levantamento da casca. Esta fissura-se e destaca-se em escamas. Surgem frutificações sob a forma de almofadinhas castanhas.
3) Nas flores:
Surgem manchas nas sépalas e no ovário, conduzindo ao abortamento do fruto.
4) Nos frutos:
A epiderme do fruto apresenta pequenas manchas castanho-oliváceas que se fundem, evoluindo para uma coloração castanho-enegrecida e um aspeto encortiçado e gretado.

Os sintomas da sarna
Descubra outros Frutífera - Fruteira
Ver tudo →Existe em 1 tamanhos
Existe em 1 tamanhos
Existe em 1 tamanhos
Existe em 2 tamanhos
Existe em 1 tamanhos
Existe em 1 tamanhos
Existe em 1 tamanhos
Existe em 1 tamanhos
Os fatores que favorecem a Sarna
Vários fatores favorecem o aparecimento da sarna:
- uma primavera húmida e amena favorece a disseminação dos esporos do fungo pelo vento no momento da floração;
- As regiões com verões húmidos;
- As variedades de fruteiras sensíveis;
- A presença de frutos e ramos contaminados no solo ou na árvore.
Leia também
A caiação das árvores de frutoLuta e tratamento contra a Sarna
Para combater a sarna:
- Recolha, no outono, os frutos e as folhas doentes e queime-os.
- Pode em outono os ramos que apresentem descamação da casca.
Relativamente aos tratamentos, recomendamos:
- Efetuar um tratamento com cobre em três etapas: uma primeira, imediatamente antes da queda das folhas, uma segunda antes do abrolhamento dos gomos e uma terceira imediatamente antes da floração.
Nota : utilize, de preferência, hidróxido de cobre, pois esta substância ativa revela-se mais eficaz do que o sulfato de cobre (calda bordalesa) ou o oxicloreto de cobre contra a sarna. Esta substância também não tem o efeito depressivo que se constata por vezes com o sulfato de cobre nas plantas em folha.
- Em tempo húmido acompanhado de temperaturas amenas, pode complementar ou substituir o tratamento com cobre, que se revela tóxico a longo prazo para os solos, em particular para a sobrevivência das minhocas, por:
- um tratamento com bicarbonato de sódio, que atua de forma curativa, bloqueando o desenvolvimento do fungo: 3 a 10 g/l na macieira, até 8 aplicações espaçadas de 10 dias;
- talco, que atua de forma preventiva: 13 a 21 g/l aplicado de 2 em 2 a 3 semanas, 3 a 5 vezes por temporada;
- infusão de casca de salgueiro, que atua de forma preventiva. Trate as suas árvores de fruto até 6 aplicações espaçadas de 7 dias.

Bicarbonato de sódio, em tratamento curativo
Receita da infusão de casca de salgueiro
- Leve 3 l de água, com o pH ajustado a 6,2, a ebulição suave.
- A 80oC, deixe infundir 20 g de casca de salgueiro durante 2 h.
- Após arrefecimento e filtragem, dilua por 3 com água. A concentração teórica em casca na preparação final aplicada às plantas é de 2,22 g/L.
(fonte 2019 ITAB Institut de l’Agriculture et de l’Alimentation Biologique)
- Subscreva
- Resumo
Comentários