A sarna da macieira e de outras árvores de fruto

A sarna da macieira e de outras árvores de fruto

Combate e tratamento desta doença

Resumo

Modificado 0,01  por Eva 3 min.

A Sarna é uma doença provocada por um fungo (Venturia sp.) que afeta essencialmente as Macieiras e Pereiras, das quais constitui a principal doença. É particularmente virulenta em regiões como a Bretanha e a Normandia, devido aos verões amenos e húmidos.

Outros tipos de fungos são responsáveis por sintomas de sarna, como Fusicladium carpophilum nas Cerejeiras, Pessegueiros e Amendoeiras. Os sintomas mais evidentes são as crostas encortiçadas ou gretas enegrecidas que salpicam a pele dos frutos, caso não tenham caído antes de atingir a maturidade. A doença ataca a folhagem antes de afetar os ramos, as flores e os frutos.

Dificuldade

Quais são as espécies sensíveis à Sarna?

A Sarna constitui a principal doença criptogâmica nas macieiras (Venturia inaequalis) e nas pereiras (Venturia pirina), o que levou os agronomistas a encontrar variedades resistentes como Ariane, Florina, Reinette Grise du Canada nas macieiras…

sarna da macieira

Exemplos de macieiras resistentes à sarna: ‘Ariane’ e ‘Reinette Grise du Canada’

Os marmeleiros, as cerejeiras, os pessegueiros, e por vezes até o damasqueiro ou a amendoeira são espécies sensíveis a outras formas de sarna, como Fusicladium carpophilum.

As espécies ornamentais também não são poupadas; a sarna pode afetar:

  • a piracanta: manchas verde-acinzentadas nas folhas, que se tornam escuras e aveludadas antes de amarelecerem e caírem, pequenos cancros nos ramos, frutos com manchas verde-acastanhadas e queda precoce;
  • o salgueiro: manchas negras nas folhas jovens, junto às nervuras das folhas adultas, rebentos curvados que secam e se cobrem de pequenas lesões negras;
  • o pilriteiro: pequenas manchas verde-oliváceas a negras nas folhas, que necrosam e provocam a sua queda, estendendo-se depois às flores, frutos e ramos. A doença é favorecida por tempo fresco desde o início da primavera até ao final do outono.

Como reconhecer a Sarna?

A infeção causada pela sarna tem início nas folhas entre o início da primavera e o fim do verão. Ocorre a partir dos esporos que contaminaram as diferentes partes da árvore no ano anterior, nomeadamente.

Os sintomas aparecem pela seguinte ordem:

1) Nas folhas:

Na primavera, surgem pequenas manchas translúcidas 3-4 semanas após a disseminação dos esporos. Estas aumentam e evoluem para um castanho-oliváceo com aspeto aveludado antes de se necrosarem. As folhas acabam por cair, contaminando os restantes órgãos.

2) Nos ramos:

Se a doença não for tratada, manchas enegrecidas transformam-se em pústulas que, ao crescerem, provocam o levantamento da casca. Esta fissura-se e destaca-se em escamas. Surgem frutificações sob a forma de almofadinhas castanhas.

3) Nas flores:

Surgem manchas nas sépalas e no ovário, conduzindo ao abortamento do fruto.

4) Nos frutos:

A epiderme do fruto apresenta pequenas manchas castanho-oliváceas que se fundem, evoluindo para uma coloração castanho-enegrecida e um aspeto encortiçado e gretado.

sarna da macieira

Os sintomas da sarna

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Os fatores que favorecem a Sarna

Vários fatores favorecem o aparecimento da sarna:

  • uma primavera húmida e amena favorece a disseminação dos esporos do fungo pelo vento no momento da floração;
  • As regiões com verões húmidos;
  • As variedades de fruteiras sensíveis;
  • A presença de frutos e ramos contaminados no solo ou na árvore.

Luta e tratamento contra a Sarna

Para combater a sarna:

  • Recolha, no outono, os frutos e as folhas doentes e queime-os.
  • Pode em outono os ramos que apresentem descamação da casca.

Relativamente aos tratamentos, recomendamos:

  • Efetuar um tratamento com cobre em três etapas: uma primeira, imediatamente antes da queda das folhas, uma segunda antes do abrolhamento dos gomos e uma terceira imediatamente antes da floração.

Nota : utilize, de preferência, hidróxido de cobre, pois esta substância ativa revela-se mais eficaz do que o sulfato de cobre (calda bordalesa) ou o oxicloreto de cobre contra a sarna. Esta substância também não tem o efeito depressivo que se constata por vezes com o sulfato de cobre nas plantas em folha.

  • Em tempo húmido acompanhado de temperaturas amenas, pode complementar ou substituir o tratamento com cobre, que se revela tóxico a longo prazo para os solos, em particular para a sobrevivência das minhocas, por:
    • um tratamento com bicarbonato de sódio, que atua de forma curativa, bloqueando o desenvolvimento do fungo: 3 a 10 g/l na macieira, até 8 aplicações espaçadas de 10 dias;
    • talco, que atua de forma preventiva: 13 a 21 g/l aplicado de 2 em 2 a 3 semanas, 3 a 5 vezes por temporada;
    • infusão de casca de salgueiro, que atua de forma preventiva. Trate as suas árvores de fruto até 6 aplicações espaçadas de 7 dias.
bicarbonato de sódio

Bicarbonato de sódio, em tratamento curativo

Receita da infusão de casca de salgueiro

  • Leve 3 l de água, com o pH ajustado a 6,2, a ebulição suave.
  • A 80oC, deixe infundir 20 g de casca de salgueiro durante 2 h.
  • Após arrefecimento e filtragem, dilua por 3 com água. A concentração teórica em casca na preparação final aplicada às plantas é de 2,22 g/L.

 

(fonte 2019 ITAB Institut de l’Agriculture et de l’Alimentation Biologique)

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A sarna da macieira ou da pereira