Resumo
Os abelhões (Bombus sp.) são insetos muito importantes para a polinização das árvores de fruto e dos legumes, como o tomate, a beringela, o pimento e a pimenteira, a curgete, as ervilhas, os feijões… Infelizmente, como acontece com muitos insetos, as diferentes espécies de abelhões estão em regressão um pouco por toda a Europa. As causas são várias: redução do número de habitats naturais, alterações climáticas e utilização de inseticidas ao longo de décadas. Para os ajudar, é relativamente simples. É necessário deixar espaço para a natureza no jardim e favorecer a biodiversidade: flores silvestres, ervas altas, montes de madeira, montes de pedras… Mas também é possível oferecer néctar e pólen de qualidade aos abelhões, plantando ou semeando as suas flores preferidas: borragem, alfazema, salgueiro, trevo, chagas, alecrim… e muitas outras.
→ Quais são as flores preferidas dos abelhões? Eis algumas sugestões para ajudar, através de uma curta lista organizada por período de floração.

Algumas informações sobre os abelhões
O que é um abelhão?
O nome comum «abelhão» refere-se aos insetos do género Bombus (família Apidae e ordem dos himenópteros). Existem mais de sessenta espécies de Bombus na Europa, das quais as mais comuns na nossa região são o abelhão-terrestre (Bombus terrestris), o abelhão-das-pedras (Bombus lapidarius), o abelhão-dos-prados (Bombus pratorum) e o abelhão-dos-campos (Bombus agrorum). Recorde-se que o abelhão não é, de forma alguma, o macho da abelha.
Nota: alguns insetos são vulgarmente designados por «abelhão» seguido de outra palavra. É o caso, por exemplo, da abelha-carpinteira-violeta (Xylocopa violaceae), por vezes chamada «abelhão-preto». Refira-se também que os machos das espécies de abelhas são habitualmente designados por «zangões» pelos apicultores. Nesta ficha de aconselhamento, serão abordados apenas os abelhões «verdadeiros»: os Bombus.

Bombus terrestris, Bombus lapidarius e Bombus pratorum
O abelhão é um polinizador muito eficaz
Os abelhões alimentam-se do néctar das flores e utilizam o pólen (e um pouco de mel) para alimentar as suas larvas. Os abelhões visitam praticamente todas as flores, mas algumas são mais apreciadas do que outras (ver mais abaixo). São polinizadores eficazes, nomeadamente graças à presença de pelos aos quais se prende o pólen das flores. Além disso, os abelhões saem para recolher néctar e pólen a partir dos 5 °C (em comparação com 15 °C para as abelhas) e estão ativos desde março até novembro, desde o amanhecer e mesmo nos dias ventosos e chuvosos.
Se no jardim não viverem abelhões em quantidade suficiente, a produção de frutos e legumes será fortemente afetada: é o caso dos tomates, das beringelas, das pimenteiras, dos mirtilos, dos morangos, das abóboras-gigantes e das curgetes, das framboesas, das ervilhas, dos feijões…
Os abelhões estão em perigo
Infelizmente, as populações de abelhões estão a diminuir, sobretudo devido ao desaparecimento de habitats naturais provocado pela urbanização galopante e pela agricultura intensiva, à utilização de produtos inseticidas durante décadas e às alterações climáticas. A agroecologia e a recuperação dos prados floridos são vias possíveis para a preservação dos abelhões.
O ciclo de vida dos abelhões
Os abelhões são insetos sociais e vivem em colónias. A rainha passa o inverno sozinha e, depois, procura um buraco (uma cavidade de roedor, uma caixa-ninho para aves…) onde constrói o ninho com musgo, pelos, erva e folhas.
A fêmea põe os primeiros ovos e trata da construção das células de cera. Os ovos eclodem e as larvas desenvolvem-se em ninfas e, depois, em operárias estéreis. Estas operárias tratam da colónia: recolhem alimento para as larvas seguintes e protegem o ninho.
No final do verão, a rainha põe ovos novamente, dando origem a outras rainhas e aos abelhões machos. Estes serão alimentados pelos abelhões estéreis. Depois de adultos, as rainhas e os machos acasalam-se. Mas apenas as rainhas passarão o inverno e começarão uma nova colónia na primavera seguinte.
O fim do inverno – o início da primavera: alimentar a rainha
O final do inverno (fevereiro-março) é um período crítico para as rainhas, que precisam de recuperar forças antes de construírem o ninho, onde permanecem vários dias para pôr ovos.
Nesta época, há pouco alimento (pólen e néctar) disponível na natureza e no jardim. Contudo, os salgueiros começam já a florescer e os amentilhos constituem uma das principais fontes de néctar e pólen. As urzes de inverno (Erica carnea e Erica (x) darleyensis) são também muito visitadas. As primeiras flores de bolbos que florescem no final do inverno ajudam muito os abelhões: as campainhas-brancas e os primeiros açafrões-da-primavera.

Entre as florações de inverno, atrativas para os abelhões: os salgueiros, as urzes e as campainhas-brancas
A primavera: as operárias saem e começam a fazer reservas
A primavera é sinónimo de floração. A natureza desperta finalmente: os bolbos de primavera, um grande número de arbustos e muitas flores perenes ou anuais oferecem o seu néctar aos insetos.
A erva-das-bruxinhas continua a ser a flor preferida dos abelhões na primavera (e não só deles, aliás). Não hesite em deixar algumas florescer na relva ou nos canteiros. O trevo-branco e o trevo-encarnado, que florescem a partir do mês de abril (no caso do trevo-branco) e até ao outono, constituem também uma boa fonte de alimento.
Entre as outras florações de primavera, destacam-se os lâmios, autóctones ou não, que florescem frequentemente a partir do mês de maio, as pulmonárias, as consoldas ou Symphytums, o cebolinho…

A erva-das-bruxinhas, uma flor muito apreciada pelos abelhões
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As operárias estéreis são muito ativas no verão, desde que não esteja demasiado seco. Caso contrário, o néctar está muito menos presente nas flores e os abelhões podem simplesmente morrer à fome.
Entre as flores que florescem no verão e são preferidas pelos abelhões, encontram-se: as escabiosas, os cardos-esféricos, a alfazema, os gerânios vivazes, incluindo os Geranium macrorrhizum e os Geranium pratense, a borragem, a língua-de-vaca, as dedaleiras, as centáureas, as papoilas perenes e as papoilas, as malvas-rosas, as chagas, as ervilhas vivazes… e não nos esqueçamos das roseiras de flores simples.
Mas também algumas plantas aromáticas: tomilho, alecrim, sálvia-comum, orégão…

No verão, muitas flores, incluindo a alfazema, são apreciadas pelos abelhões
O outono: ganham-se forças antes do inverno
No outono, ainda há algumas belas florações nectaríferas no jardim. As florações estivais ainda resistem um pouco e as plantas perenes de floração tardia fazem as delícias dos insetos polinizadores.
Para os abelhões, ainda haverá dálias de flores simples, anémonas-do-japão, ásteres de floração outonal, gauras, ásteres japoneses, Hylotelephium spectabile (anteriormente Sedum spectabile)…

Abelhão a saborear o néctar no centro de uma dália…
Como favorecer o abelhão no jardim?
Além de semear, plantar e deixar crescer o maior número possível de flores, é possível favorecer a presença de abelhões no jardim através de alguns simples melhoramentos. Basta manter num canto esquecido do jardim um monte de folhas mortas, pedras ou madeira, sob o qual a rainha possa preparar o ninho. Um jardim que acolha plantas espontâneas, bem como musgo (para o ninho), erva um pouco alta… oferece ainda outros pequenos contributos para a conservação dos abelhões.
A título de curiosidade, já se encontram à venda ninhos para abelhões, destinados a ser enterrados. Mas convém deixar às rainhas dos abelhões a tarefa de construírem o próprio ninho. Afinal, há milhões de anos que se orientam muito bem sozinhas e, seguramente, não precisam de um ninho fabricado por seres humanos…
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