Resumo

Modificado 0,01  por Alexandra 6 min.

As micorrizas são uma simbiose entre um fungo e uma planta, que permite aos dois organismos trocar nutrientes entre si. O fungo produz filamentos (o micélio) e conecta-se às raízes da planta para lhe transmitir a água e os minerais que extrai do solo. Trata-se de um fenómeno natural, muito comum, mas ainda pouco utilizado no jardim, apesar dos seus numerosos benefícios. As micorrizas constituem um universo que nos escapa a maior parte das vezes, pois situa-se abaixo do solo e materializa-se através de filamentos microscópicos. Descubra a sua importância para as plantas, o seu papel no jardim, e todos os nossos conselhos para favorecer esta simbiose!

→ Saiba mais com o vídeo de Olivier sobre as micorrizas

Dificuldade

As micorrizas: o que são?

O termo micorriza vem do grego myco: fungo, e rhiza: raiz. Trata-se, portanto, da associação de um fungo e de uma planta, através das raízes desta. É uma relação benéfica para ambos os organismos.

Os fungos reproduzem-se disseminando os seus esporos. Uma vez no solo, o fungo germina e começa a desenvolver micélios. Estes entram em contacto com a planta, envolvem a extremidade das raízes e penetram nelas. Na maioria dos casos, o fungo entra no interior das células vegetais: trata-se de uma endomicorriza. Depois de se ligar à planta, o fungo desenvolve toda uma rede de micélio para explorar o solo e captar elementos minerais.

Por vezes, é até possível observar estes micélios, que tomam a forma de pequenos filamentos brancos. Constituem uma rede densa, muito ramificada. Não há qualquer risco para a planta, pois não se trata de um fungo parasita. As micorrizas são capazes de ligar várias plantas entre si, formando assim uma vasta rede ecológica subterrânea e partilhando os recursos disponíveis.

O fungo capta no solo água e elementos minerais, que transmite à planta. Forma como que uma extensão das raízes e multiplica assim a superfície de absorção. Protege as raízes e torna as plantas mais resistentes.

Em troca, a planta fornece-lhe açúcares que ele não consegue sintetizar. Com efeito, só a planta realiza a fotossíntese e é capaz de transformar elementos minerais em matéria orgânica e açúcares assimiláveis pelo fungo (seiva elaborada). A planta protege também o fungo de agentes patogénicos e agressões.

Não se trata de um fenómeno raro: pelo menos 90% das plantas terrestres desenvolvem simbioses micorrízicas. E existem centenas de espécies de fungos micorrízicos. Alguns deles são bem conhecidos: boletos, cantarelos, trufas… Por vezes, acontece também que vários fungos diferentes se associam a uma mesma planta.

Certos fungos podem colonizar a maioria das plantas, enquanto outros se associam apenas a um único tipo de plantas. Assim, estas últimas têm os seus fungos específicos: é o caso das orquídeas, das urzes e rododendros, dos pinheiros, bétulas, tílias, faias… Da mesma forma, existem plantas que não criam simbiose micorrízica.

As micorrizas recordam-nos o fenómeno das nodulosidades nas Fabáceas: as raízes da planta associam-se a bactérias que lhe permitem fixar o azoto. Mas também neste mecanismo as micorrizas são essenciais para fornecer os recursos necessários à planta.

As micorrizas formam como que uma extensão das raízes da planta, aumentando o seu raio de prospeção. Multiplicam assim por 1 000 a superfície de absorção das raízes! Graças à sua pequena dimensão, as micorrizas permitem explorar as microporosidades do solo, onde as raízes não conseguem chegar. Têm assim acesso a elementos minerais que até então eram inacessíveis para a planta. Além disso, assim que deixa de haver água no solo, o fungo envia um sinal à planta para a alertar, o que desencadeia o fecho dos estomas e evita que a planta se seque.

Micorrizas associadas a um Picea glauca

Os filamentos brancos visíveis nestas fotos são o micélio de micorrizas associadas às raízes de um Picea glauca (fotos: Silk666 / André-Ph. D. Picard)

Para que servem no jardim?

Como as micorrizas fornecem à planta elementos minerais, atuam um pouco como fertilizantes, mas com um efeito muito mais duradouro e ecológico. As micorrizas são muito eficazes, nomeadamente para tornar o fósforo disponível para a planta. Melhoram o crescimento das plantas, que crescem mais rapidamente e têm melhor saúde. Permitem cultivar plantas em terrenos relativamente pobres em elementos minerais.

Permitem-lhes resistir melhor ao stress causado pela seca, pelo frio, pelas doenças, pelos parasitas ou pela poluição… Há menos riscos de as plantas sofrerem falta de água ou carências nutritivas. As micorrizas podem também produzir antibióticos e eliminar micro-organismos patogénicos. Estimulam o sistema imunitário e os mecanismos de defesa da planta. As micorrizas protegem também as raízes da planta das poluições e dos metais pesados. Podem armazená-los e neutralizá-los.

Na horta e no pomar, as colheitas serão mais abundantes e de melhor qualidade. Como as plantas estão melhor nutridas, produzirão mais frutos e legumes, que em geral terão mais sabor.

As micorrizas permitem limitar os aportes de fertilizantes e espaçar as regas. No geral, as plantas exigem menos manutenção e cuidados.

As micorrizas favorecem uma melhor recuperação após a plantação e ajudam as plantas a ficarem melhor enraizadas no solo. As plantas sobrevivem mais facilmente quando são transplantadas ou mudadas de local.

As micorrizas ajudam também a estabilizar o solo, a melhorar a sua coesão e estrutura. Têm impacto nas propriedades físicas e químicas do solo e evitam a erosão. São essenciais para a manutenção da fertilidade do solo.

As plantas que crescem em terrenos pobres e secos, poluídos, em jardins urbanos, etc. são as que mais necessitarão das micorrizas. Estas ajudá-las-ão a superar estas condições difíceis e a encontrar no solo os recursos necessários para crescer. Num solo fértil, fresco e rico, são menos indispensáveis, mas continuam a ser benéficas!

As micorrizas têm também um papel ecológico: permitem armazenar a água e redistribuí-la às plantas em caso de seca (papel de esponja), limitam a lixiviação dos fertilizantes e dos elementos minerais, o que reduz os riscos de poluição.

Micorrizas: simbiose entre um fungo e uma planta

Micorrizas fixadas nas raízes de um amieiro (foto Patrick Poitras)

Para saber mais, descubra os benefícios das micorrizas nas plantações em raízes nuas.

Quando e como aplicar micorrizas?

As micorrizas são geralmente vendidas sob a forma de pó a incorporar no solo. A maioria das plantas associa-se a fungos do grupo dos Glomeromycetes. Consoante a utilização, escolha, por exemplo, micorrizas destinadas à horta, a árvores e arbustos ou a plantas e flores de canteiro. As micorrizas são evidentemente utilizáveis em Agricultura Biológica.

As micorrizas devem ser aplicadas no jardim no momento da plantação (ou do transplante para uma planta em vaso). Ao contrário dos adubos, não é necessário aplicá-las regularmente: como se trata de um organismo vivo, em geral uma única aplicação é suficiente.

Para aplicar micorrizas:

  1. Abra uma cova de plantação, adaptada ao tamanho da planta.
  2. Distribua o produto na cova de plantação, de modo a que fique próximo das raízes.
  3. Retire a planta do seu vaso e destrinche um pouco as raízes. Pode aplicar um pouco de pó no exterior do torrão. Depois coloque a planta na cova de plantação.
  4. Cubra com terra e compacte com a palma da mão.
  5. Regue generosamente.

É também possível aplicar micorrizas a uma planta já instalada no jardim. Nesse caso, é preciso fazer furos no solo, perto das raízes, depositar aí o pó de micorrizas, tapar e regar.

Atenção, porém: certas plantas não precisam de micorrizas: é o caso das Brassicáceas (rabanetes, couves, nabos…), das Amarantáceas (espinafres, beterrabas, acelgas…), das Poligonáceas (Rumex, persicárias, muehlenbeckia, polígono, ruibarbo…)… Estas plantas não se associam a fungos micorrízicos, pelo que é inútil aplicar-lhes micorrizas! Pelo contrário, as micorrizas são muito benéficas para as Fabáceas (feijões, ervilhas, tremoceiros…). Do mesmo modo, todas as plantas que crescem em terrenos pobres e degradados, bem como as plantas em vaso ou floreira, beneficiarão de uma aplicação de micorrizas.

Se utilizar adubos além das micorrizas, opte por adubos orgânicos ou adubos de libertação lenta. Aplicações abundantes de adubos químicos diminuiriam a atividade das micorrizas (sobretudo se forem ricos em fósforo!). Evite também utilizar fungicidas, que podem matar os fungos micorrízicos. Tanto quanto possível, evite revolver o solo para não destruir as redes micorrízicas. De um modo geral, as perturbações do solo (poluição, compactação, lavoura…) reduzem fortemente o número de micorrizas. Assim, a melhor forma de as preservar é cuidar da terra do seu jardim!

Comentários