Resumo
Depois de passarem a canícula e as proibições de rega do verão, a relva já não parece grande coisa. Apesar do seu aspeto desolador, a relva recupera geralmente sem problemas com o regresso das chuvas de outono. No entanto, as canículas repetidas também causam stress à relva, à sua maneira. O que fazer, e não fazer, para recuperar uma relva digna desse nome e que cuidados lhe prestar? Fazemos o ponto da situação.
A relva, uma gramínea como as outras
Antes de mais, convém lembrar que a relva, composta por uma mistura de gramíneas como o azevém, a poa-dos-prados ou as festucas…, continua a ser uma gramínea! O facto de amarelecer quando não é regada é perfeitamente normal, embora muitas pessoas não o suportem no verão, querendo a todo o custo que permaneça verde e viçosa como nos primeiros dias da primavera.
Todas as relvas recuperam, no entanto, espontaneamente no outono, assim que as chuvas regressam mais intensas e regulares. A esteira seca e estaladiça sob os pés volta a crescer com força… desde que, entretanto, não sejam cometidos erros.
→ Consulte todos os nossos artigos sobre relva na nossa rubrica Relva, relvado.

Nem um fio, ou quase, de erva verde… É normal (foto de Gwenaelle Authier)
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Como cuidar da relva no verão?Etapa 1: Fazer o diagnóstico – e, sobretudo, não fazer nada demasiado cedo!
Amarelecimento, zonas secas, solo endurecido ou sem cobertura em alguns locais, presença de musgo ou de ervas daninhas são outros tantos sinais de que a relva sofreu bastante com o verão e a canícula. Dois testes práticos e visuais ajudam a compreender melhor a situação:
- O amarelecimento: se a relva estiver amarelada, mas as raízes se mantiverem firmes (ao puxar por um tufo, se oferecer resistência, é bom sinal), recuperará.
- Zonas sem relva e/ou com musgo: se o solo estiver sem cobertura ou coberto de musgo, será necessário resemear ou escarificar mais tarde.
Dito isto, é necessário intervir apenas depois de passarem todos os episódios de calor, o que não é nada fácil de prever, uma vez que os verões de São Martinho ou o mês de setembro continuam, cada vez mais, a ser muito secos. A relva precisa de repouso. Espere que as temperaturas baixem e que regressem as chuvas para intervir. A paciência, principal qualidade de quem jardina, é, mais uma vez, necessária no que diz respeito à relva!

Depois de períodos de seca intensa, a relva apresenta zonas sem cobertura e até com fendas nos solos argilosos
Passo 2: agir sem maltratar a relva
Pode, no entanto, intervir-se em pequena escala mesmo no verão, antes do outono.
Cortar a relva, sim, mas com moderação
O corte da relva no verão, ou melhor, a sua gestão muito económica, é um pouco o ponto fulcral para a relva. Se tiver estado particularmente quente, a relva deixa completamente de crescer, mas as ervas daninhas continuam a crescer! Neste caso específico, corta-se sobretudo para eliminar as florações das ervas-daninhas, antes que produzam sementes e as espalhem, uma vez que estas são muito leves.
Para a tornar mais resistente às futuras vagas de calor, há dois imperativos:
- Não cortar demasiado curto (idealmente: 5-7 cm), para evitar provocar ainda mais stress na relva e conservar o máximo possível do orvalho matinal.
- Cortar com mulching não apresenta riscos e pode até ajudar a proteger o solo no início. Deve preferir-se esta opção ao cesto de recolha, para evitar pisar uma relva que já está sob stress. No entanto, se a relva estiver invadida por ervas daninhas, utilize um cesto para evitar espalhar as suas sementes (ou, idealmente, corte-as previamente; torna-se mais trabalhoso em grandes superfícies).
Os erros a evitar
Mais do que agir rapidamente, é sobretudo necessário, depois de um episódio de canícula, não maltratar ainda mais a relva:
- Evite recolher as folhas mortas que por vezes já se acumulam nas relvas em pleno verão, quando as árvores entram em modo de sobrevivência e deixam cair a folhagem prematuramente. Esta folhagem seca e leve protegerá a relva ainda enfraquecida, retendo alguma humidade, proporcionando alguma sombra e evitando a compactação causada pelas passagens. Deve ser removida assim que a relva retomar o crescimento (no outono) ou antes de uma chuva, para evitar que a sufoque, e conservada para obter cobertura morta gratuita;
- Não regue em pleno sol: se continuar a regar a relva no verão (as proibições decretadas pelas autoridades locais restringem esta prática, em maior ou menor grau, em todo o território continental em caso de crise), faça-o, naturalmente, apenas nas horas mais frescas;
- Não caminhe sobre uma relva sob stress: não se trata, evidentemente, de andar de cabeça para baixo, mas é indispensável multiplicar ou iniciar diferentes caminhos, para não acentuar o fenómeno de relva seca e compactada quando não existem caminhos pavimentados.

Deixe as folhas mortas no local, enquanto aguarda o regresso das temperaturas normais… e da chuva (fotografia de Gwenaëlle Authier)
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Relva queimada pelo sol: o que fazer?Etapa 3: estimular o crescimento e ajudar a relva a renascer
Uma vez passado o calor, é altura de ajudar o seu relvado a recuperar:
- Aplique um adubo rico em potássio em setembro (consoante as condições meteorológicas e a seca residual) para reforçar as raízes. Faça-o sempre num terreno regado. Não utilize adubos demasiado concentrados em azoto (N) durante um período de seca ou logo após uma canícula: estimulam o crescimento das folhas em detrimento das raízes, já fragilizadas. Prefira um adubo orgânico rico em potássio (K) (como o chorume de consolda, o chifre moído ou um adubo para relvados especial para o outono) para reforçar as raízes e preparar o inverno.
- Se as zonas sem relva forem extensas, semeie uma mistura de sementes resistentes à seca (relva kikuyu e festucas altas, que devem representar 80 % do total).
- Aplique terra vegetal também nas zonas mais enfraquecidas.

A fertilização também terá de esperar por dias mais húmidos, quando o relvado tiver recuperado uma cor mais verde…
Alternativas à relva
Não aguenta mais esta relva que, todos os verões, já só tem o nome?
Fala-se cada vez mais de alternativas à relva, cuja manutenção se torna complicada com as canículas repetidas que temos conhecido nos últimos anos. Quando não se está satisfeito com uma relva demasiado danificada pelo sol, existem, de facto, soluções para substituir o tapete verde por outras misturas de plantas ou de plantas perenes baixas e rastejantes. Entre as duas opções a considerar:
- A relva estépica
Quando é necessário refazer uma relva na totalidade ou em parte, optar por sementes resistentes a condições climáticas secas ou mesmo áridas revela-se mais do que útil. Alexandra aborda este tema em detalhe em a relva estépica. Composta por festucas, poas e plantas aromáticas baixas, adapta-se a jardins naturalistas e a solos pobres e arenosos, exigindo muito menos manutenção do que uma relva clássica; - Plantas perenes rastejantes muito mais resistentes (Dichondra, Achillea crithmifolia, Lippia nodiflora, etc.), que se revelam práticas e visualmente interessantes em algumas zonas particularmente expostas.
O meu conselho: recomendo pessoalmente a criação de zonas de canteiros de pleno sol adequados nos locais onde a relva mais sofre todos os verões, de modo a reduzir a sua área.
→ Saiba mais nas nossas fichas: Alternativas à relva: 10 plantas de cobertura para substituir o relvado; Alternativa à relva: plantar dinheiro-em-penca; Substituir a relva: ideias e soluções.
Ir mais longe
Leia o nosso artigo sobre a água no jardim em tempos de crise: Restrição do consumo de água e rega: como gerir a crise no jardim?
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