Resumo

Modificado em 27 de janeiro de 2026  por Pascale 5 min.

Aranhas… só a leitura desta palavra provoca suores frios? Não há motivo para preocupação: não é caso único, mas vale a pena tentar criar uma relação mais positiva com estes aracnídeos. Muitas vezes temidas (sem razão!) ou vistas de forma negativa, as aranhas desempenham, no entanto, um papel essencial no jardim natural e na horta. São, de facto, preciosas aliadas e organismos auxiliares na regulação das populações de insetos nocivos. Caçam pulgões, moscas, mosquitos e outros insetos parasitas sem perturbar o equilíbrio ecológico. Ao atrair aranhas para o jardim, aposta-se num sistema autónomo, eficaz e duradouro de controlo biológico.

Descubra todos os nossos conselhos para favorecer a presença de aranhas no jardim, criar estruturas básicas e evitar os erros mais comuns.

Dificuldade

Aprender a conhecer as aranhas úteis

Claramente, conhecer aquilo que se teme permite mudar a forma de olhar. Na vida como no jardim! Ao aprender a distinguir cada espécie de aranha, ao compreender o seu papel no jardim e ao descobrir o seu ciclo de vida, passa-se a olhar de forma diferente para estes aracnídeos. E, sobretudo, compreende-se que as aranhas são não só totalmente inofensivas, como também indispensáveis para favorecer e apoiar a biodiversidade. Tudo isto porque limitam as invasões de pragas, como os pulgões, as lagartas, as moscas e alguns pequenos escaravelhos, tanto no estado larvar como na fase adulta.

Numerosas espécies de aranhas povoam os nossos jardins, e algumas são particularmente úteis:

  • A aranha-de-cruz, com a sua grande teia geométrica, é sem dúvida a mais visível. Mantém-se muitas vezes à espera no centro da sua teia vertical
  • As aranhas-caranguejo, frequentemente imóveis numa flor, capturam eficazmente moscas e pulgões
  • A aranha-lobo (ou licose) caça no solo, sem teia, e é ativa ao crepúsculo
  • As aranhas-saltadoras também são comuns: pequenas, ágeis e curiosas, deslocam-se de folha em folha à procura das suas presas
  • As micromatas verdes passam despercebidas na folhagem, onde aguardam as suas presas
  • As tegenárias, reconhecíveis pelas suas grandes patas, estão mais presentes no interior das casas, mas também podem ser avistadas na vegetação
  • As argiopes tecem teias verticais e circulares em zonas de prados e arvoredos.

    aranhas a preservar no jardim

    A aranha-de-cruz é sem dúvida a mais visível no jardim

Todas estas espécies não representam qualquer perigo para o ser humano e merecem plenamente o seu lugar num jardim natural. Apenas a viúva-negra-europeia, encontrada no sul de França e na Córsega, é venenosa e pode ser mortal para pessoas alérgicas. Reconhecível pelo seu corpo preto e amarelo, morde quando é incomodada.

Para saber mais: As aranhas no jardim: por que razão se deve deixá-las tranquilas?

Criar um ambiente favorável à biodiversidade

As aranhas apreciam jardins ricos em vegetação variada, que lhes proporcionam abrigo e fontes de alimento. É, portanto, essencial promover a diversidade floral através do cultivo de espécies variadas. Flores silvestres, plantas aromáticas (sálvia, hortelã, alfazema…), perenes, umbelíferas (Apiáceas) e a sua folhagem estruturada (cenoura, salsa, aipo-dos-pântanos...), legumes de folhagem densa (alfaces, couves frisadas, couves kale…), arbustos atrativos (sabugueiro, pilriteiro…) são elementos que atraem insetos e proporcionam esconderijos ideais. Também se podem semear ou plantar plantas companheiras conhecidas pela sua capacidade de atração, como o coentro, o funcho, a borragem, o cosmos

aranhas indispensáveis para a biodiversidade

As aranhas-caranguejo ficam à espreita na vegetação

Dê prioridade às culturas intercalares de adubos verdes (facélia, trevo-branco, luzerna…) e às faixas floridas entre os canteiros de cultivo, para atrair tanto as presas como as aranhas.

As ervas altas, as zonas não cortadas e os espaços deliberadamente “selvagens” tornam-se, para estas predadoras discretas, esconderijos indispensáveis para se ocultarem ou construírem as suas teias. Fornecendo-lhes, ao mesmo tempo, presas variadas.

Criar refúgios naturais

Para além da vegetação, as aranhas precisam de zonas tranquilas para tecer as suas teias ou caçar no solo. Disponha no jardim elementos simples, como:

  • Pedras planas ou pedaços de madeira e troncos empilhados
  • Feixes de caules cortados, eventualmente ocos, como os caules de funcho
  • Um monte de ramos mortos
  • Cobertura orgânica de folhas mortas ou palha, colocada sobre um solo não trabalhado
  • Hotéis para insetos simples, com cavidades naturais.

    atrair aranhas para o jardim

    As pedras planas são muito apreciadas por algumas aranhas

Estas estruturas tornam-se refúgios seguros, sobretudo no inverno. Todos estes elementos são igualmente eficazes, pois abrigam diferentes espécies, nomeadamente as que não utilizam teias para capturar as suas presas. Evite limpar demasiado estas zonas no final da estação: as aranhas encontram aí abrigo e, por vezes, um local para se reproduzirem. Tenha também o cuidado de colocar estes abrigos em zonas variadas (sombra, meia-sombra, perto das culturas).

Reduzir as perturbações e os tratamentos químicos

As aranhas são muito sensíveis aos produtos fitossanitários. Até os tratamentos ditos “naturais” podem ter efeitos devastadores no seu equilíbrio. É, por isso, crucial banir os inseticidas e herbicidas do jardim, ou, no mínimo, limitar drasticamente a sua utilização. Para as poupar e acolhê-las de forma duradoura, é necessário:

  • Privilegie métodos de luta suaves, como o sabão preto, as decocções vegetais ou os chorumes vegetais pouco agressivos
  • Faça pulverizações destes produtos naturais de forma muito localizada e direcionada, durante a noite ou de manhã cedo, fora do período de construção de teias, na primavera e no verão
  • Aceite um nível tolerável de pragas, pois algumas lagartas ou pulgões servem de alimento a estas aranhas.

É também importante limitar as intervenções mecânicas e os movimentos intempestivos. Quanto mais calmo e estável for um jardim, mais facilmente as aranhas encontram o seu lugar, constroem as suas teias e regulam os insetos nocivos em seu lugar. Evite, por isso, a cava profunda e o revolvimento intensivo do solo, as podas e os cortes severos da relva, e privilegie a monda manual e localizada.

Favorecer a sua presença durante todo o ano

As aranhas precisam de recursos e abrigos constantes, mesmo no inverno. Para as fidelizar, deixe algumas plantas murchas no local, aplique uma cobertura morta generosa nas culturas e conserve zonas deliberadamente não cuidadas.

No verão, procure manter alguma humidade nas zonas de vegetação densa: as gotas de orvalho são suficientes para se hidratarem. Algumas pedras húmidas ou taças pouco profundas serão suficientes, sem risco de afogamento. Ao observar regularmente o seu jardim, poderá acompanhar a evolução das populações de aranhas e adaptar as suas práticas consoante as estações. Serão as suas aliadas mais fiéis se lhes oferecer um ambiente acolhedor e estável.

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