Como desenraizar uma árvore?

Como desenraizar uma árvore?

Técnica e conselhos

Resumo

Modificado 0,01  por François 5 min.

Após o abate de uma árvore, o cepo pode tornar-se um obstáculo para a manutenção do jardim ou para a segurança do jardineiro distraído. Por outro lado, certas espécies tendem a produzir uma grande quantidade de rebentos pelas raízes e na própria base do cepo. Há quem não aprecie o aspeto de um cepo no meio da relva, enquanto outros acham este toque natural muito agradável à vista e propício para a biodiversidade.

Descubra como arrancar um cepo e os nossos conselhos para o conseguir sem prejudicar as costas nem o bolso.

Como se livrar de um cepo de árvore

Dificuldade

A extração manual de tocos

O método manual só será viável para tocos com sistema radicular rastejante, como a faia, a cerejeira, as píceas, os pinheiros e os choupos, etc. Esta técnica aplica-se igualmente apenas a árvores de médio porte e não a exemplares de grande dimensão.

No caso de uma espécie com sistema radicular pivotante, como o carvalho, será necessário recorrer a maquinaria especializada ou a uma empresa de parques e jardins.

É possível alugar uma fresadora de tocos, mas o custo será de várias centenas de euros por dia. Uma intervenção com retroescavadora, por sua vez, poderá causar danos consideráveis no solo, devido ao peso deste tipo de máquina.

De qualquer forma, remover um toco manualmente é muito mais fácil se deixar uma parte do tronco no momento do abate, para o poder puxar após o corte das raízes. Se o toco estiver ao nível do solo, terá de recorrer a uma remoção mecânica por fresagem ou, se for caso disso, a um método químico.

Que ferramentas usar para desarraigar uma árvore?

  • Um machado ou uma motosserra (para as raízes mais grossas)
  • Uma serra sabre para as raízes de difícil acesso
  • Uma picareta para soltar a terra em torno das raízes mais grossas onde a pá não consegue entrar
  • Uma para cavar uma vala em todo o perímetro do toco
  • Um par de luvas
  • Um puxador de cabo manual para os tocos mais resistentes

Como desarraigar uma árvore?

  • Comece por cavar uma vala em todo o perímetro do toco, a uma profundidade equivalente a uma lâmina de pá (não se esqueça de colocar uma lona na relva para recolher a terra com mais facilidade durante o enchimento da vala e não danificar o relvado).
  • As raízes deverão depois ser libertadas da terra que as rodeia, para serem cortadas com a ajuda de uma serra, de um machado ou de uma motosserra. A escolha da ferramenta adequada dependerá tanto do tamanho da raiz como da facilidade de acesso com a ferramenta.
  • Depois de cortar todas as raízes no perímetro da primeira vala, continue a cavar meia ou mesmo uma lâmina de pá de profundidade, para garantir que não há outras raízes principais escondidas no subsolo. Esta primeira etapa é bastante cansativa, mas garante o sucesso do trabalho seguinte.
  • Nesta fase, o toco soltar-se-á facilmente ou será necessário utilizar um puxador de cabo manual.
  • No segundo caso, prenda o puxador de cabo a uma árvore com pelo menos a mesma circunferência que o toco a extrair. Estabeleça um perímetro de segurança em torno da árvore e certifique-se de que ninguém entra nessa zona. Este perímetro deve ter pelo menos o dobro do comprimento do cabo do puxador que une as duas árvores.
  • Estique o cabo com o mecanismo de engrenagem até o toco tombar. Trabalhe devagar para evitar acidentes. O laço preso ao toco deve estar inclinado para baixo para evitar qualquer acidente.

O toco, uma vez limpo da terra na sua casca, poderá ser valorizado como lenha ou mesmo utilizado num canteiro de permacultura ou numa pilha de madeira para os auxiliares do jardim.

 

A eliminação química de cepos

Antes de utilizar um produto químico, tenha em mente que este permanecerá durante muitos anos no seu solo.

  • O clorato de sódio, muito tóxico, é desaconselhado num jardim natural e se este for frequentado por crianças.
  • A combustão: método extremamente perigoso e poluente. Consiste em verter petróleo ou um produto inflamável em entalhes da cepa. É uma forma de agir de outros tempos e que desaconselhamos!

Entre as soluções mais naturais, recorremos aos seguintes métodos:

  • O alho emite, no início da sua vegetação, uma substância tóxica que prejudicará grandemente a árvore. No final do mês de agosto, perfure com uma broca grossa orifícios verticais de 20 cm de profundidade, suficientemente largos para inserir um dente de alho. Perfure essas galerias a cada 10 cm em todos os sentidos, em toda a superfície da cepa. Não hesite em fazer o mesmo com as raízes grossas à vista! Pode depois tapar os orifícios com argila para finalizar.

Nota: perfurar simples orifícios sem nada acrescentar é também um método para que os fungos danifiquem a cepa e acabem por a devitalizar!

Uma cepa, orifícios, alho…

  • A técnica da lona: colocar uma lona (opaca à luz) para fazer apodrecer a cepa. A estagnação da humidade e a ausência de sol acabarão, em última análise, por apodrecer a cepa. Desvantagem: este processo é longo e pode durar até dois anos.
  • O sal grosso: mesmo processo que para o alho… não exagere, contudo, na quantidade, pois a utilização do sal não é uma solução ecológica, já que perturba bastante a vida do solo e poucas plantas apreciam o sal.

Pode-se também simplesmente deixar secções do tronco no lugar… para as converter em assentos! (aqui no Château du Lude – Foto: Gwenaëlle David)

É mesmo necessário arrancar o cepo?

Se decidir manter a cepa, alguns problemas podem surgir rapidamente. Essências de árvores como os salgueiros, choupos, robínias e outras aveleiras são capazes de criar rebentos e de produzir novos crescimentos durante anos, apesar do desaparecimento total das partes aéreas da árvore. Neste caso, será necessário recorrer a uma devitalização química da cepa com recurso a diversas substâncias e técnicas.

O número de espécies animais e vegetais cujo ciclo de vida depende da madeira morta é simplesmente enorme. A maioria dos insetos ameaçados ou, infelizmente, extintos na Europa são insetos xilófagos (que se alimentam de madeira) que precisam deste recurso para completar o seu ciclo.

As cepas servem igualmente de refúgio a numerosas espécies de pequenos mamíferos, batráquios e carabídeos, de fonte de alimento para as aves insetívoras, de substrato para uma miríade de fungos, sem falar das próprias plantas que usarão este suporte para crescer.

Como já percebeu, esta cepa aparentemente estéril que considerava um incómodo no seu jardim revela-se afinal um verdadeiro oásis de vida para dezenas de espécies.

Após vários anos, a cepa dará um aspeto muito estético nos jardins de temática naturalista ou campestre.

Uma cepa deixada num canto selvagem do jardim é muito ornamental (Foto: Garry Night)

Os musgos, fetos, heras e outros líquenes cobrirão a sua antiga cepa, formando uma composição muito agradável ao olhar ao longo das estações.

Outro ponto positivo: as raízes e a madeira em decomposição no solo enriquecerão o seu solo em matéria orgânica, o que é muito positivo para a sua fertilidade!

Tome, portanto, o tempo necessário para refletir antes de agir; a natureza agradecerá com a sua beleza e espontaneidade.

Algumas pessoas receiam às vezes prender os pés e tropeçar na cepa. É um problema que não é muito difícil de resolver: coloque um vaso, uma escultura em ferro forjado ou qualquer outro acessório que sirva de referência para evitar este inconveniente.

Como transformar a sua cepa no jardim!

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