Resumo

Modificado 0,01  por Olivier 5 min.

As cavalinhas são plantas magníficas, fascinantes. Algumas são mesmo plantadas junto ou no interior de espelhos de água para um belo efeito ornamental. Mas é preciso reconhecer que a cavalinha-dos-campos é uma planta particularmente invasora, sobretudo quando não foi convidada para o jardim! Mas por que razão aparece no jardim? E sobretudo como se livrar dela quando se torna verdadeiramente incómoda? Fica a saber tudo nesta ficha de conselhos.

Dificuldade

O que é a cavalinha e porque é que cresce no meu jardim?

As cavalinhas fazem parte da família das Equisetáceas e do grupo das pteridófitas, tal como os fetos. São plantas pré-históricas. Existem muitas espécies diferentes, algumas absolutamente magníficas. A palavra “prèle” (nome francês) provém do latim asper, que significa rugoso. Já o nome do género “Equisetum” vem do latim equus, que significa cavalo, e de seta, que significa crina; anteriormente, estas plantas eram chamadas “cauda-de-cavalo”.

As cavalinhas preferem solos húmidos. São altamente resistentes a quase tudo (incluindo os herbicidas mais potentes) e podem multiplicar-se assexuadamente através de rizomas subterrâneos: eis por que razão se tornam por vezes invasoras. Uma das suas particularidades é a capacidade de armazenar sílica nos tecidos, o que lhes confere grande rigidez e a sua textura rugosa.

A cavalinha nunca aparece por acaso. É uma planta bioindicadora da qualidade do seu solo; a sua presença traduz provavelmente um solo pesado, compactado, ácido e muito húmido.

como se livrar da cavalinha no jardim

→ Para saber tudo sobre o cultivo das cavalinhas, leia este belo artigo de Alexandra.

Como se livrar dela de forma eficaz?

Aqui ficam alguns métodos para se livrar da cavalinha:

  • Descompactar o solo

Pode trabalhar com a ajuda de uma forquilha de cavar. A forquilha biológica é desaconselhada neste caso concreto, pois há risco de dobrar os seus dentes. Comece por cavar a zona com a sua ferramenta, descompactando cada um dos torrões. Pode acrescentar depois um pouco de areia de rio para aligeirar a terra. É o método mais radical, mas não o mais fácil. O uso de um moto-cultivador é frequentemente mais eficaz.

Nb: segundo alguns pedólogos, o termo “descompactar” é um abuso de linguagem; para este tipo de trabalho, é preferível dizer “fissionar”.

Pode também plantar vegetais cujas raízes ajudam a descompactar o solo e a absorver o excesso de água E a não ceder perante alguns caules de cavalinha: a luzerna, o centeio ou a erva-das-bruxinhas, por exemplo.

  • Reduzir o número de caules estéreis

Ao cortar regularmente o local com um corta-relva ou ao arrancar os jovens rebentos estéreis — os que são mais verdes e mais rugosos (e sobretudo os mais invasivos) —, consegue-se reduzir a sua presença. Uma binagem ou sacha nos talhões da horta e nos canteiros contribuirá igualmente para reduzir o número de caules estéreis. A cavalinha acabará por se ir esgotando progressivamente.

  • Adicionar matéria orgânica

Composto, estrume, folhas mortas… tudo isso contribuirá para melhorar a estrutura do solo e a sua drenagem.

  • Aumentar o pH do solo

A cavalinha aprecia a acidez. Ao adicionar cal, aproxima-se um pouco mais da alcalinidade. A estrutura do solo ficará mais granulosa e menos compacta. Especialmente no caso de uma terra muito argilosa.

  • Desvie a água para outro local

Localize o ponto mais baixo do seu jardim e escave aí um pequeno charco. O excesso de água dirigir-se-á para esse ponto e deixará de estagnar (ou estagnará menos) no local onde cresce a cavalinha, que assim desaparecerá da zona. Além disso, isso dar-lhe-á uma boa desculpa para acolher um belo charco natural no seu jardim.

  • Coloque uma barreira física

Tal como com os bambus, pode travar a proliferação da cavalinha cercando-a com uma barreira anti-rizomas. Mas esta técnica é tão dispendiosa quanto trabalhosa. A utilizar apenas em último recurso…

combater a cavalinha no jardim

A barreira anti-rizomas funciona tão bem para a cavalinha como para os bambus

  • Prive-a de luz!

A cavalinha aprecia o sol. Sob uma manta negra, comporta-se de forma bem menos arrogante. Coloque a manta sobre o solo e fixe-a pousando pedras grandes nas bordas. Deixe esta manta durante pelo menos três semanas. Pode também soterrar a cavalinha sob um monte de terra sobre o qual poderá criar uma pequena superfície de cultivo de horta. A cavalinha tentará ressurgir pelas laterais do monte, mas ficará claramente mais controlada.

 

Nota bene: Se também acha que trabalhar é cansativo, laborioso e que, além disso, o impede de observar as borboletas a voar, aqui fica uma pequena dica para reduzir o impacto de uma invasão de cavalinha. Como vimos, a cavalinha só é invasiva em solos húmidos e compactos. Será portanto necessário descompactar e secar um pouco essa terra… plantando uma estaca de salgueiro. Efeito garantido: a cavalinha deixará de crescer nesse local quando a árvore tiver crescido, o que acontece rapidamente com os salgueiros. Única desvantagem: ficará com um grande salgueiro nessa zona…

Como utilizá-la no jardim ou em casa?

Não vamos esconder: a cavalinha é uma planta resistente, difícil de eliminar. Se não conseguir vencê-la, aconselho a fazer das tripas coração… pois é uma planta muito útil no jardim. Serve, em particular:

  • para o tratamento das plantas: em decoção ou em macerado fermentado, a cavalinha possui efeitos preventivos e/ou curativos para inúmeras doenças criptogâmicas: moniliose, míldio, crespeira do pessegueiro, ferrugem, oídio, botrítis, …
  • como barreira anti-lesmas: as lesmas detestam que algo lhes raspe o ventre (ou melhor, o pé…). Alguns ramos de cavalinha colocados à volta dos “restaurantes para lesmas” (hosta, astrância, alface, …) deverão travá-las consideravelmente.
  • como aporte de silício para o composto: alguns caules de cavalinha no composto contribuirão para um aporte de silício. O silício é benéfico para as plantas, tornando-as mais resistentes aos agentes patogénicos e à seca, e aumentando a rigidez dos tecidos.

como livrar-se da cavalinha

Sabia que?

  • A rugosidade da cavalinha é tal que ainda se usa para recuperar elementos metálicos, como caçarolas de cobre, por exemplo.
  • A cavalinha era também usada para “escovar” os dentes antigamente. Mas cuidado com as gengivas…
  • A cavalinha possui propriedades hemostáticas, nomeadamente em banho de assento para o tratamento das hemorroidas.
  • Pela sua riqueza em sílica, a cavalinha era também utilizada no tratamento de articulações dolorosas, para ajudar na consolidação do osso em caso de fratura, para tratar tendinites, …
  • Antigamente, procuravam-se os locais onde crescia a cavalinha, sinal de água à superfície, para aí escavar um poço.

Nota bene: Como é sabido, as plantas que aparecem naturalmente num solo podem melhorá-lo. Algumas vão descompactá-lo graças às suas raízes, outras vão enriquecer um solo demasiado pobre fixando o azoto atmosférico, outras ainda vão “absorver” um excesso de humidade, … Segundo algumas investigações, a cavalinha apareceria em zonas anormalmente pobres em silício. Os caules estéreis da cavalinha, ao morrerem, enriqueceriam o solo com a sua própria sílica e restabeleceriam assim o equilíbrio deste elemento.

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