Como se livrar da cavalinha no jardim
Soluções naturais
Resumo
As cavalinhas são plantas magníficas, fascinantes. Algumas são mesmo plantadas junto ou no interior de espelhos de água para um belo efeito ornamental. Mas é preciso reconhecer que a cavalinha-dos-campos é uma planta particularmente invasora, sobretudo quando não foi convidada para o jardim! Mas por que razão aparece no jardim? E sobretudo como se livrar dela quando se torna verdadeiramente incómoda? Fica a saber tudo nesta ficha de conselhos.
O que é a cavalinha e porque é que cresce no meu jardim?
As cavalinhas fazem parte da família das Equisetáceas e do grupo das pteridófitas, tal como os fetos. São plantas pré-históricas. Existem muitas espécies diferentes, algumas absolutamente magníficas. A palavra “prèle” (nome francês) provém do latim asper, que significa rugoso. Já o nome do género “Equisetum” vem do latim equus, que significa cavalo, e de seta, que significa crina; anteriormente, estas plantas eram chamadas “cauda-de-cavalo”.
As cavalinhas preferem solos húmidos. São altamente resistentes a quase tudo (incluindo os herbicidas mais potentes) e podem multiplicar-se assexuadamente através de rizomas subterrâneos: eis por que razão se tornam por vezes invasoras. Uma das suas particularidades é a capacidade de armazenar sílica nos tecidos, o que lhes confere grande rigidez e a sua textura rugosa.
A cavalinha nunca aparece por acaso. É uma planta bioindicadora da qualidade do seu solo; a sua presença traduz provavelmente um solo pesado, compactado, ácido e muito húmido.

→ Para saber tudo sobre o cultivo das cavalinhas, leia este belo artigo de Alexandra.
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Aqui ficam alguns métodos para se livrar da cavalinha:
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Descompactar o solo
Pode trabalhar com a ajuda de uma forquilha de cavar. A forquilha biológica é desaconselhada neste caso concreto, pois há risco de dobrar os seus dentes. Comece por cavar a zona com a sua ferramenta, descompactando cada um dos torrões. Pode acrescentar depois um pouco de areia de rio para aligeirar a terra. É o método mais radical, mas não o mais fácil. O uso de um moto-cultivador é frequentemente mais eficaz.
Nb: segundo alguns pedólogos, o termo “descompactar” é um abuso de linguagem; para este tipo de trabalho, é preferível dizer “fissionar”.
Pode também plantar vegetais cujas raízes ajudam a descompactar o solo e a absorver o excesso de água E a não ceder perante alguns caules de cavalinha: a luzerna, o centeio ou a erva-das-bruxinhas, por exemplo.
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Reduzir o número de caules estéreis
Ao cortar regularmente o local com um corta-relva ou ao arrancar os jovens rebentos estéreis — os que são mais verdes e mais rugosos (e sobretudo os mais invasivos) —, consegue-se reduzir a sua presença. Uma binagem ou sacha nos talhões da horta e nos canteiros contribuirá igualmente para reduzir o número de caules estéreis. A cavalinha acabará por se ir esgotando progressivamente.
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Adicionar matéria orgânica
Composto, estrume, folhas mortas… tudo isso contribuirá para melhorar a estrutura do solo e a sua drenagem.
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Aumentar o pH do solo
A cavalinha aprecia a acidez. Ao adicionar cal, aproxima-se um pouco mais da alcalinidade. A estrutura do solo ficará mais granulosa e menos compacta. Especialmente no caso de uma terra muito argilosa.
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Desvie a água para outro local
Localize o ponto mais baixo do seu jardim e escave aí um pequeno charco. O excesso de água dirigir-se-á para esse ponto e deixará de estagnar (ou estagnará menos) no local onde cresce a cavalinha, que assim desaparecerá da zona. Além disso, isso dar-lhe-á uma boa desculpa para acolher um belo charco natural no seu jardim.
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Coloque uma barreira física
Tal como com os bambus, pode travar a proliferação da cavalinha cercando-a com uma barreira anti-rizomas. Mas esta técnica é tão dispendiosa quanto trabalhosa. A utilizar apenas em último recurso…

A barreira anti-rizomas funciona tão bem para a cavalinha como para os bambus
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Prive-a de luz!
A cavalinha aprecia o sol. Sob uma manta negra, comporta-se de forma bem menos arrogante. Coloque a manta sobre o solo e fixe-a pousando pedras grandes nas bordas. Deixe esta manta durante pelo menos três semanas. Pode também soterrar a cavalinha sob um monte de terra sobre o qual poderá criar uma pequena superfície de cultivo de horta. A cavalinha tentará ressurgir pelas laterais do monte, mas ficará claramente mais controlada.
Nota bene: Se também acha que trabalhar é cansativo, laborioso e que, além disso, o impede de observar as borboletas a voar, aqui fica uma pequena dica para reduzir o impacto de uma invasão de cavalinha. Como vimos, a cavalinha só é invasiva em solos húmidos e compactos. Será portanto necessário descompactar e secar um pouco essa terra… plantando uma estaca de salgueiro. Efeito garantido: a cavalinha deixará de crescer nesse local quando a árvore tiver crescido, o que acontece rapidamente com os salgueiros. Única desvantagem: ficará com um grande salgueiro nessa zona…
Como utilizá-la no jardim ou em casa?
Não vamos esconder: a cavalinha é uma planta resistente, difícil de eliminar. Se não conseguir vencê-la, aconselho a fazer das tripas coração… pois é uma planta muito útil no jardim. Serve, em particular:
- para o tratamento das plantas: em decoção ou em macerado fermentado, a cavalinha possui efeitos preventivos e/ou curativos para inúmeras doenças criptogâmicas: moniliose, míldio, crespeira do pessegueiro, ferrugem, oídio, botrítis, …
- como barreira anti-lesmas: as lesmas detestam que algo lhes raspe o ventre (ou melhor, o pé…). Alguns ramos de cavalinha colocados à volta dos “restaurantes para lesmas” (hosta, astrância, alface, …) deverão travá-las consideravelmente.
- como aporte de silício para o composto: alguns caules de cavalinha no composto contribuirão para um aporte de silício. O silício é benéfico para as plantas, tornando-as mais resistentes aos agentes patogénicos e à seca, e aumentando a rigidez dos tecidos.

Sabia que?
- A rugosidade da cavalinha é tal que ainda se usa para recuperar elementos metálicos, como caçarolas de cobre, por exemplo.
- A cavalinha era também usada para “escovar” os dentes antigamente. Mas cuidado com as gengivas…
- A cavalinha possui propriedades hemostáticas, nomeadamente em banho de assento para o tratamento das hemorroidas.
- Pela sua riqueza em sílica, a cavalinha era também utilizada no tratamento de articulações dolorosas, para ajudar na consolidação do osso em caso de fratura, para tratar tendinites, …
- Antigamente, procuravam-se os locais onde crescia a cavalinha, sinal de água à superfície, para aí escavar um poço.
Nota bene: Como é sabido, as plantas que aparecem naturalmente num solo podem melhorá-lo. Algumas vão descompactá-lo graças às suas raízes, outras vão enriquecer um solo demasiado pobre fixando o azoto atmosférico, outras ainda vão “absorver” um excesso de humidade, … Segundo algumas investigações, a cavalinha apareceria em zonas anormalmente pobres em silício. Os caules estéreis da cavalinha, ao morrerem, enriqueceriam o solo com a sua própria sílica e restabeleceriam assim o equilíbrio deste elemento.
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