Resumo

Modificado 0,01  por Virginie D. 10 min.

As “ervas daninhas”, que os jardineiros chamam por vezes ervas invasoras, estão em todo o lado! Encontram-se nos canteiros, nos caminhos, nos passeios… Em todo o lado! A monda torna-se então a preocupação de todos e as ervas daninhas o inimigo a combater. Para quem procure uma solução milagrosa (vinagre branco, chorume de urtiga, sal…), saiba que não existe nenhum herbicida natural ou herbicida bio que seja seletivo, total e definitivo.

Por outro lado, a legislação tem evoluído: desde 1 de janeiro de 2017, a lei proíbe a utilização de herbicidas químicos, incluindo o famoso glifosato, na via pública, nos parques e nas florestas. A sua utilização por particulares está proibida desde 1 de janeiro de 2019. É, portanto, mais do que altura de apostar seriamente na monda natural e nos herbicidas ecológicos!

Sabemos, por experiência, que os verdadeiros jardineiros que utilizam herbicidas são raros. No entanto, há muitos de nós que têm um vizinho ou alguém próximo (irritante!) que ainda os usa… Eis diferentes dicas que pode partilhar com eles, bem como técnicas que ajudam a mondar, sem produtos químicos, as diferentes zonas do jardim.

1. Erva-das-bruxinhas 2. Grama 3. Corriola 4. Azeda-brava 5. Hera-terrestre 6. Cardo 7. Botão-de-ouro 8. Urtiga 9. Cavalinha 10. Tanchagem

Dificuldade

O controlo das infestantes em zonas com cascalho fino, arenosas ou calcetadas

As zonas com areia, com cascalho fino ou ainda os caminhos pavimentados e os terraços não escapam ao crescimento de ervas daninhas. Aliás, nestas zonas elas ficam particularmente visíveis. Estas zonas permeáveis não devem ser tratadas com herbicidas: à mínima chuva, o produto sofre lixiviação e escoa para os cursos de água. Aqui ficam algumas soluções para mondar de forma biológica!

Como mondar?

  • O queimador térmico de ervas daninhas
    Utilizar um queimador térmico de ervas daninhas é uma boa solução, desde que se disponha de uma botija de gás leve. Deve ser utilizado nas plantas jovens, sobretudo na primavera e no início do outono. Também pode ser utilizado no inverno, quando o frio é particularmente intenso: a grande diferença de temperatura reforça a sua eficácia. Note que o calor não afeta as raízes das plantas adultas: para as eliminar, é necessário intervir com frequência. O queimador térmico é bastante útil nos caminhos pavimentados sem juntas onde se infiltram as ervas daninhas. Saiba, no entanto, que o consumo de gás é elevado e que se trata de um recurso não renovável. Por fim, tenha muito cuidado ao mondar junto de uma sebe e não utilize este equipamento em zonas cobertas com mulch triturado… no verão ou em tempo seco, um incêndio pode deflagrar rapidamente!
  • A mondagem manual
    É um grande clássico que funciona muito bem! A utilização de um raspador permite arrancar as plantas jovens. Para as plantas com raízes profundas, como a erva-das-bruxinhas ou a tanchagem, recorra a um sacho ou uma sachola.
  • A utilização de herbicidas naturais
    As zonas minerais são as únicas onde é possível utilizar herbicidas naturais. Com efeito, como não são seletivos, é difícil utilizá-los nos canteiros ou na horta. O mais eficaz é o vinagre. Aqui fica a receita recomendada por Jean-Paul Thorez, autor e conferencista bem conhecido: com um pulverizador de 5 litros cheio de vinagre branco puro, é possível tratar 40 m² do jardim. Aplique este tratamento em tempo ensolarado e lave de seguida o pulverizador. O efeito é quase imediato, a folhagem é destruída, mas nas ervas daninhas mais resistentes, como a erva-das-bruxinhas, o sistema radicular não é atingido e pode ocorrer rebrota. Note que a planta fica mesmo assim enfraquecida. Este tratamento pode ser repetido até 6 vezes por ano para melhorar a eficácia.

Como evitar o aparecimento de ervas daninhas nos caminhos, etc.

  • Em zonas com areia ou cascalho fino, a colocação de um geotêxtil é uma opção a considerar: evita a invasão de ervas provenientes do subsolo.
  • Pense também nos bordos delimitadores, que são muito úteis para impedir que a areia e o cascalho se dispersem para a relva e que as ervas rastejantes colonizem a zona mineral.
  • Semeie relva! Esta solução pode parecer um pouco descabida, mas funciona muito bem para as grandes zonas minerais, muito difíceis de manter. Muitos municípios aplicam-na com sucesso, após um ligeiro aporte de terra vegetal e utilizando uma relva de crescimento lento. Será necessário cortar a relva, é certo… mas é muito mais rápido do que mondar!

A monda dos canteiros do jardim e do pé das sebes

Quem nunca passou horas a arrancar ervas daninhas nos canteiros do jardim? Aqui ficam algumas dicas e sugestões para desherbar corretamente e evitar o aparecimento de infestantes.

Como desherbar os canteiros?

Tal como no relvado, a única forma natural de desherbar um canteiro ou a base de uma sebe ou de uma árvore é arrancar as ervas daninhas manualmente. Para isso, aconselha-se a:

  • Usar ferramentas adequadas: uma escarificadora para extirpar as raízes das plantas que formam grandes rosetas, um sachador ou um sacho para as plântulas.
  • Desherbar no momento certo. Em solo argiloso, intervenha quando a terra não estiver nem demasiado seca, nem demasiado húmida. Em solo seco, desherbue dois dias após uma boa chuva, quando a terra está solta e ligeiramente seca. Assim, as ervas daninhas saem sozinhas.
  • Ter o cuidado de remover as ervas daninhas antes de formarem sementes. Para isso, é importante conhecer estas plantas, de modo a controlá-las melhor e a intervir no momento certo.
  • Não espere pelo mês de maio para começar a desherbar. Nessa altura, as plantas já desenvolveram sistemas radiculares robustos e algumas já produziram sementes. Comece a partir de março: as ervas daninhas são fáceis de identificar e arrancam-se com facilidade. Uma passagem do sacho rente ao colo corta e elimina as anuais, sem necessidade de mais esforço. Para as ervas daninhas perenes, no entanto, isso não é suficiente!

A escardagem com escarificadora: uma verdadeira brincadeira de criança, fácil e eficaz!

Como evitar a instalação de ervas daninhas nos canteiros?

Para evitar que os seus canteiros sejam rapidamente invadidos por ervas daninhas:

  • Não hesite em plantar com densidade: as suas plantas favoritas vão ocupar o espaço e sobrarão menos áreas para as ervas daninhas. Jogue com essa dinâmica e aposte na concorrência entre plantas.
  • Plante perenes tapizantes ou arbustos tapizantes quando se trata de ocupar um grande espaço ou um talude! Estas plantas não têm rival quando se trata de cobrir rapidamente os espaços vazios e permitem evitar a necessidade de desherbar, mantendo ao mesmo tempo a frescura no verão. São também um refúgio para os auxiliares do jardineiro. Algumas são caducas, outras persistentes, e existem para todas as situações: Lysimachia nummularia, Ajuga reptans, Persicaria affinis, Epimedium, Stachys byzantina, Vinca minor, Phlox subulata, etc…
  • Aplique cobertura morta! A presença de uma cobertura morta vai limitar o desenvolvimento das ervas daninhas, mas também reduzir as regas e melhorar a qualidade do solo. Para saber tudo sobre a cobertura morta, consulte a nossa ficha de conselhos: “Cobertura morta: porquê? Como?“.
  • Defina as bordaduras: a delimitação dos canteiros com recurso ao corta-bordaduras confere um aspeto cuidado, mas sobretudo serve de barreira contra as ervas rastejantes.

Tapete de Lysimachia nummularia ‘Aurea’

Sobre a manta de cobertura ou “manta de plantação”

Cobrir o solo com uma manta pode parecer a solução para evitar a escardagem de um canteiro. Trata-se, porém, de uma solução muito a curto prazo, pois as ervas daninhas acabam sempre por abrir caminho (chegando mesmo a crescer sobre a manta) e a escardagem manual torna-se então um verdadeiro pesadelo. Sem esquecer que um solo fértil precisa de ser regularmente enriquecido com corretivos. Através da manta, isso não é possível. O resultado é um empobrecimento rápido do solo e as plantas ficam estagnadas (ao contrário das ervas daninhas!). Para mais informações, descubra o nosso artigo: “Manta anti-ervas: a favor ou contra“.

A monda da horta

Na horta também, a monda é uma atividade frequente de que se dispensaria bem! Estas dicas permitirão aligeirar o trabalho.

Prevenir o aparecimento de ervas-daninhas na horta

  • Como no jardim ornamental, retire as ervas-daninhas antes de produzirem sementes, sache e bine regularmente.
  • Pratique a técnica da falsa sementeira. Para isso, basta preparar a terra quando esta está suficientemente quente, algumas semanas antes da data prevista para as plantações ou a sementeira de legumes. Para saber tudo sobre esta prática, consulte a nossa ficha de conselho: “A falsa sementeira, uma técnica eficaz para reduzir as ervas daninhas”.
  • Semeie ou plante em linhas retas de forma a facilitar a passagem da sachadeira.
  • Aplique cobertura do solo assim que possível. Com efeito, a cobertura do solo permanente nem sempre é possível na horta, pois o solo necessita frequentemente de secar ligeiramente na primavera e, para semear, o solo deve estar descoberto. Assim que as plantas estejam suficientemente desenvolvidas, utilize palha ou aparas de relva secas para cobrir o solo em redor das suas plantas hortícolas. No final da estação, deposite uma boa camada de folhas secas, palha ou mesmo cartão nas zonas livres de cultivo: esta ocultação é muito eficaz para evitar a proliferação de ervas daninhas nos talhões.
  • Pratique a arte da consociação. Associar as plantas entre si tem inúmeras vantagens. Com efeito, esta técnica permite associar as plantas entre si, sejam elas hortícolas ou não. Isso permite proteger os legumes contra certas pragas e doenças, mas também ocupar ao máximo o terreno, deixando assim pouco espaço para as ervas daninhas. Para saber tudo: consulte a nossa ficha de conselho: “A associação de culturas na horta“.
  • Semeie adubos verdes entre as linhas, antes ou depois de uma cultura. Isto só traz vantagens: estas plantas enriquecem e melhoram a textura da terra, protegem os solos da lixiviação das chuvas e da erosão. Exercem também concorrência face às ervas-daninhas. Podem citar-se, entre outros, a facélia, o trevo, a mostarda-branca ou ainda o trigo-sarraceno. Cada adubo verde tem as suas propriedades próprias e pode ser utilizado consoante os efeitos pretendidos. Consulte o nosso artigo no blogue: “Adubos verdes: tudo o que precisa de saber!
  • Não se esqueça do corte dos bordos, ou então instale bordas em madeira ou outros materiais que criem uma barreira às raízes rastejantes da erva, impedindo assim a sua invasão.

Os herbicidas naturais

Prescindir de herbicidas químicos é possível, em grande parte graças a certas substâncias naturais que facilitam um pouco a tarefa sem causar poluição. Entre elas, destacam-se:

  • O vinagre branco ou ácido acético

O vinagre é um produto não tóxico, não poluente, biodegradável, muito económico e eficaz! (Aliás, é ele, e só ele, que compõe a nova fórmula “Speed” do líder de mercado dos herbicidas… apenas o preço por litro difere!). O seu impacto no solo e na sua fauna parece muito limitado, dado que as doses utilizadas são negligenciáveis, sendo o produto biodegradável e volátil.

  • Um herbicida biológico: o ácido pelargónico

Trata-se de uma substância herbicida naturalmente secretada pelo famoso gerânio-das-varandas, mais particularmente pelo gerânio perfumado. Autorizado em agricultura biológica, seria eficaz nas plantas jovens com duas aplicações por semana. A temperatura é um fator importante: deve ser de pelo menos 10 °C, sendo a eficácia maior a 25 °C, por exemplo. Aja com prudência e discernimento — um herbicida, mesmo biológico, não é inócuo, e o recuo científico não é suficiente para avaliar a toxicidade do produto a longo prazo. Não se esqueça de o manusear com luvas.

  • A água de cozedura a ferver da batata-inglesa ou do arroz

As águas de cozedura a ferver são eficazes, mas trata-se de uma solução impossível de aplicar nos canteiros. Reserve-a para as zonas com brita e evite utilizar esta água se tiver sido salgada.

Herbicidas biológicos caseiros: atenção às falsas boas receitas!

Existem muitas receitas de herbicida natural a circular na internet. Frequentemente à base de sal ou de outras substâncias de fácil acesso, não são inofensivas para o ambiente. Eis algumas substâncias que desaconselhamos.

  • O sal

Atenção: ao contrário do que se lê frequentemente, o uso do sal como herbicida está longe de ser ecológico! Independentemente da dose, tem um impacto mais do que prejudicial no ambiente. Com efeito, a acumulação de sal polui os solos, os lençóis freáticos e tem efeitos destrutivos sobre a fauna e a flora selvagens sensíveis à salinidade do meio.

  • A lixívia

A lixívia é ecotóxica e corrosiva. E como todos sabem, é também um poderoso biocida, pelo que certamente não é bem-vinda para as bactérias, os fungos e os outros micro-organismos úteis presentes no subsolo.

  • O chorume de urtiga

O chorume de urtiga puro é bastante eficaz contra as ervas daninhas, mas o seu uso intensivo pode originar poluição dos solos e das águas, devido ao seu elevado teor em azoto.

Consulte a nossa ficha de conselhos: “A urtiga, uma planta com inúmeros benefícios“.

  • O bicarbonato de sódio

Não esqueça que o bicarbonato de sódio (a não confundir com a soda cáustica) é um sal e, tal como o sal, a sua utilização em grande quantidade não é inócua para o ambiente.

  • Os herbicidas químicos ditos “biodegradáveis”

Não ceda aos apelos da publicidade que promete uma limpeza imediata e sem consequências para as culturas. O Round Up, número um neste tipo de campanha, alegou durante muito tempo ser biodegradável. Tal afirmação acabou por lhe ser proibida, após se descobrir que o glifosato na sua composição, assim como o de muitos herbicidas ditos “100% eficazes”, acaba por surgir na água potável.

Antes, arme-se de coragem e recorra ao extrator de raízes, ao garfo aerador, ao sacho, etc… é o herbicida mais eficaz e o melhor para a saúde!

Um outro olhar sobre as "ervas daninhas

Não existem ervas daninhas propriamente ditas, mas apenas plantas espontâneas que raramente crescem onde o jardineiro as desejaria. E se lançássemos um outro olhar sobre estas plantas selvagens?

Aliás, frequentemente recomendada nas autarquias, a cobertura herbácea permite reduzir consideravelmente a manutenção e, por força das circunstâncias, o uso de produtos fitossanitários, ao mesmo tempo que contribui para a vegetalização das zonas urbanas.

As ervas daninhas também podem fazer parte integrante do jardim, mesmo nos canteiros. Um relvado salpicado de margaridas, de botões-de-ouro ou de trevos é bonito e as abelhas ficarão gratas.

À esquerda: Persicaria bistorta e Silene dioica (companheira-vermelha) – À direita: Millium effusum ‘Aureum’ e Lamium galeobdolon (urtiga-morta-amarela)

Em vez de se cansar a erradicá-las do jardim (o que é um esforço inglório), limite simplesmente a sua expansão para que não prejudiquem o crescimento das plantas preferidas.

Colocadas no composto ou diretamente nos canteiros, enriquecem naturalmente o solo.

A fauna e, sobretudo, os auxiliares do jardineiro precisam destas plantas selvagens, que lhes proporcionam abrigo, alimento e locais de reprodução.

Converta-se: não se trata de abandonar o jardim, mas de desdramatizar e ganhar em tolerância. Um jardim com “ervas daninhas” pode ser bonito! Por isso, reconcilie-se, aprenda a conhecê-las para as utilizar melhor. Não hesite mais, acolha a biodiversidade no seu jardim!

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