Resumo

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O piretro é um inseticida de origem vegetal obtido a partir do piretro-da-dalmácia (Tanacetum cinerariifolium), utilizado há várias décadas contra diversos insetos prejudiciais às culturas. Apesar de as moléculas ativas serem de origem vegetal, este produto não deixa de ser muito agressivo em doses elevadas contra todos os insetos e animais de sangue frio do jardim (incluindo os auxiliares do jardineiro!). Descubra os nossos conselhos para o utilizar com respeito pelo ambiente.

Utilizar o piretro no jardim

Tanacetum cinerariifolium

Dificuldade

De onde vem o piretro?

Esta molécula muito eficaz contra os insetos é extraída de uma planta (Tanacetum cinerariifolium), originária do sudeste da Europa, pertencente à família das Asteráceas (margaridas, ervas-das-bruxinhas, centáureas, margaridas, rudbéquias, etc.). Trata-se de uma planta muito semelhante à nossa margarida-dos-prados (Leucanthemum vulgare), mas que apenas vive acima dos 1500 metros de altitude e que tem folhas muito recortadas.

O piretro-da-dalmácia (Tanacetum cinerariifolium) pertence ao mesmo género que a nossa atanásia comum (Tanacetum vulgare), muito frequente ao longo das estradas e igualmente utilizada como repelente e inseticida no jardim.

Esta planta está atualmente presente em quase todos os continentes devido à sua utilização letal contra múltiplas pragas. Vários países africanos cultivam mesmo esta planta para o comércio deste inseticida natural.

Utilizar o piretro no jardim

Tanacetum cinerariifolium e Tanacetum vulgare

Em que casos e contra quem o utilizar?

As moléculas ativas contidas e extraídas desta planta têm uma ação neurotóxica em todos os insetos e animais de sangue frio. Em doses baixas, este produto terá sobretudo um efeito repelente sobre estes e, em particular, sobre os mosquitos fêmea responsáveis por numerosas doenças nos trópicos.

No jardim, este produto será de grande ajuda para combater muitas pragas indesejadas nas nossas hortas.

Citemos, por exemplo:

  • Os pulgões que sugam a seiva das nossas favas, roseiras, couves, tomates, beterrabas…
  • As altisas que atacam as folhas de todas as espécies da família da couve (Brassicáceas)
  • Os ácaros (aranhiços vermelhos) que afetam as plantas de interior ou de exterior em caso de seca.
  • Diversas lagartas como a borboleta-da-couve ou as larvas da mosca do alho-francês e o escaravelho-da-batateira serão eliminados das suas parcelas.
  • Em casa, as baratas, pulgas das camas (ou dos gatos)
  • Os mosquitos (tanto no estado larvar como no estado adulto serão destruídos por estas moléculas).

Esta lista não é, naturalmente, exaustiva, pois este produto pode potencialmente eliminar qualquer inseto (útil ou não para o jardineiro).

Quais são as precauções a respeitar?

Atenção às denominações “bio” ou “natural” em vários produtos! Embora este inseticida seja proveniente de uma planta e não da química de síntese, a sua ação pode revelar-se muito prejudicial para toda a pequena fauna do jardim (principalmente insetos, peixes, anfíbios, lagartos, ….) de sangue frio.

Deverá, portanto, ser utilizado com parcimónia e apenas em último recurso, sob pena de prejudicar todo o ecossistema do seu pedacinho de paraíso.

Como foi referido anteriormente, mesmo os insetos auxiliares podem ser eliminados indiscriminadamente por este produto “natural”.

Como sempre, é a dose que faz o veneno. Será, por isso, necessário ler atentamente os rótulos antes de utilizar este produto, comercializado em forma de pó ou líquido (Atenção: verifique na embalagem que o seu piretro é realmente natural e não proveniente da química de síntese!).

Esta molécula deverá ser sempre aplicada ao fim do dia e sem exposição direta à luz, que destrói os compostos químicos ativos do produto. Importa também referir que estas moléculas têm a vantagem de se biodegradarem muito rapidamente, ao contrário das moléculas químicas, que podem por vezes permanecer décadas nos solos e envenenar populações e ecossistemas por gerações inteiras (agente laranja, DDT, clordecona,…).

Como sempre, aconselhamos a utilizar este produto de forma preventiva (como repelente) em vez de letal, para evitar transformar o seu jardim num deserto biológico

Utilizar o piretro no jardim

O piretro deve ser utilizado com parcimónia, especialmente junto da pequena fauna de sangue frio do jardim

Bom saber

Se não pretender utilizar este tipo de produto, porque não cultivar esta planta diretamente na sua horta como planta repelente?

O tanaceto, tal como o piretro da Dalmácia, emitem um odor forte e muito dissuasivo para a maioria das pragas da horta.

Esta pseudo-margarida é ainda muito decorativa e pouco exigente quanto à qualidade do solo. Aprecia aliás um solo pobre e pedregoso, de estilo montanhoso, que tornará as suas flores menos abundantes mas mais tóxicas se as utilizar nas suas preparações curativas no jardim.

Utilizar o piretro no jardim

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