Resumo

Modificado 0,01  por Marion 5 min.

São muito apreciadas na horta, mas as couves fazem parte das plantas bastante sensíveis às pragas e doenças: piéride, mosca-da-couve, hérnia, oídio… E se, no final da primavera, constatar que as suas folhas estão perfuradas, roídas com persistência, está certamente perante a pequena, mas gulosa, altisa da couve.

Então como identificar esta pulga-da-couve? Quais são os sintomas visíveis nas suas couves-rábano, couves-de-bruxelas ou ainda couves-brócolo? Quais podem ser as consequências de um ataque? Quais são os meios preventivos e os tratamentos naturais contra a altisa, utilizáveis na horta biológica? Vejamos tudo isto em conjunto.

→ Consulte também a nossa ficha de conselhos: As doenças e parasitas da couve

Primavera, Verão, Outono Dificuldade

Como reconhecer a altisa?

Como é uma altisa da couve?

A altisa da couve é um inseto coleóptero da família das Crisomelídeas. Muito pequena, medindo apenas alguns milímetros, apresenta uma carapaça escura e brilhante, por vezes irisada com reflexos azuis ou verdes.

Possui longas antenas e élitros que lhe permitem voar algumas centenas de metros. Esta capacidade permite-lhe deslocar-se facilmente para uma nova planta hospedeira para se alimentar.

Por último, a altisa da couve possui um par de patas traseiras muito desenvolvidas, com as quais se pode deslocar rapidamente aos saltos para se proteger, daí o seu outro nome de pulga do jardim ou pulga da terra.

Os ovos medem menos de 0,5 mm, têm forma oval e cor amarela clara ou translúcida. São fixados graças ao muco secretado pela fêmea, na face interior das folhas, ao longo das nervuras ou diretamente no solo.

A larva mede 5 a 6 milímetros, o seu corpo alongado é amarelo ou esbranquiçado; as suas patas e a cabeça são geralmente negras.

Existem numerosas espécies de altisas, algumas parasitando outras plantas, como os tomates, beterrabas ou ainda a videira. Mas é bem a altisa da couve, que prefere as Brassicáceas (antigamente Crucíferas), a mais difundida.

Funcionamento e modo de reprodução das altisas

Os ataques de altisas começam geralmente no final da primavera, por volta dos meses de maio-junho, e prolongam-se até à descida das temperaturas em novembro. O inseto aprecia de facto as atmosferas quentes e secas, mas teme a humidade.

Após um inverno passado em hibernação no solo, as altisas adultas acordam com grande apetite e partem à conquista das folhas tenras e dos jovens rebentos de couves.

Felizmente, há normalmente apenas uma geração de altisas por ano: as centenas de ovos postos pela fêmea eclodem em 1 a 2 semanas.

A larva alimenta-se das raízes das plantas e escava galerias nas folhas, antes de prosseguir a sua ninfose no verão.

Os jovens adultos continuarão depois a alimentar-se até à próxima hibernação e ao início de um novo ciclo.

Os danos causados pela altisa da couve

Ao devorar as folhas de couve, a altisa cria pequenos orifícios circulares, mais ou menos numerosos, como perfurações de punção. Os caules também podem ser roídos.

Os riscos em caso de forte infestação são:

  • a fragilização das plantas jovens e dos cotilédones (primeiras folhas produzidas pelas plantas)
  • a travagem do crescimento da planta
  • o impacto mais ou menos negativo na colheita

Perfurações típicas numa folha de couve

Os tratamentos naturais curativos contra as altisas

Como acontece com muitas pragas, é sobretudo a presença em grande número da altisa que pode causar problemas no jardim. Se a prevenção não foi suficiente para impedir que a gulosa colonize as suas couves, ainda é possível limitar a sua presença e os danos causados.

  • Uma rega regular, de qualquer forma necessária ao crescimento das couves, permitirá manter uma humidade que as altisas não apreciam. A rega deverá ser feita de preferência de manhã cedo ou ao fim do dia, para evitar uma evaporação demasiado rápida.
  • A inspeção regular das couves e a recolha manual de adultos ou larvas, embora morosa, pode ser suficiente em caso de infestação ligeira.
  • Binar regularmente os pés durante a estação pode eliminar os ovos depositados em plena terra e perturbar a postura.
  • Polvilhar cinza de madeira ou terra de diatomáceas aos pés das plantas, que têm um efeito corrosivo sobre os insetos. A aplicação deve ser renovada em caso de chuva.
  • Colocar armadilhas cromáticas amarelas (placas ou fitas adesivas) nas quais os adultos, atraídos pela cor, ficarão colados.
  • Tratamentos naturais em pulverização podem complementar o controlo biológico e atuar como repelente: purins de tanaceto, de absinto ou de urtiga, infusões de alho ou ainda sabão negro.
  • Em caso de infestação importante, recorrer em último caso, pontualmente e de forma localizada, a um inseticida natural à base de piretro ou proceder a uma aplicação de óleo de neem.

Estes tratamentos, ainda que naturais, devem ser utilizados com moderação no jardim, uma vez que não são seletivos: afetam todos os insetos sem distinção, pragas e auxiliares.

A longo prazo, podem por isso contribuir para o desequilíbrio biológico, responsável pelo aparecimento de novos parasitas ou doenças. Um verdadeiro círculo vicioso a evitar.

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A prevenção contra a altisa da couve: a melhor forma de combater

A altisa não tem verdadeiramente um predador específico, o que não facilita o combate natural. A prevenção será sempre mais eficaz do que um tratamento curativo, cujos resultados podem ser imprevisíveis.

Existem vários meios de prevenção. Podem obviamente ser combinados para um melhor resultado.

  • A palhagem permite conservar a humidade e a frescura junto das plantas, criando um ambiente menos propício ao aparecimento da pulga do jardim, que detesta a humidade.
  • Instalar na primavera um véu anti-insetos hermeticamente sobre as couves. Optar por uma malha fina inferior a 3 mm, tendo em conta o pequeno tamanho das altisas. Para uma proteção ótima, enterrar também os bordos da rede.
  • Cultivar perto das couves plantas aromáticas odoríferas, como a erva-dos-gatos e o absinto, ou outras plantas repelentes, como o tanaceto ou o trevo-branco.
  • Cultivar plantas «isco», como a mostarda em adubo verde, que atrairá as altisas e as desviará da cultura das couves.
  • Praticar as rotações de culturas: aconselha-se a não cultivar Brassicáceas durante vários anos consecutivos na mesma parcela (ou mesmo aguardar até 5 anos)
  • Atrair a biodiversidade ao jardim instalando sebes, montes de pedras, terrenos incultos, comedouros, ninhos ou mesmo um charco natural: é a melhor forma de atrair a longo prazo predadores naturais dos insetos prejudiciais, como os pássaros ou os sapos.
  • Transplantar plantas de couve já vigorosas, que ficarão menos fragilizadas perante um eventual ataque.

Tanaceto e trevo-branco, véu de proteção, adubo verde (aqui a mostarda) e palhagem deverão fazer parte das precauções a aplicar na horta

Para ir mais longe

  • Descubra a nossa seleção de 8 couves-repolho ou couves-cabeça a cultivar na horta ao longo do ano.

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