Doenças e pragas da margarida-amarela

Doenças e pragas da margarida-amarela

Preservar naturalmente a saúde da margarida-amarela

Resumo

Modificado em 27 de janeiro de 2026  por Olivier 7 min.

A margarida-amarela (Euryops pectinatus em latim) é uma planta robusta que, geralmente, não é muito afetada por doenças e pragas. No entanto, podem surgir, por vezes, insetos nocivos, como os pulgões ou as cochinilhas. Os pulgões alimentam-se da seiva das plantas, enfraquecendo as margaridas-amarelas, e podem transmitir vírus potencialmente perigosos para a planta. Por seu lado, as cochinilhas também causam danos ao alimentarem-se da seiva que extraem com as suas longas peças bucais. Além disso, o excesso de água no solo pode provocar o aparecimento de doenças fúngicas, como a podridão das raízes.

Para evitar estes problemas, convém observar regularmente as margaridas-amarelas, de modo a detetar rapidamente qualquer anomalia e tomar as medidas adequadas para garantir a sua saúde ideal.

Doenças da margarida-amarela

Euryops pectinatus

Dificuldade

Problemas fisiológicos (não parasitários) da margarida-amarela

Mesmo na ausência de doenças ou pragas, a margarida-amarela pectinatus pode sofrer de diversas perturbações fisiológicas relacionadas com o ambiente. Duas das mais frequentes são a clorose (amarelecimento das folhas) e a murchidão.

Amarelecimento das folhas (Clorose)

Sintomas

  • Folhas que ficam amarelas, enquanto as nervuras permanecem por vezes verdes.
  • Perda geral de vitalidade da planta.
  • Crescimento mais lento e floração reduzida.

amarelecimento da margarida-amarela

Possíveis causas

  • Carência de ferro (clorose férrica)

    • Solo demasiado calcário ou compacto, impedindo a assimilação do ferro.
    • Rega excessiva, que arrasta os nutrientes do solo.
    • pH do solo demasiado elevado, impedindo a absorção do ferro.
  • Carência de magnésio (clorose magnésica)

    • Desequilíbrio entre o cálcio, o potássio e o magnésio no solo.
    • Falta de matéria orgânica ou esgotamento do substrato em vaso.

Soluções

  • Aplicação de quelato de ferro: produto solúvel que corrige rapidamente a clorose férrica. Diluir na água da rega e aplicar junto ao pé da planta.
  • Melhoria da drenagem: adicionar composto para tornar um solo demasiado compacto mais leve.
  • Ajuste do pH do solo: se o solo for demasiado calcário, adicionar matéria orgânica ácida (composto de folhas, casca de pinheiro).
  • Adubo equilibrado: utilizar um adubo que contenha magnésio (por exemplo: sulfato de magnésio ou chorume de urtiga).

Murchidão da margarida-amarela

Sintomas

  • Folhas e caules amolecidos, por vezes pendentes.
  • Perda geral de tonicidade, que pode chegar à dessecação completa.

Possíveis causas

  • Stress hídrico (água a mais ou a menos)

    • Falta de água em períodos quentes = folhas murchas e secas.
    • Excesso de rega = asfixia radicular, aparecimento de raízes negras ou moles.
  • Vaga de frio ou geada

    • A margarida-amarela é sensível a temperaturas próximas de 0°C.
    • Uma descida súbita da temperatura pode danificar as células das folhas, tornando-as moles e pendentes.

Soluções

  • Rega adequada:
    • Regar moderadamente, deixando o solo secar ligeiramente entre duas regas.
    • Em vaso, garantir que a drenagem é eficaz (furos de drenagem, bolas de argila no fundo do vaso).
  • Proteção no inverno:
    • Em caso de previsão de geada, proteger a margarida-amarela com uma manta de inverno ou recolhê-la para uma estufa ou alpendre.
    • Em vaso, colocar a planta ao abrigo das correntes de ar frio e elevar o recipiente para evitar o contacto direto com um solo gelado.
  • Evitar choques térmicos:
    • Não regar com água demasiado fria no inverno.
    • Aclimatar progressivamente a planta se for transferida do interior para o exterior.

Doenças da margarida-amarela

Doenças fúngicas

As doenças fúngicas são causadas por fungos que se desenvolvem em condições húmidas e mal ventiladas. Afetam principalmente a folhagem e as flores, comprometendo o aspeto e a saúde da planta.

Oídio (Branco das folhas)

Sintomas:

  • Surge um depósito branco e pulverulento nas folhas, principalmente na página superior.
  • As folhas podem deformar-se, amarelecer e cair prematuramente.
  • A floração pode ser afetada se o ataque for grave.
  • Para saber mais, leia Oídio: prevenção e tratamento

Causas:

  • Excesso de humidade ambiente, sobretudo quando há orvalho noturno frequente.
  • Má circulação do ar em redor da planta (plantação demasiado densa, falta de poda).
  • Temperaturas amenas e condições alternadas de humidade e seca, que favorecem o desenvolvimento do fungo.

Soluções:

Tratamentos naturais:

  • Pulverização de decocção de cavalinha ou de bicarbonato de sódio (1 colher de chá por litro de água).
  • Tratamento com enxofre em pó ou em spray, eficaz contra o oídio.
  • Leite magro diluído (10 % em água) para reforçar a resistência da folhagem.

Medidas preventivas:

  • Afaste as plantas para melhorar a ventilação.
  • Evite regar a folhagem e prefira a rega junto à base da planta.
  • Pode regularmente para eliminar as folhas infetadas e arejar a planta.

Botrítis (Podridão cinzenta)

Sintomas:

  • Surgimento de manchas castanhas nas folhas e nas flores.
  • Formação de uma penugem acinzentada nas partes afetadas.
  • Murchidão e apodrecimento rápido das flores e dos rebentos jovens.

margarida-amarela doença da folhagem

Causas:

  • Excesso de humidade e condições de cultivo demasiado húmidas e confinadas.
  • Detritos vegetais em decomposição que favorecem a propagação do fungo.
  • Má circulação do ar, sobretudo em espaços interiores ou em estufas.

Soluções:

Tratamentos curativos:

  • Remova imediatamente as partes afetadas e destrua-as (não as coloque no composto).
  • Aplique um fungicida biológico à base de cobre ou uma decocção de alho (eficaz contra os fungos).

Medidas preventivas:

  • Não regue em excesso, sobretudo durante os períodos húmidos.
  • Assegure uma boa ventilação em redor da planta.
  • Limpe regularmente as folhas caídas para evitar a propagação do fungo.

→ Para saber mais, leia Botrítis – Podridão cinzenta: prevenção e tratamento.

Ferrugem

Sintomas:

  • Surgimento de manchas cor de laranja ou acastanhadas na parte inferior das folhas.
  • Folhas que amarelecem e caem prematuramente.
  • Em caso de ataque avançado, a planta pode ficar enfraquecida.

Causas:

  • Excesso de humidade prolongada na folhagem.
  • Plantação demasiado densa, que favorece a estagnação da água.
  • Temperaturas amenas e humidade elevada, condições ideais para o fungo.

Soluções:

Tratamentos naturais:

  • Pulverização de calda bordalesa logo que surjam os primeiros sintomas.
  • Utilização de decocção de cavalinha ou de chorume de urtiga para reforçar a resistência das folhas.

Medidas preventivas:

  • Remova as folhas doentes para evitar a propagação.
  • Evite regar a folhagem e prefira a rega junto à base da planta.
  • Areje as plantações para evitar uma atmosfera demasiado húmida.

→ Leia Ferrugem: identificação e tratamento para saber mais.

Doenças bacterianas

As bactérias também podem afetar a margarida-amarela, embora estas doenças sejam menos frequentes do que as doenças fúngicas. São frequentemente causadas por contaminação através da água ou por feridas na planta.

Manchas bacterianas

Sintomas:

  • Manchas castanhas ou negras nas folhas, frequentemente rodeadas por um halo amarelo.
  • As folhas podem necrosar e cair em caso de ataque grave.
  • Progressão rápida com tempo quente e húmido.

Causas:

  • Rega excessiva, que favorece a propagação das bactérias no solo.
  • Feridas na folhagem, que facilitam a entrada das bactérias.
  • Presença de água estagnada nas folhas depois da chuva ou da rega.

Soluções:

Tratamentos curativos:

  • Remova e queime as folhas afetadas (não as coloque no composto).
  • Aplique um tratamento à base de cobre (calda bordalesa ou sulfato de cobre) para limitar a propagação.

Medidas preventivas:

  • Evite regar a folhagem e prefira a rega junto à base da planta.
  • Não manipule as plantas quando estiverem húmidas para evitar a transmissão das bactérias.
  • Assegure uma boa rotação das culturas para não esgotar o solo e evitar a acumulação de agentes patogénicos.

Pragas da margarida-amarela

Insetos nocivos

Pulgões

Sintomas:

  • Presença de pequenos insetos verdes, pretos ou amarelos agrupados nos rebentos jovens e nos caules.
  • Folhas que se enrolam, deformam e ficam amarelas.
  • Secreção de melada pegajosa que favorece o desenvolvimento da fumagina (bolor negro).
  • Enfraquecimento geral da planta e redução da floração.

Margarida-amarela doente com insetos

Soluções:

Controlo biológico:

  • Introduzir predadores naturais, como joaninhas ou larvas de sirfídeos, que se alimentam de pulgões.

Tratamentos naturais:

  • Pulverização de sabão preto diluído (1 colher de sopa por litro de água) nas zonas infestadas.
  • Infusão de alho ou decocção de tanaceto, com efeito repelente contra os pulgões.
  • Jato de água forte para desalojar as colónias no início da infestação.

→ Para saber mais, leia Pulgões: identificação e tratamento

Aranhiços vermelhos

Sintomas:

  • Folhas que ficam amarelas, secam e caem.
  • Aparecimento de finas teias sedosas na parte inferior das folhas e entre os caules.
  • Enfraquecimento progressivo da planta em caso de infestação intensa.

Soluções:

Métodos naturais:

  • Pulverização regular da folhagem: os aranhiços vermelhos não gostam de humidade.
  • Pulverização de chorume de urtiga ou de decocção de cavalinha, reforçando a resistência da planta.
  • Aplicar uma solução à base de sabão preto para asfixiar os ácaros.

Prevenção:

  • Manter uma boa humidade do ar, sobretudo no verão.

→ Para saber mais, leia Aranhiço vermelho: identificação e tratamento 

Cochinilhas

Sintomas:

  • Presença de pequenos insetos protegidos por uma carapaça esbranquiçada, acastanhada ou cerosa, agarrados aos caules e às folhas.
  • Folhas que ficam amarelas e secam.
  • Depósito pegajoso de melada, que favorece a fumagina (bolor negro).
  • Crescimento mais lento da planta.

Soluções:

Métodos naturais:

  • Esfregar as cochinilhas com um algodão embebido em álcool a 70° para as eliminar manualmente.
  • Aplicar óleo branco (óleo de colza ou de parafina), que as sufoca.
  • Pulverizar uma solução à base de sabão preto e álcool diluída em água.

Prevenção:

  • Inspecionar regularmente a parte inferior das folhas e os caules.
  • Evitar o excesso de adubo azotado, que favorece o seu aparecimento.
  • Isolar as plantas novas antes de as introduzir no jardim ou na estufa.

→ Para saber mais, leia Cochinilhas: identificação e tratamento

Nemátodos (vermes microscópicos)

Sintomas:

  • Enfraquecimento geral da planta, apesar de uma rega e de uma adubação adequadas.
  • Raízes deformadas, com nodulosidade ou inchaços anormais.
  • Crescimento mais lento e floração reduzida.

Soluções:

Métodos de controlo:

  • Rotações de culturas: evitar plantar a margarida-amarela no mesmo local durante vários anos consecutivos.
  • Solarização do solo: cobrir a terra com um plástico transparente durante várias semanas no verão para eliminar os nemátodos através do calor.
  • Corretor de solo com composto rico em matéria orgânica para favorecer os micro-organismos benéficos que limitam a proliferação dos nemátodos.

Prevenção e cuidados naturais para uma margarida-amarela saudável

Uma primeira regra essencial consiste em assegurar um cultivo bem arejado. A margarida-amarela tolera mal o excesso de humidade, que favorece as doenças fúngicas e os ataques de pragas. Para evitar estes problemas, é preferível instalá-la num solo bem drenado e deixar-lhe espaço suficiente para que o ar circule livremente entre as folhas. Quando é cultivada em vaso, deve assegurar-se uma boa drenagem, adicionando bolas de argila ou cascalho no fundo do recipiente. A poda regular da planta também permite limitar o emaranhado dos ramos e favorece a circulação do ar, reduzindo assim o risco de desenvolvimento de fungos.

A rega também desempenha um papel fundamental na prevenção das doenças. Recomenda-se regar a margarida-amarela diretamente junto à base, sem molhar a folhagem, para evitar as condições favoráveis ao desenvolvimento de fungos como o oídio e a ferrugem. A rega deve ser moderada, pois o excesso de água pode provocar a asfixia das raízes e enfraquecer a planta, tornando-a mais vulnerável às pragas. Quando cultivada em vaso, é importante não deixar a água estagnar no prato.

O fornecimento de nutrientes também contribui para reforçar a resistência natural da margarida-amarela. Um adubo orgânico equilibrado ou um corretor de solo, ricos em potássio e fósforo (como farinha de ossos, por exemplo), favorecem uma floração abundante e um crescimento vigoroso. Uma cobertura morta orgânica (ler: os diferentes tipos de cobertura morta orgânica) à base de composto ou folhas secas permite enriquecer progressivamente o solo, mantendo simultaneamente uma humidade moderada.

Além das boas práticas de cultivo, podem aplicar-se tratamentos preventivos naturais para proteger a planta contra doenças e pragas. A utilização de chorumes vegetais, como o chorume de urtiga, estimula as defesas naturais da margarida-amarela e fornece-lhe nutrientes essenciais. A decocção de cavalinha, rica em sílica, é particularmente eficaz para reforçar a estrutura das folhas e prevenir os ataques de fungos (ler: como preparar uma decocção de cavalinha?). Contra os insetos, a pulverização de sabão preto diluído permite afastar pulgões e cochonilhas antes que se instalem de forma duradoura.

A associação da margarida-amarela com determinadas plantas companheiras também pode ter um efeito protetor. O cheiro da alfazema ou do alecrim repele naturalmente os pulgões e algumas pragas, enquanto a calêndula atrai insetos auxiliares, como as joaninhas, que ajudam a regular as populações de organismos nocivos. Instalar estas plantas nas proximidades permite assim criar um equilíbrio natural e limitar a utilização de tratamentos.

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flores amarelas da margarida-amarela