Jardinagem à sombra seca
O que plantar sob as árvores?
Resumo
As áreas do jardim situadas junto à base e sob a copa das árvores são problemáticas para o jardineiro : a sombra é frequentemente densa, o solo é mais seco e a concorrência radicular é significativa. São muitas as limitações impostas às plantas que se gostaria de ver crescer nesse local.
No entanto, existem soluções, preparando corretamente a área e selecionando plantas capazes de crescer nestas condições difíceis.
Então, o que plantar à sombra seca? Quando e como plantar sob as árvores? Que plantas saberão adaptar-se a estas condições de vida difíceis e não o desiludir? São muitas as questões para as quais apresentamos algumas respostas nesta ficha de aconselhamento.
De que sombra seca se fala?
Muitas vezes, à sombra das árvores, nada cresce… A culpa é das raízes, que absorvem quase toda a água… e os nutrientes. O solo torna-se pobre e muito seco assim que se remexe a terra a alguns centímetros de profundidade. Por essa razão, estas zonas ingratas são frequentemente deixadas de lado em favor de outras áreas mais fáceis do jardim, acabando muitas vezes por ser pouco a pouco invadidas pela hera, que se desenvolve muito bem nestas condições.
A sombra seca criada por uma sebe de plantas persistentes é outra situação difícil, por exemplo quando se trata de arbustos que secam o solo à superfície, como as sebes de loureiro-cerejeira ou de tuia, ou o loureiro.
A presença de árvores ou arbustos com raízes superficiais ou muito vorazes (bétula, freixo, eucalipto, amoreira, Cercidiphyllum…) também constitui um obstáculo adicional à criação de um canteiro.
O último caso complicado é a sombra das coníferas. A folhagem persistente impede que a terra receba adequadamente as chuvas de meia-estação, e o seu sistema radicular, frequentemente superficial, ocupa literalmente a camada superior do solo.
No entanto, não há razão para considerar a situação inevitável e, como se verá, é possível, com alguns cuidados dedicados a esta zona, plantar eficazmente nestes espaços.
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Plantar debaixo das árvoresDeixar entrar a luz... e a água
Para criar um canteiro à sombra seca, é útil começar por deixar entrar um pouco mais de luz e, sobretudo, de água da chuva. Nesta zona, é por isso aconselhável podar ligeiramente as árvores, através do que se chama uma poda de desbaste: esta aliviará a copa, permitirá uma boa circulação do ar e reduzirá, ao mesmo tempo, a sombra projetada.
A água da chuva chegará mais facilmente ao solo, o que permitirá plantar com maior facilidade vegetação junto à base das árvores e dos arbustos. Adotar uma poda de transparência é também uma excelente forma de valorizar este novo espaço que se vai criar.

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Enriquecer e soltar o solo
O solo junto às árvores ou a uma sebe não oferece boas condições, como já vimos. Convém, portanto, dar às plantas o máximo de possibilidades, enriquecendo-o. A cobertura morta de folhas secas e de material triturado, aplicada no outono numa camada de vários centímetros, é essencial: ao decompor-se, melhora a estrutura do solo, torna-o mais permeável e mais capaz de absorver a água da chuva, permitindo que as raízes explorem o solo com maior facilidade. O ideal é antecipar tanto quanto possível a plantação nesta zona, preparando o terreno pelo menos um ano antes.
Antes da plantação, será necessária uma camada de estrume bem decomposto, de composto ou de substrato de folhas para nutrir este solo empobrecido. Ainda pode enriquecer o seu solo com um ou dois punhados de chifre moído, que atuará como adubo de fundo durante vários meses.

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Plantas perenes para sombra secaReceber as plantas da melhor forma
Mais do que noutras zonas do jardim, será necessário dedicar especial atenção à plantação. Nesta zona sob as árvores, as raízes existentes constituem um obstáculo assim que se pretende plantar sequer um pequeno vasinho de uma planta perene. É, no entanto, necessário encontrar espaços entre as raízes onde plantar. Na realidade, a zona mais próxima do tronco é a mais favorável e aquela onde existe menor concorrência radicular. Não hesite em cortar algumas raízes existentes, quando ainda são pequenas, para instalar as suas plantas. Porém, se a pá de cova encontrar uma raiz de médio ou grande calibre, deverá procurar outro local e plantar um pouco mais longe. As árvores não sofrerão com o corte de algumas raízes jovens e produzirão outras, mas as raízes principais devem ser preservadas.
É sobretudo útil elevar o nível do solo, acrescentando terra ou substrato misturados com composto à superfície. Deste modo, aumenta-se o volume de substrato, elevando o canteiro, e enriquece-se também o solo, que bem precisa, sobretudo se tiver sido colonizado por hera.
Intervenha no início do outono, idealmente entre setembro e outubro, pois as folhas mortas formarão rapidamente uma camada protetora e nutritiva para as suas plantações. São também os meses em que a terra ainda está quente e a precipitação é (normalmente) ideal.
As plantas devem estar suficientemente desenvolvidas para conseguirem competir neste ambiente «hostil» com raízes suficientemente desenvolvidas e, ao mesmo tempo, ser de pequena dimensão, para não ser necessário abrir um buraco demasiado grande. Por este motivo, por vezes podem perder-se algumas plantas, pelo que é importante plantar em quantidade suficiente. O buraco de plantação deverá também ser adaptado à concorrência radicular: abra um buraco mais largo do que profundo, para que a planta possa começar a expandir as raízes.
Na primavera, não hesite em espalhar uma camada de terra de folhas junto ao pé das suas plantas: conservará a frescura das chuvas da estação.
Por fim, os dois primeiros anos após a plantação serão cruciais no que diz respeito à rega das suas plantas. Será necessário acompanhá-las atentamente neste aspeto, sobretudo durante o primeiro verão. A rega deverá ser abundante, para humedecer bem o solo em profundidade. Plantar no outono permite também um melhor arranque e uma melhor instalação radicular das plantas.

Elevar o canteiro para uma melhor instalação, plantar no outono para beneficiar de um bom enraizamento e das folhas mortas nutritivas (© Gwenaëlle David)
Escolher as plantas adequadas
Quando se observa mais atentamente, constata-se que muitas plantas, por vezes pouco utilizadas, conseguem adaptar-se às condições difíceis junto à base das árvores. Algumas são plantas que entram em dormência no verão, mas a diversidade é surpreendente, encontrando-se até alguns arbustos muito adaptáveis, que não se incomodam com a falta de luminosidade e de frescura. Tenha em conta que a escolha das plantas é primordial e que será necessário optar por estas plantas todo-o-terreno, que não receiam a concorrência das raízes.
Procurar-se-á sempre ganhar luminosidade através de folhagens contrastantes e variegadas em algumas plantas, permitindo-se até o pequeno luxo de desfrutar de florações encantadoras! Num espaço amplo, escolha também plantas de alturas variadas para criar volume.
Entre as opções para plantar no recanto sob as árvores, encontram-se algumas das mais encantadoras:
- bolbos de primavera ou de pleno inverno, perfeitos sob árvores caducas, onde o sol consegue então atravessar a folhagem. Dê preferência a bolbos de pequeno tamanho, mais fáceis de plantar neste tipo de solo: Cyclamen coum, Anemone blanda, Chionodoxa, campainhas-brancas e campainhas, por exemplo. Até os narcisos conseguem crescer em sombra seca, num terreno bem preparado, florescendo um pouco mais tarde, mas durante bastante tempo.
- plantas de cobertura tapizantes: Galium odoratum e Pachysandra terminalis, Ajuga reptans, ásaro, Vinca major ‘Variegata’; os gerânios vivazes, como o Geranium x cantabrigense, o evónimo-trepador e muitas outras plantas de cobertura para sombra seca
- plantas pernes de sombra seca com uma bela folhagem: existem plantas perenes frugais maravilhosas, cuja folhagem é muito ornamental e que se desenvolvem perfeitamente em sombra seca, devendo por isso ser privilegiadas. É o caso dos epimédios, das aspidistras, do Trachystemon orientalis, das líriopes e dos ofiopógãos, das bruneras, das bergénias, de alguns carriços e das pulmonárias e dos lâmios. Conte também com a Euphorbia amygdaloides var. robbiae, o feto-bambu, os acantos e algumas outras plantas menos conhecidas, como a télima, as saxífragas, os Arthropodium cirratum ou os Omphalodes cappadocica;
- plantas perenes de sombra seca com uma floração encantadora: erva-besteira, líriopes, Aster divaricatus, lírios-fétidos, Euphorbia amygdaloides var. robbiae, Geranium phaeum e Geranium macrorrhizum, bergénia…
- arbustos: sarcococa, Diervilla, Kerria japonica, buxo, ma hónia, Ruscus aculeatus, skímia, buxo, andrómeda ou aucuba, folhado
→ Consulte também a nossa ficha de aconselhamento: plantas perenes para sombra seca

Liriope muscari, Helleborus foetidus, Anemone blanda, Kerria japonica, Sarcococca ‘Winter Gem’ e aspidistras
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