Resumo
Cultivadas desde a Antiguidade, ou mesmo há milénios, as roseiras encantam-nos pela sua beleza, mas também e sobretudo pelo seu perfume. Este desdobra-se em diferentes aromas subtis e delicados, da roseira antiga com notas frutadas, passando pelos eflúvios almiscarados e pelos perfumes de chá e de mirra. Acompanhe-nos numa viagem ao país das roseiras perfumadas.
Por que razão as roseiras são perfumadas?
Atribuem-se ao perfume das roseiras diferentes funções, como atrair os insetos polinizadores ou afastar os predadores. O perfume das roseiras concentra-se nas pétalas, o que explica que as roseiras mais perfumadas sejam as roseiras antigas, com um grande número de pétalas. No entanto, os estames também exalam efflúvios, próximos dos aromas de almíscar e de cravo-da-índia. Ao longo das hibridações, o perfume das roseiras foi infelizmente perdido, em favor da estética da flor.
Do ponto de vista científico, o perfume das roseiras é objeto de investigação. Deve-se a dezenas de moléculas voláteis, como o geraniol, o nerol ou o eugenol. Em 2015, uma equipa de cientistas franceses conseguiu mesmo identificar um gene chamado RhNUDX1, que serve para produzir o perfume nas roseiras!

Roseira ‘Penelope’ deliciosamente perfumada – © Cristina Sanvito
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Para aproveitar ao máximo o perfume das roseiras aromáticas, pode plantá-las perto de uma porta, numa passagem ou à beira de um caminho. Convém também evitar instalar as roseiras ao lado de outras flores perfumadas, para não haver mistura de aromas e poder sentir melhor o seu perfume.

Instale as suas roseiras mais perfumadas perto da entrada da casa, por exemplo
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Como cheirar uma roseira?
Cheirar uma roseira é uma operação mais delicada do que parece. É preferível não inspirar a plenos pulmões, pois isso arriscaria saturar o nariz e deixaria de sentir qualquer coisa. Cheira-se uma roseira delicadamente, tal como se faz numa perfumaria, respirando normalmente e fazendo pequenas apneias de vez em quando.
O perfume de uma roseira evolui ao longo do dia. Se a manhã é o melhor momento para captar as suas fragrâncias, pode divertir-se a cheirá-la em diferentes momentos do dia e tentar perceber a paleta de efluves produzidos ao longo das horas que vão passando.

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Roseira antiga
As roseiras antigas estão entre as roseiras mais perfumadas. As espécies e variedades são muito numerosas. A Roseira de Damasco ou Rosa x damascena, originária do Médio Oriente, é cultivada há milénios pelo seu perfume e está na origem das roseiras cultivadas hoje pelas suas essências.

Roseira de Damasco
Há também a incontornável Rosa Centifolia, cultivada em Grasse e muito procurada pelos perfumistas. Também chamada Rosa-couve, possui numerosas pétalas e veste-se de um rosa claro com tons delicados.

Rosa centifolia muscosa ‘Moosrose’ -© Patrick Nouhailler
Outra pequena maravilha, a roseira antiga ‘Cuisse de Nymphe’ exala um perfume suave e empoado. Apresenta o aspeto de um pequeno arbusto vigoroso ornado de flores com pétalas de um rosa muito claro, quase branco.

Roseira ‘Cuisse de Nymphe’
O perfume de roseira antiga pode também encontrar-se nas roseiras de flor grande modernas. É o caso, por exemplo, da Roseira ‘Fragonard’, com flores duplas de um rosa vivo e que exala um poderoso perfume de roseira antiga com notas frutadas, ou ainda das Roseiras ‘Bolshoi’, ‘Charles de Gaulle’, ‘Papa Meilland’ e ‘Yves Piaget’, consideradas referências infalíveis e com notas cítricas.

Roseira ‘Fragonard’
Almiscarado
Algumas roseiras exalam fragrâncias almiscaradas, como a espécie Rosa moschata. Pode também citar-se a encantadora Roseira ‘Kew Rambler’, uma roseira trepadeira vigorosa que pode produzir ramos de 7 m e que, em junho, se cobre de uma multitude de flores que lembram delicadas roseiras bravas cor-de-rosa e brancas, com estames amarelos no centro. Fica deslumbrante conduzida sobre um grande arco e pode criar um agradável percurso perfumado e romântico.

Roseira moschata (© Malcolm Manners) e roseira ‘Kew Rambler’
Frutado
As rosas podem também exalar aromas cítricos ou de citrinos, de alperce, de melão, de lichia, de morango, de framboesa, de manga. Assim, a roseira de flor grande ‘La Rose de Molinard’ exala aromas de roseira antiga misturados com efluves de frutos como peras, maçãs, citrinos e frutos exóticos.
Outra roseira com aromas frutados, a Roseira ‘Brocéliande’, um híbrido moderno premiado várias vezes, seduz com as suas pétalas raiadas de branco e rosa e as suas grandes flores duplas.
Outra referência infalível, a Roseira ‘Line Renaud’ tem tudo para seduzir. Com as suas grandes flores duplas coloridas de um encantador rosa intenso e o seu perfume poderoso com notas de citrinos e cipreste, é perfeita para criar uma atmosfera romântica no jardim.

Roseira ‘Broceliande’
Aroma de chá
A fragrância próxima do chá encontra-se em Rosa gigantea. Originária da China, Rosa gigantea faz parte das espécies que, juntamente com Rosa chinensis, deram origem às roseiras de flor grande modernas. É também frequente sentir o aroma de chá nas flores de coloração amarela ou branca, que são descendentes longínquas da Rosa x odorata Ochroleuca.
Mirra
Por vezes encontram-se, nos perfumes das rosas, fragrâncias de mirra, como em Rosa arvensis, e noutras, como a Roseira inglesa ‘Spirit of Freedom’. As flores desta roseira antiga revelam muito encanto, com a sua coloração rosa pálido e a sua forma redonda de múltiplas pétalas apertadas. Consoante o uso, pode formar um arbusto de 1,25 m de altura e de largura, ou então um arbusto trepador que pode atingir 2,50 m de altura. As suas flores, com 9 cm de diâmetro, exalam um perfume intenso e abrem-se em junho-julho e depois em setembro-outubro.

Rosa arvensis e ‘Spirit of Freedom’®
As roseiras preferidas dos perfumistas
O perfume das roseiras é um dos mais utilizados em perfumaria. Os perfumistas recuperam as moléculas perfumadas por destilação ou extração para obter óleos essenciais, concreta ou absoluto, sendo estes dois últimos produtos muito concentrados em perfumes. As roseiras mais utilizadas pelos perfumistas são roseiras antigas: a Roseira de Damasco e a Rosa centifolia.

Preparação de absoluto de roseiras – © Ivan Matthieu
Roseira de Damasco
As Roseiras de Damasco (Rosa x damascena) são muito antigas e cultivadas pelo seu perfume há milénios. Segundo a história, terão sido os Cruzados a trazê-las de Damasco para a Europa na Idade Média. Têm o hábito de arbusto com cerca de 1 m e o seu perfume intenso é muito apreciado pelos perfumistas. Os perfumistas utilizam muito a Roseira antiga damascena Trigintipetala, também chamada Rosa ‘Kazanlik’, cultivada na Bulgária e na Turquia.

Cultura de roseiras x damascena, e a flor à direita
Roseira Antiga Centifolia Muscosa
Cultivada em Grasse e em Marrocos, é também chamada Rosa de Cem Pétalas ou rosa-couve, devido aos seus numerosos pétalas muito compactos. Tem também o nome de Rosa de Maio, pois é colhida nessa época antes de ser rapidamente transformada para a perfumaria. O seu tom rosa claro confere-lhe um aspeto de grande frescura. O seu perfume intenso e adocicado é muito apreciado pelos grandes perfumistas.

Rosa centifola Muscosa
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