O que colocar em vez de uma lona de cobertura morta? As nossas alternativas ecológicas e duradouras

O que colocar em vez de uma lona de cobertura morta? As nossas alternativas ecológicas e duradouras

As melhores soluções naturais para proteger e enriquecer o seu solo de forma duradoura

Resumo

Modificado em 11 de maio de 2026  por Olivier 6 min.

As lonas ou telas sintéticas para cobertura morta, frequentemente utilizadas, à partida, para limitar as ervas daninhas e reduzir a manutenção, acabam por criar vários problemas: desgaste, poluição causada pelo plástico, empobrecimento do solo… e até o reaparecimento de ervas daninhas através das próprias telas. Com o tempo, degradam-se, impedem o solo de respirar e prejudicam a biodiversidade. Quando são retiradas, o solo pode ficar compactado, pobre em matéria orgânica e rapidamente invadido por ervas daninhas. Para evitar estes inconvenientes, é essencial escolher uma alternativa adequada. Cobertura orgânica, adubos verdes, plantas de cobertura… Descubra como proteger e enriquecer o jardim sem lonas, favorecendo simultaneamente um ecossistema saudável e sustentável.

Dificuldade

Análise da situação: observe e reflita antes de escolher a melhor alternativa natural

Antes de retirar uma lona e escolher uma alternativa, é essencial analisar o estado do solo e refletir sobre a utilização da zona em questão. Um bom diagnóstico ajudará a optar pela melhor solução para melhorar a fertilidade da terra e otimizar a manutenção do jardim.

Analisar o solo

Ao retirar uma tela de cobertura do solo em polipropileno, que tenha permanecido colocada durante algum tempo, o solo por baixo pode ter sofrido diferentes transformações:

  • Solo compactado: se a lona esteve colocada durante muito tempo, a terra pode estar dura e compactada, impedindo a circulação adequada da água e do ar. Faça um teste simples, enterrando uma forquilha ou um plantador no solo: se for difícil penetrá-lo, será necessário arejá-lo (com uma forquilha de duplo cabo e a aplicação de matéria orgânica).

  • Solo pobre e esgotado: a ausência de vegetação e de decomposição orgânica pode ter enfraquecido a vida do solo. Se estiver seco, poeirento ou, pelo contrário, muito argiloso e pegajoso, será necessário aplicar corretivos naturais, como composto, adubos verdes ou cobertura morta.

  • Presença de ervas daninhas: algumas ervas-daninhas colonizarão rapidamente um solo descoberto após a retirada de uma lona. Observe quais são as plantas que aparecem espontaneamente:

    • Urtigas ou erva-das-bruxinhas indicam um solo demasiado rico em azoto.
    • Cardos ou corriola indicam um solo compactado.
    • O musgo pode revelar um solo demasiado ácido e com má drenagem.

Depois de retirar a lona, deixe a zona exposta durante alguns dias para observar como evolui naturalmente antes de intervir.

o que fazer antes de retirar uma lona do jardim

Por baixo da lona, o solo está muitas vezes compactado e pobre

Determinar a utilização da zona

O objetivo é saber qual será a utilização do espaço finalmente libertado, para escolher a melhor alternativa. Coloque estas questões:

  • Horta: se pretende cultivar legumes, privilegie soluções que enriqueçam o solo, como os adubos verdes, a cobertura morta orgânica ou a aplicação de composto.

  • Canteiros de flores ou de arbustos: uma camada espessa de cobertura morta (aparas de madeira, casca, BRF) limitará a manutenção e preservará a humidade do solo, ao mesmo tempo que alimentará as plantas.

  • Caminhos e zonas de passagem: se o local tiver de permanecer transitável, opte por um revestimento drenante e natural, como aparas de madeira, cascalho ou lajes espaçadas, acompanhadas por algumas pequenas plantas de cobertura.

  • Espaço relvado: se pretende deixar a zona cobrir-se naturalmente de vegetação, uma sementeira de prado florido ou de trevo-branco pode ser uma excelente opção rápida para favorecer a biodiversidade e reduzir a manutenção.

aparas de madeira para cobertura morta de canteiros

Num canteiro, o BRF ou as aparas de madeira são práticos e decorativos ao mesmo tempo

Ter em conta o clima e a exposição

O clima local e a exposição da zona são fatores determinantes na escolha dos materiais ou das plantas a instalar.

  • Exposição ao pleno sol:

    • Uma cobertura morta clara (palha, aparas de madeira) refletirá o calor e manterá o solo fresco.
    • As plantas de cobertura resistentes à seca (sédum, tomilho, milefólio) limitarão a evaporação.
  • Zona sombreada ou húmida:

    • Evite coberturas mortas orgânicas demasiado espessas, que poderiam reter humidade em excesso e favorecer o aparecimento de fungos.
    • Privilegie um solo vivo, com plantas de cobertura adequadas, como a pervinca ou a hera.
  • Região com chuvas intensas:

    • Uma boa drenagem é essencial, com cascalho ou caminhos estabilizados.
    • Os adubos verdes, como a facélia, melhorarão a estrutura do solo e evitarão a erosão.
  • Clima seco:

    • Uma cobertura morta generosa (com um mínimo de 5 cm de espessura) abrandará a evaporação e protegerá a microfauna do solo.
    • As plantas mediterrânicas e resistentes à seca (alfazema, santolina) serão mais adequadas.

Alternativas naturais e ecológicas às telas sintéticas

A remoção de uma tela deixa o solo nu e exposto às intempéries, o que pode provocar uma secagem rápida, erosão ou a colonização por plantas indesejáveis. Para evitar estes inconvenientes e favorecer um solo vivo, existem várias alternativas naturais, adaptadas à utilização da zona.

Para um solo vivo e fértil

O objetivo é proteger a terra, melhorar a sua estrutura e enriquecer a sua fertilidade, apoiando a atividade biológica.

Cobertura morta natural: proteger e nutrir o solo

A cobertura morta consiste em cobrir o solo com materiais orgânicos ou minerais, de modo a limitar a evaporação, abrandar o crescimento das ervas daninhas e alimentar a vida do solo à medida que se decompõe. Existem várias opções:

  • Palha e feno: económicos e eficazes, decompõem-se rapidamente e fornecem matéria orgânica ao solo.
  • Madeira Ramial Fragmentada (BRF): melhora a estrutura do solo a longo prazo e favorece a biodiversidade microbiana.
  • Cascas: mais duradouras, são mais adequadas para canteiros e arbustos.
  • Folhas secas: ricas em minerais, são ideais para proteger o solo no inverno.

Vantagens:

  • Protege o solo das agressões climáticas (chuva, vento, seca).
  • Limita a evaporação e conserva a humidade.
  • Nutre a terra à medida que se decompõe progressivamente.

Inconvenientes:

  • Deve ser renovada regularmente, sobretudo no caso de materiais leves, como a palha ou as folhas.
  • Pode atrair certos animais nocivos (lesmas, roedores) se o solo já estiver desequilibrado.

vantagens da cobertura morta orgânica

Adubos verdes: melhorar a estrutura do solo

Os adubos verdes são plantas semeadas temporariamente para enriquecer a terra com nutrientes e melhorar a sua estrutura. Depois de se desenvolverem, são cortados e deixados no local para se decomporem.

Algumas variedades interessantes:

  • Mostarda-branca: retém os nitratos e limita a erosão.
  • Facélia: atrai os polinizadores e torna o solo mais solto graças às suas raízes profundas.
  • Trevo: fixa o azoto no solo, sendo útil antes de uma cultura hortícola.

Vantagens:

  • Melhora a fertilidade e a estrutura do solo.
  • Limita o crescimento das ervas daninhas.
  • Favorece a biodiversidade ao atrair insetos polinizadores e microfauna.

Inconvenientes:

  • Exige uma sementeira e um período de crescimento antes de se tornar eficaz.
  • Algumas espécies devem ser bem controladas para evitar que se tornem invasoras.
cobertura morta de adubo verde: qual escolher

Facélia

Composto ou estrume: enriquecer a terra em profundidade

Um solo pobre ou esgotado necessita de um fornecimento de matéria orgânica para recuperar a fertilidade e o equilíbrio biológico.

  • O composto fornece nutrientes facilmente assimiláveis pelas plantas e favorece a atividade dos micro-organismos do solo.
  • O estrume é particularmente rico em azoto e estimula o crescimento das plantas, mas deve estar bem decomposto antes de ser utilizado, para evitar queimar as raízes.

É especialmente indicado quando a terra é pobre, muito arenosa ou demasiado compacta, para lhe devolver estrutura e vida.

estrume para cobertura de canteiros e da horta

Para limitar as ervas daninhas e estruturar o espaço

Se o objetivo for evitar que as plantas indesejáveis voltem a crescer, mantendo simultaneamente uma estética agradável, podem ser implementadas várias alternativas.

Plantas de cobertura: uma alternativa duradoura à cobertura morta

As plantas de cobertura permitem substituir as telas ou as coberturas mortas, ocupando o espaço e impedindo o crescimento das ervas daninhas. Desempenham também um papel estético e ecológico, ao favorecerem a biodiversidade.

Eis alguns exemplos adequados consoante a exposição:

  • Trevo-anão: resistente e adequado a passagens moderadas.
  • Pervinca: ideal para zonas sob árvores ou à sombra.
  • Sédum: planta de cobertura rústica que tolera a seca.

Vantagens:

  • Solução duradoura que exige pouca manutenção depois de instalada.
  • Contribui para a biodiversidade ao atrair insetos e polinizadores.
  • É estética e adapta-se a diferentes tipos de solos e exposições.

Inconvenientes:

  • A instalação pode ser mais demorada do que a de uma simples cobertura morta, pois as plantas precisam de se expandir e cobrir a superfície progressivamente.
  • Algumas espécies necessitam de uma poda regular para não se tornarem invasoras.
cobertura vegetal: quais as plantas escolher

Sédum

Caminhos com materiais naturais: um revestimento drenante e estético

Se a zona em causa for um caminho ou uma passagem frequente, existem soluções naturais para estabilizar o solo, evitando simultaneamente a utilização de telas sintéticas.

Algumas opções consoante a utilização:

  • Aparas de madeira: agradáveis sob os pés e biodegradáveis, são perfeitas para caminhos pouco frequentados.
  • Cascas : drenantes e adequadas a passagens regulares, por vezes necessitam de uma bordadura para não se espalharem.
  • Estilha de ramos: uma alternativa económica se tiver acesso a resíduos de poda.
  • Telas de cobertura morta biodegradáveis: de juta ou cânhamo. Utilizam-se como as telas de polipropileno, mas são biodegradáveis e ecológicas.

A escolha do material depende da utilização: uma passagem pedonal ocasional pode ser coberta com aparas ou com uma cobertura morta espessa, enquanto um caminho mais frequentado poderá necessitar de cascalho estabilizado ou de lajes.

caminho com cobertura morta de aparas

Lajes e passos japoneses: estruturar o espaço deixando o solo respirar

As lajes e os passos japoneses permitem criar um caminho sem cobrir completamente a terra. Esta solução é particularmente útil nos jardins onde se pretende manter uma zona praticável, favorecendo simultaneamente um solo vivo.

  • Lajes de pedra natural ou de betão: resistentes e duradouras, conferem um aspeto cuidado.
  • Passos japoneses de madeira, betão-madeira ou pedra: visualmente mais leves, deixam espaços verdes entre cada elemento.

Permitem evitar a compactação do solo, concentrando o pisoteio em zonas específicas, e conservando simultaneamente um aspeto estético natural.

materiais para cobrir um caminho

Instalação de uma alternativa à tela de cobertura morta

Depois de escolhida a alternativa para substituir a tela, é essencial instalá-la corretamente para garantir a sua eficácia a longo prazo. Uma boa manutenção permitirá também preservar os benefícios proporcionados ao solo e evitar alguns inconvenientes frequentes.

Como instalar corretamente cada alternativa?

1. Cobertura orgânica

  • Preparação do solo: retirar as ervas-daninhas manualmente ou passar uma forquilha de duplo cabo para arejar a terra antes de aplicar a cobertura morta.
  • Espessura recomendada:
    • Palha, feno: 5 a 10 cm para evitar a evaporação.
    • BRF e cascas: 3 a 5 cm para não asfixiar o solo.
    • Folhas mortas: camada ligeira para evitar a compactação.
  • Espaçamento em redor das plantas: não encostar a cobertura morta à base dos caules ou dos troncos para evitar o apodrecimento.
  • Melhor altura para aplicar uma cobertura morta: a melhor altura para aplicar uma cobertura orgânica é na primavera, depois de o solo aquecer, ou no outono, para o proteger do frio e das intempéries. Evite aplicá-la num solo demasiado seco ou gelado, pois poderá impedir a água de penetrar corretamente.

aplicação de cobertura morta num canteiro

2. Adubos verdes

  • Sementeira:
    • Escolher um período adequado (primavera ou outono, consoante as espécies).
    • Espalhar as sementes a lanço sobre um solo ligeiramente mobilizado.
    • Passar um rolo ou compactar ligeiramente para assegurar um bom contacto com a terra.
  • Gestão do crescimento: ceifar antes da formação das sementes para evitar que se tornem invasivos.
  • Incorporação no solo: depois de ceifar, deixar os resíduos à superfície ou enterrá-los ligeiramente para enriquecer a terra.

3. Composto ou estrume

  • Aplicação:
    • Espalhar uma camada de composto maduro (2 a 5 cm) junto das culturas ou sobre toda a superfície.
    • Enterrar ligeiramente para uma melhor assimilação.
  • Renovação: uma a duas vezes por ano, consoante o empobrecimento do solo.
  • Precauções: evitar o estrume fresco, que pode queimar as plantas.

alternativas às telas no jardim

4. Plantas de cobertura

  • Preparação do solo: retirar as ervas-daninhas e mobilizar ligeiramente o solo antes da plantação.
  • Densidade de plantação: deixar um espaçamento de acordo com a velocidade de crescimento (por exemplo: 20 cm entre cada planta de sédum, 30 cm para a pervinca).
  • Rega inicial: manter uma boa humidade até ao enraizamento.
  • Período de plantação: o melhor período para plantar plantas perenes de cobertura é o outono ou a primavera, quando o solo ainda está húmido e as temperaturas são amenas, favorecendo assim um bom enraizamento.

5. Caminhos naturais (aparas, cascalho, estilha)

  • Preparação:
    • Retirar as ervas-daninhas e nivelar o solo.
    • Colocar uma tela geotêxtil para evitar o enraizamento das ervas-daninhas.
  • Espessura recomendada:
    • Aparas de madeira e estilha: 5 a 10 cm.
    • Cascalho: 3 a 5 cm sobre um solo estabilizado.

6. Lajes e pedras japonesas

  • Colocação:
    • Cavar ligeiramente para que cada laje fique bem nivelada.
    • Encher os espaços entre as lajes com areia, cascalho fino ou uma planta de cobertura.
alternativa às telas sintéticas no jardim

Aqui, lajes e aparas coexistem

Conselhos de manutenção e renovação dos materiais

Cada alternativa necessita de uma manutenção regular para conservar os seus benefícios.

  • Cobertura morta: acrescentar uma nova camada todos os anos, sobretudo no caso dos materiais que se decompõem rapidamente, como a palha ou as folhas mortas. Verificar se o solo se mantém bem arejado por baixo.
  • Adubos verdes: não deixar que produzam sementes, para evitar que se tornem invasivos. Cortar antes da floração e voltar a semear, se necessário.
  • Composto e estrume: renovar os aportes em cada estação, consoante as necessidades do solo.
  • Plantas de cobertura: podar ou desbastar algumas espécies invasivas. Evitar regas excessivas nas plantas rústicas.
  • Caminhos com materiais naturais: passar regularmente o ancinho para evitar que as aparas de madeira se dispersem. Completar a camada a cada um ou dois anos.
  • Lajes e pedras japonesas: verificar a sua estabilidade e preencher os espaços entre elas, se necessário.

Erros a evitar

  • Cobertura morta demasiado espessa: uma camada excessiva pode impedir a entrada do ar e da água no solo, favorecendo o apodrecimento e o desenvolvimento de doenças.
  • Adubos verdes mal cortados: se forem cortados demasiado tarde, podem produzir sementes e disseminar-se por todo o lado, tornando a sua gestão difícil.
  • Cascalho sem geotêxtil: sem esta proteção, pode enterrar-se no solo ou deixar passar as ervas daninhas, tornando a manutenção mais complicada.
  • Lajes mal instaladas: um solo mal preparado provoca um abatimento rápido e um aspeto irregular.
  • Estrume demasiado fresco: se for utilizado antes de amadurecer, pode queimar as raízes das plantas e desequilibrar a vida do solo.

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substituir uma tela de cobertura morta