Plantar uma sebe para os insetos
Abelhas, borboletas... e todos os outros!
Resumo
E se hoje salvássemos o planeta… plantando uma sebe para os insetos!
Esta frase pode parecer absurda à primeira vista, mas é preciso reconhecer que o panorama das populações de insetos é alarmante. Cerca de 75% das populações de insetos desapareceu entre nós em apenas um quarto de século. O uso massivo de pesticidas tem grande responsabilidade neste fenómeno, assim como as alterações climáticas, mas não devemos esquecer o impacto da redução, ou mesmo do desaparecimento, dos habitats naturais favoráveis a estes insetos.
Ora, os insetos representam a maior parte da biodiversidade e cada espécie, mesmo a mais insignificante, desempenha um papel importante nos ecossistemas.
Felizmente, a «natureza encontra sempre o seu caminho» e gestos muito simples permitem muitas vezes colmatar a falta de natureza à nossa volta.
É o caso, precisamente, da criação de uma sebe dedicada aos insetos: abelhas, abelhões, borboletas, sirfídeos e todos os outros. Uma sebe assim estará cheia de vida praticamente todo o ano, com cores vivas e um perfume delicioso. Além disso, todas estas pequenas criaturas darão um precioso auxílio de patinhas quitinosas no jardim, graças à polinização das flores e à predação de certos indivíduos ditos «prejudiciais». Por isso, não espere mais! Pegue na enxada e comece a plantação de uma sebe «especial hexápodes (bichinhos de 6 patas!)»!
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Sejam selvagens ou domésticas, sociais ou solitárias, precisamos das abelhas (em sentido lato). Sem elas, não há frutos, não há legumes, …
Podemos ajudá-las oferecendo-lhes alimento e condições para criarem as suas larvas. Precisam de flores nectaríferas e de pólen, e isso durante grande parte do ano, pois as abelhas e os abelhões saem bastante cedo, por vezes a partir de fevereiro se o tempo for ameno. Em contrapartida, algumas permanecem ativas até às vésperas do inverno, pelo que estes insetos precisam também de florações muito tardias para se alimentar.
Aqui fica uma pequena seleção de arbustos para plantar na sua sebe, classificados em função do período de floração, de fevereiro a outubro.
Cornus mas
- Período de floração Março, Abril
- Altura à maturidade 4 m
Salix sachalinensis Golden Sunshine - Salgueiro
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 4 m
Sabugueiro Korsor - Sambucus nigra
- Período de floração Junho, Julho
- Altura à maturidade 4 m
Cotoneastro-de-Franchet - Cotoneaster franchetii
- Período de floração Junho, Julho
- Altura à maturidade 3 m
Cytisus scoparius Apricot Gem
- Período de floração Junho, Julho
- Altura à maturidade 1,50 m
Hedera hibernica - Hera
- Altura à maturidade 10 m
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A nota do Oli: melífera ou nectarífera?
Uma planta nectarífera segrega néctar para atrair insetos específicos úteis à polinização, que não são necessariamente abelhas. Uma planta melífera possui flores que contêm néctar atraindo abelhas sociais que se encarregarão de produzir mel (as abelhas solitárias não produzem mel). Portanto, uma planta melífera é necessariamente nectarífera, mas o inverso nem sempre é verdade.
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Uma sebe para as borboletas
As borboletas não são apenas pequenas velas coloridas a esvoaçar desajeitadamente à volta das suas flores mais belas; são também muito úteis para o jardineiro, pois fazem parte dos polinizadores e participam (enquanto presas) na cadeia alimentar, servindo de alimento às aves. As borboletas são igualmente prejudicadas pelo uso de pesticidas e pelo desaparecimento dos habitats naturais. Com efeito, as borboletas ou lepidópteros possuem geralmente uma única planta hospedeira específica para criar as suas lagartas. Se essa planta desaparece, a borboleta desaparecerá também. É por isso que, no jardim, privilegiar uma grande diversidade botânica e uma gestão mais suave das “ervas daninhas” é uma boa aposta. Estas últimas podem muito bem encontrar o seu lugar no jardim sem o transformar necessariamente em terreno inculto… Leia, aliás, a este propósito: “10 boas razões para deixar crescer as ervas daninhas”
As borboletas adultas precisam de se alimentar e de se proteger do frio (sobretudo as que hibernam); a instalação de uma sebe com arbustos nectaríferos que filtrem o vento é-lhes benéfica, mas pode ir mais longe fazendo trepar hera na sebe. Eis uma pequena seleção de arbustos acolhedores para elas:
Um belíssimo Cornus sanguinea ‘Magic Flame’ acompanhado de um Perovskia atriplicifolia ‘Blue Spire’, de uma Spiraea japonica ‘Shirobana’ e porque não de uma pequena Hebe ‘Ouessant’ farão a felicidade dos lepidópteros de todo o tipo, especialmente se lhes juntar uma bela madressilva delavayi.

Cornus sanguinea ‘Winter Flame’/ Spirea japonica ‘Shirobana’ / Hebe ‘Ouessant’ / Lonicera delavayi / Perovskia atriplicifolia ‘Blue Spire’
Pense também que a maioria dos pequenos arbustos aromáticos atrai muito as borboletas: a alfazema e o alecrim, por exemplo. Porque não plantá-los ao pé da sua sebe?
As budleias, também chamadas “arbustos-das-borboletas”, são por vezes alvo de polémica. Nomeadamente por causa de um único indivíduo: o Buddleia davidii, que pode tornar-se invasivo e causar problemas na natureza ao ocupar o lugar de espécies indígenas. Felizmente, a venda do Buddleia davidii botânico já não é permitida, e os “arbustos-das-borboletas” disponíveis para venda são híbridos estéreis. O segundo problema reside no seu extraordinário poder de atração sobre as borboletas. Com efeito, estas ficam como que hipnotizadas pelas flores e deixam de pensar em reproduzir-se, o que representa um desastre para a época seguinte. Mas também aqui apenas o Buddleia davidii botânico coloca problemas; as outras espécies e os seus híbridos são menos atrativos e, por isso, não representam qualquer inconveniente.
A nota de Oli: as abelhas não são os únicos polinizadores
Um polinizador é um animal (nem sempre um inseto!) que permite o transporte de grãos de pólen dos órgãos masculinos de uma flor para os órgãos femininos de outra flor. Entre nós, os himenópteros como as abelhas e os abelhões desempenham um grande trabalho de polinização. Mas não nos esqueçamos dos sirfídeos e das borboletas, que são também polinizadores muito eficazes.
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E sim, ficam todos os outros… Neste artigo não falaremos das 35 200 espécies de insetos que vivem em França e na Bélgica. Citaremos apenas alguns exemplos entre tantos outros:
Gorgulho das aveleiras, Cetónia dourada, Clite-ariete, Tesourinha, Crisopa, Ósmia cornuda, …

Ósmias cornudas
Tantos hóspedes da sua sebe viva e natural que o ajudarão silenciosamente e sem qualquer custo na manutenção do seu pequeno cantinho de paraíso.
Para saber mais
- Evite os pesticidas, mesmo os biológicos ou naturais
- Privilegie as plantas indígenas
- Evite os jardins demasiado arrumados: deixe pilhas de madeira, uma camada de folhas mortas, uma árvore morta em pé (se não representar perigo imediato!), algumas ervas daninhas, um pequeno canto de urtigas, …
- Coloque vários abrigos para insetos mono-específicos em vez de um “hotel” para insetos.
E se a preservação dos polinizadores lhe interessa, aqui fica uma ligação para o site de um projeto interreg: Projeto SAPOLL
Como complemento, veja o nosso vídeo e os nossos conselhos para criar e manter uma sebe rural no seu jardim.
Descubra também a nossa seleção de 8 plantas trepadeiras mais melíferas
A (última) pequena nota de Oli: afinal, o que é um inseto?
Um inseto com maturidade sexual possui um corpo dividido em três partes: a cabeça provida de um par de antenas, o tórax com três pares de patas e dois pares de asas (os dípteros, como o nome indica, só têm duas asas verdadeiras, as outras duas são reduzidas a simples halteres) e um abdómen. Se uma destas condições não se verificar, está na presença de outro tipo de bichinho: arácnido (aranhas, ácaros, opiliões…), molusco (lesmas e caracóis), miriápode (milípedes, escolopendra…), crustáceo (bichos-de-conta), chapim, gato, pónei…
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