Resumo
A primavera chegou e o seu apelo faz-se sentir! O regresso à horta começa muitas vezes com a sementeira das primeiras sementes, um ato «mágico» que permite colher legumes saborosos. No entanto, com a excitação, os jardineiros, quer sejam principiantes ou mais experientes, podem cometer erros que comprometem a germinação, o vigor das plantas e, por fim, o sucesso da colheita.
Descubra os principais erros cometidos pelos jardineiros durante a sementeira no interior, sob abrigo ou diretamente em plena terra, mas sobretudo as boas práticas para aumentar as probabilidades de sucesso e obter uma colheita abundante.
Erros de sementeira relacionados com o tempo
Semear demasiado cedo ou demasiado tarde
O jardineiro revela sempre um pouco de entusiasmo. A ponto de alguns se precipitarem um pouco demais. Assim, querer semear obrigatoriamente os tomates e os pimentos em fevereiro é um erro frequente. Semeadas demasiado cedo, estas plantas ficam estioladas à procura de luz, tornam-se fracas e mais sensíveis às doenças antes mesmo de serem transplantadas.
Por outro lado, semear demasiado tarde as culturas de plena estação, como os rabanetes e as cenouras, pode expô-las a um calor excessivo ou à seca estival, provocando stress e um espigamento prematuro.
O que fazer?
- Consulte cuidadosamente o calendário de sementeira específico da sua região e do microclima do seu jardim.
- Tenha em conta a temperatura do solo para as sementeiras diretas.
- Para os legumes do sol (tomates, beringelas, pimentos, curgetes, melões…), conte geralmente com 6 a 8 semanas antes da data prevista para a transplantação, após os últimos riscos de geada.

É essencial respeitar a data de validade das sementes
Ignorar as datas de validade das sementes
Semear sementes encontradas no fundo de um saquinho velho, fora da validade há vários anos, é também um erro recorrente. A data de validade das sementes varia frequentemente entre 2 e 5 anos. As sementes demasiado antigas terão uma taxa de germinação muito baixa ou nula.
O que fazer?
- Compre sementes para a estação.
- Verifique o ano de colheita ou de acondicionamento indicado no saquinho.
- Para as sementes mais antigas, efetue um teste de germinação simples em papel absorvente húmido, alguns dias antes da sementeira, para avaliar a sua viabilidade. Para isso, siga os nossos conselhos no artigo seguinte: Como testar a germinação de sementes velhas?
Semear sementes conservadas em más condições
Conservar sementes em más condições é um erro insidioso que afeta diretamente a sua capacidade de germinar. O inimigo número um é a combinação de calor e humidade excessivos.
O que fazer?
As sementes devem ser conservadas num local seco, ao abrigo da luz e do calor. Um frasco hermético colocado num local fresco, como uma cave ou um frigorífico, garante boas condições para preservar a sua viabilidade.
Leia também
A germinação das plantas hortícolasErros relacionados com o substrato ou com a técnica
Depois de escolher a semente certa para a época certa, a forma como a instala é crucial. Tal como o substrato onde é semeada.
Escolher o substrato errado
Utilizar terra de jardim ou um substrato universal standard para as sementeiras é um erro habitual entre os jardineiros. A terra de jardim é frequentemente demasiado pesada e compacta, podendo conter agentes patogénicos ou sementes de ervas-daninhas. O substrato universal é geralmente demasiado rico em nutrientes. Se for de qualidade média, pode ser demasiado grosseiro, impedindo um bom contacto entre a semente e o meio.
O que fazer?
Selecione um substrato especial para sementeira. É geralmente mais fino, esterilizado e leve, pois é frequentemente enriquecido com perlite ou vermiculite, e contém poucos nutrientes. Garante uma boa ventilação, uma drenagem perfeita e um meio limpo, ideal para uma germinação delicada.
Semear à profundidade errada
Também aqui se trata de um erro clássico! As sementes são enterradas demasiado profundamente ou deixadas demasiado perto da superfície. Se a semente ficar demasiado profunda, esgota as suas reservas energéticas antes de chegar à luz ou pode apodrecer se o substrato estiver demasiado húmido. Se ficar demasiado à superfície, corre o risco de secar rapidamente ou de ser deslocada pela rega.
O que fazer?
A regra de ouro consiste em semear a semente a uma profundidade equivalente a duas a três vezes o seu próprio tamanho. As sementes minúsculas, como as do aipo-dos-pântanos, são frequentemente apenas pressionadas contra a superfície e cobertas com uma fina camada de vermiculite ou com uma pequena quantidade de substrato. Pode ser útil utilizar um crivo para cobrir finamente as sementes com um substrato leve.

É fundamental semear à distância e à profundidade certas
Semear demasiado densamente
Despejar o conteúdo do pacote no sulco é frequentemente um erro cometido por um jardineiro demasiado zeloso ou receoso do fracasso. O resultado é que, depois de germinarem, as plântulas entram em forte concorrência pela luz, pela água e pelos nutrientes. Ficam estioladas, dando origem a plantas fracas e pouco produtivas.
O que fazer?
- Para as sementeiras em linha (cenouras, rabanetes), semeie com a maior distância possível. Reduzir a densidade desde o início é a única solução para não ter de desbastar.
- Para as sementeiras em covachos (feijões, ervilhas, favas), respeite o número de sementes recomendado, frequentemente 3 a 5 por covacho.
- Para obter sementeiras regulares, pode misturar as sementes muito pequenas com um pouco de areia seca antes de as semear. Isso facilita a sua dispersão uniforme.
Os problemas após a sementeira: desbaste, rega...
Na sementeira de sementes, a emergência não é a única batalha a travar! A sobrevivência e o vigor das plantas jovens dependem do ambiente que lhes proporciona.
Regar demasiado ou não regar o suficiente
Manter o substrato constantemente encharcado é um erro fatal. Um excesso de humidade, combinado com falta de arejamento, favorece o desenvolvimento de doenças criptogâmicas responsáveis pelo tombamento das sementeiras.
Deixar o substrato secar completamente depois da emergência também é um erro. As raízes jovens, ainda pouco profundas, são muito sensíveis à seca e o stress hídrico pode matar a plântula em poucas horas.
O que fazer?
- Mantenha o substrato húmido, mas nunca encharcado.
- Utilize um pulverizador para evitar deslocar as sementes ou os rebentos jovens.
- Idealmente, regue por capilaridade, colocando o vaso num recipiente com água durante alguns minutos e deixando-o depois escorrer.
Descurar o desbaste
O desbaste é muitas vezes encarado como algo doloroso ou um desperdício, ou até como uma tarefa incómoda, e existe uma tendência para querer «dar todas as oportunidades» às plântulas. No entanto, não desbastar equivale a condenar todas as plantas a uma produção reduzida.
O que fazer?
- Faça o desbaste sem esperar, assim que as plântulas tiverem desenvolvido as primeiras folhas verdadeiras (as folhas que surgem depois das orelhas-de-porco).
- Corte as plantas mais fracas pela base, utilizando uma tesoura. Não as arranque, pois isso perturbaria as raízes da planta vizinha.
- Respeite o espaçamento recomendado na saqueta de sementes.

As sementeiras devem beneficiar de calor e luz
Não fornecer luz e calor suficientes
Colocar as sementeiras atrás de uma janela, mesmo virada a sul, muitas vezes não é suficiente, sobretudo no início da estação, entre fevereiro e março, quando a intensidade luminosa e a duração do dia ainda são reduzidas. Por instinto, as plântulas começam então a estiolar: esticam-se desesperadamente em altura à procura de luz, desenvolvendo um caule longo, fino e frágil. Diz-se que estão estioladas.
Do mesmo modo, no interior, algumas sementeiras, como as de tomate ou pimento, necessitam de calor constante, entre 20 e 25 °C.
O que fazer?
- Coloque as sementeiras o mais perto possível de uma janela muito luminosa.
- Para obter os melhores resultados, invista numa luz LED de apoio para horticultura. Posicione-a a 5 a 15 cm dos rebentos jovens e certifique-se de que recebem 14 a 16 horas de luz por dia.
- Cubra as sementeiras com plástico ou com uma garrafa para conservar o calor e a humidade.
- Invista num tapete de aquecimento ou numa mini-estufa aquecida para obter uma temperatura constante.
Descurar o arejamento das sementeiras
As doenças criptogâmicas, como o tombamento das sementeiras, surgem frequentemente quando o ar fica estagnado em redor das plantas jovens. Muitas pessoas deixam as sementeiras demasiado tempo tapadas com uma tampa ou película de plástico. Este microclima quente e húmido torna-se rapidamente propício ao desenvolvimento de fungos.
O que fazer?
Assim que surgirem as primeiras plântulas, é necessário retirar a tampa para permitir uma boa ventilação. Uma corrente de ar ligeira, não fria, fortalece os caules e previne o aparecimento de bolores.
Os erros de manutenção e de transplantação
As últimas etapas antes da instalação definitiva no jardim causam stresse às plantas.
Descurar o endurecimento das sementeiras
Transplantar bruscamente plantas cuidadas no interior (calor, humidade constante, ausência de vento) diretamente para a terra plena não é uma boa ideia. Este choque térmico e ambiental causa tanto stresse às plantas jovens que pode travar o seu crescimento, fazê-las amarelecer ou até matá-las. A aclimatação, ou «endurecimento», é indispensável.
O que fazer?
Durante cerca de uma semana, é necessário levar diariamente as sementeiras para o exterior durante algumas horas, ao abrigo do vento e à sombra, e depois recolhê-las durante a noite. Aumenta-se progressivamente o tempo passado no exterior, até tolerarem as condições exteriores de meia-sombra. Este simples gesto melhora consideravelmente a retoma após a plantação.
Não cuidar da transplantação
É frequente transplantar uma plântula delicada puxando-a pelo caule ou danificando o sistema radicular. É a melhor forma de causar uma lesão grave, que favorece o aparecimento de infeções ou trava o crescimento. Geralmente, a altura certa situa-se quando as plântulas apresentam duas a quatro folhas verdadeiras (além das orelhas-de-porco). Nessa fase, já possuem raízes suficientes para suportar a manipulação.
O que fazer?
- Regue ligeiramente antes de retirar a planta da terra.
- Em vez de manipular o caule, segure sempre a plântula por uma das suas orelhas-de-porco, evidentemente com muito cuidado.
- Se a plântula for transplantada a partir de um torrão (vasinho), aperte suavemente o recipiente para descolar o torrão e manipule-o com cuidado, colocando-o na cova sem o compactar demasiado.
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