A perpétua é uma planta perene mediterrânica com muitas qualidades : uma floração longa, com pompons amarelo-dourados no verão, uma folhagem persistente cinzento-prateada e um aroma intenso, apreciado tanto na cozinha como na fitoterapia.
Esta perpétua-das-areias cultiva-se tanto em plena terra como em vaso, para embelezar e perfumar todos os tipos de jardins.
Os ramos e as flores podem secar-se facilmente para serem conservados e utilizados em qualquer estação. Explica-se passo a passo como proceder, para preservar o melhor possível as qualidades da perpétua-das-areias.

Colher a perpétua para a secagem
A colheita deve ser efetuada de preferência num dia quente e seco, por volta do meio-dia, quando a planta está carregada de partículas aromáticas. Basta munir-se de uma tesoura de poda limpa e bem afiada para cortar as hastes florais da perpétua. Agite-as suavemente com as extremidades viradas para baixo, para deixar cair eventuais insetos ou impurezas.
Nota: evite colher no primeiro ano após a plantação, para permitir que a planta se instale corretamente.
Colheita das folhas
Em princípio, as hastes podem ser colhidas quase durante todo o ano, uma vez que as folhas são persistentes. Para a secagem, aconselha-se, contudo, dar preferência ao final da primavera, imediatamente antes da floração (entre maio e junho, consoante as regiões).
Colheita das flores
A colheita das flores realiza-se no início do verão, por volta de julho, imediatamente antes de os pequenos pompons florais abrirem completamente.

Três métodos para secar a perpétua
Secagem ao ar livre
A secagem ao ar livre tem a vantagem de ser natural, económica e ecológica. Não necessita de energia nem de material específico e permite conservar melhor os princípios ativos da planta, graças a uma secagem suave.
Desvantagem : é mais demorada, exigindo de uma a várias semanas de paciência, consoante a temperatura ambiente e a técnica escolhida. A secagem está concluída quando as folhas ou as flores se desfazem entre os dedos.
A técnica que poupa espaço para espaços pequenos
- Reúna as hastes em pequenos ramos com cerca de dez hastes.
- Ate-as umas às outras sem apertar demasiado, utilizando um pedaço de cordel ou de ráfia (evite o elástico, que pode comprimir demasiado as hastes umas contra as outras e impedir a boa circulação do ar).
- Pendure-as com as extremidades viradas para baixo num gancho ou num canto de uma prateleira, num local quente e seco, protegido da luz e dos raios diretos do sol.
- Se escolher um local sujeito à poeira (abrigo de jardim, garagem…), pode acrescentar um saco de papel perfurado ou uma folha de jornal à volta do ramo para o proteger (mas não utilize um saco de plástico, que impediria a secagem e faria apodrecer as hastes).

A técnica em plano para uma secagem rápida e ideal
- Espalhe as hastes sobre uma caixa de madeira ou uma grelha.
- Disponha-as de modo a deixar alguns milímetros entre cada uma, para favorecer a ventilação.
- Coloque-as num local quente e seco, protegido da luz e dos raios diretos do sol.
- Vire regularmente as hastes durante a secagem.
- Se o local estiver sujeito à poeira, pode cobrir as hastes com um pedaço de tecido fino para as proteger.
Secagem no forno
A secagem no forno tem a vantagem de ser muito rápida. Contudo, se for mal controlada, pode queimar as hastes e as flores da perpétua ou alterar o aroma natural da planta. Naturalmente, consome energia, sendo por isso menos natural, ecológica e económica do que a secagem ao ar livre.
O tempo de secagem varia consoante o forno e a temperatura selecionada, mas geralmente são necessárias várias horas.
- Coloque as hastes de perpétua num tabuleiro forrado com papel vegetal.
- Deixe espaço entre elas, para que não fiquem sobrepostas.
- Regule o forno para a temperatura mais baixa possível (cerca de 60 a 80 °C, consoante os modelos).
- Abra regularmente a porta do forno para permitir a saída da humidade e verificar se a secagem decorre sem «cozer» as hastes.
- A secagem está concluída quando as folhas ou as flores se desfazem entre os dedos.
Secagem no desidratador
A secagem no desidratador revela-se também mais rápida do que a secagem natural ao ar livre. Consome menos energia do que a secagem no forno, mas exige material específico.
O procedimento é o mesmo da secagem no forno, mas siga as instruções de utilização do fabricante para escolher a temperatura e o tempo de secagem adequados.
Conservar a perpétua seca
Conserve as folhas e as flores tal como estão em ramo ou retire-lhes as folhas. Nesse caso, coloque-as num recipiente hermético, ao abrigo da humidade e da luz, num local à temperatura ambiente.
As hastes de perpétua seca conservam-se durante cerca de um ano, mas perderão gradualmente as suas qualidades: as flores podem tornar-se menos vivas e as folhas menos aromáticas.
Utilizar a perpétua seca em ramos pelas suas qualidades ornamentais
Tal como as sempre-vivas anuais (flores-de-palha ou Helichrysum bracteatum), cujas flores ficam magníficas em ramos secos, as flores de Helichrysum italicum são também utilizadas pelo seu valor ornamental e pela sua durabilidade.
Utilize as hastes florais num ramo seco ou fresco, monocromático ou multicolorido. Os únicos limites são os da criatividade! Também é possível fazer coroas de flores e centros de mesa, colocar as hastes em solitários ou em molduras, à maneira de um herbário, entre outras opções.

Utilizar a perpétua seca na cozinha pelo seu aroma
As folhas de perpétua libertam um aroma intenso, que explica o seu nome comum «perpétua-das-areias». São utilizadas de preferência frescas, para aproveitar ao máximo o seu sabor, mas a secagem permite utilizá-las durante todo o ano.
À semelhança de um ramo de ervas aromáticas, reúna 3 a 4 hastes de perpétua, atadas com um pedaço de cordel. Deixe-as a infundir num molho de manteiga, leite ou natas (de origem animal ou vegetal). Utilize-as também num caldo, numa sopa ou numa marinada. Quanto mais composto for o ramo, mais aromático e intenso será o sabor. Também pode utilizar as folhas para cozinhar em papelote, a vapor, em grelhados, entre outras preparações.
Retire o ramo ou as folhas no final da receita : pouco digestíveis, não são adequados para consumo.
Utilizar a perpétua seca em fitoterapia e cosmética pelos seus benefícios naturais
A perpétua-das-areias faz parte dos óleos essenciais preciosos e dispendiosos, apreciados em fitoterapia pelas suas numerosas propriedades. Antiinflamatória, antioxidante, antisséptica, analgésica, antiespasmódica, desintoxicante, descongestionante… A perpétua-das-areias teria numerosas virtudes. Faz parte dos cuidados naturais indispensáveis em caso de hematomas e de problemas de circulação sanguínea.
A destilação exige material e conhecimentos específicos, mas existem na Internet várias receitas de macerado oleoso de perpétua, para preparar em casa.
As flores de Helichrysum arenarium, ou sempre-viva-amarela, podem ser utilizadas em infusão. Para uma chávena (cerca de 250 ml), utilize aproximadamente uma colher de chá de flores secas. Cubra com água a ferver e deixe infundir durante 10 a 15 minutos. Coe ou utilize uma bola para chá. Beba 2 a 3 vezes por dia. É perfeitamente possível adicionar mel, açúcar, gengibre ou qualquer outro complemento, para adaptar a bebida ao gosto de cada pessoa.
As flores de Helichrysum italicum preparadas em infusão servem sobretudo para preparar cataplasmas ou compressas para utilização externa, por exemplo, para favorecer a cicatrização de um hematoma.
Aconselha-se sempre pedir a opinião de um profissional, sobretudo em caso de problemas de saúde ou de utilização em crianças, grávidas ou mulheres a amamentar.
O eucalipto também faz parte das plantas eficazes contra as traças: descubra como utilizá-lo para esse fim.

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