10 plantas perenes resistentes à seca para jardim sem rega
A nossa seleção
Resumo
Há já alguns anos que sofremos, todos os verões, episódios de seca e ondas de calor, mais ou menos prolongados e frequentemente associados a restrições no uso da água.
É evidente que a situação não vai melhorar com o tempo e, mesmo que a rega ainda seja permitida, esta terá um custo elevado para o nosso bolso e para a nossa saúde. Para além de desperdiçar a água, um bem precioso, arrisca-se a perder também o prazer de jardinar. Então, o que fazer? Deixar de cuidar das nossas belas plantas? Deixar de criar jardins? Certamente que não! Muitas plantas rústicas são capazes de crescer, florescer e prosperar mesmo durante a seca. Aqui fica uma pequena seleção de plantas perenes floridas, coberturas vegetais e gramíneas resistentes à seca, ideais para jardins sem rega… Para encher o seu jardim de flores durante todo o verão sem temer a falta de chuva.
Delosperma, a Planta-do-gelo
Originária da África do Sul e de Madagáscar, a planta-do-gelo aprecia o calor, o sol e os solos secos. A variedade ‘Wheels of Wonder Orange‘ cobre-se literalmente de pequenas flores liguladas de cor laranja-vivo entre junho e setembro. É uma planta tapete suculenta perfeita para jardins rochosos, solos muito secos, muretes… Cobre muito rapidamente uma grande superfície graças aos seus caules rastejantes que enraízam com facilidade. Esta planta-do-gelo ficará perfeitamente à vontade ao pé de algumas betónicas, alfinetes ou séduns (ver mais abaixo). Uma pequena nota de aviso, no entanto: sofrerá abaixo de -10 °C.
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Sobreviver a uma secaStachys byzantina, grandes orelhas bem macias…
O pequeno apelido de Stachys byzantina “orelha-de-urso” ou “orelha-de-cordeiro” fica ainda mais valorizado na variedade ‘Big Ears‘, que significa literalmente “grandes orelhas“, em referência ao tamanho das suas bonitas folhas aveludadas e prateadas. As betónicas adoram o sol e, quanto mais seco for o solo, mais a folhagem adquire uma cor prateada. Embora alguns considerem a floração demasiado discreta, as hastes florais eretas que apresentam algumas flores cor-de-rosa dispostas em andares ao longo da planta são absolutamente encantadoras. Esta planta tapete é também muito resistente ao frio e… a praticamente todo o resto. A única coisa de que não gosta é ter as raízes submersas. Em suma, se ainda não a adotou, é uma perene a plantar com urgência num jardim rochoso, num canteiro ensolarado ou ainda como orla…
Milefólio 'Little Mooshine', um tapete de ouro para o sol…
Se gosta de plantas rústicas e descomplicadas, o milefólio ‘Little Moonshine’ é a planta de que precisa. Mais compacta do que a sua «irmã mais velha» ‘Moonshine’, é também mais precoce na floração. Capaz de cobrir de vegetação um local ingrato em muito pouco tempo, é ainda de uma rusticidade a toda a prova. Tem além disso uma encantadora folhagem recortada de cor cinzento-prateada, que mal rivaliza com a sua exuberante floração amarela em corimbo, estendendo-se de maio a setembro. No jardim, use-a em jardim rochoso, em borda de canteiro ensolarado, ao pé das roseiras ou mesmo… para substituir a relva numa zona não pisada.
A Gaura de Lindheimer, uma perene extremamente florífera…
A touceira vigorosa de uma Gaura lindheimeri «normal» já é esplêndida por definição, mas a variedade ‘Freefolk Rosy‘ ultrapassa qualquer expectativa. Floresce sem interrupção entre junho e outubro, numa profusão de flores estreladas brancas orladas de rosa, sustentadas por hastes flexíveis que se balançam ao sabor do vento. Até a folhagem é magnífica: variegada de creme com pequenos toques violetas. A sua raiz pivotante permite-lhe enraizar-se em solos rochosos muito secos. Mas a vela-da-pradaria estará à vontade em qualquer parte do seu jardim: num canteiro ensolarado, entre arbustos, ao pé das roseiras, numa pradaria «americana» na companhia de ásteres, equináceas ou gramíneas, e até em grandes vasos. Não procure mais, precisa mesmo de velas-da-pradaria no seu jardim!
O sédum de outono, uma alegria para o jardineiro e os pequenos insetos...
O sédum de outono floresce tardiamente, daí o seu nome, entre agosto e outubro. O que é uma bênção para as últimas borboletas da estação e algumas abelhas no fim da sua vida. A variedade ‘Matrona’ possui uma floração elegante em cimas constituídas por uma miríade de pequenas flores cor-de-rosa em forma de estrela. A sua folhagem torna-se púrpura no outono e os caules secos podem ficar no lugar durante todo o inverno. É decorativo mas também útil para algumas aves que virão deliciar-se com as sementes. Os séduns apreciam os solos secos, soalheiros, até mesmo escaldantes, e são muito rústicos. A única coisa que temem é a humidade invernal.
Centranthus ruber, a planta perene que cresce em todo o lado…
A valeriana-vermelha (Centranthus ruber) possui uma magnífica floração vermelha de junho a outubro. As suas flores são muito nectaríferas e atraem muitas borboletas. Esta planta é praticamente infalível, pois cresce em todo o lado, mas com uma preferência por solos pobres e secos, e instala-se com sucesso assim que encontra um pequeno pedaço de terra nua num canteiro ou simplesmente uma fenda nas juntas de alvenaria. Espalha-se com tanta facilidade pelo jardim que pode até fazer pequenas escapadelas para a rua ou para os jardins dos vizinhos. Não é grande problema: a valeriana-vermelha é tão bela que ninguém lhe ficará a mal…
O Trovisco-macho, uma dura de roer
Formando por vezes tufos de mais de um metro de largura, a Euphorbia characias ou trovisco-macho é interessante por mais de um motivo. É muito resistente à seca, pode crescer em locais difíceis (num muro baixo, por exemplo) e apresenta uma folhagem verde-azulada persistente durante todo o ano. Verdadeira curiosidade botânica, este trovisco-macho presenteia-nos com uma “floração” amarelo-esverdeada muito agradável, que dura entre junho e setembro. O trovisco-macho fica particularmente bem valorizado na companhia de séduns, de sálvias-de-Jerusalém, de tomilho ou de alfazemas, para um canteiro de atmosfera mediterrânica.
Erigeron karvinskianus, um tapete de margaridas-dos-muros...
Erigeron karvinskianus, também chamada vergerette, bem merece a alcunha de «margarida-dos-muros». Assemelha-se um pouco a esta última pela sua floração, que se estende entre março e outubro, com uma pausa nos períodos de seca, retomando com ainda mais vigor com o regresso da chuva. Adapta-se aos solos mais secos e pobres. É autossemeadora e propaga-se também por rizoma, mas seria possível guardar-lhe rancor por isso? Esta simpática e pequena margarida-dos-muros nunca é intrusiva e enche de flores os cantos mais ingratos do jardim (escadas, velhos muros de pedra, entre as lajes…), onde nenhuma outra planta quereria instalar-se. De notar que a sua folhagem é persistente no inverno até -5 °C.
Festuca glauca, a festuca-azul...
A variedade ‘Elijah Blue’ é ainda mais resistente e possui uma maior longevidade do que a espécie-tipo. Esta gramínea aprecia solos pobres, é muito rústica e indiferente à seca. Apresenta pequenas touceiras de bela folhagem azul-aço, realçada por algumas espiguetas prateadas no final da primavera. É uma gramínea sem cuidados especiais que encontrará o seu lugar num jardim rochoso, num canteiro ensolarado, como cobertura vegetal, em bordadura, em vaso ou como alternativa a um relvado não pisado. A sua folhagem azulada produz um admirável contraste com as florações amarelas, como as da Achillea ‘Moonshine’, por exemplo.
Stipa tenuifolia, uma fonte de cabelos-de-anjo…
Esta gramínea tão encantadora dispensa apresentações. Stipa tenuifolia é também conhecida como “cabelos-de-anjo”, tal é a leveza da sua folhagem que oscila ao menor sopro de brisa. Tão à vontade num prado “selvagem” como num jardim formal e contemporâneo, é também uma das gramíneas mais resistentes: solos pobres, solos secos, frio, calor… Pouco importa para Stipa tenuifolia, esta gramínea desenvolve-se em belos tufos logo no ano seguinte, dançando com o vento e o sol. Pode também autossemear-se onde lhe apetece. No jardim, plante-a com outras perenes floridas e delicadas: verbena de Buenos Aires, gauras, ásteres, nielas-dos-trigos, penstémones, …
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