Resumo

Modificado 0,01  por Laurence 7 min.

Graças aos pigmentos contidos nas suas flores, folhas, raízes, bagas ou cascas, certas plantas permitem obter belas cores para fabricar as suas próprias tinturas naturais e pinturas vegetais. São as plantas tintureiras, cuja designação botânica «tinctoria» (do latim tinctorius, «que serve para tingir») revela bem a sua natureza.

Antes do advento dos corantes químicos, as plantas tintureiras fizeram a fama e a fortuna das nossas regiões. Entre as «Tinctoria» mais célebres, o vermelho da granza (Rubia tinctoria), o amarelo da erva-dos-tintureiros (Reseda luteola) ou ainda o azul do pastel-dos-tintureiros (Isatis tinctoria), que se tornou o azul dos reis de França.

Apresentamos uma seleção de plantas cheias de cor, comuns no jardim, e escolhidas pelas suas qualidades ornamentais tanto quanto pela riqueza dos seus pigmentos. Indicamos também três modos de preparação de uma tintura vegetal, para realizar em casa. As tonalidades obtidas são sempre únicas. É a sua vez de criar…

Dificuldade

Tons de amarelo & laranja

Os amarelos são relativamente fáceis de obter e as tonalidades conseguidas são muito numerosas, dos amarelos dourado-acobreados aos laranjas flamejantes.

O Açafrão (Crocus sativus) – Amarelo intenso a laranja

O açafrão é um bolbo perene com belas flores mauves (família das Iridáceas), cujos estigmas vermelhos são constituídos de açafrão e possuem um poder corante surpreendente: uma medida de açafrão cora de amarelo até 100 000 vezes o seu volume em água. O açafrão é também uma especiaria muito apreciada pelo seu aroma incomparável e pelas suas propriedades medicinais. Este belo bolbo de outono deve ser cultivado ao pleno sol, em solo bem drenado, mesmo calcário e seco no verão.

tinturaria vegetal

A Camomila-dos-tintureiros (Anthemis tinctoria) – Amarelo, amarelo-limão, amarelo-dourado, verde-oliva

A Anthemis tinctoria é uma planta perene herbácea (família das Asteráceas), da qual se extraem os pigmentos amarelo-dourado das suas flores secas. A camomila-dos-tintureiros forma belas tufas compactas, muito floríferas, compostas por pequenas margaridas amarelo-pálido com disco central amarelo-dourado. Como as outras variedades de Anthemis, não teme solos pedregosos, pobres e bem drenados, e desenvolve-se muito bem a pleno sol.

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A Urze comum (Calluna vulgaris) Amarelo-bronze

Todas as urzes comuns podem produzir belos pigmentos, em nuances muito variadas. A decoção de urze dá um muito belo amarelo dourado-acobreado, enquanto os rebentos jovens do início da primavera darão um tom mais oliváceo, amarelo-bronze. O queiró ou urze comum (família das Ericáceas) cobre-se de uma infinidade de pequenos sinos cor-de-rosa em agosto e setembro para animar as rochas, bordaduras de alamedas ou orlas de bosque. Adapta-se igualmente muito bem ao cultivo em vasos e em floreiras, onde formará belas composições sazonais.

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A Giesta-dos-tintureiros (Genista tinctoria)Amarelo

Os pigmentos presentes nas flores frescas da giesta-dos-tintureiros produzem diferentes tonalidades de amarelo, desde o amarelo vivo ao amarelo-dourado consoante a variedade utilizada. Este pequeno arbusto forma uma bela tufa lenhosa que floresce abundantemente em maio-junho. Solar e ligeiramente perfumada, a giesta-dos-tintureiros é soberba isolada, em bordadura ou em primeiro plano de um canteiro. Aprecia solos pobres, bem drenados e pleno sol, mas teme a humidade estagnada. Não esquecer que possui igualmente virtudes medicinais.

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O Hipericão (Hypericum)Amarelo-dourado, laranja e cobre

A tradição manda que se colha a «planta dos mil furos» na noite de São João, no solstício de verão. As suas flores produzem então um belíssimo amarelo-dourado ou, consoante a intensidade dos banhos, tons acobreados, avermelhados e alaranjados. Pouco exigente e de crescimento rápido, o hipericão (família das Hipericáceas) é uma planta perene ou um arbusto rústico que não teme o frio e se adapta a todos os tipos de solo. Pode ser cultivado no jardim pela sua luminosidade incomparável, ou em vaso, onde também se sentirá perfeitamente à vontade.

tinturaria vegetal

Nuances de vermelho

Muitas plantas fornecem belos vermelhos que ornamentam os jardins com as suas tonalidades profundas e luminosas. Deixe-se também surpreender pelas tintas vegetais vermelhas, extraídas de plantas … verdes!

O Cosmos-amarelo (Cosmos sulphureus) – vermelho

Da família das margaridas, os cosmos fazem sem dúvida parte das plantas anuais mais fáceis de cultivar. Das flores do cosmos-amarelo (com flores cor de laranja) extraem-se tintura e tinta vermelhas, enquanto o caule fornece tonalidades amarelas. Em vaso, em canteiro, em bordadura, os cosmos-amarelos despontam a partir do mês de junho e só desaparecem com as primeiras geadas. A sua longa floração atrairá abelhas e borboletas ao jardim.

tintas vegetais

A Dália (Dahlia) Cor de laranja a vermelho-alaranjado vivo

A flor da dália (família das Asteráceas) fornece um belo cor de laranja mais ou menos intenso consoante a força dos banhos de tintura. As tonalidades podem também variar entre o cor de laranja e o vermelho, passando pelo rosa, dependendo da cor das flores. Tal como os cosmos-amarelos ou os coreópsis, são as pétalas das flores que produzem as cores vegetais. Forma, altura, cor, … existe uma grande variedade desta planta tuberosa. Uma coisa é certa: seja qual for a dália que escolher, a sua floração renovar-se-á durante todo o verão, quer a cultive em plena terra ou em vaso.

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A Uva-de-neve (Symphoricarpos albus) – Castanho-avermelhado

Também conhecida como «árvore das pérolas», a uva-de-neve é um arbusto muito decorativo, frequentemente plantado em sebes. As suas flores estivais, discretas campainhas cor-de-rosa, transformam-se em bagas brancas muito ornamentais que persistem até ao mês de janeiro. Os seus taninos revelam-se por foto-oxidação (oxidação sob o efeito da luz) e conferem tons castanho-avermelhados. Esta bela planta favorece a biodiversidade no jardim, pois a sua floração é melífera e as suas bagas atraem insetos e aves!

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Tons de azul & violeta

Pervinca, ceanoto, agapanto, dentilária ou hortênsia, muitas flores azuis estão presentes no jardim, mas poucas possuem propriedades tintureiras. Encontram-se, no entanto, algumas, entre as quais….

O Pastel-dos-Tintureiros (Isatis tinctoria) – Azul

A mais célebre de todas, Isatis tinctoria, mais conhecida pelo nome de pastel-dos-tintureiros ou erva de Lauragais, é uma planta herbácea originária da Ásia central e oriental, bem como do sudeste da Europa. Não se deixe enganar pelas suas flores amarelas, mas sim pela sua folhagem, da qual se extrai o pigmento azul chamado índigo. É aliás a única planta europeia a fornecer naturalmente este pigmento, mesmo que a extração da sua cor exija longas etapas complexas. O Isatis conquistou as grandes cortes da Europa. Cor da nobreza, o azul e as suas múltiplas tonalidades foram também utilizados por pintores e decoradores. Em França, enriqueceu o Sudoeste, em particular em Albi e Toulouse.

O Isatis é uma bela planta ornamental que se integra bem nos canteiros de flores e serve para confecionar ramos de flores revigorantes. Pode ser utilizada na horta como a mostarda, pois as suas flores e folhas consomem-se em salada. Aprecia as zonas abertas, ensolaradas e bem drenadas. Repleta de recursos, o Isatis é também uma planta medicinal ancestral, reconhecida pelas suas virtudes dermatológicas e nomeadamente cicatrizantes. Um pequeno apontamento sobre o grego «Isado», que significa «Curar»!

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O Abrunheiro (Prunus spinosa) – Azul

As raízes do abrunheiro dão um belo azul ardósia. Ao misturar raízes e bagas, obtém-se um azul colorido. A partir das abrunhas maduras, colhidas em outubro, pode também extrair-se um bonito rosa, embora frágil à lavagem. Este grande arbusto ou pequena árvore caduca espinhosa com porte arbustivo é familiar nas nossas paisagens, que pontua na primavera com uma soberba floração branca. Bem conhecido pelos seus frutos negros e comestíveis, as abrunhas procuradas pelas aves, tem todo o seu lugar numa sebe campestre e defensiva. Perfeitamente rústico, realmente robusto e resistente, aprecia solos argilo-calcários bastante férteis e cresce em todo o lado, sem cuidados nem manutenção, mesmo em solo seco.

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Os Fidalguinhos (Centaurea cyanus) – Azul

Esta centáurea, também chamada fidalguinhos, é uma planta perene que se semeia na primavera, diretamente no local definitivo, em todo o tipo de terra. Ao lado das papoulas e das gramíneas, confere um charme ligeiramente retrô aos jardins naturalistas. O azul profundo e luminoso das suas flores serviu durante muito tempo para iluminuras. A centáurea floresce de junho a agosto.

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A Malva-Real (Alcea rosea «nigra»)Violeta, azul violáceo

Belas nuances de violeta a azul violáceo podem ser extraídas das pétalas da malva-real púrpura. Esta planta perene (família das Malvaceae) ou bienal é um elemento incontornável dos jardins campestres, onde floresce ao longo das paredes, ao abrigo do vento. As suas espigas florais, que podem atingir mais de 2 metros, estruturam o jardim e conferem-lhe um charme todo especial! As malvas-reais apresentam-se numa vasta gama de cores, desde o branco ao púrpura quase negro, passando pelo rosa empoado, o amarelo-creme, o cor-de-laranja e o vermelho. Não só tintorial, a malva-real é também uma planta comestível: os seus botões florais e folhas degustam-se crus ou cozidos, em salada.

plantas tintureiras

E o verde então?

A tintura verde pode ser obtida misturando os azuis e os amarelos. Também é possível extrair belos tons verdes a partir de decocção de folhas de feto, de sabugueiro ou ainda de figueira.

Agora é a sua vez!

A infusão, a decocção ou ainda a maceração permitem obter com relativa facilidade um banho colorido que servirá para tingir os seus suportes. Quanto maior for a concentração em vegetais, mais intensa é a cor. As nuances obtidas são sempre únicas!

Independentemente do método escolhido, o suporte a tingir deverá ser preparado de modo a fixar bem a cor. Esta etapa, denominada mordentagem, pode ser realizada com três mordentes diferentes: o alúmen, o sulfato de cobre, o sulfato de ferro.

À descoberta das plantas tintureiras

Se pretende explorar as cores das suas plantas tintureiras e criar os seus próprios tingimentos vegetais naturais, aqui encontra ao mesmo tempo um caderno de receitas e um caderno de inspiração: Teintures végétales, pelas Éditions Eyrolles. A sua autora, Aurélia Wolff, mistura folhas, raízes, cascas ou flores para criar paletas de cores que explora em diferentes materiais: meadas de lã, fios de tecelagem ou de tricot, tecidos biológicos ou tecidos reciclados, linho cultivado e fabricado em França. Artesã antes de mais, partilha neste livro o fruto da sua experiência em tinturaria natural e a sua abordagem respeitosa do ambiente.

E para os mais apaixonados, o Jardin Conservatoire des plantes tinctoriales de Lauris, situado no coração do Parque Regional do Lubéron, abre as suas portas e os seus jardins de início de maio a fim de outubro. Situado nos terraços do castelo, este local único na Europa cultiva cerca de 250 espécies de plantas tintureiras. Propõe um percurso ao mesmo tempo lúdico e pedagógico, que sensibiliza igualmente para a proteção do ambiente e o respeito pela biodiversidade. É gerido pela associação Couleur Garance.

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