Resumo
Numa altura em que os recursos hídricos são cada vez mais escassos e as temperaturas cada vez mais elevadas, o risco de seca regressa todos os anos ao território francês, mas também a todo o mundo. Assim, nos últimos dez anos, registaram-se seis anos de seca.
Embora, até agora, estes recursos hídricos tenham sido relativamente suficientes para dar resposta às necessidades de todos, é preciso reconhecer esta evidência: «o ouro azul» é hoje muito cobiçado e, sobretudo, está mal distribuído pela Terra. Num planeta coberto, na sua maioria, por água, por que razão é tão preciosa? Explica-se porquê e apresentam-se algumas sugestões para continuar a jardinar, preservando-a.
Porque é que os recursos hídricos não são inesgotáveis?
Ao observar o nosso planeta, a primeira coisa que vem à mente é o seu estatuto de «planeta azul», coberto por 70 % de água. Poder-se-ia, portanto, pensar que esta é um recurso ilimitado. No entanto, sabe-se que nada se perde, nada se cria e tudo se transforma: a água muda de estado ao longo do seu ciclo, passando do estado gasoso ao estado líquido ou ao estado sólido, mas a sua quantidade mantém-se inalterada há três mil milhões de anos, desde o seu aparecimento na Terra. Por conseguinte, todos os seres humanos, mas também todos os seres vivos presentes na Terra, partilham a mesma quantidade de água disponível desde então!
E, na sua grande maioria — cerca de 97 % —, esta água é salgada. A água doce representa apenas 2,5 % da quantidade total de água, e dois terços dessa água doce encontram-se sob a forma de gelo ou no subsolo. Por outras palavras: apenas 0,3 % da água presente na Terra é utilizável pela Humanidade e estima-se que 600 milhões de pessoas em todo o mundo não tenham acesso a água potável.
Com efeito, se os recursos se mantêm os mesmos, a população mundial não para de aumentar e, com ela, aumentam também as necessidades de água. Além disso, os nossos modos de vida levam-nos a consumir cada vez mais: por exemplo, na Europa, a nossa geração consome 8 vezes mais água do que a dos nossos avós. Ora, os nossos recursos estão a evoluir ao mesmo tempo, devido à má gestão do sistema hidráulico, ao desperdício ou ainda à poluição.

Menos de 0,5% da água presente na Terra é água doce que pode ser utilizada para as nossas necessidades cada vez maiores
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A rega do jardim: como fazer?É possível fazer jardinagem com menos necessidades de água
O consumo excessivo por parte de quem tem acesso à água, bem como a poluição, agrava os perigos de escassez que ameaçam este recurso. Surgem constantemente novas zonas de seca, demonstrando que, hoje, a água doce é cada vez mais escassa. Se, quando se pratica jardinagem, se considerar a água simultaneamente inestimável e naturalmente acessível, percebe-se, ao tomar consciência destes dados, que desperdiçá-la para florir os nossos terrenos e satisfazer o desejo de ter espaços verdes é bastante egoísta.
Será, por isso, necessário deixar de jardinar perante as vagas de calor e a escassez cada vez mais ameaçadora? Não, pois existem soluções que devem ser implementadas assim que possível! A natureza previu tudo (bem, quase…) e a variedade de plantas resistentes à seca é rica e vasta.

As plantas pouco exigentes em água permitem criar belos espaços exteriores, poupando ao mesmo tempo o «ouro azul»!
Como poupar água no jardim?
- Em primeiro lugar, desde a plantação, dê prioridade às plantas resistentes à seca: muitas plantas não são demasiado afetadas por eventuais períodos de seca. Árvores e arbustos, plantas perenes e até plantas anuais ou hortícolas! Consulte os nossos artigos e informe-se no nosso site para fazer a escolha mais adequada aquando das suas futuras plantações. As plantas de cobertura e as plantações densas evitam deixar o solo descoberto e permitem-lhe conservar melhor a humidade;
- Em seguida, adapte as técnicas de rega às necessidades: é contraproducente regar os canteiros já estabelecidos por aspersão, diretamente sobre a folhagem! É igualmente inútil, e até proibido durante os períodos de restrições, regar a relva. A rega gota-a-gota, as mangueiras porosas, as oyas… permitem regas localizadas e otimizadas. Os programadores permitem iniciar a rega durante a noite, de acordo com diferentes zonas. Também no jardim, não se deve esquecer de vigiar e detetar eventuais fugas;
- Armazene o máximo possível de água da chuva, em todos os recipientes disponíveis, para depois utilizá-la adequadamente. A técnica das valas de infiltração, também chamadas swales, pode igualmente ser muito eficaz em determinados terrenos;
- Cubra e enriqueça o solo com matéria orgânica (composto…) para o tornar mais vivo e permitir-lhe armazenar melhor a água. A binagem permite, por sua vez, tornar a terra mais permeável à água. Assim, as plantas são irrigadas de forma mais eficaz depois de uma rega ou de uma chuva;
- As bacias de rega, com dimensões adequadas, permitem regas bem localizadas junto à base das plantas;
- Não se esqueça de recolher e utilizar no jardim as águas de cozedura, da lavagem da fruta e dos legumes e a água que se deixa correr antes de tomar um duche, enquanto se espera que aqueça. Alguns baldes e alguidares serão suficientes;
- Evite limpar o mobiliário de jardim e o terraço com demasiada frequência e com grandes quantidades de água.

Ao somarmos todas as soluções existentes para recolher e preservar a água, podemos continuar a jardinar… com moderação
Descubra em pormenor as nossas melhores dicas para poupar água no jardim neste artigo dedicado.
Para saber mais...
→ O site Info seca permite aceder facilmente aos dados públicos sobre a seca, tratando diariamente mais de 30 000 indicadores relativos ao território francês, como a precipitação, o nível dos cursos de água e das águas subterrâneas. Estes dados são apresentados em mapas por departamento.
→ Pode consultar aqui o mapa de França com as restrições ao uso da água
→ Se pretender saber mais sobre os recursos hídricos disponíveis, consulte também este artigo do Centro de Informação sobre a Água
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