Resumo
As coníferas foram durante muito tempo apreciadas para formar sebes opacas ou corta-vento monoespecíficas eficazes. É preciso dizer que a sua folhagem persistente e densa, o seu hábito esbelto, o seu crescimento rápido e a sua resistência a condições difíceis contribuíram para o seu sucesso. Hoje em dia, prefere-se muitas vezes as sebes livres, constituídas por várias espécies de arbustos, ideais para manter alguma biodiversidade no jardim. Entre outras causas, esta perda de popularidade deve-se certamente ao acastanhamento frequente da folhagem, que adquire uma tonalidade amarelo-alaranjada antes de secar. Uma tuia ou um abeto que fica castanho continua a ser motivo de preocupação para muitos jardineiros…
Procure compreender este fenómeno e conheça os tratamentos contra o acastanhamento das coníferas para agir rapidamente e manter a vitalidade das suas tuias e de outros ciprestes.
Os sinais que não enganam
Antes de analisar as causas de um acastanhamento, talvez seja útil fazer um levantamento dos pequenos sintomas que não devem ser ignorados:
- Algumas extremidades dos ramos começam a ficar castanhas e a secar. O acastanhamento progride frequentemente em direção ao interior
- Uma conífera que amarelece, cujas agulhas passam do verde ao amarelo e depois ao laranja antes de caírem
- A folhagem muda de aspeto de forma uniforme, por manchas ou apenas de um lado
- Uma progressão rápida do acastanhamento ao longo de alguns meses ou semanas
- A presença de cancros, lesões, bolores, fungos…
Todos estes indícios devem não só servir de alerta, como também permitir estabelecer um diagnóstico. Mas é importante não reagir de forma exagerada. Assim, alguns fenómenos de acastanhamento são normais, sobretudo quando são temporários. Por exemplo, se apenas as agulhas interiores mudarem de cor, isso está frequentemente relacionado com um stress passageiro. Do mesmo modo, um acastanhamento limitado às extremidades, sem progressão, não é grave. Se o acastanhamento for unilateral ou diretamente causado por condições meteorológicas específicas, aguarde também algum tempo.
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O acastanhamento das coníferas explica-se por múltiplas causas. É essencial distingui-las para encontrar as soluções mais adequadas.
O stress hídrico
Este stress hídrico pode estar relacionado com a falta de água, por exemplo no verão, durante períodos de seca ou de canícula. A conífera não consegue captar água suficiente para compensar a sua transpiração. As agulhas exteriores são as primeiras a sofrer. Assim, o facto de as agulhas inferiores de um abeto ficarem castanhas, como no caso do ‘Abies nordmanniana, antes de secarem e caírem, é um sinal de falta de água. Nas tuias (Thuja occidentalis), são as folhas exteriores, expostas ao sol, que ficam queimadas.
Inversamente, o acastanhamento pode ser provocado por um excesso de água, essencialmente devido a uma drenagem deficiente do solo. As raízes permanecem num solo saturado de água, ficam privadas de oxigénio e apodrecem, o que pode provocar a alteração da cor da folhagem.
Problemas relacionados com o solo ou com carências nutritivas
- Um solo demasiado compacto e pesado, demasiado argiloso, impede o escoamento da água e as trocas gasosas
- Um solo pobre em nutrientes essenciais, como o magnésio, o ferro, o fósforo…
- Um pH inadequado: algumas espécies de coníferas não toleram um solo demasiado calcário ou demasiado ácido, o que impede a disponibilidade dos nutrientes e provoca carências.
As doenças criptogâmicas
Quando a humidade é intensa e persistente, quando o solo é mal drenado e quando as chuvas são recorrentes, podem desenvolver-se fungos e provocar o acastanhamento da folhagem.
- O Phytophthora cinnamomi, que provoca o enfraquecimento da planta ao atacar as raízes, é uma causa importante dos acastanhamentos nas tuias
- Outros fungos patogénicos, como Pestalotiopsis, Phomopsis e Kabatina na tuia, a doença das manchas foliares, a ferrugem e o cancro do cipreste terão efeitos prejudiciais sobre as folhagens.
A presença de pragas
Muitos parasitas podem atacar a folhagem das coníferas:
- Ácaros, como os aranhiços vermelhos, desenvolvem-se frequentemente em condições de calor seco. A doença da tuia provocada pelos aranhiços vermelhos pode enfraquecer rapidamente a folhagem.
- Insetos xilófagos ou perfuradores, como o bupreste da tuia ou o escolítido, instalam-se na forma larvar sob a casca e perturbam o fluxo da seiva
- As cochinilhas e os pulgões sugam a seiva e provocam o enfraquecimento das coníferas.

O acastanhamento de uma conífera ocorre por vezes em manchas
As condições climáticas ou ambientais
Condições climáticas desfavoráveis também podem estar na origem deste acastanhamento. Algumas coníferas, mesmo rústicas, podem sofrer queimaduras na folhagem devido à ação de um vento gélido ou do frio seco, se as raízes não estiverem bem protegidas. Uma radiação solar intensa pode queimar as agulhas. As geadas tardias de primavera podem afetar as agulhas jovens recém-formadas.
Práticas humanas inadequadas
Por vezes, é o jardineiro quem é indiretamente responsável por esta fragilidade da folhagem:
- Uma poda demasiado severa ou realizada na altura errada enfraquece uma conífera e deixa feridas propícias a infeções
- Uma plantação inadequada devido ao espaçamento, à orientação incorreta ou a um solo totalmente inadequado
- A escolha de uma espécie inadequada ao clima ou ao solo local. Algumas espécies de coníferas são mais tolerantes
- A poluição, a maresia ou o sal utilizado para derreter a neve podem danificar as agulhas.
O envelhecimento natural
- Algumas agulhas, mais velhas, ficam castanhas e caem naturalmente. Não é grave se o fenómeno permanecer moderado
- Depois de uma mudança de vaso ou de um transplante, um exemplar pode perder parte das agulhas enquanto readapta o seu sistema radicular
- No inverno, mesmo sem doença, pode ocorrer naturalmente algum acastanhamento.
A sua conífera ou o seu abeto está a ficar castanho: o que fazer?
Quando os sintomas já são visíveis, continua a ser possível agir. O sucesso depende da fase em que se intervém.
A remoção das partes afetadas
Pode começar-se por cortar os ramos acastanhados ou doentes até à madeira sã. Para esta poda drástica, é indispensável utilizar ferramentas desinfetadas, para não propagar os fungos. As partes afetadas deverão ser levadas para o ecocentro. Por vezes, basta remover as agulhas caídas ou apodrecidas em redor da base para limitar os focos de esporos.
A correção do solo
- É necessário melhorar a drenagem se o solo retiver demasiada água, através da incorporação de areia ou cascalho
- Podem aplicar-se corretivos orgânicos, como composto ou estrume, para melhorar a estrutura e a capacidade nutritiva do solo
- Se for identificada uma carência nutritiva, é essencial utilizar corretivos, por exemplo, sulfato de magnésio (sais de Epsom) em caso de carência de magnésio
O tratamento contra as doenças
Para tratar as doenças criptogâmicas, podem utilizar-se produtos biológicos e naturais, como a decocção de cavalinha ou o chorume de urtiga, ou ainda a calda bordalesa, que deve ser pulverizada sem excessos, para não impregnar o solo de cobre.
O combate aos parasitas
Tal como acontece com todos os outros vegetais infestados por afídeos, cochinilhas ou ainda aranhiços vermelhos, os tratamentos à base de sabão são bastante eficazes. O caso das larvas xilófagas de lepidópteros ou coleópteros é mais complicado, pois estas já penetraram na madeira das coníferas. É essencial inspecionar a casca à procura de orifícios ou lesões.
A manutenção regular
Devem realizar-se sem demora cuidados complementares e regulares:
- Uma rega regular, mas sem água estagnada. É necessário garantir que o substrato se mantém húmido, mas não encharcado
- Pode instalar-se uma cobertura morta, mas esta deve ser gerida. Com efeito, algumas coberturas mortas podem favorecer o desenvolvimento de fungos se retiverem demasiada humidade junto ao tronco
- A melhoria das condições de luz, se existir sombra excessiva ou concorrência das raízes próximas de outros vegetais.

O acastanhamento das coníferas pode dever-se a calor excessivo ou a um período de seca
A substituição da conífera
Se um exemplar estiver demasiado afetado, poderá ser necessário resignar-se a abatê-lo para evitar a propagação.
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9 coníferas resistentes ao ventoAs nossas medidas contra o acastanhamento das coníferas
Para limitar o risco de acastanhamento, é possível aplicar algumas medidas de prevenção:
- Selecionar a espécie adequada, informando-se cuidadosamente sobre as suas exigências relativamente ao solo, ao clima e à rusticidade… Assim, deve evitar-se plantar abetos ou píceas em zonas sujeitas a ventos fortes e secos, sem proteção natural. No caso da tuia, alguma sombra durante a tarde pode ser benéfica nas regiões muito quentes. O cipreste aprecia geralmente o pleno sol, mas necessita de um solo profundo e bem drenado
- Escolher um solo adequado, bem drenado, ou melhorar a drenagem, se necessário, acrescentando areia ou cascalho
- Evitar situações demasiado expostas a ventos secos
- Prever espaço suficiente para favorecer a circulação do ar, sobretudo numa sebe
- Cuidar da plantação, soltando o solo, enriquecendo-o se necessário e regando abundantemente
- Manter regularmente as coníferas (rega, aplicação de adubo ou de matéria orgânica, poda adequada, de preferência ligeira, na primavera ou no final do verão
- Desinfetar bem as ferramentas de poda e de manutenção das coníferas
- Vigiar regularmente a casca, os rebentos jovens, o sistema radicular… ou os primeiros sintomas de ataque de pragas
- Instalar uma proteção para o inverno nas regiões mais frias.
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