Resumo
Guano, sangue seco, chifre moído — por detrás destes nomes assustadores e pouco tranquilizadores escondem-se três adubos orgânicos naturais provenientes de matérias de origem animal ou vegetal. Na horta biológica como no jardim, permitem, de forma ecológica, fertilizar e apoiar o crescimento, a floração e a frutificação das plantas sem impactar o ambiente. Por vezes é difícil orientar-se entre os diferentes tipos de adubos, sobretudo quando têm designações tão estranhas! De que se trata exatamente? Descubramos as vantagens dos adubos naturais, quando e como utilizá-los corretamente.
Um adubo natural, o que é? Como funciona?
Os adubos naturais ou orgânicos, chifre moído, sangue seco, guano marinho, por oposição aos adubos químicos, são provenientes de matérias naturais de origem animal ou vegetal (farinha de penas, pó de ossos de aves marinhas ou de espinhas de peixe, resíduos de matadouros de aves, vacas ou porcos). Estas matérias orgânicas são recicladas e passam por uma fase de decomposição antes de serem assimiláveis pelas plantas. Uma vez transformadas, compõem adubos ricos em minerais, nomeadamente azoto, útil para o desenvolvimento das folhas e dos caules, potássio, necessário à floração e ao desenvolvimento dos frutos, e fósforo, que reforça a resistência das plantas e contribui para o desenvolvimento das raízes.
Não apresentam qualquer perigo para os vegetais. Ao contrário dos corretivos do solo naturais, como o composto e o estrume, não melhoram a estrutura do solo, mas alimentam-no de forma duradoura com matérias orgânicas que se decompõem lentamente. Ao contrário dos adubos naturais, que possuem um efeito fertilizante rápido.
Consoante o tipo, os adubos naturais atuarão em alguns meses ou em algumas semanas sobre o crescimento das plantas, alguns aliam mesmo a ação rápida à ação de longa duração. Estes últimos utilizam-se como alternativa ou como complemento aos corretivos do solo, a incorporar no momento da plantação, ou por simples raspagem ao pé das plantas já estabelecidas. Estes adubos permitem uma fertilização suave, utilizável em agricultura biológica, e não queimam as raízes das plantas.
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Os adubos orgânicos apresentam numerosas vantagens, pois:
- nutrem as plantas fornecendo-lhes diferentes elementos nutritivos por mineralização progressiva, ao decomporem-se de forma mais ou menos rápida no solo sob a ação dos micro-organismos (bactérias, fungos, insetos…),
- permitem às plantas absorverem os elementos nutritivos à medida das suas necessidades,
- estimulam o crescimento das plantas e melhoram o equilíbrio mineral do solo,
- favorecem a vida micro-orgânica, tornando assim o solo mais vivo,
- libertam no solo principalmente azoto, fósforo e potássio em quantidades variáveis, mas sempre controladas e sem riscos de sobredosagem,
- preservam melhor o ambiente do que os adubos químicos de síntese.
Qual adubo natural escolher?
Entre os principais adubos orgânicos encontram-se: o chifre moído, o sangue seco e o guano. A escolha do adubo natural é feita em função de vários critérios, nomeadamente o efeito pretendido, de libertação lenta e progressiva ou para um efeito rápido de “impulso imediato”.
O chifre moído
É um adubo orgânico obtido pela trituração de chifres, unhas ou cascos de bovinos. Muito rico em azoto (13%), o chifre moído degrada-se muito lentamente no solo e permite uma fertilização progressiva adaptada a todas as culturas. É o que se designa por adubo de libertação lenta. É uma excelente fertilização de fundo, duradoura no tempo.
Quando e como utilizar?
Utiliza-se na primavera ou no outono, de fevereiro a abril e de outubro a dezembro. É muito útil na preparação do solo e dos canteiros no outono, na altura do transplante, ou em manutenção por simples espalhamento e raspagem ao pé das plantas, mudas de horta e aromáticas, árvores, arbustos e no relvado.
Dosagem:
Na preparação do solo: espalhar 60 g/m² antes da cava. Uma mão-cheia = 30 gramas — De 300 g a 500 g por árvore na plantação — 100 a 150 g/m² para a manutenção da horta, das plantas com flores, arbustos e na criação de um relvado.
O sangue dessecado ou sangue seco
Apresenta-se sob a forma de pó ou de grânulos prontos a usar, de cor castanho-escuro, 100% de origem animal, proveniente de sangue de aves. À semelhança do chifre moído, é particularmente rico em azoto (14% de azoto), contém igualmente ferro, mas a sua difusão no solo é mais rápida; é um adubo de efeito imediato, cujos resultados são visíveis em 3 a 4 dias. A sua ação é rápida mas duradoura. O sangue seco estimula o crescimento das plantas, o desenvolvimento e a cor das folhas, que intensifica, e apoia as florações. Possui um efeito reverdecedor.
O sangue dessecado é, portanto, particularmente recomendado para fertilizar os legumes de folha e as aromáticas da horta, todas as plantas com flores, anuais ou perenes, ou para estimular o arranque vegetativo das roseiras e arbustos débeis no jardim ornamental. Faz maravilhas na primavera para reverdificar o relvado de forma espetacular! É também um aliado precioso em solos muito pobres, pois favorece igualmente a atividade biológica do solo e o desenvolvimento de micro-organismos benéficos. A sua ação será mais curta do que a do chifre moído, mas é muito complementar.
Quando e como utilizar?
Utiliza-se preferencialmente na primavera, antes do reinício da vegetação, para estimular o crescimento. É utilizável em agricultura biológica e não representa risco de queimadura nas raízes das plantas.
Utiliza-se em mistura com a terra no momento da plantação, ou por simples raspagem ao pé das plantas já estabelecidas.
Dosagem:
Na plantação: 51 a 200 g por planta/superfície consoante o seu tamanho. (1 mão-cheia = 50 g)
Em manutenção: horta, roseiras, flores: 75 g/m². Árvores, arbustos, sebes: 125 g/m². Relvado: após a tosa, 50 g/m².
O guano marinho
Este adubo natural provém de matérias orgânicas resultantes da acumulação e do envelhecimento natural de excrementos e cadáveres de aves marinhas. Inodoro, é sem dúvida o mais rápido dos adubos naturais. Muito completo, o guano é rico em azoto (12%), fósforo, potássio e também em oligoelementos. À semelhança do sangue seco, trata-se de um adubo de efeito imediato, com uma ação rápida que liberta muito rapidamente os seus nutrientes no solo. Possui naturalmente um efeito estimulador no início da vegetação. Permite estimular de forma natural o crescimento das plantas hortícolas, dos arbustos ornamentais e das plantas com flores (anuais e bienais). Regula igualmente o equilíbrio mineral do solo.
Quando e como utilizar?
Utiliza-se na primavera, essencialmente de março a maio, ou em manutenção de março a outubro, em mistura com a terra de jardim na plantação, ou em espalhamento durante o período de vegetação.
Dosagem:
Conte 1 a 2 mãos-cheias/m² (cerca de 50 g) e incorpore o guano cavando o solo.
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