Resumo
Um verão seco coloca as árvores e os arbustos à prova. Mesmo as plantas bem estabelecidas podem mostrar sinais de cansaço após várias semanas de calor e falta de água: folhagem amarelada ou queimada, crescimento interrompido, queda prematura das folhas ou ramos secos. Embora estas reações possam parecer impressionantes do ponto de vista do jardineiro, são frequentemente mecanismos de sobrevivência destinados a limitar as perdas de água da planta.
No fim do verão e no outono, com o regresso de temperaturas mais amenas e, por vezes, das primeiras chuvas, o jardim entra numa fase favorável à recuperação. É a altura ideal para dar um impulso às suas árvores e arbustos, ajudando-os a recomeçar com o pé direito (ou com a raiz certa) e a prepará-los para enfrentar o inverno em boas condições.
A minha árvore ou o meu arbusto sofreu realmente com a seca?
Avaliar os danos
Antes de qualquer intervenção, dedique algum tempo a observar as suas plantações. Uma folhagem baça, folhas que amarelecem e depois caem prematuramente, ramos que parecem secos: são sinais clássicos de stress hídrico. Não há motivo para alarme, pois algumas espécies perdem naturalmente parte da folhagem no verão para limitar a evaporação, enquanto outras conservam um aspeto quase normal apesar de uma falta de água significativa. Nem todas as plantas reagem da mesma forma.
Aproveite também esta inspeção para detetar eventuais ataques de pragas ou doenças. Uma planta enfraquecida torna-se mais sensível aos parasitas e aos fungos oportunistas.

Remover a madeira morta
Pode remover apenas a madeira morta e os ramos partidos. No entanto, adie a poda para mais tarde, no outono ou no final do inverno, para não enfraquecer ainda mais a árvore ou o arbusto.
Para saber se um ramo ainda está vivo, existe um teste muito simples: raspe ligeiramente a casca com a unha.
→ Se surgir uma zona verde por baixo, a seiva continua a circular e o ramo está vivo.
→ Se for castanho ou enegrecido, essa parte do ramo está morta e poderá ser removida mais tarde.
Outra indicação: dobre suavemente um ramo jovem. Se continuar flexível, está tudo bem. Se se partir de forma limpa, está seco.
Olivier explica tudo isto num vídeo:
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- Prefira uma rega abundante e espaçada, em vez de muitas regas superficiais, o que fará com que a árvore desenvolva raízes em profundidade e não à superfície.
- Conte com cerca de 5 a 10 litros de água junto à base de uma árvore jovem ou de um arbusto de grande porte, vertidos lentamente para dar tempo à água de penetrar em profundidade, devendo repetir a rega 1 a 2 vezes por semana, consoante a natureza do solo: um solo drenante e pobre retém menos água do que um solo pesado.
- Tenha também em conta a natureza da planta: as árvores e os arbustos jovens, cujo sistema radicular ainda está pouco desenvolvido, permanecem mais sensíveis à falta de água e necessitam de regas mais regulares do que os exemplares bem instalados. Do mesmo modo, algumas variedades resistem melhor à falta de água do que outras.
- Regue sempre de manhã cedo ou ao fim do dia, nunca durante o dia, sob o sol.
- Prefira utilizar água da chuva, menos calcária do que a água da torneira.

Binar para arejar e hidratar bem o solo
Após várias semanas de seca, a terra compacta-se e forma uma crosta que impede a água de se infiltrar corretamente. Além disso, o solo ressequido torna-se frequentemente hidrófobo: a água escorre à superfície sem chegar às raízes. Uma simples binagem, realizada depois de uma chuva ou de uma rega, permite quebrar esta crosta e facilitar o acesso das raízes à humidade. Não hesite também em formar uma bacia de rega com a terra.
Instalar ou renovar uma cobertura morta
A cobertura morta continua a ser uma das melhores aliadas para ajudar as árvores e os arbustos a recuperar. Limita a evaporação da água e mantém uma temperatura mais estável ao nível das raízes, além de melhorar gradualmente a estrutura do solo à medida que se decompõe.
Espalhe uma camada de 5 a 10 cm de cobertura morta orgânica, como aparas de madeira, BRF, folhas secas ou casca, deixando alguns centímetros livres em redor do tronco para evitar o excesso de humidade no colo.

Alimentar o solo em vez da planta
Depois de um verão difícil, aplique composto bem decomposto ou um corretivo orgânico no final do verão ou no início do outono. Espalhe-o junto à base da planta, sob a cobertura morta. Revolva ligeiramente o solo para o incorporar à superfície antes de voltar a colocar a cobertura morta.
Ao decompor-se progressivamente, alimenta os micro-organismos, melhora a estrutura do solo e aumenta a sua capacidade de reter água. Um solo vivo favorece assim o desenvolvimento das raízes e ajuda naturalmente as plantas a recuperar o seu vigor. Poderá renovar esta aplicação no início da primavera.
Evite os adubos ricos em azoto: estimulariam a produção de rebentos jovens e tenros, mais sensíveis ao frio, que não teriam tempo de se fortalecer antes do inverno.
Resistir à tentação de substituir demasiado depressa
Um arbusto que parece muito danificado no final do verão não está necessariamente perdido. Algumas espécies demoram várias semanas, ou até vários meses, a reconstituir a folhagem ou a produzir novos gomos.
Enquanto houver verde sob a casca, nada está perdido! Nesse caso, é preferível esperar pela primavera seguinte antes de concluir que um exemplar desapareceu definitivamente. Esta paciência evita arrancar plantas capazes de voltar a brotar graças às suas reservas ou às suas raízes ainda vivas.
Por outro lado, se a madeira estiver completamente seca e as raízes estiverem mortas, nesse caso pode substituir a planta sem qualquer remorso.

Antecipar os próximos verões secos
Ajudar as suas árvores e arbustos a recuperar hoje é importante. Prepará-los para resistirem melhor amanhã é ainda mais importante. Alguns gestos simples permitem limitar os danos durante as próximas ondas de calor:
- Escolher plantas adaptadas ao seu solo e ao seu clima, em vez de apostar apenas em plantas conhecidas por serem «resistentes à seca». A nossa ferramenta Plantfit ajuda precisamente a selecionar as plantas mais bem adaptadas ao seu jardim.
- Nunca deixar o solo a descoberto: uma cobertura morta permanente ou plantações densas limitam a evaporação ao longo de todo o ano.
- Regar em profundidade e com pouca frequência, em vez de superficialmente e com frequência, para habituar as raízes a procurar água em profundidade. No entanto, é necessário ter atenção às plantas jovens, que exigem vigilância durante os dois primeiros verões.
- Criar sombra com árvores, arbustos grandes ou telas de sombra, para proteger as plantas mais jovens ou mais sensíveis.
- Adaptar gradualmente o jardim, tendo em conta as alterações climáticas: substituir progressivamente as plantas mais sensíveis por espécies mais bem adaptadas aos períodos de seca e diversificar as plantações para reforçar a resiliência do jardim.
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