As faias, os carvalhos, mas também os carpinos e os castanheiros perdem já as folhas no verão, muito antes da chegada do outono, em agosto, mas por vezes logo a partir de meados de julho. Este fenómeno invulgar dá às florestas um aspeto de outono precoce… e aos nossos jardins, uma aparência prematuramente outonal, onde um tapete de folhas mortas já cobre o solo. Ondas de calor, um défice hídrico importante e um solo sedento fragilizaram estas árvores, levando-as à queda prematura da folhagem. Sintoma visível do stress hídrico e das alterações climáticas, observa-se agora um acastanhamento todos os verões, com uma intensidade cada vez maior. Quais são as espécies mais sensíveis? Folhas queimadas pelo sol nas árvores, amarelecimento das folhas no verão: será que este acastanhamento precoce significa a morte da árvore? E, sobretudo, o que se pode fazer para atenuar estes efeitos? Explica-se tudo.
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Por que razão as folhas das árvores amarelecem muito antes do outono?
O início do verão não poupou a vegetação. Em muitas regiões, as árvores começaram a perder as folhas muito antes do tempo. Este fenómeno não está relacionado com uma estação antecipada, mas sim com um stress fisiológico provocado por condições climáticas extremas.
No verão, a folhagem deveria normalmente apresentar um verde intenso, alimentada pela clorofila, que capta a energia solar e permite à árvore produzir as suas reservas através da fotossíntese. Mas a multiplicação das ondas de calor, combinada com solos cada vez mais secos, perturba profundamente este ciclo.

Os números são claros: no período de 2021-2023, estima-se que 8 % das árvores das florestas francesas (vivas ou mortas em pé há menos de cinco anos) apresentavam alterações fisiológicas — ou seja, 186 milhões de árvores num total de 2 270 milhões. Não se trata de um incidente isolado: o IGN (Instituto Nacional de Informação Geográfica e Florestal) assinala também um aumento de 54 % da mortalidade das árvores entre 2012 e 2022.
E isto é apenas o início. Segundo as projeções, até 2050, as secas estivais durarão em média entre dois e quatro meses, contra os atuais dois meses, afetando os solos durante mais tempo. Se o aquecimento prosseguir, algumas regiões poderão registar até mais 39 dias de seca por ano e, no sul, os solos poderão permanecer secos durante sete ou oito meses consecutivos.
Em França, as espécies autóctones, adaptadas há milénios a um clima temperado, têm dificuldade em acompanhar o ritmo destas alterações. Algumas adaptam-se parcialmente, enquanto outras apresentam sinais claros de esgotamento.
A falta de água, combinada com temperaturas muito elevadas, leva as árvores a fechar os estomas para limitar as perdas de água. Este reflexo de sobrevivência bloqueia a fotossíntese e provoca uma perda rápida de vigor. As folhas, privadas de água e nutrientes, ficam castanhas, secam e caem. O fenómeno das folhas que amarelecem no verão não tem nada de natural: trata-se de um mecanismo de defesa para reduzir a superfície de evaporação. Fala-se então de stress hídrico.
Algumas espécies, como a faia, são particularmente vulneráveis: sofrem queimaduras na folhagem, lesões na casca e até microfissuras que impedem a subida da seiva ou provocam embolias (bolhas de ar). Todas estas perturbações interrompem o funcionamento hídrico, comprometem a fotossíntese — e fragilizam a árvore durante muito tempo.

O que acontece depois de uma queda precoce da folhagem?
Quando uma árvore perde as folhas logo no verão, entra numa forma de dormência antecipada, como se se autoprotegesse perante uma situação crítica. Este mecanismo de defesa permite reduzir as necessidades de água e energia, mas tem consequências a médio e a longo prazo.
1. Fotossíntese interrompida = reservas não repostas
Em condições normais, as folhas permanecem ativas até ao outono para produzir açúcares através da fotossíntese. Estes açúcares servem para reforçar as reservas radiculares, essenciais para atravessar o inverno e retomar o crescimento na primavera. Uma queda das folhas no verão impede este processo. A árvore entra, assim, na estação fria com reservas insuficientes, o que a torna mais vulnerável a doenças, à geada ou aos ataques de pragas.
2. Crescimento interrompido
Sem folhas, a árvore deixa de crescer, tanto em altura como em diâmetro. Ao longo de várias estações consecutivas, isto traduz-se num abrandamento do desenvolvimento, numa copa mais esparsa e numa diminuição progressiva da vitalidade.
3. Risco de enfraquecimento prolongado
Se o episódio de stress for pontual, a árvore pode recuperar, sobretudo se estiver bem estabelecida. Mas, se este stress se repetir (como acontece cada vez mais), a árvore não tem tempo para reconstituir as suas reservas e enfraquece progressivamente. Este processo pode prolongar-se durante vários anos antes de conduzir a um declínio total.
4. Consequências tardias visíveis na primavera
Uma árvore que perdeu as folhas em agosto pode parecer viva no inverno, mas não rebentar na primavera seguinte (produzir novas folhas), ou fazê-lo apenas parcialmente. Esta ausência de folhagem traduz então um esgotamento interno, muitas vezes irreversível.

Será isto um sinal da morte da árvore?
Não necessariamente, mas é preocupante. O acastanhamento e a desfoliação precoces são sinais de stress agudo, não uma condenação irreversível. Contudo, se estes episódios se repetirem ano após ano, podem provocar um enfraquecimento prolongado, levar à perda de reservas de carbono, reduzir a resistência às pragas e aumentar o risco de mortalidade.
As espécies mais sensíveis
Nem todas as espécies reagem da mesma forma perante estes episódios climáticos extremos. Algumas são mais vulneráveis do que outras:
- A faia (Fagus sylvatica): é uma das espécies mais afetadas. Originária de climas húmidos e temperados, sofre rapidamente com a falta de água e os golpes de calor. O acastanhamento da sua folhagem é frequente no verão, mesmo em florestas densas. O défice foliar — isto é, a proporção de folhagem em falta em relação ao normal — passou de cerca de 15 % entre 1997 e 2003 para quase 35 % entre 2017 e 2023. Este aumento evidencia uma tendência preocupante, embora a espécie revele por vezes capacidade de recuperação assim que as condições voltam a ser mais favoráveis.
- Os carvalhos (Quercus robur, Q. petraea): entre eles, o carvalho-alvarinho revela-se mais sensível ao stress hídrico estival, enquanto o carvalho-roble e o carvalho pubescente apresentam uma melhor resistência. No entanto, o seu enfraquecimento repetido torna-os mais vulneráveis a pragas como o bupreste ou a certos fungos patogénicos. Representam quase 25 % da área florestal de França, ou seja, uma parte significativa das suas florestas.
- O carpino (Carpinus betulus) e o castanheiro (Castanea sativa): também apresentam sinais de enfraquecimento a partir do fim do verão, com uma queda precoce da folhagem em caso de seca prolongada.
- As coníferas, como a pícea: pouco adaptadas aos verões secos, sofrem um enfraquecimento acentuado, frequentemente aproveitado por pragas como os escolítidos.
Esta situação reflete uma deterioração geral, que afeta todas as categorias de árvores. Estima-se, assim, que um terço dos carvalhos (sésseis e alvarinhos), dois terços das faias, 60 % dos abetos em baixa e média altitude e 90 % das píceas poderão deixar de conseguir desenvolver-se nas suas áreas atuais até 2050.

O que se pode fazer?
Perante esta situação, podem ser consideradas várias medidas:
- Plantar espécies mais adaptadas
No contexto atual, é pertinente repensar a escolha das espécies, sem renunciar às plantas locais. Algumas espécies revelam uma melhor tolerância às secas estivais repetidas. Convém privilegiar espécies resistentes, mas diversificadas, e adaptar as plantações às condições pedoclimáticas locais: tipo de solo, exposição, capacidade de retenção de água, altitude…
Entre as espécies mais adaptadas às condições secas encontram-se o carvalho pubescente, o cedro-do-Atlas e o lódão-bastardo, bem como espécies mediterrânicas como o pinheiro-de-Alepo ou a azinheira. Todas estas espécies são capazes de resistir ao calor, desde que sejam plantadas em zonas bem expostas e com um clima adequado. Espécies como a sófora-do-Japão (Styphnolobium japonicum) ou o ulmeiro-da-Sibéria (Ulmus pumila) também revelam boas capacidades de adaptação.

- Favorecer a biodiversidade vegetal: diversificar as espécies é uma estratégia eficaz para reforçar a resiliência global. Os povoamentos mistos (espécies com sistemas radiculares e necessidades diferentes) resistem melhor às adversidades climáticas.
- Preservar o solo: um solo vivo, rico em matéria orgânica, retém melhor a água. Aplicar uma cobertura do solo, deixar as folhas mortas no local e evitar a compactação do solo são gestos simples, mas eficazes.
- Limitar as intervenções durante os períodos de stress: evite as podas severas, as transplantações ou a aplicação de adubos azotados em pleno verão. Não se apresse a podar ou abater uma árvore sob stress: por vezes, pode recuperar com tempo e melhores condições.
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