Plantar árvores para combater o aquecimento global pode parecer uma solução muito simples. Ainda bem, porque é mesmo!
Numa época em que se abate mais do que se planta, todas as árvores que conseguir plantar no seu jardim revelar-se-ão benéficas por várias razões.
Uma das causas do aquecimento global é a emissão excessiva de dióxido de carbono (CO₂), pelo que a solução mais evidente será plantar árvores, uma vez que absorvem esse CO₂.
Porquê plantar árvores?
Os vegetais em geral, mas as árvores em particular, têm uma capacidade de absorção de CO₂ extraordinária. É um resultado simples da fotossíntese. A árvore absorve o CO₂ do ar e transforma-o em carbono e oxigénio. O oxigénio é libertado para o ar, para nosso grande benefício, enquanto o carbono é armazenado e libertado progressivamente. As florestas representam assim o segundo reservatório de carbono a seguir aos oceanos.
Mas não é só isso: as árvores são também úteis na:
- regulação da temperatura e da higrometria: são verdadeiros climatizadores vivos;
- filtragem do vento e das poeiras, melhorando assim a qualidade do ar;
- fixação de certos poluentes como pesticidas ou metais pesados;
- melhoria do solo, trazendo-lhe biomassa (madeira, folhas...) e combatendo a erosão.

Que árvores plantar para combater o aquecimento global?
1) Árvores autóctones, antes de mais
Há duas grandes vantagens em plantar espécies autóctones:
- estão perfeitamente adaptadas ao clima e ao solo
- alimentam e fornecem abrigo à fauna local
A lista de árvores autóctones é longa, mas eis alguns exemplos:
- Para o Norte: Bordo-da-noruega, Amieiro, Bétula-pubescente, Carpa, Cerejeira-cornalina, Freixo-europeu, Azevinho, Choupo-tremedor, Ulmeiro...
- Para o Sul: Medronheiro, Zêlha, Amieiro-italiano, Castanheiro, Oliveira, Azinheira...
- Para a montanha: Ostria, Ulmeiro-de-montanha, Pinheiro-das-montanhas...
- Para o Litoral: Tamargueira-de-França, Espinheiro-marítimo, Oliveira-da-Rússia, Pinheiro-bravo, Bordo-comum...

2) Autóctones, sim, mas não só...
Algumas espécies autóctones sofrem com as alterações climáticas, enquanto outras mais exóticas ou originárias do Sul parecem ganhar terreno no Norte. Assim, os pinheiros, independentemente da espécie, sofrem com os ataques repetidos das lagartas da processionária do pinheiro. Já a faia, as píceas e mesmo o abeto pectinado já não suportam os nossos verões demasiado quentes e secos. Todas estas árvores tornaram-se também menos resistentes às doenças.
Em contrapartida, algumas árvores veem a sua área de distribuição original deslocar-se. Nada de surpreendente: sempre foi assim! As plantas crescem onde melhor se adaptam. É por isso que existem problemas com certas plantas exóticas invasoras que acabam por se revelar mais adaptadas do que as autóctones em certos meios naturais. Ou o facto de as florestas de carvalhos estarem a recuperar terreno face às florestas de faias, tal como acontecia... há apenas dois mil anos.
Alguns exemplos de árvores que se adaptaram às alterações climáticas
- A Azinheira - Quercus ilex: outrora confinada ao clima mediterrânico, tem tendência para subir mais a norte. Hoje em dia vive muito bem no litoral atlântico até à Bretanha e continuará a progredir em direção ao centro.
- O Carvalho-da-Turquia - Quercus cerris: anteriormente presente apenas no sudeste do país, está agora a deslocar-se claramente para norte, chegando mesmo a ser encontrado até à Bélgica...
- O Carvalho pubescente - Quercus pubescens: uma espécie particularmente adaptada à seca, que tem dado cartas nos últimos anos.
- A Zêlha - Acer monspessulanum: frequentemente associada na natureza à azinheira, segue a mesma tendência, progredindo até à Vendeia.
- O Freixo-do-maná - Fraxinus ornus: primo do freixo-europeu mas bem menos sensível à calariose, vai abandonando a Córsega e os Alpes Marítimos para subir mais a norte.
- O Saboeiro - Koelreuteria paniculata: originário da China e da Coreia, esta árvore revela-se perfeitamente resistente à seca e à poluição urbana.
- O Pinheiro-bravo - Pinus pinaster: presente inicialmente no litoral mediterrânico e atlântico, prossegue a sua expansão em direção ao Oeste e ao Norte.
- A Acácia-bastarda - Robinia pseudoacacia: esta árvore exótica está a tornar-se, aos poucos, a "rainha da floresta". Resiste ao calor, à seca, às inundações e adapta-se a solos pobres, pois tem a capacidade de fixar o azoto. Vai assim ocupando progressivamente o lugar das outras espécies arbóreas.
Para informação: o Serviço Nacional de Florestas está neste momento a realizar ensaios de plantação de Abeto de Bornmüller (Abies bornmuelleriana) em floresta, uma espécie mais adaptada à seca do que o abeto pectinado. Enquanto isso, na Bélgica, estão a ser realizados ensaios em floresta com carvalhos-da-Turquia e carvalhos pubescentes e mesmo... pinheiros da Córsega.

Características gerais das árvores resistentes às alterações climáticas
As árvores com resistência natural à seca e às temperaturas elevadas no verão apresentam frequentemente características comuns:
- Folhas pequenas e numerosas: quanto maior a folha, mais água se evapora. As folhas pequenas são, portanto, o resultado de uma adaptação à seca;
- Uma folhagem cerosa e/ou aveludada: se a folha for espessa ou coberta de pequenos pelos, reterá a água de forma mais eficaz;
- Convém também verificar a região de origem da árvore: se for originária da taiga escandinava, há fortes probabilidades de sofrer no verão... A contrario, as espécies mediterrânicas e do centro da Europa serão particularmente adaptadas.
Em conclusão
Face às alterações climáticas que se têm acelerado nas últimas décadas, será necessário rever as nossas escolhas relativamente às espécies autóctones adaptadas a cada região. Algumas, cuja sobrevivência depende de humidade e de estações marcadas, vão desaparecer em favor de espécies menos exigentes em água e que não necessitam de invernos rigorosos. De qualquer forma, a plantação de árvores será sempre benéfica, desde que se escolham espécies sem problemas de adaptação e capazes de prosperar de forma otimizada sem demasiados cuidados. Portanto, em conclusão: plantemos árvores!
Para saber mais
Alguns investigadores têm dúvidas sobre a eficácia da plantação de árvores para combater o aquecimento global. Na realidade, o que questionam é sobretudo o facto de o CO₂ ser o único responsável pelo aquecimento, bem como a necessidade (segundo eles) de mais superfícies agrícolas para alimentar a população. O ideal seria também, e sobretudo, parar a desflorestação em vez de plantar algumas árvores aqui e ali. Se quiser saber mais e formar a sua própria opinião sobre o assunto, leia este artigo: As florestas: solução para a crise climática?
E se ainda não viu, conheça os principais resultados do nosso inquérito sobre as alterações climáticas e a jardinagem.
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