Cultive o cardo, um legume de talos saborosos

Cultive o cardo, um legume de talos saborosos

Cultivar com sucesso o cardo ou cardo-do-coalho, da sementeira à colheita e ao consumo

Resumo

Modificado em 18 de janeiro de 2026  por Pascale

O gratinado de cardo com molho branco não tem certamente qualquer segredo para quem vive numa vasta região de Lyon. Noutras zonas, este prato tradicional, servido na ceia de Natal, pode causar alguma estranheza. Com efeito, o cardo (Cynara cardunculus), uma hortícola perene muito próxima da alcachofra, continua a ser raro nos jardins do país. Esta planta hortícola da família das Asteráceas merece, no entanto, um lugar na horta, ou até num canteiro, onde a sua folhagem recortada e espinhosa, de um magnífico tom cinzento-azulado, e a sua floração com grandes capítulos roxos fazem maravilhas.

Embora seja próximo da alcachofra, cultivada pelos seus botões florais comestíveis, o cardo é cultivado na horta pelos seus talos ou pencas, que devem ser branqueados antes da colheita.

Descubra como cultivar cardo com sucesso, desde a sementeira até à plantação, passando pelos cuidados e pela colheita. Com uma pequena pausa para aprender a cozinhá-lo.

Para saber tudo: Cardo: plantação, cultivo, colheita

Dificuldade

O cardo: o que é exatamente esta planta de horta?

Muito imponente, o cardo-do-coalho (Cynara cardunculus) distingue-se desde logo pelo seu belo tufo ereto e aberto, constituído por grandes folhas acinzentadas, muito recortadas em lóbulos pontiagudos, sustentadas por pecíolos largos e bem carnudos. São estes pecíolos, chamados talos, que são muito apreciados na cozinha, desde que sejam branqueados para eliminar o amargor natural. Quanto à floração, ocorre no segundo ano, entre junho e julho. Assume a forma de grandes capítulos que fazem lembrar, ao mesmo tempo, as flores do cardo ou da alcachofra.

O cardo-do-coalho é sobretudo uma planta hortícola perene, que se instala de forma duradoura na horta. De origem mediterrânica, pertence à grande família das Asteráceas. Distinguem-se duas variedades de cardo-do-coalho: os cardos espinhosos, logicamente mais difíceis de descascar, mas que beneficiam de um sabor mais intenso, e os cardos sem espinhos, que oferecem talos mais ocos, com um sabor ligeiramente menos marcado. Atualmente, são sobretudo estas variedades sem espinhos que se encontram no mercado. Entre as principais variedades, podem citar-se:

  • ‘Épineux argenté de Plainpalais’, com uma folhagem muito decorativa e de excelente qualidade gustativa. No entanto, continua a ser difícil de descascar, pois é espinhoso…
  • O cardo-do-coalho ‘Plein blanc inerme’, com um tufo muito volumoso, sem espinhos e com talos bem carnudos.
  • Blanc amélioré’, com talos carnudos e largos, que branqueiam facilmente.
  • ‘Vert de Vaux-en-Velin’, sem espinhos, adapta-se muito bem às regiões com invernos rigorosos.
  • O ‘Rouge d’Alger’, uma variedade moderadamente espinhosa, que aprecia particularmente as regiões com verões quentes.
  • O ‘Géant de Romagne’, uma variedade vigorosa que oferece talos largos e espessos.

    identificação do cardo-do-coalho

    As folhas e as inflorescências dos cardos-do-coalho são muito estéticas.

Para ter a oportunidade de saborear talos de cardo-do-coalho, será necessário reservar-lhe um bom espaço na horta. O tufo de folhagem pode atingir 1,50 m de altura e até 60 cm de largura. Depois, deixa-se desenvolver naturalmente e de forma duradoura. É, por isso, considerado um dos legumes (quase) perenes: as plantas devem ser renovadas a cada 3 a 4 anos.

Quando e como semear o cardo?

As sementes de cardo germinam a uma temperatura de 12 a 20 °C. Escusado será dizer que é preferível esperar até meados de maio para semear em plena terra e no local definitivo. A sementeira em vasinhos sob abrigo é possível a partir de abril. No entanto, tem a desvantagem de antecipar a formação de sementes. Para aumentar as probabilidades de sucesso, não hesite em fazer as duas sementeiras, sob abrigo, em vasinhos, e no local definitivo. Deste modo, poderá transplantar as plântulas semeadas em vasinhos para preencher o canteiro, caso faltem plantas.

A sementeira no local definitivo

Os cardos apreciam locais bem soalheiros e solos ricos em matéria orgânica, frescos e perfeitamente drenados. Por isso, recomenda-se uma boa incorporação de composto ou de estrume no outono anterior à sementeira. Se o solo tiver uma drenagem deficiente ou for demasiado húmido, os cardos podem ser cultivados numa elevação, de modo a assegurar uma melhor drenagem. Também é possível incorporar uma pequena quantidade de areia.

Não é necessário demolhar nem refrigerar as sementes.

Para semear, comece por abrir covas com 20 a 25 cm de profundidade, espaçadas pelo menos 50 a 60 cm. No fundo de cada cova, coloque uma boa mão-cheia de composto ou de estrume bem decomposto e, em seguida, acrescente cerca de vinte centímetros de boa terra de jardim, enriquecida no outono. Semeie 3 a 4 sementes por covacho e cubra com 1 a 2 cm de terra. Compacte ligeiramente com os dedos e regue sob a forma de chuva fina.

sementeira de cardo

A sementeira do cardo no local definitivo realiza-se em meados de maio.

É indispensável manter o solo fresco a húmido até à germinação das sementes.

Quando as plântulas tiverem algumas folhas, desbaste para conservar apenas a planta mais vigorosa por cova.

A sementeira sob abrigo 

  • Encha vasinhos com substrato especial para sementeira, eventualmente misturado com um pouco de areia.
  • Enterre 3 sementes por vaso a 1 cm de profundidade.
  • Compacte com os dedos e regue sob a forma de chuva muito fina.
  • Mantenha o substrato húmido até à germinação.
  • Acostume gradualmente os seus vasinhos ao exterior, colocando-os no exterior apenas durante o dia.

Quando as plântulas tiverem algumas folhas pequenas, é essencial desbastar para conservar a planta mais bonita.

A transplantação realiza-se em meados de maio, quando já não houver risco de geadas. Basta proceder da mesma forma que para a sementeira em plena terra, abrindo covas.

Como o cardo se desenvolve relativamente devagar, não hesite em fazer culturas intercalares de rabanetes, alfaces, espinafres, cenouras precoces…

Como cuidar dos cardos?

Os cardos não exigem muitos cuidados, mas precisam, ainda assim, de uma manutenção mínima para desenvolverem os seus talos.

Rega e cobertura morta dos cardos

Comece por regar regularmente. Com efeito, o cardo aprecia solos frescos, mas não encharcados nem saturados de água. Por isso, recomenda-se fazer uma pequena bacia em redor da base da planta, para otimizar a infiltração da água. Em paralelo, recomenda-se cobrir o solo com cobertura morta, sobretudo no verão, utilizando aparas de relva secas ou folhas secas. Antes que a folhagem se desenvolva, não se esqueça de binar e mondar bem, para arejar o solo e eliminar as ervas-daninhas.

Entre as regas, pode ser aconselhável aplicar chorume de urtiga a cada 15 dias, para estimular o crescimento, fornecer os nutrientes necessários e reforçar as defesas contra doenças e parasitas. Virginie partilha a sua receita de chorume de urtiga.

Outra camada de cobertura morta, mais espessa, feita de folhas secas ou palha, deve ser instalada no outono e no inverno, para ajudar os cardos a resistir ao frio. Com efeito, o cardo é relativamente sensível ao frio e às geadas de inverno. Apresenta uma rusticidade na ordem dos – 7 a – 10 °C.

Os cardos têm poucos inimigos. Apenas os pulgões podem aparecer. Uma solução de água e sabão preto permite eliminá-los. Na primavera, os rebentos jovens podem ser alvo da voracidade das lesmas e dos caracóis.

No final do verão, se não pretender recolher as sementes, é preferível cortar as flores para evitar o enfraquecimento da planta. Caso contrário, espere até que fiquem castanhas para colher as flores e coloque-as a secar. As sementes serão semeadas na primavera seguinte.

O branqueamento dos talos

O cuidado mais importante consiste no branqueamento, indispensável para que os talos sejam comestíveis. Sem branqueamento, os talos dos cardos são amargos e duros. Recorde-se que branquear consiste em manter as folhas às escuras durante algum tempo. Para isso, utilizam-se folhas de cartão canelado, papel de jornal, tecido de juta, palha…

Este branqueamento começa a partir de setembro-outubro, quando as folhas atingem 1,5 m de altura. Para escalonar as colheitas, recomenda-se distribuir esta operação por 2 a 3 semanas, até às geadas. O branqueamento deve ser sempre feito num dia sem chuva, para evitar que as folhas apodreçam.

branqueamento do cardo

O branqueamento dos cardos

Como proceder para branquear os talos dos cardos?

  • Retire as folhas da base que estejam secas ou danificadas.
  • Reúna as folhas e ate-as com um fio, sem apertar demasiado.
  • Envolva as folhas atadas em cartão canelado, papel de jornal… e prenda-o com um fio.
  • Amontoe terra junto à base dos cardos, até uma altura de cerca de 20 cm.

Os cardos ficarão assim durante três semanas.

Se pretender saborear cardos na refeição de Natal ou se o inverno chegar muito cedo, pode colocar os cardos numa vala. Basta arrancar os cardos e colocá-los em areia, numa cave ou numa divisão escura, com uma temperatura aproximada de 10 °C. Deste modo, o branqueamento será mais progressivo. Os cardos podem ser colocados numa vala a partir de outubro.

A colheita das folhas de acelga

A colheita faz-se quando os talos estão bem brancos, à medida das necessidades. Basta cortar a touceira de talos pela base, com uma faca grande, rente ao solo. No frigorífico, conservam-se durante alguns dias. Poderá conservá-los durante mais tempo, colocando os talos numa divisão escura e fresca.

Como cozinhar os cardos?

Antes de os cozinhar, é necessário prepará-los! E esta é, muitas vezes, a parte mais delicada. É preciso começar por retirar as folhas restantes e as partes ligeiramente espinhosas. Também será necessário eliminar a parte fibrosa que por vezes cobre os talos. Basta cortar o talo pela base e subir até à parte pontiaguda.

Os talos são depois cortados em pedaços e passados por água com limão, para evitar que escureçam. Para os tornar um pouco mais tenros, os talos devem ser escaldados durante alguns minutos em água a ferver com limão.

cardo na cozinha

Os talos de cardo devem ser escaldados antes de serem preparados

A receita mais tradicional consiste em preparar um gratinado de cardo com molho béchamel. Também é possível prepará-los salteados na frigideira com batatas-inglesas, adicioná-los a um cuscuz ou tajine, ou ainda a uma sopa. Experimente também o creme aveludado de cardo,

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