Doenças e pragas do abutilão: como identificá-las, preveni-las e tratá-las?
Os nossos conselhos
Resumo
O abutilão, por vezes chamado “campainha-de-natal” ou “bordo-de-sala”, desenvolve flores elegantes numa folhagem delicada; é uma planta ornamental muito apreciada pelos jardineiros. Relativamente robusta, esta planta está protegida da maioria das doenças, mas mostra-se sensível às pragas comuns das plantas de jardim, sobretudo quando as condições de cultivo são inadequadas.
Neste artigo, conheça os problemas mais comuns do abutilão, as suas causas e soluções naturais e eficazes para os tratar. Cultive o seu abutilão seguindo os nossos conselhos práticos, para preservar a sua saúde e usufruir plenamente das suas magníficas florações!
As doenças
Oídio
O abutilão é geralmente resistente às doenças. Pode, contudo, ser sensível ao oídio.
As folhas apresentam uma camada branca e pulverulenta, semelhante a talco. Esta camada pode alastrar progressivamente a toda a folha e, por vezes, aos caules e aos botões.
Na ausência de tratamento, as folhas afetadas ficam amarelas, secam e caem. Os rebentos jovens são particularmente vulneráveis e podem deixar de se desenvolver. Se a infeção for grave, a planta pode enfraquecer consideravelmente, o que prejudica o seu crescimento e a sua floração.
O oídio desenvolve-se sobretudo quando se reúnem determinadas condições ambientais:
- Humidade atmosférica elevada: uma atmosfera demasiado húmida favorece a proliferação dos esporos do fungo.
- Má circulação do ar: os espaços confinados ou demasiado preenchidos criam um ambiente favorável ao desenvolvimento da doença.
- Variações de temperatura: as diferenças significativas entre o dia e a noite aumentam o risco de aparecimento do oídio.
Felizmente, o oídio pode ser controlado, desde que se atue rapidamente:
- Remover as partes afetadas: corte imediatamente as folhas ou os caules infetados para impedir a propagação. Destrua estas partes (não as coloque no composto).
- Pulverizar fungicidas naturais: prepare uma solução à base de bicarbonato de sódio (1 colher de chá em 1 litro de água, com um pouco de sabão preto como agente molhante). Pulverize toda a planta, insistindo nas zonas afetadas. O enxofre em pó ou em solução também é muito eficaz, mas deve evitar-se a sua utilização com calor intenso.
A prevenção continua a ser a melhor solução para proteger o seu abutilão:
- Dar espaço entre as plantas: assegure uma boa circulação do ar em redor do seu abutilão, evitando que fique demasiado apertado entre outras plantas.
- Evitar o excesso de rega: regue junto à base da planta, sem molhar as folhas.
- Tratar preventivamente: utilize pulverizações de decocção de cavalinha ou de chorume de urtiga, que reforçam as defesas naturais da planta.
É de notar que, no Abutilon pictum e no Abutilon striatum, também se observa o vírus do mosaico, ou Begomovirus bauri, que provoca uma variegação amarela nas folhas verdes, mantida pelos seus atributos estéticos, uma vez que este vírus afeta pouco a planta de resto.

A folhagem amarela variegada do Abutilon pictum ou do Abutilon striatum deve-se ao vírus do mosaico
Leia também
Abutilão: plantar, podar, cuidarAs pragas
Os seguintes parasitas podem afetar os abutilões:
Pulgões
Estes pequenos insetos verdes, pretos ou amarelos atacam principalmente os rebentos jovens e os botões florais.
As colónias de pulgões, visíveis, concentram-se nos caules, nos botões ou na página inferior das folhas. As folhas ficam enroladas ou deformadas. Pode observar-se a presença de melada pegajosa, que pode atrair outros organismos nocivos, como as formigas.
Podem ser tratados de forma simples:
- Desaloje os pulgões com um jato de água.
- Misture uma colher de sopa de sabão preto num litro de água e pulverize diretamente sobre os pulgões.
- Introduza joaninhas ou crisopas no jardim para eliminar os pulgões de forma ecológica.
Tripes
Estes insetos minúsculos e alongados atacam as folhas e as flores, sobretudo em ambientes secos.
Os tripes são visíveis quando se observa a planta de muito perto, mas os seus efeitos são mais evidentes: pequenas manchas prateadas ou pretas nas folhas, folhas e flores descoloridas ou deformadas. As folhas ficam amarelas e caem.
Mais difíceis de eliminar, as tentativas naturais são as seguintes:
- Aumente o nível de humidade à volta da planta para reduzir a atratividade para os tripes.
- Aplique óleo de neem por pulverização em toda a planta, sobretudo na página inferior das folhas.
- Atraia e capture os tripes adultos com armadilhas específicas azuis adesivas ou armadilhas de feromonas.
- Os inseticidas à base de piretro são eficazes se as outras soluções forem insuficientes.

Danos provocados pelos tripes ©Scot Nelson
Cochonilhas (farinhentas ou de carapaça)
As cochonilhas são parasitas que se fixam nos caules e nas folhas, sugando a seiva da planta e provocando uma diminuição do crescimento.
Os sintomas visíveis são aglomerados com aspeto de algodão (cochonilhas farinhentas) ou pequenas placas castanhas (cochonilhas de carapaça) nos caules e nas folhas. As folhas ficam amarelas e deformam-se. O crescimento abranda ou para.
As soluções:
- Utilize um cotonete embebido em álcool a 70 % para remover as cochonilhas.
- Aplique uma mistura de óleo, sabão preto e álcool diluído em água.
- Inspecione regularmente a planta para detetar as cochonilhas assim que aparecerem.
→ Leia o nosso artigo sobre os tratamentos contra as cochonilhas.

Cochonilha farinhenta
Aranhiços vermelhos
Estes ácaros microscópicos aparecem em ambientes secos e provocam danos importantes na folhagem.
Pode observar-se a presença de finas teias na página inferior das folhas. As folhas ficam amarelas, secam e caem.
As soluções:
- Passe a planta por um jato de água.
- Aumente a humidade e pulverize regularmente água sobre a planta e à sua volta para contrariar a sua proliferação.
- Introduza ácaros benéficos, como Phytoseiulus persimilis, para controlar os aranhiços vermelhos.
→ Leia a nossa ficha de aconselhamento para tratar as infestações de aranhiços vermelhos.
Caracóis e lesmas
Estes organismos nocivos deliciam-se com as folhas e as flores dos abutilões, sobretudo depois das chuvas ou durante a noite. Provocam buracos irregulares nas folhas e nas flores. Podem observar-se vestígios de muco na planta ou no solo.
Espalhe cascas de ovo esmagadas, areia ou borras de café à volta da planta para afastar estes organismos nocivos. Coloque pires com cerveja ou tábuas húmidas nas proximidades para capturar as lesmas e os caracóis. Se necessário, utilize iscos à base de fosfato férrico, inofensivos para os outros animais.
Um parasita específico do interior: as moscas-brancas
Quando o abutilão é cultivado em vaso e precisa de passar o inverno num local protegido da geada, como uma marquise, uma estufa não aquecida, um jardim de inverno ou um espaço sem geada, pode ser atacado por moscas-brancas. Estas pequenas moscas brancas alimentam-se da seiva da planta, provocando danos visíveis e enfraquecendo o abutilão.
Ao tocar na planta, levantam voo pequenos insetos brancos. Observa-se um enfraquecimento geral da planta e um crescimento mais lento.
As soluções:
- Coloque armadilhas amarelas adesivas perto do abutilão para capturar as moscas adultas ou recorra à ajuda de um inseto auxiliar.
- Utilize uma solução de água morna e sabão preto (uma colher de sopa por litro de água), com algumas gotas de óleo vegetal, para limpar as folhas e afastar as moscas-brancas.
Conselhos gerais de prevenção para uma planta saudável
Para manter um abutilão saudável, a prevenção é a melhor solução. Uma planta bem cuidada fica menos vulnerável aos ataques de doenças e pragas. Eis algumas medidas essenciais para proteger o seu abutilão ao longo de todo o ano:
- Escolher o local adequado: tenha em atenção as condições de cultivo necessárias para o seu abutilão. Cresce ao sol nas regiões com verões frescos ou em meia-sombra nos climas quentes, ao abrigo dos ventos fortes, numa terra fértil, sempre fresca no verão e bem drenada. O abutilão não aprecia ambientes confinados: reserve-lhe espaço!
- Reforçar as defesas naturais do abutilão: adube o abutilão com um adubo equilibrado (do tipo NPK 10-10-10) para favorecer o seu crescimento e reforçar as suas defesas. Aplique o adubo aproximadamente a cada 4 a 6 semanas durante o período de crescimento ativo (primavera e verão). Enriqueça o solo com composto ou estrume bem decomposto para melhorar a saúde geral da planta.
- Como medida preventiva, aplique decocções de cavalinha (ricas em sílica) para reforçar a resistência aos fungos, como o oídio. Utilize chorume de urtiga para estimular o vigor da planta e, ao mesmo tempo, afastar algumas pragas.
- Elimine os ramos mortos para arejar a planta e limitar os refúgios para as pragas. Pode também podar as partes danificadas por insetos ou doenças assim que surgirem.
- Examine regularmente as folhas (a face superior e inferior), os caules e os botões para detetar rapidamente sintomas de doenças ou a presença de pragas. Atue aos primeiros sinais para limitar a propagação.
- Atraia os auxiliares naturais. Plante flores melíferas, como alfazema ou aquileia, nas proximidades para atrair predadores naturais, como joaninhas, crisopídeos ou sirfídeos, que se alimentam de pulgões e de outras pragas. Favoreça também as aves insetívoras instalando caixas-ninho.
- Dê preferência a soluções biológicas para não prejudicar os auxiliares e preservar o ecossistema do jardim.

O abutilão não aprecia espaços confinados. Reserve-lhe espaço
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