Doenças e pragas do cacto africano
Identificação, prevenção e soluções naturais
Resumo
O cacto africano (Euphorbia trigona) é uma bonita planta de interior escultural, que forma caules espessos, eretos e ramificados, cobertos de espinhos. Assemelha-se bastante aos cactos colunares.
Tal como todas as orelhas-de-porco ou suculentas, é pouco exigente e bastante fácil de cuidar. No entanto, pode ser afetada por alguns problemas de cultivo. Vejamos quais são as principais pragas e doenças que podem afetar o cacto africano. Apresentamos alguns conselhos para identificar esses problemas, prevenir o seu aparecimento e tratá-los de forma natural, de modo a manter uma planta bonita.

Euphorbia trigona
A podridão das raízes causada pelo excesso de água
Descrição e sintomas
O cacto africano é uma planta originária de África, que cresce em climas quentes e secos. Naturalmente, é, por isso, frugal e não precisa de muitos aportes de água. Pelo contrário, receia mais o excesso de água do que a falta dela. Aliás, esta é a principal causa do enfraquecimento da planta: uma rega demasiado abundante e/ou demasiado regular.
O excesso de água vai, com efeito, favorecer o desenvolvimento de doenças fúngicas (causadas por fungos) e bacterianas. A podridão das raízes é a mais frequente. Notará um amolecimento da base dos caules e um amarelecimento geral da planta. Por vezes, estes sintomas são acompanhados por um odor desagradável devido ao apodrecimento. O substrato pode até começar a ficar esbranquiçado à superfície. Os fungos também podem provocar o aparecimento de manchas castanhas ou pretas nos caules.
Se a planta não for tratada, acabará por ficar preta e por definhar completamente.

Prevenção e soluções naturais
Como prevenção, para evitar o excesso de água, comece por instalar obrigatoriamente o seu cacto africano num recipiente com orifícios de drenagem. O excesso de água deve poder escoar-se. Se colocou um prato ou um cachepot, esvazie-os ao fim de cerca de trinta minutos. A planta terá tido tempo de absorver a água de que precisa, sem sofrer com a estagnação.
Em seguida, utilize um substrato de cultivo bem drenante, para que a água continue a escoar-se corretamente. Encontrará substratos para orelhas-de-porco e cactos, mais leves do que os substratos convencionais e sem retentores de água. Também pode misturar terra de jardim leve ou substrato hortícola de qualidade, em partes iguais, com areia de rio, cascalho, bolas de argila ou qualquer outro elemento drenante.
Quanto à localização, proporcione ao seu cacto africano uma exposição bem iluminada (a oeste ou a sul), mesmo sob sol direto: junto a uma janela, num alpendre, num escritório, etc. No entanto, evite divisões húmidas, como a cozinha ou a casa de banho. Escolha um local bem arejado, mas não sujeito a correntes de ar demasiado fortes (por exemplo, junto à porta de entrada). Por fim, não exponha a planta a temperaturas inferiores a 5 °C.
Quanto à frequência, preveja uma rega aproximadamente de 15 em 15 dias no verão. No inverno, uma rega mensal é geralmente suficiente. Na primavera e no outono, adapte a frequência de acordo com a temperatura ambiente. Para garantir que não rega demasiado cedo, toque na terra com os dedos: deve estar seca em profundidade. Se a planta precisar de água, notará que o caule fica enrugado. Evite sempre molhar os caules durante a rega e não pulverize as partes aéreas.
Como complemento, não hesite em seguir os nossos conselhos no artigo «Como regar um cacto-estrela?».
Se o mal já estiver feito e o cacto apresentar sinais de excesso de água, talvez ainda seja possível intervir. Para isso, retire cuidadosamente a planta do vaso. Inspecione as raízes para eliminar todas as partes que pareçam afetadas (cobertas por uma camada branca, moles, acastanhadas ou com mau cheiro), utilizando uma tesoura ou uma tesoura de poda previamente desinfetada com álcool. Limpe o recipiente com uma gota de sabão preto e volte a plantar o cacto africano num novo substrato seco. Se a planta já estiver demasiado danificada, a última solução consiste em fazer uma estaca para obter uma nova planta. Para isso, use luvas, pois a planta liberta um látex tóxico. As plantas suculentas têm a vantagem de se multiplicar com bastante facilidade.
Leia também
Cacto africano: plantar, cultivar e cuidarAs cochonilhas farinhentas
Descrição e sintomas
As cochonilhas farinhentas fazem parte das pequenas pragas temíveis, mas bastante comuns, que, infelizmente, muitas vezes só se detetam demasiado tarde. O primeiro sintoma visível é o aparecimento de aglomerados brancos, semelhantes a algodão ou a pó, nas plantas. Por vezes, as cochonilhas farinhentas atraem formigas, que as protegem dos predadores em troca da sua melada.
A cochonilha farinhenta é um inseto picador-sugador que se alimenta da seiva das plantas, o que a vai enfraquecendo progressivamente. Mas, ao secretar melada, uma espécie de substância pegajosa, também pode favorecer o desenvolvimento de fumagina, uma doença criptogâmica. Observará então uma espécie de depósito de fuligem negra nas partes aéreas do cacto africano. Este fungo vai afetar o processo de fotossíntese e pode, por isso, causar o definhamento da planta.
Estas pequenas pragas apreciam sobretudo ambientes fechados e quentes, como uma marquise.
Prevenção e soluções naturais
Tal como acontece com todas as plantas, a observação regular permitirá detetar rapidamente os primeiros sinais da presença das pragas e agir antes da sua proliferação. As cochonilhas têm uma capacidade de reprodução muito rápida e podem invadir uma planta em poucas semanas. Além disso, não são fáceis de eliminar depois de se instalarem.
Se dispuser de um espaço exterior bem exposto, poderá colocar o seu cacto africano no exterior, para que beneficie da ventilação natural.
Se a presença de cochonilhas estiver confirmada, utilize um cotonete embebido em álcool a 70 % e esfregue delicadamente as zonas infestadas para eliminar as pragas. Use luvas para evitar picar-se.
Outra solução: pulverizar um inseticida natural caseiro à base de sabão preto. Para isso, escolha um sabão preto puro e dilua uma colher de sopa com uma colher de sopa de óleo vegetal, de colza, por exemplo, num litro de água morna. Verta tudo para um pulverizador, agite e pulverize sobre as partes aéreas do seu cacto africano. Proceda obrigatoriamente ao abrigo dos raios solares, de preferência ao fim do dia. Repita a operação, se necessário, ao fim de uma semana.
Para saber mais, consulte o nosso artigo: « Cochonilha: identificação e tratamento »
Os aranhiços vermelhos
Descrição e sintomas
Os aranhços vermelhos são pequenos ácaros muito difíceis de observar, pois medem apenas cerca de 1 mm. Tal como as cochonilhas, alimentam-se da seiva do cacto africano e, por isso, fragilizam-no. Uma infestação pode levar a planta a definhar.
Os sintomas visíveis são o aparecimento de finas teias semelhantes a teias de aranha. Os caules e as folhas da planta podem também ficar manchados de amarelo ou apresentar um aspeto descolorido.
Os aranhços vermelhos preferem ambientes secos e quentes, relativamente fechados. Também neste caso, trata-se de parasitas que se desenvolvem muito rapidamente.
Prevenção e soluções naturais
As medidas de prevenção são as mesmas que para as cochonilhas farinhentas: observar regularmente a planta e colocá-la no exterior durante os dias de bom tempo, se possível.
Em caso de infestação, utilize o mesmo inseticida natural à base de sabão preto.
Para saber mais: «Aranhço vermelho: identificação e tratamento»
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