Doenças e pragas dos espargos
Reconhecer os sintomas e tratá-los de forma natural
Resumo
Com os seus sabores refinados, suaves e amargos, os espargos brancos, verdes ou violetas encantam as nossas refeições a partir do mês de abril. O espargo ou Asparagus officinalis é uma planta perene consumida como legume, que assume cores verdes, brancas ou violetas consoante o método de cultivo utilizado e a quantidade de luz que recebe. Para o consumir, é preciso ter paciência, pois colhe-se ao fim de três anos de cultivo e, depois, todos os anos durante 10 a 15 anos. É constituído por um rizoma chamado garra, formado por raízes carnudas dispostas em forma de estrela, de onde emergem caules chamados turiões, que podem atingir 50 cm a 1,50 metro de altura. É a extremidade dos caules, com um gomo terminal, que se consome. Fácil de cultivar, apresenta algumas exigências: uma exposição soalheira ou em meia-sombra, bem como um solo arenoso, bem drenado, húmido e rico em húmus. Os espargos são plantas robustas, mas sensíveis ao frio e à humidade, bem como a certas doenças e a alguns parasitas, como todas as plantas. Descubra as doenças e os insetos parasitas que podem afetar o cultivo dos espargos, os seus sintomas, os métodos para os prevenir e os tratamentos naturais a aplicar.
A rizoctónia-violeta
É a doença mais comum do espargo. Esta doença criptogâmica é causada por um fungo que pode permanecer durante muito tempo no solo.
Sintomas
As plantas amarelecem e secam. As raízes, também chamadas garras, ficam igualmente secas e cobertas de filamentos violáceos característicos da rizoctónia violeta. Este fungo encontra-se e persiste durante muito tempo no solo.
Métodos de prevenção
Os terrenos húmidos favorecem o aparecimento da rizoctónia violeta. A melhor forma de prevenir esta doença consiste em garantir a plantação de raízes saudáveis num solo saudável, bem drenado e ligeiro, de modo a evitar o desenvolvimento da doença. Outra opção consiste em plantar os espargos num terreno que tenha sido previamente utilizado para o cultivo de alhos-franceses.
Tratamento
Não existe um verdadeiro tratamento. Arranque e queime as plantas de espargo afetadas e não volte a plantar espargos na parte do solo afetada durante vários anos, pois o fungo permanece durante muito tempo na terra.
Leia também
Cultivar espargos com sucessoA mosca do espargo
A mosca-do-espargo é uma das principais pragas da planta. A mosca surge sobretudo na primavera, em abril e maio, período em que este pequeno inseto põe os ovos na extremidade dos caules ou turiões do espargo.
Sintomas
A extremidade dos caules seca e fica deformada. Quando se examinam mais de perto, verifica-se que apresentam larvas brancas que os devoram e neles escavam galerias.
Métodos de prevenção
Queimar a folhagem seca dos espargos no final da estação. Também pode tentar plantar nas proximidades tomateiros que teriam como particularidade afastar as moscas-do-espargo graças ao seu odor.
Tratamento
Eliminar os espargos afetados para destruir as larvas e os ovos da mosca.

A mosca-do-espargo
O escaravelho-do-espargo
O criocero é outro inseto que pode afetar os espargos. Manifesta-se entre a primavera e o verão, devorando as folhas e a extremidade dos caules.
Sintomas
As folhas e os caules são devorados e amarelecem. Observa-se nos espargos a presença de crioceros adultos, que são pequenos escaravelhos alongados, com 6 mm de comprimento, de cor preta, vermelha e branca, bem como de larvas cinzentas.
Métodos de prevenção
Queimar os caules secos dos espargos no final do outono. Praticar binagens regularmente.
Tratamento
Retirar os insetos à mão e pulverizar uma solução à base de piretro nas plantações.
Consultar o nosso artigo «Como utilizar o piretro no jardim».

Os crioceros do espargo (© Miltos Gikas)
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Plantar os espargosA ferrugem
A ferrugem é uma outra doença criptogâmica causada por um fungo, que pode afetar os espargos. É favorecida pela presença de humidade ou por um solo pesado.
Sintomas
Pequenas manchas alaranjadas ou negras aparecem nos caules e nas folhas, que secam.
Métodos de prevenção
Plantar os espargos num solo bem drenado e num local suficientemente arejado para evitar a presença de humidade. Pode pulverizar calda bordalesa para prevenir o aparecimento da ferrugem.
Tratamento
Eliminar os caules doentes e queimá-los. Evitar regar as folhas e os caules. Tratar com calda bordalesa ou uma decocção de cavalinha.
Como complemento, consultar a nossa ficha “Como eliminar a ferrugem?”

Sintomas de ferrugem no espargo
A estemfiliose ou queimadura estival
A estemfiliose é causada por um fungo e surge em condições de humidade atmosférica e com temperaturas superiores a 15°C, que provocam a formação de orvalho abundante.
Sintomas
Aparecem pequenas manchas castanhas nos caules, que parecem queimados, e as folhas e os turiões secam.
Métodos de prevenção
Plantar os espargos num local suficientemente arejado, onde o ar circule bem.
Tratamento
Retirar os pés afetados e queimá-los. No final da estação, queimar as folhas secas que restam.

A estemfiliose numa folha de pereira
A fusariose
Trata-se ainda de uma doença causada por um fungo que pode permanecer durante muito tempo no solo.
Sintomas
Os caules tornam-se amarelos, secam e, por vezes, apodrecem na base. As raízes ficam cobertas por um revestimento esbranquiçado característico da doença.
Métodos de prevenção
Plantar num solo suficientemente drenado para evitar a presença de humidade que favorece o desenvolvimento de doenças criptogâmicas. Evitar amontoar demasiada terra junto às raízes, pois a acumulação de terra favorece o desenvolvimento da fusariose.
Tratamento
Retirar e queimar as plantas afetadas pela doença. Aguardar vários anos antes de voltar a plantar nesta parte do solo.
Para saber mais
Como complemento, consulte a nossa ficha: Identificar as principais pragas e doenças das plantas, bem como a nossa ficha completa sobre a plantação, o cultivo e a colheita do espargo.
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