Identificar os principais insetos parasitas e as doenças das plantas
Noções básicas
Resumo
Pulgões, cochonilhas, míldio ou oídio: infelizmente, todos os jardineiros conhecem estes problemas de doenças ou pragas, que enfraquecem as plantas, danificam-lhes a folhagem e a floração, arruínam as colheitas e, por vezes, ameaçam a sobrevivência das plantas. É importante saber reconhecer os sintomas e identificá-los o mais cedo possível para poder limitar os danos, tanto mais que uma praga ou doença que não seja controlada corre o risco de se espalhar às outras plantas do jardim… Descubra todos os nossos conselhos para identificar as doenças e os insetos parasitas mais comuns, evitá-los e saber como agir quando as plantas são afetadas por eles!
Os principais insetos parasitas
Os pulgões
Os pulgões são pequenos insetos pretos ou verdes que picam os tecidos da planta e sugam a seiva para se alimentarem. Encontram-se geralmente em grupo nos rebentos novos e na página inferior das folhas. Enfraquecem a planta e podem provocar a deformação das folhas. Produzem também uma substância açucarada chamada melada, que favorece o desenvolvimento da fumagina, um fungo negro que cobre a superfície das folhas e limita a fotossíntese.
Métodos de controlo: Numa primeira fase, pode dispersar as colónias de pulgões com um jato de água. No entanto, em caso de ataque importante, recomenda-se a utilização de sabão preto (15 a 30 g por 1 litro de água), para pulverizar sobre a planta. Em último recurso, utilize um inseticida à base de piretro vegetal. Para uma abordagem mais ecológica, introduza predadores naturais, como as joaninhas, os sirfídeos ou as crisopas no jardim.
A nossa ficha de aconselhamento “Pulgão: identificação e tratamento”
As cochonilhas
As cochonilhas são pequenos insetos picadores-sugadores que se fixam firmemente às plantas e se alimentam da sua seiva. Existem vários tipos: as cochonilhas farinhentas, as cochonilhas de carapaça e as cochonilhas de escudo. Pequenas e discretas, são muitas vezes difíceis de detetar. As cochonilhas apreciam ambientes confinados, quentes e húmidos. Tal como os pulgões, enfraquecem as plantas ao sugarem a sua seiva e produzem melada, o que favorece o aparecimento de fumagina.
Métodos de controlo: Pode remover as cochonilhas com um cotonete embebido em álcool a 90° ou em água com sabão. Para as cochonilhas de escudo, utilize uma faca para descolar as carapaças cerosas dos caules, tendo o cuidado de não ferir a planta. Também pode preparar uma solução contra as cochonilhas, diluindo uma colher de chá de sabão preto, uma colher de chá de álcool desnaturado e uma colher de chá de óleo de colza num litro de água. Misture e pulverize sobre as plantas afetadas. Favoreça também a biodiversidade no jardim, instalando, por exemplo, hotéis para insetos. As joaninhas, os sirfídeos, os percevejos e as crisopas são predadores naturais das cochonilhas.
A nossa ficha de aconselhamento “Cochonilha: identificação e tratamento”
Os aranhiços vermelhos
Os aranhiços vermelhos ou ácaros tetraniquídeos são minúsculos ácaros, quase invisíveis a olho nu. Tecem teias finas nas plantas, geralmente na página inferior das folhas. Os aranhiços vermelhos sugam o conteúdo das células vegetais, provocando manchas amarelas ou brancas nas folhas. Em caso de infestação grave, as folhas podem cair.
Métodos de controlo: Pode combater os aranhiços vermelhos pulverizando água sobre as plantas, pois detestam a humidade. Em caso de ataque intenso, misture algumas gotas de óleo essencial de alecrim com um pouco de sabão preto e óleo de colza. De seguida, dilua tudo num litro de água e pulverize sobre a planta. As larvas de crisopa alimentam-se dos ovos dos aranhiços vermelhos; coloque um hotel para insetos junto das plantas para as acolher.
A nossa ficha de aconselhamento: “Aranhiço vermelho: identificação e tratamento”
A mosca-branca
A mosca-branca, também chamada mosca-branca, é um pequeno inseto alado de cor branca que levanta voo em nuvem assim que alguém se aproxima da planta. Reproduz-se rapidamente (a fêmea pode pôr até 600 ovos) e pode atacar um grande número de plantas, principalmente em estufa, mas também no interior e no jardim. As larvas encontram-se na página inferior das folhas. A mosca-branca suga a seiva das plantas e produz também melada. Por vezes, as folhas acabam por amarelecer e cair.
Métodos de controlo: Pode instalar armadilhas adesivas amarelas para capturar a mosca-branca. Se necessário, utilize também sabão preto adicionado de óleo vegetal, diluído em água e pulverizado sobre a planta. O óleo essencial de gerânio perfumado também é eficaz contra a mosca-branca.
A nossa ficha de aconselhamento “Mosca-branca ou aleurodes: identificação e tratamento”
Os tripes
Os tripes são pequenos insetos alongados, com um comprimento entre 1 e 2 mm, geralmente de cor castanha-escura ou preta. Os tripes picam as células vegetais para lhes sugarem o conteúdo, provocando manchas brancas ou prateadas nas folhas. Por vezes, estas acabam por secar e cair. Os rebentos novos, as flores e os frutos também podem deformar-se e ficar necrosados.
Métodos de controlo: Os tripes apreciam o calor e a seca, pelo que pode limitar a infestação pulverizando água sobre a folhagem das plantas. Se necessário, utilize armadilhas adesivas azuis com um atrativo especial para tripes para capturar os machos adultos e limitar a reprodução. Também pode utilizar sabão preto, óleo de neem ou, em último recurso, um inseticida à base de piretro.
Consulte a nossa ficha “Tripes: identificação e tratamento natural”

Da esquerda para a direita e de cima para baixo: pulgões, cochonilhas farinhentas, aranhiços vermelhos, mosca-branca e tripes
Leia também
Combater doenças e pragas em estufaAs doenças mais comuns
O oídio
O oídio é uma doença criptogâmica (causada por um fungo) que se manifesta sob a forma de um depósito branco-acinzentado, de aspeto farinhento, nas folhas, nos rebentos jovens e nos botões florais. Enfraquece a planta e pode provocar a deformação e a queda das folhas e, por vezes, acabar por causar a morte da planta. Afeta sobretudo as roseiras, os ásteres, as curgetes, os pepinos, os tomates… Esta doença é favorecida por um ambiente confinado, com ar quente e seco.
Método de tratamento: Pode tratar o oídio utilizando um fungicida à base de enxofre. A prevenção do oídio implica muitas vezes manter as plantas bem espaçadas, para garantir uma boa circulação do ar. Nas plantas hortícolas, o oídio aparece geralmente no final da estação e, muitas vezes, não é necessário tratar.
A nossa ficha de aconselhamento “O oídio ou a doença do branco”
O botrítis
O Botrytis cinerea, também chamado podridão cinzenta, provoca o aparecimento de manchas castanhas nas folhas, que ficam depois cobertas por uma camada felpuda cinzenta. O botrítis também provoca a murchidão das flores e o apodrecimento dos frutos. Esta doença afeta sobretudo as peónias, as tulipas, as begónias, os tomates, os pepinos, as curgetes, os morangueiros… É favorecida por condições húmidas e quentes, principalmente na primavera ou no outono. Como prevenção, evite plantar demasiado perto umas das outras e pode a folhagem, se necessário, para permitir uma boa circulação do ar.
Método de tratamento: Retire e deite fora as partes infetadas da planta. Recomenda-se também preparar uma decocção de alho ou utilizar um fungicida à base de enxofre.
A nossa ficha de aconselhamento sobre o botrítis.
A fumagina
A fumagina é provocada por um fungo que se desenvolve na melada segregada pelos pulgões, cochonilhas, moscas-brancas… As folhas ficam então cobertas por uma película negra, semelhante a fuligem. Não é uma doença muito grave, no sentido em que não ameaça diretamente a sobrevivência da planta, mas bloqueia a fotossíntese, o que enfraquece a planta.
Método de tratamento: O tratamento consiste em controlar os insetos que produzem melada, onde a fumagina se desenvolve. Limpe as folhas com um pano húmido para retirar a fumagina.
A nossa ficha de aconselhamento: “A fumagina, o que é?”
A ferrugem
A ferrugem é causada por fungos microscópicos e manifesta-se através de pústulas cor de laranja-ferrugem na parte inferior das folhas. Pode provocar o amarelecimento e a queda das folhas.
Método de tratamento: Retire as folhas infetadas e utilize um fungicida, como a calda bordalesa ou o enxofre. A prevenção inclui evitar molhar as folhas durante a rega.
Consulte a nossa ficha de aconselhamento: “Como eliminar a doença da ferrugem”
A antracnose
A antracnose é uma doença criptogâmica que provoca manchas castanhas, muitas vezes com um halo amarelo, nas folhas, nos caules e nos frutos. Afeta sobretudo plantas hortícolas, como os feijões, as ervilhas e os melões, pequenos frutos, como as groselheiras, os framboeseiros e os morangueiros, mas também a videira, as cerejeiras, a nogueira-europeia, o plátano… Esta doença pode provocar a queda das folhas, das flores e dos frutos.
Método de tratamento: O tratamento implica a eliminação das partes infetadas da planta e a utilização de fungicidas. A prevenção inclui manter o jardim limpo e assegurar uma boa circulação do ar entre as plantas.
A nossa ficha de aconselhamento sobre a antracnose
A clorose
A clorose não é realmente uma doença, mas antes o sintoma de uma carência. A mais frequente é a clorose férrica, que indica um problema de absorção do ferro, muitas vezes causado por um pH demasiado elevado ou por um excesso de calcário no solo. Manifesta-se pelo amarelecimento das folhas, mantendo as nervuras verdes, e observa-se sobretudo nas roseiras, nas plantas acidófilas (rododendros, camélias…), nos citrinos… A clorose pode abrandar o crescimento da planta e, em casos graves, provocar a queda das folhas.
Método de tratamento: O mais importante para evitar a clorose é escolher plantas adaptadas ao terreno. Se o solo for calcário, evite plantar arbustos de terra de urze ou outras plantas sensíveis ao calcário. Ainda assim, pode cultivá-los em vaso, num substrato adequado, misturado com terra ácida.
No entanto, se as plantas apresentarem clorose, recomenda-se aplicar composto bem decomposto, bem como um pouco de terra ácida, regar com água da chuva e cobrir o solo com agulhas de pinheiro. Se isso não for suficiente, aplique um produto à base de quelatos de ferro, para diluir na água da rega.
A nossa ficha de aconselhamento “A clorose férrica”

Oídio, botrítis (fotografia: Scot Nelson), fumagina, ferrugem, antracnose e clorose férrica (fotografia: Malcolm Manners)
Detete quanto antes os insetos e as doenças
Uma vigilância regular do seu jardim é essencial para detetar precocemente as pragas e as doenças das plantas e limitar a sua propagação. Eis algumas sugestões para ajudar nessa tarefa:
- Examine as folhas: Verifique regularmente a folhagem das suas plantas, para detetar rapidamente as folhas danificadas: amareladas, murchas, manchadas ou deformadas… A presença de pequenos buracos pode significar que um inseto se alimenta das suas plantas, enquanto as manchas ou o revestimento felpudo da folhagem são frequentemente sinais de uma doença. Lembre-se, sobretudo, de observar a parte inferior das folhas: é frequente os insetos ou os seus ovos esconderem-se aí. Se as folhas murcharem, ficarem moles ou secas, isso pode significar, por exemplo, que as raízes estão asfixiadas ou que um fungo está a impedir a circulação da seiva na planta…
- Observe os insetos e aprenda a identificá-los, para saber se representam ou não um perigo para as suas plantas. Pelo contrário, poderá talvez detetar insetos auxiliares, como os crisopídeos, que são predadores de pulgões.
- Acompanhe o ciclo de crescimento: Se as suas plantas não se desenvolverem como previsto ou se o seu crescimento parecer atrasado, isso pode ser sinal de um problema subjacente: falta de nutrientes, doença ou presença de insetos parasitas…
- Vigie as alterações de cor: As doenças fúngicas ou bacterianas podem frequentemente provocar alterações de cor nas plantas. Por exemplo, o oídio manifesta-se através de um depósito branco nas folhas, enquanto a mancha negra provoca manchas negras nas folhas das roseiras.
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Tudo sobre as doenças criptogâmicasMedidas preventivas
Eis alguns conselhos e medidas a adotar para manter as suas plantas saudáveis:
- Adapte a rega das suas plantas às suas necessidades: um excesso de humidade pode provocar o apodrecimento das raízes e favorecer a proliferação de certas doenças fúngicas, enquanto a falta de água e o stress hídrico também tornam as plantas mais frágeis. É necessário ter em conta as necessidades das plantas e a natureza do solo, para adaptar a rega em conformidade. Para saber se uma planta precisa de água, revolva ligeiramente o solo nos primeiros centímetros para verificar se está seco e observe as folhas das plantas: se estiverem moles e pendentes em direção ao solo, é provável que a planta tenha sede. É preferível regar junto ao pé das plantas, evitando molhar a folhagem. Recomenda-se também a instalação de uma camada de cobertura morta orgânica, para que o solo se mantenha fresco durante mais tempo.
- Adapte também a fertilização: as plantas precisam de nutrientes para crescer e se defenderem contra os parasitas e as doenças, mas prefira fornecer composto em vez de adubos de ação rápida. Do mesmo modo, o excesso de azoto provoca um crescimento rápido, mas torna as plantas mais frágeis e mais atrativas para alguns insetos.
- Evite plantar demasiado junto e faça a poda de vez em quando para assegurar uma boa circulação do ar. Desbaste a folhagem quando esta estiver demasiado densa. As plantas precisam de um bom fluxo de ar para prevenir as doenças criptogâmicas. Evite ambientes confinados: por exemplo, se as plantas estiverem numa estufa ou sob um estufim, areje regularmente.
- Na horta, pratique a rotação de culturas: esta prática ajuda a prevenir a acumulação no solo de parasitas e doenças específicas de certas plantas. Pense também nas plantas companheiras: o tagete, por exemplo, é conhecido por afastar a mosca-branca, as altisas e os pulgões.
- Assim que as detetar, retire as partes mortas ou doentes, podando-as, e lembre-se de desinfetar as ferramentas de poda. Do mesmo modo, queime ou deite fora as partes atacadas por doenças ou parasitas, mas não as coloque no composto, para evitar que se propaguem às outras plantas.
- Pode fazer chorume de urtiga: esta preparação natural reforça as defesas das plantas, ajuda a prevenir as doenças e afasta os pulgões. O chorume de fetos e o chorume de absinto também têm propriedades insetífugas e fungicidas. A decocção de cavalinha reforça igualmente as defesas das plantas e é útil, nomeadamente, contra o oídio e a botrítis.
- Promova a biodiversidade no jardim, instalando caixas-ninho, abrigos para ouriços-cacheiros e hotéis para insetos… A preservação de uma boa biodiversidade no jardim ajuda a controlar as populações de parasitas. Isto inclui a plantação de diferentes variedades de plantas e a preservação dos habitats naturais da fauna. Do mesmo modo, a introdução de predadores naturais no jardim é uma excelente estratégia de controlo biológico. Entre estes encontram-se as joaninhas, os sirfídeos e os crisopídeos, que se alimentam de numerosos parasitas das plantas. Os ouriços-cacheiros também desempenham um papel importante: alimentam-se de lesmas, caracóis, escaravelhos-maio, larvas de elaterídeos…
- Escolha plantas resistentes: algumas variedades são naturalmente mais resistentes aos parasitas e às doenças (roseiras com certificação ADR, etc.). Ao comprar plantas novas, procure variedades conhecidas pela sua resistência na sua região. Escolha também plantas adaptadas ao seu clima e ao tipo de solo.
- Cuide da vida do solo: um solo fértil e vivo tornará as plantas mais resilientes e resistentes aos ataques de parasitas.
A nossa ficha de aconselhamento “Combater as doenças e os parasitas na estufa”

Para evitar os principais parasitas das plantas, promova a biodiversidade no jardim, instalando hotéis para insetos, abrigos para ouriços-cacheiros, caixas-ninho…
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